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sexta-feira, 12 de junho de 2020

O Primeiro Encontro

Era uma tarde ensolarada e bonita, ela caminhava feliz na expectativa do que iria vir a encontrar. 
A ansiedade era tão grande que mal cabia em si, seu corpo todo estava em plena agitação, e então seus olhos focaram e encontraram ele, um sorriso surgiu instantaneamente em seus lábios, ela mal podia acreditar, ele estava ali, na frente dela, e embora ela não soubesse ainda, ele seria o amor da sua vida e lhe faria tão bem que ela seria incapaz de viver um minuto sequer sem a sua companhia.
-Oi!!
Ela se aproximou dele já abrindo os braços e o abraçando forte, sendo retribuída com muito amor e carinho.
-Oi!!
Ele lhe acalentava dentro de seus braços, selando ali naquele encontro o que seria o seu para todo o sempre.
Assim surgiu o início de uma bela e maravilhosa história de amor...

Jessica Curto

segunda-feira, 30 de março de 2020

O Café

Naquela manhã gelada, ela só queria uma xícara de café bem quente.
Sentou-se em uma mesa próxima à janela e ficou observando o movimento da rua, as pessoas passando, algumas conversavam, mas a maioria só tinha pressa.
Ela bebericou sua bebida, saboreando o gosto doce que tinha, suspirou se recostando na cadeira e fechou os olhos por um instante, sua mente estava longe, naqueles lindos olhos castanho-esverdeados que a deixavam completamente maluca, e aquele sorriso doce... A saudade apertava seu peito, voltaria a vê-lo novamente?
Voltou a abrir os olhos e se deparou com um casal que andava pela calçada em frente da loja que se encontrava, eles sorriam um para o outro e ela se agarrava em seu braço, recostando de leve sua cabeça e lhe dando um leve beijo.
Pareciam tão doces e amorosos, como se o mundo ao redor não importasse, estavam vivendo o próprio momento.
Era isso, estava decidida, iria viver o próprio momento!
Se levantou determinada e deixando o dinheiro em cima da mesa, se retirou, iria atrás dele, iria atrás da sua felicidade! 

Jessica Curto

sábado, 28 de março de 2020

Superar

Naquelas flâmulas douradas estava o que seria o começo de uma longa e perpetuosa jornada.
Seus dedos se enroscavam nos dele, sentindo o toque quente de sua pele, escutando o farfalhar das folhas na imensa árvore em que se encontravam recostados.
-Será que vamos conseguir superar?
Ela olhava para ele com olhos curiosos, via seu ar era de seriedade, seus olhos estavam distantes, focando em algo além da visão.
-Vamos fazer acontecer, a vida sempre se ajeita, de um jeito ou de outro!
Aquilo era tudo o que ela precisava ouvir naquele instante, então com a convicção de que as coisas voltariam ao normal, ela se recostou em seu peitoril e fechou os olhos por um instante, suspirando e sentindo a brisa tocar em seu rosto.
Nada é fácil nesse mundo, é preciso persistência e muita determinação, mas quando se tem amor, tudo se supera, e eles superariam...

Jessica Curto


sábado, 8 de fevereiro de 2020

Primeiro dia

Era uma segunda feira quente e ensolarada, quase não tinha nuvens no céu e a brisa era fraca.
Estava sentada nas escadarias em frente a entrada da faculdade, esperando o horário para entrar.
Os livros em meu colo estavam me deixando mais quente.
Olhei ao redor e vi pessoas se abraçarem, se beijarem e se cumprimentarem, muitos já se conheciam ou estavam se conhecendo e eu estava ali, sentada, sozinha, morrendo de calor.
Pelo jeito o dia ia ser longo e cansativo.
O sinal bateu e me levantei as pressas, indo em direção ao grande monumento, esperava que estivesse mais gélido e mais confortável, mas foi um ledo engano da minha imaginação.
Ao entrar em minha sala, percebi que o sol invadia tudo e o ventilador para meu azar estava quebrado.
Sentei na primeira carteira do canto direito, encostada na parede e distante da janela, mas não estava ajudando muito, ainda torrava fortemente com o calor.
Sentia o suor escorrer pela minha cabeça e deixar meu cabelo frisado e oleoso, ainda bem que resolvi não ir de maquiagem, pois aquela altura eu já estaria toda borrada.
Minha camiseta preta estava colando, e por mais que eu tentasse controlar a minha transpiração, estava sendo impossível.
-Que dia, meu Deus! Logo no primeiro dia de aula!
Abaixei a cabeça sobre a mesa, recostando minha testa na mesa gelada, me refrescando um pouco.
Fechei os olhos e respirei fundo, o nervoso misturado com aquilo estava me fazendo ter uma forte falta de ar.
-Com calor? Precisa de ajuda?
Ouvi uma voz masculina forte, doce e gostosa, não era grossa, estava mais para uma voz adolescente em transformação, completamente sexy, mas não estava afim de cantadas de babacas logo hoje, logo naquele calor infernal. Na verdade, não estava com vontade de fazer nada.
Ergui a cabeça já com uma resposta na ponta da língua, até que vi a quem pertencia a voz.
Ele tinha lindos olhos azuis, e um cabelo de um castanho aloirado que brilhava com a luz forte do sol.
Um sorriso encantador, e um corpo, que meu Deus... Não era o tipo de menino magricela que a gente está acostumada a ver no colégio.
Fiquei sem reação, abri um sorriso e soltei em um tom baixo e completamente sem graça.
-Err... Sim...
Se estava quente, com certeza ficou mais ainda com aquilo.
Senti minhas bochechas pegarem fogo.
-Sou Marcos, prazer!
Ele estendeu a mão para mim, ainda possuindo naqueles lábios doces seu sorriso encantador e irresistível.
Apertei sua mão levemente, percebi o quanto era pequena perto dele.
-Posso me sentar aqui??
Ele apontou para o lugar ao meu lado, mas simplesmente não esperou minha resposta e se sentou.
-Você não me disse seu nome?
-Am... Am... Pa...Patrícia!
-Muito prazer! Lindo nome, assim como a dona!
Nossa, eu podia me ver completamente vermelha na frente dele, uma falta de ar e eu não sabia o que fazer, apenas sorri.
-Então, eu sei que não é educado, principalmente quando acaba de se conhecer uma dama tão bonita, mas, por um acaso você saberia me dizer onde fica o banheiro? É que é meu primeiro dia aqui...
Ele estava ficando sem graça? Era isso mesmo que eu estava vendo? Ele levou a mão direita atrás do pescoço, coçando-o, um pouco incomodado com a situação.
O que fazer? O que fazer? Droga, por que sempre me petrifico nesses momentos?
-Ah eu levo você até lá, se quiser!
Uma loira de grandes e fartos seios, com um mini vestido branco se apoiou na mesa dele, empinando a bunda para quem quisesse ver o que ela tinha por baixo.
Sorria descaradamente para ele, que ficou sem graça e se deixou levar por ela, que pegou em sua mão e foi caminhando com ele pelo corredor.
A vadia da Nathalie.
Tinha me esquecido nas férias da sua existência, e por mim, poderia esquecer dela o resto da vida, se ela não insistisse para que eu me lembrasse o quanto ela era gostosa, perfeita e que todos os homens babavam por ela.
Me enfureci por ter deixado ela fazer o que fez e não tomar nenhuma atitude. Eu era uma completa idiota!
-Bom dia classe!
O professor Roberto, de produções independentes, adentrou na sala. Um homem completamente careca e com uma barriga gigantesca.
Ele passou a mão pela cabeça que brilhava de suor, me encarou e eu já sabia do que se tratava.
Ele estava prestes a me pedir para ir na lousa escrever alguma coisa.
Bem vinda Patrícia, ao seu inferno anual!

Jessica Curto

domingo, 15 de março de 2015

Sinfonia da Vida

A redoma de gelo quebrou e seus fragmentos voaram ao som do vento. O vento que liberta, dá suporte ao vôo e entrelaça os corpos com a melodia sinfonante da vida.

Ao som de meus passos eu andei durante horas sabendo apenas para onde ir. Não sabia a hora do retorno nem fazia ideia de como agir e o que sentiria ao trilhar por aqueles caminhos. Não me passou pela cabeça que talvez não houvesse retorno.

Vi e conheci gente nova. De todos os tipos, de todas as raças e com as mais diversas intenções tatuadas no corpo e na mente. E eu conheci você.

Seus cabelos suados não balançavam muito com o vento e sua voz não podia ser ouvida direito no meio do som e da algazarra da festa. Mas eu sentia suas intenções e pensamentos... Eu te sentia. É claro que eu posso estar errado em afirmar isso, mas é o que eu ainda penso. E eu sinto a saudade de teus lábios, de teu toque, tuas palavras, gestos, atitudes e pensamentos. Sinto saudade de barulho que fazia lá fora, pois embora ele apagasse uma parte de sua voz, ele me fazia entender aquele mundo novo ao qual eu estava a um passo de fazer parte.

E eu quero voltar, pois agora estou liberto. Sem medos, sem ressentimentos e finalmente com o conhecimento que eu precisava ter sobre meu corpo e minhas emoções. Não vejo a hora de encontrá-lo novamente e sorrir ao sentir o calor que borbulha em meio as nossas vidas. Nossa vida é o vento, a festa alegre na qual estamos é o calor que nos aproxima e a paixão presente no meu peito me encanta e alucina...

A redoma de gelo quebrou e seus fragmentos voaram ao som do vento. Enquanto isso, meu amor por você escapa do corpo e flui para o universo. Livre e feliz, enlaçado com a melodia sinfonante da vida.

Lucas de Figueiredo

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um amor de Guia


Oiiiee pessoal, tudo em cima? 

Estou escrevendo porque tenho uma super dica pra vocês, a Mayara Almeida (que foi quem nos deu a dica do livro Saga de Bravos da Patricia de Luna) nos trouxe dessa vez a dica do projeto da jornalista e escritora Natália Alcântara, achei muito interessante e uma forma genial de chamar a atenção para o caso da falta de cães guias aptos para guiar um deficiente visual, por isso, peço que vocês deem uma maior atenção para esta postagem.


No Brasil existem cerca de 6,5 milhões de pessoas com baixa ou nenhuma visão. Apesar desse número, encontram-se no país menos de 100 cães-guia treinados e aptos para guiar um deficiente visual. Essa realidade chamou a atenção da jornalista Natália Alcântara, apaixonada por cães, que se encantou pelo tema para sua conclusão de curso na faculdade.

“A ideia do projeto Amor de Guia brotou com a vontade de realizar dois sonhos, produzir um livro e ajudar a divulgar a importância dos cães-guia”, destaca a autora, que hoje se divide entre uma assessoria de imprensa, a manutenção da fanpage Amor de Guia e com o voluntariado na Escola de Cães Guias Helen Keller - a primeira escola da América Latina ligada à Federação Internacional de Cão-Guia.

O livro “Amor de Guia: A história de cães que emprestam seus olhos para quem não pode ver” fala de sonhos e esperança, de superação, de vitórias e conquistas! A narrativa traz histórias vividas pelos usuários de cão-guia e serve como uma fonte de inspiração para aqueles que desejam ter um cão-guia e resgata a esperança de todos aqueles que acreditam no potencial dos animais e também das pessoas. Há também as experiências vividas pelos socializadores e os instrutores, responsáveis por ajudar o cão a graduar-se como um guia.

No entanto, o objetivo maior é alertar para a realidade distante entre o cão guia e o deficiente visual devido à falta de profissionais qualificados para realizar o treinamento e ao alto custo desse processo. As escolas e instituições que realizam esse trabalho só conseguem finalizá-lo devido a doações, ajuda de voluntários e apoio de empresas públicas e privadas.

Inovação para chegar às prateleiras

O livro, para ser publicado, precisa da ajuda de todos. Isso porque ele faz parte de um projeto de financiamento coletivo (ou crowdfunding) realizado pela Bookstart.  A ideia é simples: um grupo de colaboradores contribui com determinadas quantias em dinheiro para que um projeto seja viabilizado.

Funciona assim: a Bookstart recebe uma proposta de campanha de um autor, analisa, aprova e coloca à disposição na web. Os leitores interessados podem então fazer uma colaboração em dinheiro (por cartão de crédito ou boleto) e, se o projeto atingir a meta preestabelecida, o dinheiro arrecadado é utilizado para viabilizar os custos de produção e distribuição do livro.

“O objetivo é oferecer um serviço que fique entre a autopublicação e o trabalho de uma editora profissional. "Vamos publicar com alguma qualidade e ao mesmo tempo dar capilaridade para autores independentes", afirma Bernardo Obadia, sócio da Bookstart.

E então, vamos ajudar?? 

Desde já, muito obrigada seus lindos!!

Um beijo,

Jéssica Curto

domingo, 19 de outubro de 2014

Hugo & Elisa E A Fuga De Madame Hornick de Anna Chiara em uma SUPER PROMOÇÃO nas Livrarias Curitiba!!! \o/

Muuuuuito boa tarde minha gente, 

tudo bem por ai?? 
Estou vindo com muuuuuuiiiiitaaaaa empolgação contar uma super novidade para vocês, meus lindos leitores assíduos e viciados em livros!! 
Vocês se lembram da nossa querida autora Anna Chiara do livro Hugo & Elisa E (A espetacular, incrível e formidável =X) Fuga De Madame Hornick, que nos enviou vááárioooos marca-páginas autografados que o pessoal ficou louco para ganhar e rolou até promoção?? 
Pois então, essa moça não para de agradar os pobres mortais amantes de livros, e agora veio com mais uma super novidade para a felicidade geral dos leitores!! \o/
O seu livro está sendo vendido à preço promocional... é isso mesmo que você leu, PROMOCIONAL nas Livrarias Curitiba por APENAS R$17,30!!!! 
Gente, fala sério, em que lugar do UNIVERSO um livro tão INCRÍVEL como esse seria tão barato assim??? Nós sabemos o quanto livros são caros aqui no Brasil, então temos que aproveitar essa oportunidade ÚNICA e comprarmos o mais rápido possível!!! 
Eu garanto que vocês não vão se arrepender, não é todo dia que você tem a grande chance de possuir um livro tão bom por um preço tão INCRÍVEL e como eu sou legal com vocês, vim divulgar isso rsrs.
Ah, mais uma coisa, ele também está sendo anunciado na nova edição da revista da loja (Ler & Cia), que tem circulação também nas Livrarias Catarinense.
Você vai mesmo deixar passar uma oportunidade dessas?? Não né?!
Então corre logo e adquira já o seu, depois vem aqui no blog e diz o que achou dessa nossa dica ;-) 

Um beijão da blogueira que ama vocês,

Jéssica Curto



sábado, 18 de outubro de 2014

Saga de Bravos de Patrícia de Luna



Fala minha gente, tudo bem por ai??

Venho com mais uma novidade super legal pra vocês, meus queridos leitores.
Estava checando os meus e-mails quando de repente me deparei com uma proposta muito bacana, a assessora da autora Patrícia de Luna me enviou um e-mail com a sugestão de divulgar aqui no blog um livro épico que promete fascinar quem curte um romance bem contado e repleto de curiosidades sobre a história mundial.

Saga de Bravos

Épico brasileiro viaja pelos momentos mais marcantes da história mundial

Uma viagem pela história medieval. Um amor de dois mil anos. A busca pela paz na Terra. Saga de Bravos! Esse é o novo romance de fantasia histórica, da autora Patrícia de Luna, que já provoca entusiasmo entre os apaixonados por livros que mesclam pesquisa histórica e ficção e será lançado na Bienal de São Paulo, dia 28 de agosto.

Saga de Bravos traz uma incrível história envolvendo três personagens principais cujas vidas se encontram entrelaçadas há milênios, desde a época de Jesus Cristo. Um triângulo amoroso, onde dois homens imortais caminham na Terra disputando o amor de uma incrível e improvável mulher, que sempre renasce e vive dividida pela impossibilidade de ficar com o seu eleito.

Na história, o livro foi escrito pela esposa do alquimista Flamell, guardado por uma irmandade em Rennes-le-Château e narra a história do judeu da Grécia, aquele que carregou a cruz de Cristo, Simão, e, sobre outro homem que tornou-se imortal no dia da crucificação: Barrabás.  Em uma viagem entre o passado e presente, esses dois personagens atravessam o tempo com objetivos diferentes: um busca sua amada a cada reencarnação, o outro busca o Apocalipse. Os dois também têm uma visão antagônica sobre a humanidade, mas estão condenados a cavalgar juntos até o Armagedon, um do lado dos templários e o outro de Hassassins.

Seus caminhos se cruzam novamente em 2012 e ganham uma nova protagonista: Ariadne. Integrante de uma ordem mística, essa mulher linda e misteriosa, guarda segredos que poderão mudar o rumo da humanidade.

Uma saga épica, com passagens históricas (crucificação de Jesus Cristo, Cruzadas Cátaras, Corte do Rei Arthur, Santo Graal), lugares sagrados, aventura, fantasia, amor, sexo, encontros, desencontros, guerras e paz. Esta fantástica história realmente faz com que o leitor se encante, emocione e perca o fôlego em uma busca incessante, alucinante e misteriosa.

A Saga de Bravos tem book trailer e tudo, confiram!!


E como começou tudo isso? Vocês devem estar se perguntando...
A autora passou 10 anos pesquisando, estudando e escrevendo para TV na Europa e acabou percebendo que com tantos segredos desvendados e conhecimento adquirido, tudo que ela vivenciou poderia servir como base para seu terceiro livro.

Um pouco mais sobre a Autora:

Bisneta de condessa espanhola, descendente do último antipapa da história, Patrícia Carneiro de Luna é uma enciclopédia histórica ambulante. A escritora, formada pela Shakespeare Company, em Londres, passou cerca de duas décadas viajando ao núcleo das histórias mais marcantes do mundo e o resultado disso foi a conquista de um intenso conhecimento que acabou servindo de pesquisa para Saga de Bravos.

Em diversas aventuras e viagens pelo mundo, ela coletou não só fatos históricos, mas viveu experiências, desde viver um tempo com Druidas, passando por praticar arquearia, até morar num convento, o que transmite a real dimensão do que escreve. No Brasil, escreveu um musical que esteve em cartaz no Rio De Janeiro e escreveu o conto de fadas, publicado pela Réptil Editora, que proporcionou um encontro transformador em sua vida: Christina Oiticica, esposa de Paulo Coelho, que ilustrou seu primeiro livro e teve sua biografia escrita por Patrícia De Luna.

O resultado da amizade entre as duas, também rendeu frutos para Saga de Bravos. Pois, a escritora desvendou histórias mágicas no Sul da França, quando ficou hospedada na casa de Christina e Paulo Coelho em St Martin e através deles conheceu personagens fantásticos do Caminho de Santiago, que estão no Livro: Como um templário e um hospedeiro que faz o ritual da queimada.

E provavelmente a união de todos esses fatores e aventuras já fazem de Saga de Bravos um sucesso, antes mesmo do lançamento – previsto pra Setembro. A autora já conquistou mais de dois mil seguidores em sua página destinada ao livro no Facebook e tem um séquito de fãs à espera da Saga que promete ser um dos maiores sucessos literários de 2014.

O livro foi lançado na Bienal do Livro desse ano, ou seja, fresquinho para chegar nas suas mãos!!
Vocês não vão deixar essa oportunidade passar né? Então comprem já, o link segue abaixo!


Ah!! Mais uma coisa, ela me propôs escolher uma das épocas históricas e locais do mundo onde o livro se passa para fazermos um bate - papo exclusivo (Celtas, Cataros, Templários,essênios; Inglaterra, Espanha, Portugal, Israel,Itália,Marrocos) e eu resolvi deixar para VOCÊS, meus leitores, a escolha, então me digam o local que vocês gostariam de saber um pouco mais, para discutirmos com a autora!!

Estou ansiosa e curiosa para ler mais esta obra que promete ser um livro que vai marcar a história, e vocês??

Beijocas,


Jéssica Curto

sábado, 21 de junho de 2014

Amor

Trilha sonora: 



Eu sempre fui uma pessoa completamente romântica, acho que como boa pisciana às vezes chego a exagerar na criatividade com que imagino certas coisas, e quando vejo já estou fazendo mil e um planos que poderiam se tornar reais se vivêssemos em um mundo ao qual as pessoas apenas quisessem desfrutar do belo com sinceridade e bondade.
Em todos os meus relacionamentos sempre tentei ser o mais atenciosa e carinhosa possível, e talvez esteja ai o meu grande erro, porque na verdade, quanto mais analiso mais percebo que as pessoas dão real valor para aquilo que não lhes da o devido valor, que elas no fundo são todas masoquistas, pois quando conseguem conquistar o que tanto desejam a graça simplesmente se esvai...
Talvez seja por isso que eu ame tanto os meus livros, dentro deles podemos viajar sem culpa e idolatrar aquele momento eternizado naquelas páginas, em um mundo que até pode não ser real, mas que nos da à sensação de perfeição única.
Em todos eles eu busco o meu príncipe encantado, e não estou me referindo ao personagem principal e gostosão, mas sim aquele que vai me deixar delirando pelo seu jeito doce, atencioso e às vezes até brutal, mas que terá um lado totalmente único, porque é isso o que eu busco nos meus parceiros, o seu modo único de ser.
E por mais que se diga que as mulheres deveriam amadurecer e parar de ler determinados livros conforme os anos passam, eu não concordo, por que as meninas amavam tanto Crepúsculo? Porque retratava exatamente aquilo que nós sempre sonhamos, um garoto perdidamente apaixonado que faria qualquer coisa para tê-la junto de si.
Porque no fundo é apenas isso o que desejamos, não a beleza nem o dinheiro, mas o carinho, uma peça fundamental que anda faltando na sociedade moderna.
Porque os livros de Nicholas Sparks vendem tanto? Porque ele sabe o que uma mulher realmente deseja, e como nesta sociedade machista que vivemos é difícil de encontrar este romantismo magnífico, então ele os vende para alegrar o nosso coração.
E com isso eu percebo que a leitura é o melhor romance que alguém pode possuir, transformado no caos ou nos campos tranquilos de uma Inglaterra antiga, o importante no fim das contas é apenas o que sentimos dentro de nossos corações.
Amor sempre foi a grande resposta para tudo, apenas... Amor!

Jéssica Curto

quinta-feira, 27 de março de 2014

Muito obrigada!!

Trilha sonora:



Hoje eu aprendi muitas coisas.
Aprendi que não sou a única louca que coloca ''trilha sonora'' nos textos que faço para vocês.
Descobri que não sou a única que escreve desse jeito colocando como ''poesia'' mesmo não sendo.
E descobri que isso de fato não é poesia
é apenas uma forma de escrever (hahahaha)
Descobri que sempre errei no modo de fazer minhas postagens, eu nunca entendia porque as pessoas simplesmente não liam ouvindo a música que foi a grande inspiração ou que combinava com o texto.
Agora entendo.
Ele me ensinou, entre outras coisas isso também,
ele me ensinou que o amor existe de verdade,
ele me mostrou que homens de caráter que achamos que é ilusão das nossas tolas mentes femininas são mais reais do que podemos imaginar,
que o príncipe encantado está em cada detalhe, em cada ponto de vista.
Eu me apaixonei pela escrita dele,
me apaixonei pela história dele,
me apaixonei perdidamente pelo blog dele.
Não me lembro como, juro, simplesmente encontrei o blog dele ontem (provavelmente fuçando no face alguma coisa) e dei uma lida em alguns textos.
Estava amanhecendo e eu precisava dormir, meu corpo pedia por isso
então fechei tudo e fui pra cama, um pouco mais alegre.
Uma pessoa que está passando por turbilhões de coisas...
vocês sabem, a vida não anda muito fácil pro meu lado, e de repente eu vi um fino fio de luz e esperança no fim do túnel...
acordei hoje, não tinha dormido muito, o que é estranho para alguém que anda passando os dias debaixo dos cobertores sem querer saber de nada,
me espreguicei com vontade e arrumei a casa cantarolando depois de tanto tempo.
Aquela energia se foi mais rápido do que eu gostaria e logo estava novamente sentada no sofá da sala, pensando em um bom motivo para continuar vivendo,
e então ele veio na minha mente e resolvi ler
e li
li tudo
passei horas entretida naquelas linhas,
naquelas histórias.
O meu senso de curiosidade sempre foi imenso
eu gosto de ouvir histórias, pedaços de vida...
Ontem fiquei com vontade de adicioná-lo, mas qual seria a minha diferença das outras tantas pessoas?
O que mudaria na vida dele?
O que mudaria na minha?
Deixei pra lá...
Hoje estava lendo o último texto, a última linha, meu coração já estava estourando com todas aquelas emoções,
minhas lágrimas já escorriam descontroladamente por meu rosto
eu queria transformar tudo aquilo em livro, em filme...
eu queria poder falar pra ele o quanto ele estava sendo maravilhoso
o quanto ele estava conseguindo me salvar da desgraça que anda sendo a minha vida, sem ao menos me conhecer
eu queria poder estar junto dele nos momentos mais difíceis e também poder fazê-lo feliz das melhores formas possíveis...
queria poder dar um abraço apertado, desses que a gente não quer largar,
eu queria poder dizer pra ele o quanto gostaria de poder conhecer o seu pai,
dar-lhe um abraço profundo e dizer que estou torcendo para que ele viva por muitos e muitos anos ainda, que eu já o amo só pelo seu jeito carismático de ver o mundo e de lutar por ele
pensei em adicionar e mandar uma mensagem simplória, porém sincera, juntando as palavras mais bonitas possíveis para expressar todo esse sentimento repentino que ele me causou,
ele me fez ver que a vida vale a pena e isso não tem preço.
Se ele estiver namorando, a namorada que me perdoe por tudo isso, tenha a plena certeza de que você tem um homem maravilhoso em mãos... a intenção não é essa, eu simplesmente queria ser uma amiga, mas eu sei que amizade com homens comprometidos é um problema para as namoradas...
eu sendo ciumenta como sou entendo perfeitamente...
se ele não estiver, bom, seria ótimo poder conhecê-lo um pouco mais...
e eu realmente acho que vocês deveriam conhecê-lo também, porque não apresentá-lo para o maior número de pessoas possíveis seria como negar comida para os necessitados... Então por favor, por favor, leiam o blog dele, é a melhor coisa que alguém já fez na internet!

The Bro Code - A vida em um blog 
http://www.thebrocode.com.br/

E eu fico me perguntando o que faria ele ler tudo isso, ele entender tudo o que eu estou tentando dizer... Mas ele não é qualquer um, e eu sei que de um jeito especial ele vai entender... porque ele é especial, ele é completamente único!
Piscianos tendem a serem românticos, melosos e extremistas com algumas coisas, mas eu me identifiquei tanto, de uma forma tão única, que simplesmente não consigo colocar em palavras... É como se eu tivesse finalmente encontrado neste grande mar azul, um peixinho que entendesse outro peixinho...
ele me mostrou que o mundo ainda tem salvação, que pessoas boas ainda existem, basta você procurar no lugar certo, ou... dar a sorte de encontrar por ai um blog excepcionalmente fantástico!
Obrigada, obrigada querido Ique, muito obrigada!

Um beijo imenso daquela que se considera uma novata, porém, fiel fã

Jéssica Curto

PS: A referência do nome do blog com o Barney de How I Met Your Mother só torna tudo muito mais fantástico!!! *-*

PS2: A música foi a inspiração para o texto, me desculpe...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Capítulo 1 - O Bar

Estava ela ali sentada naquele lugar já havia pelo menos uma hora e meia. Os dedos titubeavam na mesa bamba de madeira, era muito pontual sempre com tudo e com todos e isso a tornava exigente, pois não gostava que os outros não o fossem para com ela. 
Os olhos azul-esverdeados estavam ardidos e cansados, com suas pálpebras levemente cerradas, os cabelos cacheados bagunçados presos em um coque mal feito no topo da cabeça, o corpo recostado preguiçosamente sobre a cadeira, as pernas levemente estendidas no chão, deixando suas lustrosas botas pretas no meio do caminho dos passantes. 
Olhou para o relógio que estava dependurado naquela parede imunda em cima das bebidas expostas do bar e suspirou lentamente, ele não iria aparecer e talvez fosse melhor assim, afinal de contas, tudo tem um por que.
Se levantou espreguiçando-se e deixando uma nota em cima da mesa se retirou do local fétido e pútrido à passos largos. 
Sua bunda vibrara e automaticamente sua mão fora em direção ao celular que estava no bolso de trás da calça, olhou rapidamente para a mensagem ''Me perdoe, mas vai ter de ficar para a próxima... '' era sempre assim, ela já deveria estar acostumada. Seu dedo clicou no botão excluir e logo em seguida voltou a guardar o minúsculo aparelho, teria de fazer sozinha e o faria, como tudo na vida. 
Pegou sua calibre 38 escondida por debaixo da jaqueta e começou a correr, se era para ser assim, então que assim fosse e que a guerra começasse!


Continua...

Jéssica Curto

domingo, 20 de outubro de 2013

Confissões de um depressivo - Parte 1

Resolvi escrever, porque tem tempos de que não faço algo de que gosto profundamente.
Aliás minha vida anda sendo uma grande piada sem graça nos últimos meses, uma ironia sem fim.
E ando me sentindo tão depressivo que às vezes gostaria apenas que tudo acabasse, que tudo simplesmente recomeçasse... 
E parece que nunca vai melhorar, que no fim a tendência é essa, e me sinto tão infeliz, tão triste, tão incapacitado.... O mundo me deu tantas oportunidades de que não soube aproveitar, e hoje sofro por consequências das minhas próprias escolhas.
Entenda isto apenas como um desabafo, já que até a tentativa de procurar um psicólogo foi frustrante, o meu parco convênio não cobre.
E no fim eu deveria apagar tudo isso e simplesmente esquecer, seguir sem me preocupar, e às vezes sou tomado a fazer isso, mas nem sempre estou animado, às vezes me falta ânimo para qualquer coisa, ate para respirar.
Estou tendo problemas respiratórios ultimamente, você sabia? Guarde este segredo com você, mamãe e papai não sabem ainda, e acho que não contarei, eles já tem problemas demais para se preocupar.
Mas o bem da verdade é que está cada vez mais difícil viver nesse mundo tão estranho, tão cheio de caos, tão complicado... e as vezes, só as vezes, eu realmente queria acabar com tudo... 
Me peguei pensando em quantas pessoas chorariam com real sinceridade em meu enterro, e no fim conclui que ninguém realmente sofre a falta do outro por muito tempo, infelizmente as pessoas não estão tão ligadas a este ponto, e isso me deprimiu, afinal, o que precisamos fazer para sermos especiais na vida dos outros? 
Inesquecíveis para o mundo?
Qual seria a fórmula da eternidade? 
E eu olho para um passado não tão distante e vejo o quanto me deixei levar, eu não me reconheço mais, estou cada vez mais distante do que já fui um dia, com meus conceitos perfeitos e com minhas escolhas intocáveis... por que me deixei corromper? Devia ter fugido quando ainda havia tempo... hoje é tarde e apenas quero dormir, em um sono profundo e tranquilo, um eterno sono de paz e sossego.
Hoje apenas vivo esperando um dia, quem sabe, ver as coisas melhorarem.

Antonie Scarmeloto

domingo, 4 de agosto de 2013

Carcaça

Os meus dias estavam cada vez mais longos e cansativos. Eu ia para o trabalho de manhã e voltava ao anoitecer. Às vezes nem jantava e ia direto para a cama.
Eu não lia mais, não fazia sexo com ninguém, não assistia ao jornal. As pessoas me cumprimentavam e eu retribuía o aceno, mas era apenas por formalidade e não mais por educação. Meu cabelo era ensebado, os óculos que usava estavam quebrados e suas respectivas lentes riscadas. Eu não me importava.
Eu tinha perdido tudo. Não tinha moral, não tinha caráter, desejos ou amizades. Estava estagnado psicologicamente no tempo. Dias e noites já não faziam a menor diferença e tirar férias era o meu maior medo. E elas estavam vencidas há dois anos atrás.
E foi num longo dia de inverno que aconteceu. Eu estava sentado em uma cadeira que antes julgava ser a minha favorita, mas que agora se encontrava desprovida de qualquer significado. Minha casa estava toda empoeirada, meus peixes há muito haviam morrido de fome, contudo a morte deles era inevitável, pois o aquário também necessitava de limpeza geral, a qual não dispunha de vontade para fazê-la. Eu assistia a um filme de terror, mas não prestava qualquer atenção, tanto que não sabia nem quem era o protagonista da história. Foi nesse dia que pensei mais uma vez em você.
Eu a via sorrir ao correr pelo imenso parque de diversões. Você e sua mãe estavam magníficas naquele dia. Teddy, seu ursinho de pelúcia predileto, estava sendo prensado contra seu corpo devido à força excessiva de seu abraço. Ele não parava de exclamar “eu te amo!” toda vez que você o apertava daquele jeito. Sua mãe dava um leve sorriso ao admirá-la, para logo depois olhar em meus olhos. O brilho que havia neles também dizia “eu te amo”. Então, como mágica, essa memória borrou-se e desapareceu em seguida. Outra surgiu no lugar.
Um choro de criança. Era você nascendo. Parto normal.
Vomitei todo o meu almoço naquele dia. Porém pude presenciar cada momento do seu nascimento, desde quando saiu a sua minúscula cabecinha até o seu corpo sair por completo. O pé direito foi o último a retirar-se do corpo de sua mãe. Eu ria, eu chorava... Gostaria de quebrar o vidro de tanta ansiedade ao vê-la chorando no berçário. Mas agora tudo se foi. Para sempre.
Outra lembrança. Era um dia quente de verão e fazia cerca de quarenta graus no interior do carro. Todos estavam felizes, mesmo na presença do forte calor. Meu chefe tinha antecipado minhas férias e pude fazer uma viagem com vocês para o interior de São Paulo. A viagem foi tranquila e você dormiu a maior parte do tempo. Teddy cuidou de você enquanto dormia.
Ao chegar ao destino planejado, você e sua mãe desceram do automóvel e me aguardaram na sombra enquanto eu manobrava o carro para estacioná-lo na minúscula vaga em frente a uma casa amarela. Então, após alguns retoques nos cabelos bagunçados pelo vento da estrada, apertamos a campainha da casa dos seus avós. Fomos-nos muito bem recebidos por eles. Você ganhou vários presentes, tanto que foi difícil guardá-los dentro do porta-malas. Depois de três dias, nos despedimos deles e voltamos para casa. O acidente ocorreu logo após de deixarmos para trás a cidadela onde seus avós moravam. Foi neste acidente que você e sua mãe morreram.
Eu gostaria de poder tê-las salvo, mesmo que tivesse que dar minha vida em troca, contudo eu fiquei inconsciente com a batida. Fraturei três costelas, perdi um rim e tive que amputar minha perna direita, a qual foi espremida no impacto. Mas a maior dor foi a que senti no enterro. Eu perdi tudo naquele momento.
Toda minha vida se esvaiu, transformando-se na carcaça que sou hoje.
Depois do choque que sempre levo ao lembrar tudo de novo pela milésima vez eu levanto e caminho a passos lentos em direção ao banheiro. Começo a tossir.
A dor que sinto dilacera meu pulmão, mas não abranda a desolação que só cresce no meu coração. Meus cabelos caem por cima de meu rosto ao arquear-me em frente a pia do banheiro. Levanto e reparo na silhueta pálida e enrugada que aparece no espelho. Tusso novamente e uma gosma acinzentada escorre pela pia. Viscosa, demora para ser engolida pelo ralo. Pela terceira vez olho no espelho. Com espanto, vejo a mesma gosma sair pelo meu nariz, pelos ouvidos e pelos lábios enquanto através da pálpebra inferior de ambos os olhos, o mesmo líquido desponta. Então tusso novamente, mas não é uma tosse qualquer. O líquido da minha boca esguicha sobre o espelho na forma de vômito sujando-o, corrompendo-o.
Sem que eu notasse toda a gosma se junta formando um grumo que alcança a borda da pia.  De súbito, o grumo começa a levitar até atingir a altura de meus olhos, no formato de uma bola maciça. Já não dá para ver o espelho.
A bola cinza me engole. Não dá para ver mais nada. O desespero se apodera de meu ser.
Então, repentinamente, não sinto mais nada.

Lucas de Figueiredo


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Estrutura solitária

Viver sozinho não é algo tão simples quanto eu esperava. Durante anos sobrevivi sem amparo físico ou psicológico algum. Eu vivia razoavelmente bem, sem grandes problemas ou preocupações, bem como solucionei problemas que não eram meus, pois não precisava solucionar nada dentro de mim. Os dias passavam normalmente, enquanto eu permanecia forte e imune aos sentimentos destrutivos existentes na minha espécie. Contudo eu não percebi que, no meio desse plano de vida, eu acabei por me diferenciar e me transformei em algo não humano, não natural.
Tornei minha vida sintética, simplifiquei minhas emoções, projetei máscaras e falsos objetivos necessários à manutenção de vida.  Aos poucos, meus espinhos foram aparecendo na mesma proporção em que minha paciência e compaixão se esvaiam. Não me tornei selvagem, mas também não era mais capaz de agir e pensar de maneira racional. Minha voz foi sumindo e meus ouvidos cresceram, enquanto meus olhos focaram-se em outras características. As pessoas à minha volta começaram a existir parcialmente em minha memória, essa última somente acionada quando precisava alimentar-me de humanidade, nutriente básico para a manutenção do meu estilo de vida. Sonhos foram sublimados, lembranças ruins deixaram de ser esquecidas, assim como as boas eram tão remoídas que se tornavam praticamente físicas, direcionando minhas ações e pensamentos. Embora meus movimentos não tenham se tornado mecânicos, minha mente era mecanizada pouco a pouco, à medida que meus sonhos e desejos deixavam de existir. Por fora, era inabalável ao ponto de ninguém conseguir ameaçar meu núcleo debilitado, não só por não possuírem força suficiente, mas também porque não conseguiam enxergar qualquer falha na armadura espinhenta que me cercava. Toda dor externa disponível era absorvida pelo meu corpo e neutralizada em seguida, pois meu interior necessitava de treinamento para tornar-se ligeiramente forte e curar qualquer ferida que pudesse trespassar a carapaça numa situação real. Até então, tudo estava perfeitamente equilibrado. Os ganhos e custos eram balanceados.
Porém, havia uma leve brecha em toda essa estrutura interna. Meu caráter era necessário para a manutenção desse modo de vida, todavia ele era, do mesmo modo, o responsável por causar certo dano ao ativar as lembranças mais amorosas e ao produzir sentimentos e relações de amizade com certas pessoas. Esse caráter, que implorava para que o emocional ganhasse mais espaço e perdoava qualquer magoa proveniente de algumas pessoas, gerou um espaço no qual meu corpo não tinha quaisquer formas de controle. Uma pequena bomba se instalou ali e foi programada para detonar a qualquer instante.
Foi então que aconteceu.
Minha carapaça de espinhos começou a machucar as pessoas que meu caráter lutava a favor. Com isso, o estímulo necessário à detonação da bomba foi cedido e a explosão interna gerou o caos, alimentado pela dúvida: Curar-se ou reparar os danos causados nas outras pessoas? Então a dor foi criada e fluiu por todo o meu corpo, desestruturando todo o sistema ao gerar danos de dentro para fora...
O resultado disso tudo apareceu na forma de corrosão devido aos sentimentos de culpa e desapontamento que surgiram dali. E então, no meio do desastre, eu aprendi.
Pessoas são as verdadeiras fontes, capazes de gerar espontaneamente e em grande quantidade a humanidade que eu lutava para produzir sinteticamente. Eliminando-as eu institui um inverno permanente dentro de minha mente e então, confortavelmente, entrei em estado de hibernação diante do clima frio e hostil de meu próprio pensamento... Desta forma, meu corpo se adaptou em toda a estrutura que criei e assim eu vivi por um bom tempo. Mas os recursos começaram a escassear e a armação se desfez. Assim, morri por inanição. Nos últimos instantes eu pude entender o que estava acontecendo, mas os danos foram irreparáveis.
Consequentemente, a tristeza me raptou para o mundo dos mortos, deixando apenas marcas de sangue e miolos nas paredes de meu quarto ao projetar-se contra mim na forma de um projétil de revólver, sustentado pela minha própria mão.

Lucas de Figueiredo


sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Corpo & A Alma

Para mim é tudo muito estranho, afinal, não conheço absolutamente nada sobre esta vida e este planeta.
Tudo se torna novo e diferente e estou agora pensando em como levantar desta cama tão confortável sem me sentir culpada.
O fato é que esta vida não parece muito animada, primeiro que se levanta cedo demais para se ter tempo de se arrumar e conseguir sair no horário sem se preocupar em ter de correr com todas as preparações do serviço.
Aliás está ai outra coisa curiosa, o dia se resume em colocar ordem na escola, levar os alunos doentes para a enfermaria, estar disponível sempre que algum professor venha a necessitar e quando se pensar em sentar, já é a hora do almoço.
Doce hora do almoço, há! Uma grande piada, isto sim. Uma comida requentada dentro de um pote nunca foi muito prazerosa, no entanto, pelo menos há de ser gostosa e de fato o é, comida da mãe deste ser em que me apossei, pelo menos algo de bom, mas não pense que é duradouro, uma hora passa mais rápido do que o imaginado e quando se vê, volta-se tudo outra vez.
Isso todos os dias, se segunda a sexta, até as quatro da tarde, depois vai-se para casa e descansa-se um pouco para o dia seguinte, não esquecendo de que é preciso fazer a leitura diária para que o corpo não fique com peso na consciência.
Aos finais de semana não pense que há grande diversão, mas é mais tranquilo com passeios calmos em museus ou em shoppings, o corpo conquistou bons amigos, o que faz toda a diferença para renovar as energias para a semana seguinte.
No fim aprende-se todo dia um pouco mais, provavelmente porque no meio da rotina ela simplesmente não exista.

Jéssica Curto

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Chá da Tarde

Cena 1

Darwin - Cavalheiro, uma xícara de chá por gentileza.

Garçom - É pra já senhor!

Cleópatra - Me perdoe o atraso querido, o trânsito lá fora está uma loucura!

Darwin - Sem problemas, estava aqui refletindo sobre a teoria da evolução.

Cleópatra - Teoria do que?

Darwin - Teoria da evolução, minha querida, todas as criaturas evoluem, nós, por exemplo, somos primos dos macacos.
O livro vai ser lançado mês que vem, a editora disse que tem tudo para ser um grande Best Seller!

Cleópatra - Opa, opa, opa! Você está me chamando de macaca? Você por um acaso sabe com quem está falando? Eu, queridinho, sou a DEUSA do Egito! Me respeite!

Darwin - Me perdoe se eu a ofendi senhorita, esta não era a minha intenção...

Cleópatra - E você acha que está arrasando com essa sua barba de milênios não é? Parece um macaco, isso sim.
Olha aqui, eu governo o Egito há gerações, já lancei a minha biografia e vendi milhões, todos me idolatram!
Quando você chegar aos meus pés, então talvez possamos conversar novamente...

Darwin - Papéis duram poucos anos, teorias são para sempre. Você comanda seu povo com inverdades, não passa de uma salafrária mentirosa!

Cleópatra - Como ousa...??

Darwin - É sim, acha que não sei que engana seu povo dizendo ser uma deusa, quando na verdade fica medindo o Rio Nilo para saber quando a água vai estar baixa ou alta?

Cleópatra - Pra mim chega, eu sou o Sol que ilumina os mortais, a Terra que trás alimento, a Lua que guia a noite, não preciso ficar aqui ouvindo isso.

Darwin - Também existem teorias sobre tudo isso, só para a sua informação, madame.

Cleópatra - Pra mim basta!

Darwin - São apenas fatos, e somente eles sobram diante a ciência, boa tarde!

Jéssica Curto

Agradecimentos a Leonardo Ragacini, que foi a grande inspiração para este.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Colégio

Cena 1

Marco- Você checou tudo?

- Chequei, eu já te disse isso.

Marco-Não, você não ta entendendo, se algo der errado...

- Não vai dar nada errado.

Marco- Eu sei, eu sei, mas é que...

- Cara, relaxa!

Marco- Ok, eu só to preocupado, só isso.

- É eu to vendo, mas não tem com o que se preocupar, vai ser mamão com açúcar.

Marco- Então por que você fica olhando tanto pra trás?

- Sei lá... Eu não to olhando não.

Marco- Ta sim! Cara... Cadê ele?

- Já disse pra relaxar, ele já deve ta chegando.

Marco- Você sabe que isso é o meu sustento né?

Um homem engravatado e misterioso aparece.

Homem engravatado - Opa, beleza?

Marco - Fala cara, tu ta com tudo certo né?

- Que saco! Já falei pra relaxar!

Homem engravatado- Meu não tem erro, depois que todo mundo for embora e a escola fechar a gente entra e...

Um aluno gordo e desengonçado passa por eles, todos se calam.

Aluno- Boa noite.

Todos: Opa, boa noite!

O aluno se vai.

Marco para Zé- Já falei pra parar de olhar pra trás, depois eu que to nervoso.

Homem misterioso- Olha, o esquema é o seguinte, façam tudo rápido, se algo der errado a gente vaza, beleza?

Marco e Zé- Beleza!

Marco- A chave do cofre fica na direção, do lado da porta, ta destrancada, só não deixa ninguém te ver.

Homem misterioso- Beleza.

Homem misterioso some dentro da escola

- Ta frio pra caramba hoje meu.

Marco- Ta e eu não to com um bom pressentimento.

Homem misterioso volta

Marco- O que houve?

Homem misterioso- Não deu, tem muita gente lá.

- E agora?

Marco- Da pra parar de olhar?

- Me faz parar!

Homem misterioso- Chega vocês dois! Zé, eu vou te dar a arma e vou entrar, você fica com o Marco até ele fechar a escola, eu vou tentar pegar essa chave e me esconder em algum banheiro.

- Beleza.

O homem misterioso tira uma arma da cintura e coloca dentro da mochila do Zé discretamente, logo em seguida entra na escola.
Zé acende um cigarro.

- Você quer um? Ajuda a acalmar.

Marco- Não cara, valeu.

Marco coça a nuca

Marco- Larguei já tem dois anos.

- Agora é esperar...

Marco- Agora é esperar...

- Você vai entrar pro grupo, depois dessa noite todo mundo vai te aprovar, tu vai poder largar essa bosta de emprego.

Marco- Não fala assim Zé.

Marco fica cabisbaixo olhando para o rádio de comunicação.

Marco- Meu pai era segurança, ele que me ensinou tudo o que eu sei, estaria desapontado comigo agora...

Um homem musculoso, tatuado e de cabelo raspado se aproxima de Zé e Marco.

Marco- Você ta fumando maconha? Você é louco?

Tatuado- Só uns pega meu, não enche, me ajuda a acalmar os nervos.

- E esses alunos, quando vão embora hein Marco?

Marco- Daqui a pouco... Para de olhar pra trás porra!

Tatuado- Calma mano, relaxa.

- Viu? Pelo menos eu fumo cigarro normal.

Marco- É melhor vocês sumirem um pouco, pode sujar pro meu lado, alguém pode desconfiar...

Tatuado- Eu não vou a lugar nenhum!

- Eu também não, até parece andar por ai com a arma do Celso, ele me mata!

Tatuado- Relaxa menininha, você quer mesmo ser aceito? Regra número um, pare de ser medroso!

Marco- É que é o sustento da minha família...

Tatuado- Tua família vai viver no bem bom a partir de agora, pensa nisso. Você não quer dar um ensino de qualidade pra sua garotinha?

Marco- Claro meu, é o que eu mais quero!

- Então tem que se acalmar.

Marco- É vocês tem razão, eu to preocupado atoa...

- É meu, é sério, vai ser muito mole, vai por mim...

Marco- Ta, ta...

Tatuado- Que tal você acelerar esse processo hein guardinha? Ta muita demora...

Um garoto magricela e alto se aproxima do grupo.

Garoto- Opa!

Marco- Luiz? O que você ta fazendo aqui?

Luiz- Ué, achou mesmo que eu ia perder isso?

Marco- Meu não era pro Luiz ta aqui, droga! Vocês não estão cumprindo o acordo.

- Ta tudo certo, para de causar.

Marco- Não! Não era esse o trato, o Luiz tava fora disso, vocês prometeram!

Tatuado- Sabe essa cicatriz que eu tenho nas costas? Então, foi o Celso... Você não vai querer ganhar uma igual, melhor parar, vai por mim...

Homem baixinho e gorducho aparece comendo um lanche.

Baixinho- E aí Luiz, beleza?

Marco- Porra Denis, tu sabia? Meu não era pro Luiz ta no meio.

- Aff... Você não se acalma, não é?

Luiz- Tu é muito egoísta meu.

Marco- Não, vocês não estão vendo o meu lado, eu...

Ouve-se um tiro, pessoas começam a correr e a gritar.

Continua...

Jéssica Curto

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Os dois lados do mesmo jogo

Por Vanessa Silva


A Editora Record lançou mais uma obra de Sidney Sheldon, dessa vez junto com a autora Tilly Bagshawe. “O reverso da Medalha” tem uma continuação, da saga da família Backweell – “A Senhora do Jogo”.

 Sidney Sheldon usou em sua obra, a presença feminina, que tanto gosta e compõem seus romances. Porém desta vez, usou mais de uma personalidade feminina para enaltecer sua obra.
O que dizer das adoráveis e por vezes detestáveis Lexi Templeton e Eve Blackwell ou o sobrenome Webster, depois do infeliz casamento, onde nasceu seu filho Max Webster.
Essas mulheres transbordam de manipulação e beleza para conseguirem tudo o que querem. No decorrer da história, vemos o poder que a empresa Kruger – Brent tem sobre a família. Não só por obter um alto padrão de negócios, gerando riquezas em diversas áreas. Mas, também como nasce um desejo, um vício, uma paixão em conduzir esta empresa, tomar posse de tudo e todos.
A ganância transgrede qualquer ser humano e as possibilidades de manter a paz interna são impossíveis, quando se quer controlar tudo e driblar os adversários da própria família. São como peças de tabuleiro que preenchem seu jogo obsessivo pelo poder.
Sheldon devia com certeza ter usado o plural no título do livro “A Senhora do Jogo”. São perceptíveis as várias “senhoras” que conduzem a trajetória de suas e mais vidas. São persuasivas, calculistas e frias, em alguns pontos. São capazes de se esquecer, sacrificando-se, só para dar lugar a grandiosa e magnífica Kruger-Brent.

Inocência transgredida 

Ao nascer Lexi Templeton estava fadada a sofrer e superar desafios. Sua mãe Alexandra Templeton morreu ao dar a luz. Seu pai nunca superou a morte da esposa e sobreviveu em meio a conflitos internos e, mergulhado ao álcool.
Aos oito anos de idade, Lexi foi sequestrada dentro de seu próprio quarto. Vestia apenas uma camisola, frágil e indefesa, era apenas uma criança. Mas, muito inteligente e sagaz. Durante o sequestro, seu pai ficou desesperado e acionou a polícia para iniciar as investigações e saber sobre o paradeiro da filha caçula.
Depois das buscas, eles chegaram tarde ao cárcere, a menina teve sua inocência transgredida e violada por um dos homens. “Uma das mãos cobria sua boca, mas Lexi pôde sentir a outra metendo-se embaixo de sua camisola. Não! Uma dor profunda entre suas pernas encheu seus olhos de lágrimas.
Após o estupro, o esconderijo foi explodido por uma bomba, esse estrondo tirou durantes anos a audição da jovem Lexi. O que não impediu a garota de se vingar de seu sequestrador e de ingressar sua busca incansável em atingir o poder da Kruger- Brent. Os fatos a tornaram mais forte e capaz.
Seu primo Max, era por quem sempre teve uma atração, com certeza esse fator atrapalhava seus planos. Dividida constantemente, entre o amor e a razão. "Uma mulher notável, de uma família notável. Todos conhecemos a coragem e a integridade de Lexi Templeton. Sua força, sua determinação, seu tino para os negócios, sua honestidade..." Todos conheciam sua trajetória de vida, a imprensa se encarregou de divulgar todos seus erros e acertos, além das experiências traumáticas em que viveu, quando seu pai apontou a arma para ela e seu irmão Robert.
Max a pedido da mãe, sempre tentou de alguma forma impedir Lexi de conquistar a confiança dos acionistas da empresa. Revelando as peripécias sexuais da prima, com diversos homens e lugares inapropriados. O que abalou a imagem da mulher de negócios. A vida de Lexi desabou, por vezes, mas era apenas para constatar a magnitude de sua inteligência.

Amarguras e desavenças familiares 

Eve Webster sempre teve inveja de sua irmã gêmea, Alexandra. Então direcionava seu ódio para sua sobrinha Lexi, já que alguns anos depois a irmã morreu.
Nessa saga, percebemos os conflitos internos que os personagens vivem diante da obsessão e paixão.
Max Webster vê sua própria mãe como uma deusa, deseja a todo custo tocá-la. O incesto é algo que o menino, desde muito novo, não sabe administrar, nem mesmo compreende o se passa em seu interior. Max é manipulado o tempo todo e tem uma cobrança dentro de si, de jamais fracassar com seu amor por Eve. Fica perceptível a agonia do garoto nesse trecho. “Max esperou até que a mãe tivesse dormindo profundamente. Então, ficou deitado acordado, sorrindo, lembrando-se da expressão de surpresa no rosto do pai enquanto caía. Agora você é o homem da casa. Nunca mais vai precisar me dividir com ninguém.
Ao conviver com Lexi Templetor percebe como são parecidas fisicamente, demora muito tempo para admitir a si mesmo o amor que sente por Lexi.

Senhoras e senhores do tabuleiro

Sheldon nos apresenta às personagens incríveis, no primeiro livro da saga “O reverso da medalha” consegue deixar todos aflitos pela conquista de Jamie McGregor. Esse personagem construiu a Kruger-Brent, após ir para a África do Sul, em busca dos diamantes. Sofreu muito, foi enganado diversas vezes e perdeu os diamantes, entretanto, não desistiu e após quase perder a vida, transmite uma mensagem de perseverança. Torcemos a cada página por sua persistência e paixão pela luta. “Resvalou a consciência, de onde foi despertado por uma agonia terrível, insuportável. Alguém estava lhe esfaqueando a perna. Jamie levou um segundo para recordar onde se encontrava e o que estava acontecendo. Entreabriu um olho inchado. Um enorme abutre perto estava atacando sua perna, arrancando selvagemente sua carne, comendo-o vivo, com o bico afiado. Jamie viu os olhinhos pretos e o rufo sujo em torno do pescoço. Sentiu o odor fétido do pássaro. Tentou gritar, mas nenhum som saiu de sua boca. Freneticamente, sacudiu-se para a frente, sentindo o fluxo quente de sangue a escorrer de sua perna. Podia ver as sombras dos imensos pássaros ao seu redor, aproximando-se para liquidá-lo.  Sabia que a próxima vez em que perdesse os sentidos seria a última. No instante em que parasse, os abutres estariam novamente devorando-lhe a carne. Continuou a rastejar. A mente começou a vaguear, delírio. Ouviu o barulho das asas dos abutres se aproximando, formando um círculo ao seu redor. Estava agora fraco demais para afugentar os pássaros. Não lhe restavam forças para resistir. Ele parou de se mexer e ficou imóvel na areia escaldante. Os abutres se adiantaram para o banquete.
Deixa-nos mais próximo de nossas próprias imperfeições. Compartilha a trajetória do personagem, com momentos inesperados e extremamente difíceis. Superação é apenas mais um tema que engaja a saga. Os personagens têm uma personalidade muito bem construída, com histórias de vida, como a da humanidade. Eles erram, caem e se levantam.
O fim de cada capítulo te obriga a ler o seguinte, pois é inesperado. Peguei-me preocupada com um ou mais personagens.
O autor deixa- o crescer junto com a história, é como se os conhecêssemos e desejamos saber como estará no próximo capítulo, se está bem ou infelizmente a vida lhe foi tirada. Constrói uma afinidade. Sheldon transforma toda a rotina de uma família feliz em uma desgraça inimaginável. Os sentimentos são arrancados de nós em cada página. As surpresas no decorrer são inevitáveis. “O primeiro banho na suíte real fora maravilhoso. Jamie ficara recostado na água quente, deixando que o cansaço se esvaísse do corpo, recordando os acontecimentos incríveis das últimas semanas. Fora apenas algumas semanas antes que ele e Banda haviam construído a balsa? Parecia que fora há muitos anos. Jamie pensara na balsa, levando-os até a placa “Sperrgebiet”, os tubarões, as ondas violentas, as minas, o imenso cachorro em cima dele... Os gritos abafados que ressoariam para sempre em seus ouvidos: “Kruger...” “Brent...” “Kruger...” “Brent...””. É apenas o início da construção de um império de negócios.

Detalhes de Sheldon 

Em suas obras Sidney Sheldon não conseguia enganar seus leitores, então em todos os lugares em que descrevia no livro “A Senhora do Jogo”, ele já esteve.  Deslumbra-nos com detalhes que se encarregam de unir as frases e deixar uma leitura extensa, mais leve, como um passeio.
A expectativa é realçada na passagem do livro, tantas coisas ruins aconteceram a Lexi que quando algo começa a desandar temos piedade. É o envelhecer juntos. E relembrar quando Max e Lexi eram crianças ou de seus nascimentos. Pois os acompanhamos até a velhice. O final feliz nem sempre está presente, isso chega mais perto da vida real.

Ficha técnica: Páginas 461. R$ 40. Editora Record.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 10 – A descoberta de um novo povo

Cabral, Pero e João andavam apressadamente, já estava anoitecendo e eles nada descobriram até aquele momento, ouviam berros vindo de todas as direções e precisavam saber o que estava acontecendo.
-Vamos nos separar, João você vem comigo, Pero você segue a trilha sempre em frente, preciso saber que inferno está acontecendo com estes homens que não podem ficar à sós um só segundo. Se encontrar algo ou quando escurecer volte à praia, entendido?
Cabral olhava para Pero que sorria animadamente, balançando a cabeça diversas vezes em concordância. Aquela seria a sua chance afinal de poder desfrutar daquele paraíso sozinho e descrever cada planta e cada animal que existia naquele pequeno pedaço de mundo.
-Pois bem, vamos!
O negro seguiu aliviado o capitão-mor enquanto Pero continuava sua viagem.
-Agora sim, vamos lá Pero!-O homem falava consigo mesmo, pegando seu pequenino caderno de anotações e começando a relatar tudo o que seus olhos podiam avistar, até ouvir um som vindo ao longe, alguém estava cantando. Começou a pisar mais devagar, os pés leves como pluma.
Chegou a um pequeno riacho, os olhos se atentaram em uma moça bela que se lavava delicadamente. De pele morena e longos cabelos negros e lisos, de olhos levemente puxados e sem roupa alguma.
Pero sentiu um frio na barriga, tentou se aproximar para olhar melhor, mas o pé se enroscara em um cipó no chão, fazendo-o tropeçar e cair, o caderninho voou de suas mãos, caindo na água.
-NÃO!
Ele berrou inconformado, assustando a pobre moça que saiu correndo mata adentro.
-Não, espere!
Ele gritou, correndo na direção da mulher, esquecendo o caderno no riacho que boiava, sendo levado pela correnteza.
Enfiou o pé na água, estava fazendo muito isso ultimamente, logo poderia ser mestre nesta arte. Sentia o peso da água em suas botas, impedindo-o de ser mais ágil. A mulher dava saltos imensos, se afastando rapidamente dele.
-Eu não vou machucá-la, por favor, não corra, espere!
Ele estava começando a ficar sem fôlego, quando finalmente a viu adentrar em uma grande cabana feita de palha. Parou colocando as mãos nos joelhos e respirando com certa dificuldade, o suor pingava de sua testa e suas roupas colavam em seu corpo.
Ergueu a cabeça e olhou à sua volta. Homens completamente nus, muito semelhantes à moça, de cara e corpo pintado o encaravam com arcos e flechas erguidos mirando-os em sua direção.
-Por favor... -O pulmão estava queimando, ele ergueu a palma da mão no ar, balançando de leve- eu venho em paz...
Ele disse resfolegando, a moça que correra dele colocava a cabeça para fora da cabana em que se escondera, observando-o com olhos curiosos.
Ele teria muito que relatar, encontrara afinal os índios. Passou a mão no bolso da calça à procura de seu caderno, onde estava?
Droga! Perdeu tudo o que tinha escrito ao abandoná-lo no rio! Não acreditava nisso, agora teria de relatar os acontecimentos novamente, seu trabalho seria dobrado e muita coisa com certeza estaria perdida, uma vez que a inspiração já fora embora.
Viu os homens se aproximarem curiosos, tinha que avisar o capitão, mas antes iria ele mesmo descobrir do que se tratava aquela gente, a história seria longa em todo caso e o rei e todos aqueles que lessem a adorariam com certeza.
Mal podia esperar para escrever toda aquela imensa e inesquecível aventura, e quem sabe, dali há alguns milhares de anos as pessoas não considerassem seu trabalho árduo como algo precioso, afinal, ele era o grande contador daquela maravilhosa e inesquecível história do descobrimento do Brasil.

Fim

Jéssica Curto


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 9 - Terror na floresta

Afonso, Sancho e Nicolau andavam mata adentro tranquilamente, achavam absurdo os homens terem medo de enfrentarem qualquer problema que fosse, afinal de contas, eles não eram homens do Rei? Não deveriam nem poderiam temer nada nem ninguém. Iriam matar se preciso fosse para tomar aquelas terras em nome de Vossa Majestade.
Aquele lugar não aparentava ser nem um pouco assustador. Era repleto de árvores de diversas espécies que eles nunca sequer viram, os animais pareciam dóceis, e embora estivesse fazendo mais calor do que eles estavam acostumados, a terra parecia ser um pedaço dos céus esquecido por Deus.
Já estava para escurecer e eles nada haviam encontrado naquela região. Iriam voltar para a praia, no dia seguinte poderiam vasculhar mais o local.
Estavam andando lentamente em direção à praia, quando uma imensa coruja estranha de grandes olhos amarelos e penas negras pousou em um galho alto e grosso perto dos homens e começou assobiar estridentemente, fazendo-os se arrepiarem por completo, era aterrorizante.
Fez-se ouvir um resmungar, todos olhavam em volta buscando da onde vinha o som, quando voltaram seus olhos para a frente deram de cara com uma senhora de pele morena e enrugada, com olhos levemente puxados, brilhantes e negros. A boca se encrespava, observando-os em silêncio. Usava um manto que lhe cobria o corpo todo.
Aproximou-se de Nicolau, atenta em seus detalhes, vendo-os em completa mudez, eles seguravam suas armas com firmeza, porém mantinham-nas abaixadas.
Sua mão trêmula se ergueu lentamente e agarrou o braço de Nicolau que arregalou os olhos vendo a senhora se contorcer e o soltar abaixando a cabeça, começava a falar em um tom sombrio.
-Quem quer? Quem quer? Quem quer?
Os homens se olhavam confusos. Sancho, um homem encorpado coçou o topo da cabeça, transtornado.
-Quem quer? Quem quer? Quem quer?
Ela repetia em um tom agourento. O pio da coruja estava mais baixo e assustador, seguindo o ritmo da voz da velha.
Afonso achava ridícula aquela situação toda. A mulher aparecera do nada e estava assustando-os pelo simples fato de ter um modo de falar estranho, resolveu então tomar à frente.
-Quem quer o que? Quem é você? O que você quer?
Ele falava irritado. O rosto da mulher se ergueu encarando-o por uns instantes e então abriu um sorriso de dentes podres.
A coruja decolou da árvore para o ombro da senhora que começava a rir em um tom cruel. A ave se mantinha em completo silêncio.
Tossindo de leve, a velha  se apoiou em sua parca bengala de madeira e pôs-se a falar com uma voz gutural.
-Matinta Pereira é meu nome e venho trazer agouro para os invasores.
Esta terra não lhes pertence, o castigo virá. Vocês trouxeram o mal e o mal irá levá-los de volta donde vieram, preparem-se, o horror está à caminho e vai tomar conta deste solo.
Os homens estavam espantados com aquela mulher, sequer ouviram-na chegar e ela vinha com bobas histórias ameaçando-os, quem ela pensava que era?
Matinta Pereira voltou a tossir, a ave alçou voo piando alto novamente, distraindo-os e, quando se voltaram para a mulher ela já não se encontrava mais ali. Ao escutar pela última vez sua risada diabólica, os pelos do corpo se eriçaram completamente. O que quer que fosse aquilo, era melhor dar o fora dali.
Começaram a correr na direção de onde vieram, ouvindo berros vindos da praia que por certo deveria estar condenada.
-Esperem, esperem, vejam! Pegadas indo rumo ao mar, não podemos ir para lá homens.
Afonso falava, apontando para as pegadas no chão.
-Vamos seguir por aqui.
Sancho dizia já correndo para a direita. Risadas altas e estridentes eram ouvidas mata adentro.
-Vamos, rápido!
Nicolau corria completamente apavorado com aquela situação.
Foi então que algo muito laranja passou correndo por eles, soltando assovios por todos os lados, eram agudos e assustadores.
-Curupira não gosta de invasores na terra dele. Curupira vai enlouquecer um por um!
A voz saia de todos os cantos possíveis, fazendo com que os homens olhassem para cima, completamente confusos.
De repente Afonso caiu no chão, berrando de dor.
-Afonso, o que foi homem?
Sancho berrava, vendo o amigo tombado com uma flecha enfiada no peito, outra foi lançada em seguida e passou de raspão pelo braço de Nicolau.
-Vamos sair daqui!
Nicolau berrava abandonando os amigos e adentrando a floresta. Afonso respirava com dificuldade, o sangue vazando pelo buraco aberto.
-O que vamos fazer?
Sancho perguntava mais para si do que para Afonso. A risada ficava cada vez mais próxima, estridente e enlouquecida.
O amigo caído revirava os olhos, respirando com dificuldade.
-Vamos homem, levante, temos de sair daqui!
O gorducho camarada suava em bicas, vendo Afonso padecer. Os olhos lacrimejaram e piscaram uma última vez, sua cabeça tombou para o lado, estava morto.
Sancho engoliu em seco, ergueu-se empunhando sua espada, iria morrer enfrentando aquele monstro.
-O que você quer?
Ele berrava para o tal Curupira que o estava atacando.
-Saia das minhas terras, invasor!
Mais flechas voavam na direção do homem que começava a atirar em todos os sentidos.
Uma movimentação alaranjada passava por ele confundindo-o, a risada gritante o assustou quando viu seu amigo Nicolau cair do topo de uma árvore com uma flecha na cabeça.
-Deus me proteja!
Ele ouviu a risada atrás de si e se virou apressadamente, vendo o ser ali presente.
Era um garoto de no máximo um metro e meio, tinha pelos pelo corpo inteiro, de cor alaranjada. O cabelo era arrepiado e as pernas a partir do joelho eram viradas para trás.
Carregava em uma das mãos um cajado de madeira em outra um escudo pintado de amarelo, lembrando o sol. Um saiote cobria suas partes íntimas, seu corpo era forte e musculoso, de guerreiro.
Um sorriso arteiro estava presente em seus lábios, encarando Sancho.
-Saia da minha casa, você não é bem vindo!
Ele falava em alto e bom tom, diferente do que seria a voz de um garotinho.
Os olhos eram muito vermelhos e estavam fixos no gorducho português.
-Me dê a chance de sair daqui então!
Sancho encarava o pequeno homenzinho, era muita afronta da parte dele querer controlar toda a situação, ainda mais com o tamanho que tinha.
-Corra!
Curupira falou e voltou a desaparecer, gargalhando e deixando Sancho confuso novamente, que começou a correr alucinadamente pela floresta, tentando escapar das flechadas que o atrevido ser demoníaco lançava em sua direção.
Sentia as plantas baterem em seu rosto e espinhos lhe machucarem a pele. Estava sangrando e seu uniforme estava estraçalhado.
-SOCORRO!
Começara a berrar, atirando para cima, tentando chamar a atenção de alguém, qualquer pessoa que fosse, ao menos uma ajuda e uma chance de sair de lá com vida.
A floresta estava começando a pegar fogo, ele não sabia para onde ir.
Parou resfolegando, não conseguia conter o pavor e o medo que percorriam por seu sangue.
Fez o sinal da cruz, sabia que aquele era seu fim. Suas mãos agarraram a corrente presa no pescoço, beijando o pequeno crucifixo de ouro ali presente e em seguida foi atingido nas costas, caindo morto na mata.
A risada diabólica se espalhava pelos sete cantos, os invasores iriam pagar por terem adentrado em uma terra desconhecida.

***

Do outro lado da mata Pero Escolar se ajeitava ao lado de Antônio e Joaquim, tinham acabado de se alimentar com o cozido que Antônio trouxera, iriam relaxar um pouco, afinal que mal poderia fazer? Estavam vasculhando aquela floresta o dia inteiro, nada como um bom descanso para renovar as energias. Os olhos começavam a pesar e em poucos minutos eles estavam em sono profundo, longe de se quer imaginarem o que estava acontecendo naquela floresta.
Um ser com um grande cabelo desgrenhado e vermelho, de corpo esbelto, pele pintada igual onça, amarela com pintinhas pretas, olhos escondidos por um sombra, feita  boa parte da grande franja, deixando apenas dois pontinhos amarelos há vista que olhava fixamente para o grupo, se aproximando lentamente, andava de quatro como um animal selvagem, o nariz farejando o ar, tentando identificá-los.
Os seios delineados demonstravam ser uma mulher, pois caso contrário não seria possível tal identificação, visto que uma tanga cobria suas vergonhas.
A língua lambeu de leve os lábios de Pero Escolar, que se remexeu, ainda em sono profundo, fazendo o ser se afastar assustado.
A mão se encostou de leve na orelha de Joaquim, que incomodado deu um tapa na mesma, abrindo os olhos e se assustando com o ser que estava à sua frente, quase colado ao seu rosto, encarando-o.
Um berro desesperado foi dado por Joaquim, que se ergueu rapidamente, pegando em sua arma e atirando na direção do bicho que saiu saltando e berrando pela floresta.
-Homens levantem!
Joaquim gritava empurrando os colegas que assustados erguiam-se as pressas, se perguntando o que acontecera.
Começavam a correr na direção de onde o bicho tinha ido, a floresta estava em chamas, os troncos começavam a cair, dificultando a passagem deles.
-O que vamos fazer?
Antônio berrava, começando a sentir falta de ar, a visão estava ficando cada vez mais precária.
-Caipora só queria conhecer vocês, mas foram maus com Caipora, agora terão suas pagas.
Uma voz doce e em tom magoado saia em meio à árvores.
-Ali!
Joaquim apontou para a árvore onde o bicho estava empoleirado e atirou, mas o ser já tinha desaparecido, surgindo na árvore oposta.
-Aqui homens!
Pero atirou tentando acertar, novamente falhando, vendo a estranha mulher brotar na frente deles.
-Ai, ai, ai, eu só queria brincar, vocês são malvados, não merecem brincar com Caipora!
E ao falar isso ela saiu saltando, várias dela apareciam e desapareciam em diferentes lugares em questão de instantes, confundindo-os.
-Caipora pode ajudá-los a sair daqui se vocês forem bons com Caipora.
A voz ria maldosamente, atingindo-os pelas costas, fazendo com que se virassem, a encarando. Ela era completamente maravilhosa e atraente.
Por um segundo ela os observou calada, e então voltou a desaparecer gargalhando, os homens estavam  ficando loucos. Começaram a correr para longe do fogo, a voz de Caipora ria histericamente, eles não conseguiriam sair dali vivos.
Animais de diversas espécies começaram a aparecer e desaparecer na frente deles, emitindo ruídos apavorantes. Eles corriam alucinados, longe do fogo, e então viram uma imensa onça pintada parar na frente deles, arreganhou uma boca gigante de dentes muito afiados e rugiu alto, fazendo-os ficar petrificados de medo, e então ela saltou para cima de suas vítimas. Derrubando-as no chão e dilacerando seus corpos em questão de segundos. Aqueles não viveriam para contar história.

Jéssica Curto