Páginas

Mostrando postagens com marcador ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ficção. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Red Rabbit - Análise SEM SPOILERS de Star Wars - O Despertar da Força

Star Wars finalmente foi lançado!!!!! \o/
E eu venho aqui com um super vídeo que o canal Follow the Red Rabbit fez analisando o filme inteiro sem dar NENHUM spoiler pra você!! 
Eu tenho certeza que qualquer bom fã vai amar esse vídeo, então de logo o play e divirta-se!!! ;)

Beijos,


Jessica Curto


terça-feira, 14 de abril de 2015

Red Rabbit em: HULK Drinks (Especial Avengers)

Oiii pessoal,

tudo bem?
Hoje venho trazer mais um vídeo incrível da minha irmã, dessa vez com a temática Avengers, espero que gostem!!!

Beijos,

Jessica Curto

domingo, 4 de janeiro de 2015

Vivendo no Futuro

Estamos em 2015, a Era Digital onde a tecnologia está em alta e o avanço é acelerado.
No filme De volta Para O Futuro II vemos as tecnologias imaginadas em 1989 para o ano de 2015.
Analisando o quanto mudamos e evoluímos neste curto período de tempo, resolvi fazer uma análise dos objetos que aparecem no filme com o que temos atualmente.


Previsões reais do filme:

Cinema 3D



No filme é mostrado a possibilidade de ver filmes em situações bem reais, hoje em dia isso não é mais uma grande novidade, visto o tanto de filmes que já foi lançado neste suporte cinematográfico.

Pedidos feitos por comando de voz


Nesta cena Marty faz um pedido de refrigerante para o homem na televisão a sua frente, embora hoje não tenhamos exatamente isso, possuímos algo semelhante nos celulares com os comandos de voz que nos guiam e nos mostram o que desejamos.

Grandes televisores de tela plana


Nem em 1989 (época em que o filme foi feito) e muito menos em 1985 (epoca em que o filme supostamente se encontra) existia a ideia ou a possibilidade de termos aparelhos televisivos com uma tela tão fina ou tão grande, este foi um pensamento completamente inovador para a epoca.

Óculos Tecnológicos


Em uma cena do filme na casa McFly o filho de Marty está usando um óculos totalmente diferente e tecnológico, hoje em dia, embora ainda seja uma novidade, já possuímos os Google Glass.

Vários canais ao mesmo tempo


Ainda não assistimos mais de um canal na televisão, mas podemos considerar isto como fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo, e você vai me dizer que não fica no seu computador ou smartphone enquanto vê o seu programa preferido?

Chamadas por vídeo


Outra novidade da epoca que muito usamos hoje são as vídeo conferências, que por muitas vezes substitui os telefonemas.

O fim dos LD's e CD's


No filme eles aparecem empilhados e presos em sacos que irão para o lixo, já nós ainda temos a venda de CD's e DVD's, mas que não são tão utilizados quanto a alguns anos atrás, com a tecnologia da internet em alta, muitos preferem baixar suas músicas e vídeos ou então guardá-los dentro de pen-drives.

Combustível reciclado


No filme o doutor Emmett usa casca de banana, uma lata de refrigerante e o resto de seu conteúdo para criar combustível no seu DeLorean.
Nós ainda não temos este tipo de tecnologia, mas já pensamos nos biocombustíveis e nos combustíveis a gás, evitando ao máximo prejudicar o meio ambiente.

Roupas Coloridas


Até os anos 2000 as roupas possuíam um certo padrão de cor, de alguns anos pra cá as cores fortes e chamativas, principalmente nas calças tem criado grande fama, o filme previu isso perfeitamente.

Jogos com movimentos


Quando Marty McFly vai à lanchonete, encontra garotinhos tentando jogar um vídeo game usando movimentos, mas Marty explica que é necessário usar a arma acoplada.
Hoje em dia já temos vários jogos que não usam mais controles, como o Kinect ou o PS Move.

Projeções no estilo de data shows


No filme o prefeito faz um discurso em uma projeção semelhante às de data shows. 
Podemos ver uma apresentação semelhante feita recentemente na Avenida Paulista em São Paulo.


Pagamento com cartão de crédito


Hoje podemos fazer compras através da internet usando apenas nossos cartões de crédito, o processo foi semelhante quando McFly apenas passou o seu cartão em um pequeno aparelho em sua própria casa.

Comidas que crescem



No filme a mãe McFly aparece com um pequeno pacote de pizza que ao colocar no microondas se torna uma pizza de tamanho real.
Muito embora nós não vejamos isto com frequência, no Japão já existem comidas que vem em pozinhos e se tornam grandes alimentos.


Aberturas com digitais


No filme não existem maçanetas, fazendo com que se use apenas a digital.
Já nós do futuro, ainda temos que ter nossas chaves, mas vemos muito isso nos celulares touch e nas senhas bancárias, algo que está se tornando cada vez mais presente em nossas vidas.

Câmeras superfinas


Não é preciso dizer o quanto essa tecnologia está presente no nosso dia a dia, com as selfies em alta é o que mais vemos atualmente.

Previsões que estão distantes de se tornarem reais:

Carros Voadores


Infelizmente ainda não temos este facilitador, muito embora os carros tenham avançado consideravelmente desde 1989.

Roupas que se secam sozinhas


Quem dera poder pegar uma chuva a caminho da reunião sem se preocupar com o estado da sua roupa, bastando apertar apenas um botão hein? 
Ainda não criamos esse tipo de sistema.

Cães que passeiam sem donos


Os animais ainda precisam da companhia de seus donos ou de um adestramento para poderem sair por ai sem se perderem.

Skate voador


Para ser sincera este é o meu maior desejo, mas infelizmente não existe nada semelhante ainda.

Como o filme se passa em 21 Outubro de 2015, vamos torcer para que algumas coisas se tornem realidade.

O mundo de hoje é rápido e exigente, a fluidez com que as novidades surgem é impressionante.
Espero que possamos aproveitar de todo este futuro em que estamos vivendo, mas sem nunca nos esquecermos da beleza e da simplicidade que a vida pode nos proporcionar ao deixarmos de lado de vez em quando toda essa tecnologia.

Jéssica Curto


domingo, 19 de outubro de 2014

Hugo & Elisa E A Fuga De Madame Hornick de Anna Chiara em uma SUPER PROMOÇÃO nas Livrarias Curitiba!!! \o/

Muuuuuito boa tarde minha gente, 

tudo bem por ai?? 
Estou vindo com muuuuuuiiiiitaaaaa empolgação contar uma super novidade para vocês, meus lindos leitores assíduos e viciados em livros!! 
Vocês se lembram da nossa querida autora Anna Chiara do livro Hugo & Elisa E (A espetacular, incrível e formidável =X) Fuga De Madame Hornick, que nos enviou vááárioooos marca-páginas autografados que o pessoal ficou louco para ganhar e rolou até promoção?? 
Pois então, essa moça não para de agradar os pobres mortais amantes de livros, e agora veio com mais uma super novidade para a felicidade geral dos leitores!! \o/
O seu livro está sendo vendido à preço promocional... é isso mesmo que você leu, PROMOCIONAL nas Livrarias Curitiba por APENAS R$17,30!!!! 
Gente, fala sério, em que lugar do UNIVERSO um livro tão INCRÍVEL como esse seria tão barato assim??? Nós sabemos o quanto livros são caros aqui no Brasil, então temos que aproveitar essa oportunidade ÚNICA e comprarmos o mais rápido possível!!! 
Eu garanto que vocês não vão se arrepender, não é todo dia que você tem a grande chance de possuir um livro tão bom por um preço tão INCRÍVEL e como eu sou legal com vocês, vim divulgar isso rsrs.
Ah, mais uma coisa, ele também está sendo anunciado na nova edição da revista da loja (Ler & Cia), que tem circulação também nas Livrarias Catarinense.
Você vai mesmo deixar passar uma oportunidade dessas?? Não né?!
Então corre logo e adquira já o seu, depois vem aqui no blog e diz o que achou dessa nossa dica ;-) 

Um beijão da blogueira que ama vocês,

Jéssica Curto



sábado, 18 de outubro de 2014

Saga de Bravos de Patrícia de Luna



Fala minha gente, tudo bem por ai??

Venho com mais uma novidade super legal pra vocês, meus queridos leitores.
Estava checando os meus e-mails quando de repente me deparei com uma proposta muito bacana, a assessora da autora Patrícia de Luna me enviou um e-mail com a sugestão de divulgar aqui no blog um livro épico que promete fascinar quem curte um romance bem contado e repleto de curiosidades sobre a história mundial.

Saga de Bravos

Épico brasileiro viaja pelos momentos mais marcantes da história mundial

Uma viagem pela história medieval. Um amor de dois mil anos. A busca pela paz na Terra. Saga de Bravos! Esse é o novo romance de fantasia histórica, da autora Patrícia de Luna, que já provoca entusiasmo entre os apaixonados por livros que mesclam pesquisa histórica e ficção e será lançado na Bienal de São Paulo, dia 28 de agosto.

Saga de Bravos traz uma incrível história envolvendo três personagens principais cujas vidas se encontram entrelaçadas há milênios, desde a época de Jesus Cristo. Um triângulo amoroso, onde dois homens imortais caminham na Terra disputando o amor de uma incrível e improvável mulher, que sempre renasce e vive dividida pela impossibilidade de ficar com o seu eleito.

Na história, o livro foi escrito pela esposa do alquimista Flamell, guardado por uma irmandade em Rennes-le-Château e narra a história do judeu da Grécia, aquele que carregou a cruz de Cristo, Simão, e, sobre outro homem que tornou-se imortal no dia da crucificação: Barrabás.  Em uma viagem entre o passado e presente, esses dois personagens atravessam o tempo com objetivos diferentes: um busca sua amada a cada reencarnação, o outro busca o Apocalipse. Os dois também têm uma visão antagônica sobre a humanidade, mas estão condenados a cavalgar juntos até o Armagedon, um do lado dos templários e o outro de Hassassins.

Seus caminhos se cruzam novamente em 2012 e ganham uma nova protagonista: Ariadne. Integrante de uma ordem mística, essa mulher linda e misteriosa, guarda segredos que poderão mudar o rumo da humanidade.

Uma saga épica, com passagens históricas (crucificação de Jesus Cristo, Cruzadas Cátaras, Corte do Rei Arthur, Santo Graal), lugares sagrados, aventura, fantasia, amor, sexo, encontros, desencontros, guerras e paz. Esta fantástica história realmente faz com que o leitor se encante, emocione e perca o fôlego em uma busca incessante, alucinante e misteriosa.

A Saga de Bravos tem book trailer e tudo, confiram!!


E como começou tudo isso? Vocês devem estar se perguntando...
A autora passou 10 anos pesquisando, estudando e escrevendo para TV na Europa e acabou percebendo que com tantos segredos desvendados e conhecimento adquirido, tudo que ela vivenciou poderia servir como base para seu terceiro livro.

Um pouco mais sobre a Autora:

Bisneta de condessa espanhola, descendente do último antipapa da história, Patrícia Carneiro de Luna é uma enciclopédia histórica ambulante. A escritora, formada pela Shakespeare Company, em Londres, passou cerca de duas décadas viajando ao núcleo das histórias mais marcantes do mundo e o resultado disso foi a conquista de um intenso conhecimento que acabou servindo de pesquisa para Saga de Bravos.

Em diversas aventuras e viagens pelo mundo, ela coletou não só fatos históricos, mas viveu experiências, desde viver um tempo com Druidas, passando por praticar arquearia, até morar num convento, o que transmite a real dimensão do que escreve. No Brasil, escreveu um musical que esteve em cartaz no Rio De Janeiro e escreveu o conto de fadas, publicado pela Réptil Editora, que proporcionou um encontro transformador em sua vida: Christina Oiticica, esposa de Paulo Coelho, que ilustrou seu primeiro livro e teve sua biografia escrita por Patrícia De Luna.

O resultado da amizade entre as duas, também rendeu frutos para Saga de Bravos. Pois, a escritora desvendou histórias mágicas no Sul da França, quando ficou hospedada na casa de Christina e Paulo Coelho em St Martin e através deles conheceu personagens fantásticos do Caminho de Santiago, que estão no Livro: Como um templário e um hospedeiro que faz o ritual da queimada.

E provavelmente a união de todos esses fatores e aventuras já fazem de Saga de Bravos um sucesso, antes mesmo do lançamento – previsto pra Setembro. A autora já conquistou mais de dois mil seguidores em sua página destinada ao livro no Facebook e tem um séquito de fãs à espera da Saga que promete ser um dos maiores sucessos literários de 2014.

O livro foi lançado na Bienal do Livro desse ano, ou seja, fresquinho para chegar nas suas mãos!!
Vocês não vão deixar essa oportunidade passar né? Então comprem já, o link segue abaixo!


Ah!! Mais uma coisa, ela me propôs escolher uma das épocas históricas e locais do mundo onde o livro se passa para fazermos um bate - papo exclusivo (Celtas, Cataros, Templários,essênios; Inglaterra, Espanha, Portugal, Israel,Itália,Marrocos) e eu resolvi deixar para VOCÊS, meus leitores, a escolha, então me digam o local que vocês gostariam de saber um pouco mais, para discutirmos com a autora!!

Estou ansiosa e curiosa para ler mais esta obra que promete ser um livro que vai marcar a história, e vocês??

Beijocas,


Jéssica Curto

sábado, 21 de junho de 2014

Amor

Trilha sonora: 



Eu sempre fui uma pessoa completamente romântica, acho que como boa pisciana às vezes chego a exagerar na criatividade com que imagino certas coisas, e quando vejo já estou fazendo mil e um planos que poderiam se tornar reais se vivêssemos em um mundo ao qual as pessoas apenas quisessem desfrutar do belo com sinceridade e bondade.
Em todos os meus relacionamentos sempre tentei ser o mais atenciosa e carinhosa possível, e talvez esteja ai o meu grande erro, porque na verdade, quanto mais analiso mais percebo que as pessoas dão real valor para aquilo que não lhes da o devido valor, que elas no fundo são todas masoquistas, pois quando conseguem conquistar o que tanto desejam a graça simplesmente se esvai...
Talvez seja por isso que eu ame tanto os meus livros, dentro deles podemos viajar sem culpa e idolatrar aquele momento eternizado naquelas páginas, em um mundo que até pode não ser real, mas que nos da à sensação de perfeição única.
Em todos eles eu busco o meu príncipe encantado, e não estou me referindo ao personagem principal e gostosão, mas sim aquele que vai me deixar delirando pelo seu jeito doce, atencioso e às vezes até brutal, mas que terá um lado totalmente único, porque é isso o que eu busco nos meus parceiros, o seu modo único de ser.
E por mais que se diga que as mulheres deveriam amadurecer e parar de ler determinados livros conforme os anos passam, eu não concordo, por que as meninas amavam tanto Crepúsculo? Porque retratava exatamente aquilo que nós sempre sonhamos, um garoto perdidamente apaixonado que faria qualquer coisa para tê-la junto de si.
Porque no fundo é apenas isso o que desejamos, não a beleza nem o dinheiro, mas o carinho, uma peça fundamental que anda faltando na sociedade moderna.
Porque os livros de Nicholas Sparks vendem tanto? Porque ele sabe o que uma mulher realmente deseja, e como nesta sociedade machista que vivemos é difícil de encontrar este romantismo magnífico, então ele os vende para alegrar o nosso coração.
E com isso eu percebo que a leitura é o melhor romance que alguém pode possuir, transformado no caos ou nos campos tranquilos de uma Inglaterra antiga, o importante no fim das contas é apenas o que sentimos dentro de nossos corações.
Amor sempre foi a grande resposta para tudo, apenas... Amor!

Jéssica Curto

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Foto

Eu preciso escrever isso
eu abri a foto
e olhei para aqueles olhos 
meio castanhos, meio verdes
como as pessoas gostam de dizer
''cor de mel''
e aqueles olhos começaram a se mexer
eu não bebi, eu juro!
mas eles começaram a encolher e a arregalar...
acho que estou ficando louca
porque eu tive a impressão
de que o nariz tinha se mexido 
como quem respira e inspira
e então eu olhei para os lábios
que estavam levemente se movimentando
e então os olhos voltaram a minimizar
e eu voltei a olhá-los
e então os lábios voltaram a se mexer
e eu voltei a olhá-los
e o nariz voltou a se mover
e eu voltei a olhá-los
era como se o rosto todo
estivesse
levemente
em movimento
me criando uma grande pegadinha...
eu preciso escrever
volto a olhar para a foto
e ele simplesmente parou de se mexer...

Jéssica Curto

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Capítulo 1 - O Bar

Estava ela ali sentada naquele lugar já havia pelo menos uma hora e meia. Os dedos titubeavam na mesa bamba de madeira, era muito pontual sempre com tudo e com todos e isso a tornava exigente, pois não gostava que os outros não o fossem para com ela. 
Os olhos azul-esverdeados estavam ardidos e cansados, com suas pálpebras levemente cerradas, os cabelos cacheados bagunçados presos em um coque mal feito no topo da cabeça, o corpo recostado preguiçosamente sobre a cadeira, as pernas levemente estendidas no chão, deixando suas lustrosas botas pretas no meio do caminho dos passantes. 
Olhou para o relógio que estava dependurado naquela parede imunda em cima das bebidas expostas do bar e suspirou lentamente, ele não iria aparecer e talvez fosse melhor assim, afinal de contas, tudo tem um por que.
Se levantou espreguiçando-se e deixando uma nota em cima da mesa se retirou do local fétido e pútrido à passos largos. 
Sua bunda vibrara e automaticamente sua mão fora em direção ao celular que estava no bolso de trás da calça, olhou rapidamente para a mensagem ''Me perdoe, mas vai ter de ficar para a próxima... '' era sempre assim, ela já deveria estar acostumada. Seu dedo clicou no botão excluir e logo em seguida voltou a guardar o minúsculo aparelho, teria de fazer sozinha e o faria, como tudo na vida. 
Pegou sua calibre 38 escondida por debaixo da jaqueta e começou a correr, se era para ser assim, então que assim fosse e que a guerra começasse!


Continua...

Jéssica Curto

domingo, 20 de outubro de 2013

Confissões de um depressivo - Parte 1

Resolvi escrever, porque tem tempos de que não faço algo de que gosto profundamente.
Aliás minha vida anda sendo uma grande piada sem graça nos últimos meses, uma ironia sem fim.
E ando me sentindo tão depressivo que às vezes gostaria apenas que tudo acabasse, que tudo simplesmente recomeçasse... 
E parece que nunca vai melhorar, que no fim a tendência é essa, e me sinto tão infeliz, tão triste, tão incapacitado.... O mundo me deu tantas oportunidades de que não soube aproveitar, e hoje sofro por consequências das minhas próprias escolhas.
Entenda isto apenas como um desabafo, já que até a tentativa de procurar um psicólogo foi frustrante, o meu parco convênio não cobre.
E no fim eu deveria apagar tudo isso e simplesmente esquecer, seguir sem me preocupar, e às vezes sou tomado a fazer isso, mas nem sempre estou animado, às vezes me falta ânimo para qualquer coisa, ate para respirar.
Estou tendo problemas respiratórios ultimamente, você sabia? Guarde este segredo com você, mamãe e papai não sabem ainda, e acho que não contarei, eles já tem problemas demais para se preocupar.
Mas o bem da verdade é que está cada vez mais difícil viver nesse mundo tão estranho, tão cheio de caos, tão complicado... e as vezes, só as vezes, eu realmente queria acabar com tudo... 
Me peguei pensando em quantas pessoas chorariam com real sinceridade em meu enterro, e no fim conclui que ninguém realmente sofre a falta do outro por muito tempo, infelizmente as pessoas não estão tão ligadas a este ponto, e isso me deprimiu, afinal, o que precisamos fazer para sermos especiais na vida dos outros? 
Inesquecíveis para o mundo?
Qual seria a fórmula da eternidade? 
E eu olho para um passado não tão distante e vejo o quanto me deixei levar, eu não me reconheço mais, estou cada vez mais distante do que já fui um dia, com meus conceitos perfeitos e com minhas escolhas intocáveis... por que me deixei corromper? Devia ter fugido quando ainda havia tempo... hoje é tarde e apenas quero dormir, em um sono profundo e tranquilo, um eterno sono de paz e sossego.
Hoje apenas vivo esperando um dia, quem sabe, ver as coisas melhorarem.

Antonie Scarmeloto

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Estrutura solitária

Viver sozinho não é algo tão simples quanto eu esperava. Durante anos sobrevivi sem amparo físico ou psicológico algum. Eu vivia razoavelmente bem, sem grandes problemas ou preocupações, bem como solucionei problemas que não eram meus, pois não precisava solucionar nada dentro de mim. Os dias passavam normalmente, enquanto eu permanecia forte e imune aos sentimentos destrutivos existentes na minha espécie. Contudo eu não percebi que, no meio desse plano de vida, eu acabei por me diferenciar e me transformei em algo não humano, não natural.
Tornei minha vida sintética, simplifiquei minhas emoções, projetei máscaras e falsos objetivos necessários à manutenção de vida.  Aos poucos, meus espinhos foram aparecendo na mesma proporção em que minha paciência e compaixão se esvaiam. Não me tornei selvagem, mas também não era mais capaz de agir e pensar de maneira racional. Minha voz foi sumindo e meus ouvidos cresceram, enquanto meus olhos focaram-se em outras características. As pessoas à minha volta começaram a existir parcialmente em minha memória, essa última somente acionada quando precisava alimentar-me de humanidade, nutriente básico para a manutenção do meu estilo de vida. Sonhos foram sublimados, lembranças ruins deixaram de ser esquecidas, assim como as boas eram tão remoídas que se tornavam praticamente físicas, direcionando minhas ações e pensamentos. Embora meus movimentos não tenham se tornado mecânicos, minha mente era mecanizada pouco a pouco, à medida que meus sonhos e desejos deixavam de existir. Por fora, era inabalável ao ponto de ninguém conseguir ameaçar meu núcleo debilitado, não só por não possuírem força suficiente, mas também porque não conseguiam enxergar qualquer falha na armadura espinhenta que me cercava. Toda dor externa disponível era absorvida pelo meu corpo e neutralizada em seguida, pois meu interior necessitava de treinamento para tornar-se ligeiramente forte e curar qualquer ferida que pudesse trespassar a carapaça numa situação real. Até então, tudo estava perfeitamente equilibrado. Os ganhos e custos eram balanceados.
Porém, havia uma leve brecha em toda essa estrutura interna. Meu caráter era necessário para a manutenção desse modo de vida, todavia ele era, do mesmo modo, o responsável por causar certo dano ao ativar as lembranças mais amorosas e ao produzir sentimentos e relações de amizade com certas pessoas. Esse caráter, que implorava para que o emocional ganhasse mais espaço e perdoava qualquer magoa proveniente de algumas pessoas, gerou um espaço no qual meu corpo não tinha quaisquer formas de controle. Uma pequena bomba se instalou ali e foi programada para detonar a qualquer instante.
Foi então que aconteceu.
Minha carapaça de espinhos começou a machucar as pessoas que meu caráter lutava a favor. Com isso, o estímulo necessário à detonação da bomba foi cedido e a explosão interna gerou o caos, alimentado pela dúvida: Curar-se ou reparar os danos causados nas outras pessoas? Então a dor foi criada e fluiu por todo o meu corpo, desestruturando todo o sistema ao gerar danos de dentro para fora...
O resultado disso tudo apareceu na forma de corrosão devido aos sentimentos de culpa e desapontamento que surgiram dali. E então, no meio do desastre, eu aprendi.
Pessoas são as verdadeiras fontes, capazes de gerar espontaneamente e em grande quantidade a humanidade que eu lutava para produzir sinteticamente. Eliminando-as eu institui um inverno permanente dentro de minha mente e então, confortavelmente, entrei em estado de hibernação diante do clima frio e hostil de meu próprio pensamento... Desta forma, meu corpo se adaptou em toda a estrutura que criei e assim eu vivi por um bom tempo. Mas os recursos começaram a escassear e a armação se desfez. Assim, morri por inanição. Nos últimos instantes eu pude entender o que estava acontecendo, mas os danos foram irreparáveis.
Consequentemente, a tristeza me raptou para o mundo dos mortos, deixando apenas marcas de sangue e miolos nas paredes de meu quarto ao projetar-se contra mim na forma de um projétil de revólver, sustentado pela minha própria mão.

Lucas de Figueiredo


sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Corpo & A Alma

Para mim é tudo muito estranho, afinal, não conheço absolutamente nada sobre esta vida e este planeta.
Tudo se torna novo e diferente e estou agora pensando em como levantar desta cama tão confortável sem me sentir culpada.
O fato é que esta vida não parece muito animada, primeiro que se levanta cedo demais para se ter tempo de se arrumar e conseguir sair no horário sem se preocupar em ter de correr com todas as preparações do serviço.
Aliás está ai outra coisa curiosa, o dia se resume em colocar ordem na escola, levar os alunos doentes para a enfermaria, estar disponível sempre que algum professor venha a necessitar e quando se pensar em sentar, já é a hora do almoço.
Doce hora do almoço, há! Uma grande piada, isto sim. Uma comida requentada dentro de um pote nunca foi muito prazerosa, no entanto, pelo menos há de ser gostosa e de fato o é, comida da mãe deste ser em que me apossei, pelo menos algo de bom, mas não pense que é duradouro, uma hora passa mais rápido do que o imaginado e quando se vê, volta-se tudo outra vez.
Isso todos os dias, se segunda a sexta, até as quatro da tarde, depois vai-se para casa e descansa-se um pouco para o dia seguinte, não esquecendo de que é preciso fazer a leitura diária para que o corpo não fique com peso na consciência.
Aos finais de semana não pense que há grande diversão, mas é mais tranquilo com passeios calmos em museus ou em shoppings, o corpo conquistou bons amigos, o que faz toda a diferença para renovar as energias para a semana seguinte.
No fim aprende-se todo dia um pouco mais, provavelmente porque no meio da rotina ela simplesmente não exista.

Jéssica Curto

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Colégio

Cena 1

Marco- Você checou tudo?

- Chequei, eu já te disse isso.

Marco-Não, você não ta entendendo, se algo der errado...

- Não vai dar nada errado.

Marco- Eu sei, eu sei, mas é que...

- Cara, relaxa!

Marco- Ok, eu só to preocupado, só isso.

- É eu to vendo, mas não tem com o que se preocupar, vai ser mamão com açúcar.

Marco- Então por que você fica olhando tanto pra trás?

- Sei lá... Eu não to olhando não.

Marco- Ta sim! Cara... Cadê ele?

- Já disse pra relaxar, ele já deve ta chegando.

Marco- Você sabe que isso é o meu sustento né?

Um homem engravatado e misterioso aparece.

Homem engravatado - Opa, beleza?

Marco - Fala cara, tu ta com tudo certo né?

- Que saco! Já falei pra relaxar!

Homem engravatado- Meu não tem erro, depois que todo mundo for embora e a escola fechar a gente entra e...

Um aluno gordo e desengonçado passa por eles, todos se calam.

Aluno- Boa noite.

Todos: Opa, boa noite!

O aluno se vai.

Marco para Zé- Já falei pra parar de olhar pra trás, depois eu que to nervoso.

Homem misterioso- Olha, o esquema é o seguinte, façam tudo rápido, se algo der errado a gente vaza, beleza?

Marco e Zé- Beleza!

Marco- A chave do cofre fica na direção, do lado da porta, ta destrancada, só não deixa ninguém te ver.

Homem misterioso- Beleza.

Homem misterioso some dentro da escola

- Ta frio pra caramba hoje meu.

Marco- Ta e eu não to com um bom pressentimento.

Homem misterioso volta

Marco- O que houve?

Homem misterioso- Não deu, tem muita gente lá.

- E agora?

Marco- Da pra parar de olhar?

- Me faz parar!

Homem misterioso- Chega vocês dois! Zé, eu vou te dar a arma e vou entrar, você fica com o Marco até ele fechar a escola, eu vou tentar pegar essa chave e me esconder em algum banheiro.

- Beleza.

O homem misterioso tira uma arma da cintura e coloca dentro da mochila do Zé discretamente, logo em seguida entra na escola.
Zé acende um cigarro.

- Você quer um? Ajuda a acalmar.

Marco- Não cara, valeu.

Marco coça a nuca

Marco- Larguei já tem dois anos.

- Agora é esperar...

Marco- Agora é esperar...

- Você vai entrar pro grupo, depois dessa noite todo mundo vai te aprovar, tu vai poder largar essa bosta de emprego.

Marco- Não fala assim Zé.

Marco fica cabisbaixo olhando para o rádio de comunicação.

Marco- Meu pai era segurança, ele que me ensinou tudo o que eu sei, estaria desapontado comigo agora...

Um homem musculoso, tatuado e de cabelo raspado se aproxima de Zé e Marco.

Marco- Você ta fumando maconha? Você é louco?

Tatuado- Só uns pega meu, não enche, me ajuda a acalmar os nervos.

- E esses alunos, quando vão embora hein Marco?

Marco- Daqui a pouco... Para de olhar pra trás porra!

Tatuado- Calma mano, relaxa.

- Viu? Pelo menos eu fumo cigarro normal.

Marco- É melhor vocês sumirem um pouco, pode sujar pro meu lado, alguém pode desconfiar...

Tatuado- Eu não vou a lugar nenhum!

- Eu também não, até parece andar por ai com a arma do Celso, ele me mata!

Tatuado- Relaxa menininha, você quer mesmo ser aceito? Regra número um, pare de ser medroso!

Marco- É que é o sustento da minha família...

Tatuado- Tua família vai viver no bem bom a partir de agora, pensa nisso. Você não quer dar um ensino de qualidade pra sua garotinha?

Marco- Claro meu, é o que eu mais quero!

- Então tem que se acalmar.

Marco- É vocês tem razão, eu to preocupado atoa...

- É meu, é sério, vai ser muito mole, vai por mim...

Marco- Ta, ta...

Tatuado- Que tal você acelerar esse processo hein guardinha? Ta muita demora...

Um garoto magricela e alto se aproxima do grupo.

Garoto- Opa!

Marco- Luiz? O que você ta fazendo aqui?

Luiz- Ué, achou mesmo que eu ia perder isso?

Marco- Meu não era pro Luiz ta aqui, droga! Vocês não estão cumprindo o acordo.

- Ta tudo certo, para de causar.

Marco- Não! Não era esse o trato, o Luiz tava fora disso, vocês prometeram!

Tatuado- Sabe essa cicatriz que eu tenho nas costas? Então, foi o Celso... Você não vai querer ganhar uma igual, melhor parar, vai por mim...

Homem baixinho e gorducho aparece comendo um lanche.

Baixinho- E aí Luiz, beleza?

Marco- Porra Denis, tu sabia? Meu não era pro Luiz ta no meio.

- Aff... Você não se acalma, não é?

Luiz- Tu é muito egoísta meu.

Marco- Não, vocês não estão vendo o meu lado, eu...

Ouve-se um tiro, pessoas começam a correr e a gritar.

Continua...

Jéssica Curto

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 10 – A descoberta de um novo povo

Cabral, Pero e João andavam apressadamente, já estava anoitecendo e eles nada descobriram até aquele momento, ouviam berros vindo de todas as direções e precisavam saber o que estava acontecendo.
-Vamos nos separar, João você vem comigo, Pero você segue a trilha sempre em frente, preciso saber que inferno está acontecendo com estes homens que não podem ficar à sós um só segundo. Se encontrar algo ou quando escurecer volte à praia, entendido?
Cabral olhava para Pero que sorria animadamente, balançando a cabeça diversas vezes em concordância. Aquela seria a sua chance afinal de poder desfrutar daquele paraíso sozinho e descrever cada planta e cada animal que existia naquele pequeno pedaço de mundo.
-Pois bem, vamos!
O negro seguiu aliviado o capitão-mor enquanto Pero continuava sua viagem.
-Agora sim, vamos lá Pero!-O homem falava consigo mesmo, pegando seu pequenino caderno de anotações e começando a relatar tudo o que seus olhos podiam avistar, até ouvir um som vindo ao longe, alguém estava cantando. Começou a pisar mais devagar, os pés leves como pluma.
Chegou a um pequeno riacho, os olhos se atentaram em uma moça bela que se lavava delicadamente. De pele morena e longos cabelos negros e lisos, de olhos levemente puxados e sem roupa alguma.
Pero sentiu um frio na barriga, tentou se aproximar para olhar melhor, mas o pé se enroscara em um cipó no chão, fazendo-o tropeçar e cair, o caderninho voou de suas mãos, caindo na água.
-NÃO!
Ele berrou inconformado, assustando a pobre moça que saiu correndo mata adentro.
-Não, espere!
Ele gritou, correndo na direção da mulher, esquecendo o caderno no riacho que boiava, sendo levado pela correnteza.
Enfiou o pé na água, estava fazendo muito isso ultimamente, logo poderia ser mestre nesta arte. Sentia o peso da água em suas botas, impedindo-o de ser mais ágil. A mulher dava saltos imensos, se afastando rapidamente dele.
-Eu não vou machucá-la, por favor, não corra, espere!
Ele estava começando a ficar sem fôlego, quando finalmente a viu adentrar em uma grande cabana feita de palha. Parou colocando as mãos nos joelhos e respirando com certa dificuldade, o suor pingava de sua testa e suas roupas colavam em seu corpo.
Ergueu a cabeça e olhou à sua volta. Homens completamente nus, muito semelhantes à moça, de cara e corpo pintado o encaravam com arcos e flechas erguidos mirando-os em sua direção.
-Por favor... -O pulmão estava queimando, ele ergueu a palma da mão no ar, balançando de leve- eu venho em paz...
Ele disse resfolegando, a moça que correra dele colocava a cabeça para fora da cabana em que se escondera, observando-o com olhos curiosos.
Ele teria muito que relatar, encontrara afinal os índios. Passou a mão no bolso da calça à procura de seu caderno, onde estava?
Droga! Perdeu tudo o que tinha escrito ao abandoná-lo no rio! Não acreditava nisso, agora teria de relatar os acontecimentos novamente, seu trabalho seria dobrado e muita coisa com certeza estaria perdida, uma vez que a inspiração já fora embora.
Viu os homens se aproximarem curiosos, tinha que avisar o capitão, mas antes iria ele mesmo descobrir do que se tratava aquela gente, a história seria longa em todo caso e o rei e todos aqueles que lessem a adorariam com certeza.
Mal podia esperar para escrever toda aquela imensa e inesquecível aventura, e quem sabe, dali há alguns milhares de anos as pessoas não considerassem seu trabalho árduo como algo precioso, afinal, ele era o grande contador daquela maravilhosa e inesquecível história do descobrimento do Brasil.

Fim

Jéssica Curto


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 9 - Terror na floresta

Afonso, Sancho e Nicolau andavam mata adentro tranquilamente, achavam absurdo os homens terem medo de enfrentarem qualquer problema que fosse, afinal de contas, eles não eram homens do Rei? Não deveriam nem poderiam temer nada nem ninguém. Iriam matar se preciso fosse para tomar aquelas terras em nome de Vossa Majestade.
Aquele lugar não aparentava ser nem um pouco assustador. Era repleto de árvores de diversas espécies que eles nunca sequer viram, os animais pareciam dóceis, e embora estivesse fazendo mais calor do que eles estavam acostumados, a terra parecia ser um pedaço dos céus esquecido por Deus.
Já estava para escurecer e eles nada haviam encontrado naquela região. Iriam voltar para a praia, no dia seguinte poderiam vasculhar mais o local.
Estavam andando lentamente em direção à praia, quando uma imensa coruja estranha de grandes olhos amarelos e penas negras pousou em um galho alto e grosso perto dos homens e começou assobiar estridentemente, fazendo-os se arrepiarem por completo, era aterrorizante.
Fez-se ouvir um resmungar, todos olhavam em volta buscando da onde vinha o som, quando voltaram seus olhos para a frente deram de cara com uma senhora de pele morena e enrugada, com olhos levemente puxados, brilhantes e negros. A boca se encrespava, observando-os em silêncio. Usava um manto que lhe cobria o corpo todo.
Aproximou-se de Nicolau, atenta em seus detalhes, vendo-os em completa mudez, eles seguravam suas armas com firmeza, porém mantinham-nas abaixadas.
Sua mão trêmula se ergueu lentamente e agarrou o braço de Nicolau que arregalou os olhos vendo a senhora se contorcer e o soltar abaixando a cabeça, começava a falar em um tom sombrio.
-Quem quer? Quem quer? Quem quer?
Os homens se olhavam confusos. Sancho, um homem encorpado coçou o topo da cabeça, transtornado.
-Quem quer? Quem quer? Quem quer?
Ela repetia em um tom agourento. O pio da coruja estava mais baixo e assustador, seguindo o ritmo da voz da velha.
Afonso achava ridícula aquela situação toda. A mulher aparecera do nada e estava assustando-os pelo simples fato de ter um modo de falar estranho, resolveu então tomar à frente.
-Quem quer o que? Quem é você? O que você quer?
Ele falava irritado. O rosto da mulher se ergueu encarando-o por uns instantes e então abriu um sorriso de dentes podres.
A coruja decolou da árvore para o ombro da senhora que começava a rir em um tom cruel. A ave se mantinha em completo silêncio.
Tossindo de leve, a velha  se apoiou em sua parca bengala de madeira e pôs-se a falar com uma voz gutural.
-Matinta Pereira é meu nome e venho trazer agouro para os invasores.
Esta terra não lhes pertence, o castigo virá. Vocês trouxeram o mal e o mal irá levá-los de volta donde vieram, preparem-se, o horror está à caminho e vai tomar conta deste solo.
Os homens estavam espantados com aquela mulher, sequer ouviram-na chegar e ela vinha com bobas histórias ameaçando-os, quem ela pensava que era?
Matinta Pereira voltou a tossir, a ave alçou voo piando alto novamente, distraindo-os e, quando se voltaram para a mulher ela já não se encontrava mais ali. Ao escutar pela última vez sua risada diabólica, os pelos do corpo se eriçaram completamente. O que quer que fosse aquilo, era melhor dar o fora dali.
Começaram a correr na direção de onde vieram, ouvindo berros vindos da praia que por certo deveria estar condenada.
-Esperem, esperem, vejam! Pegadas indo rumo ao mar, não podemos ir para lá homens.
Afonso falava, apontando para as pegadas no chão.
-Vamos seguir por aqui.
Sancho dizia já correndo para a direita. Risadas altas e estridentes eram ouvidas mata adentro.
-Vamos, rápido!
Nicolau corria completamente apavorado com aquela situação.
Foi então que algo muito laranja passou correndo por eles, soltando assovios por todos os lados, eram agudos e assustadores.
-Curupira não gosta de invasores na terra dele. Curupira vai enlouquecer um por um!
A voz saia de todos os cantos possíveis, fazendo com que os homens olhassem para cima, completamente confusos.
De repente Afonso caiu no chão, berrando de dor.
-Afonso, o que foi homem?
Sancho berrava, vendo o amigo tombado com uma flecha enfiada no peito, outra foi lançada em seguida e passou de raspão pelo braço de Nicolau.
-Vamos sair daqui!
Nicolau berrava abandonando os amigos e adentrando a floresta. Afonso respirava com dificuldade, o sangue vazando pelo buraco aberto.
-O que vamos fazer?
Sancho perguntava mais para si do que para Afonso. A risada ficava cada vez mais próxima, estridente e enlouquecida.
O amigo caído revirava os olhos, respirando com dificuldade.
-Vamos homem, levante, temos de sair daqui!
O gorducho camarada suava em bicas, vendo Afonso padecer. Os olhos lacrimejaram e piscaram uma última vez, sua cabeça tombou para o lado, estava morto.
Sancho engoliu em seco, ergueu-se empunhando sua espada, iria morrer enfrentando aquele monstro.
-O que você quer?
Ele berrava para o tal Curupira que o estava atacando.
-Saia das minhas terras, invasor!
Mais flechas voavam na direção do homem que começava a atirar em todos os sentidos.
Uma movimentação alaranjada passava por ele confundindo-o, a risada gritante o assustou quando viu seu amigo Nicolau cair do topo de uma árvore com uma flecha na cabeça.
-Deus me proteja!
Ele ouviu a risada atrás de si e se virou apressadamente, vendo o ser ali presente.
Era um garoto de no máximo um metro e meio, tinha pelos pelo corpo inteiro, de cor alaranjada. O cabelo era arrepiado e as pernas a partir do joelho eram viradas para trás.
Carregava em uma das mãos um cajado de madeira em outra um escudo pintado de amarelo, lembrando o sol. Um saiote cobria suas partes íntimas, seu corpo era forte e musculoso, de guerreiro.
Um sorriso arteiro estava presente em seus lábios, encarando Sancho.
-Saia da minha casa, você não é bem vindo!
Ele falava em alto e bom tom, diferente do que seria a voz de um garotinho.
Os olhos eram muito vermelhos e estavam fixos no gorducho português.
-Me dê a chance de sair daqui então!
Sancho encarava o pequeno homenzinho, era muita afronta da parte dele querer controlar toda a situação, ainda mais com o tamanho que tinha.
-Corra!
Curupira falou e voltou a desaparecer, gargalhando e deixando Sancho confuso novamente, que começou a correr alucinadamente pela floresta, tentando escapar das flechadas que o atrevido ser demoníaco lançava em sua direção.
Sentia as plantas baterem em seu rosto e espinhos lhe machucarem a pele. Estava sangrando e seu uniforme estava estraçalhado.
-SOCORRO!
Começara a berrar, atirando para cima, tentando chamar a atenção de alguém, qualquer pessoa que fosse, ao menos uma ajuda e uma chance de sair de lá com vida.
A floresta estava começando a pegar fogo, ele não sabia para onde ir.
Parou resfolegando, não conseguia conter o pavor e o medo que percorriam por seu sangue.
Fez o sinal da cruz, sabia que aquele era seu fim. Suas mãos agarraram a corrente presa no pescoço, beijando o pequeno crucifixo de ouro ali presente e em seguida foi atingido nas costas, caindo morto na mata.
A risada diabólica se espalhava pelos sete cantos, os invasores iriam pagar por terem adentrado em uma terra desconhecida.

***

Do outro lado da mata Pero Escolar se ajeitava ao lado de Antônio e Joaquim, tinham acabado de se alimentar com o cozido que Antônio trouxera, iriam relaxar um pouco, afinal que mal poderia fazer? Estavam vasculhando aquela floresta o dia inteiro, nada como um bom descanso para renovar as energias. Os olhos começavam a pesar e em poucos minutos eles estavam em sono profundo, longe de se quer imaginarem o que estava acontecendo naquela floresta.
Um ser com um grande cabelo desgrenhado e vermelho, de corpo esbelto, pele pintada igual onça, amarela com pintinhas pretas, olhos escondidos por um sombra, feita  boa parte da grande franja, deixando apenas dois pontinhos amarelos há vista que olhava fixamente para o grupo, se aproximando lentamente, andava de quatro como um animal selvagem, o nariz farejando o ar, tentando identificá-los.
Os seios delineados demonstravam ser uma mulher, pois caso contrário não seria possível tal identificação, visto que uma tanga cobria suas vergonhas.
A língua lambeu de leve os lábios de Pero Escolar, que se remexeu, ainda em sono profundo, fazendo o ser se afastar assustado.
A mão se encostou de leve na orelha de Joaquim, que incomodado deu um tapa na mesma, abrindo os olhos e se assustando com o ser que estava à sua frente, quase colado ao seu rosto, encarando-o.
Um berro desesperado foi dado por Joaquim, que se ergueu rapidamente, pegando em sua arma e atirando na direção do bicho que saiu saltando e berrando pela floresta.
-Homens levantem!
Joaquim gritava empurrando os colegas que assustados erguiam-se as pressas, se perguntando o que acontecera.
Começavam a correr na direção de onde o bicho tinha ido, a floresta estava em chamas, os troncos começavam a cair, dificultando a passagem deles.
-O que vamos fazer?
Antônio berrava, começando a sentir falta de ar, a visão estava ficando cada vez mais precária.
-Caipora só queria conhecer vocês, mas foram maus com Caipora, agora terão suas pagas.
Uma voz doce e em tom magoado saia em meio à árvores.
-Ali!
Joaquim apontou para a árvore onde o bicho estava empoleirado e atirou, mas o ser já tinha desaparecido, surgindo na árvore oposta.
-Aqui homens!
Pero atirou tentando acertar, novamente falhando, vendo a estranha mulher brotar na frente deles.
-Ai, ai, ai, eu só queria brincar, vocês são malvados, não merecem brincar com Caipora!
E ao falar isso ela saiu saltando, várias dela apareciam e desapareciam em diferentes lugares em questão de instantes, confundindo-os.
-Caipora pode ajudá-los a sair daqui se vocês forem bons com Caipora.
A voz ria maldosamente, atingindo-os pelas costas, fazendo com que se virassem, a encarando. Ela era completamente maravilhosa e atraente.
Por um segundo ela os observou calada, e então voltou a desaparecer gargalhando, os homens estavam  ficando loucos. Começaram a correr para longe do fogo, a voz de Caipora ria histericamente, eles não conseguiriam sair dali vivos.
Animais de diversas espécies começaram a aparecer e desaparecer na frente deles, emitindo ruídos apavorantes. Eles corriam alucinados, longe do fogo, e então viram uma imensa onça pintada parar na frente deles, arreganhou uma boca gigante de dentes muito afiados e rugiu alto, fazendo-os ficar petrificados de medo, e então ela saltou para cima de suas vítimas. Derrubando-as no chão e dilacerando seus corpos em questão de segundos. Aqueles não viveriam para contar história.

Jéssica Curto


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 8 - Não mexa com quem está quieto

Os homens que permaneceram na praia agiam com tranquilidade, afinal não tiveram que enfrentar aquela misteriosa floresta. Alguns se sentavam na areia, saboreando o cheiro vindo do oceano que era magnífico. Aquele lugar encantador possuía algo capaz de hipnotizar a todos.
Bartolomeu olhava para o horizonte, as caravelas estavam calmas no mar e tudo parecia pacato, tão diferente de onde ele viera, uma terra tão distante e movimentada. Ele bocejou se espreguiçando gostosamente. Suspirou exausto, já que aquilo não teria muita novidade, poderia até tirar um cochilo se não fosse pelos outros homens ali tão próximos. Deu mais uma olhadela para o mar e viu uma cobra de escamas onduladas e vermelhas próximo à água. Perfeito! Aquilo seria o suficiente para lhe tirar do tédio.
Meteu a mão na espada e desceu-a com tudo na direção do rabo do bicho, que por muito pouco não foi acertado, fugindo às pressas.
Bartolomeu gargalhava vendo o desespero do animal.
—Ei! O que você está fazendo seu endiabrado?
Vicente vinha na direção do colega, com o olhar fixo no animal que rastejava em sua direção rapidamente.
—Veja só Vicente.
E falando isso baixou novamente a lâmina da espada, desta vez perto da cabeça, fazendo o animal desviar na direção da água, iria se afogar. O homem ria descontroladamente, conseguira tirar aquele tédio do momento.
—Hahaha, pobre ser insignificante Bartolomeu!
Vicente ria junto do companheiro, vendo a cobra se rastejar até sumir nas ondas, certamente estava morta.
—Pena que durou pouco, essa viagem está uma grande chatice e, se você quer saber a minha opinião, devíamos pegar essas naus e fugir, ganharíamos mais como piratas do que como servos do rei.
Barto falava em alto e bom som, chamando a atenção dos outros para si. Muitos concordavam com sua afirmação.
—Não blasfeme homem, se vossa majestade descobrir...
Vicente estava incrédulo com o que ouvia, adorava o rei e seu serviço, achava uma afronta àquela espécie de pensamento.
—E quem vai contar?
Bartolomeu ergueu sua espada na direção de Vicente, alguns homens começavam a incentivar a briga, sem notar em momento algum as ondas gigantescas que se formavam no mar.
Vicente era um homem leal à coroa, jamais apoiaria tais ideias.
—Ande, diga homem!
Bartolomeu insistia, provocando o defensor do rei e da monarquia.
Antes que Vicente pudesse dizer alguma coisa, uma boca gigante desceu na direção da cabeça de Bartolomeu, engolindo metade do corpo e puxando-o para o alto, mastigando e fazendo o restante escorregar para dentro.
Vicente estava boquiaberto, uma imensa cobra que tinha dois chifres na cabeça, de olhos gigantes cor de esmeralda e pele da cor do fogo acabara de mastigar seu amigo revoltado e se direcionava para os demais na praia.
—Bo... Bo... Boitatá!
Vicente gaguejava começando a correr, as pernas estavam completamente bambas e molhadas de urina, sem conseguir fazê-lo se locomover direito.
A enorme cobra abaixou a cabeça, se rastejando para mais próximo dos homens, abriu a boca e soltou labaredas de mais de dois metros de altura, atingindo à maioria ali presente.
Vicente pegou em sua arma, mirou no bicho e atirou, no segundo seguinte a calda da mesma bateu em sua mão, fazendo o revolver voar longe, indo parar no meio do oceano. Rapidamente Vicente se viu preso no ser que se enrolara nele, esmagando seus ossos lentamente. Balançando a cabeça, o Boitatá mirou nos sobreviventes que restavam. Os berros eram terríveis, os homens estavam sendo queimados vivos, a praia estava em chamas, a areia antes branca tornara-se preta como carvão. Se o inferno existia, estava presente ali naquele exato instante.

Jéssica Curto


terça-feira, 25 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 7 - Terra misteriosa

Depois do último horrível acontecimento com as sereias tudo se aquietou, os homens voltaram às suas rotinas e Pero, mesmo tendo sede de aventura, não sabia se seria bom para todos que seu desejo se realizasse, já que não queria prejudicar ninguém por causa de seus caprichos, muito menos colocá-los em risco, sob qualquer circunstância. Por isso, tentou evitar ao máximo incomodar o capitão exigindo tarefas, o seu dever era escrever para o Rei e assim o faria. Precisava deixar de ser egoísta.
Isso o fazia ficar trancado no quarto a maior parte do tempo, completamente sozinho.
Estava olhando pela janela para aquele infinito oceano azul que se misturava com os céus e fazia tudo ser uma coisa só, já estavam há mais de um mês no mar e nada de surgir terra alguma, ele estava triste e desapontando e foi com esse pensamento que ouviu iniciar uma grande correria no corredor, pessoas berravam animadas, será que era algo de novo afinal? Teria ele dado tal sorte novamente para ter fantasias a relatar?
Ele não tinha culpa, a curiosidade aflorava em seu sangue, era de sua natureza querer descobrir sempre mais. Saiu do quarto, vendo os homens correndo em direção ao convés. Muitos se apoiavam para observar o mar, onde algas flutuavam de um lado a outro misturadas com rabo de asno, de folhas verdes, pontudas e compridas.
Mais a frente algumas aves sobrevoavam o céu, eram fura-buxos de cara cinza, um pássaro de cor marrom escura uniforme, com a face cinza, bico e pés pretos que se alimentava de peixes, lulas e crustáceos. Esses eram os maiores indícios de que havia terra próxima e todos estavam muito impacientes com essa novidade, finalmente estavam próximos da Índia!
Pero voltou depressa para seu quarto, tinha que escrever sobre aquilo e, principalmente, arrumar suas coisas para a grande excursão que faria naquele novo mundo. Imensa tal qual era sua felicidade e nervosismo, que teve de parar e respirar com calma por diversas vezes para não borrar o papel de tinta.
Horas mais tarde os homens já se preparavam caso de fato estivessem chegando para desembarcarem. Cabral estava há horas agarrado em sua lupa, os olhos fixos no horizonte, Pero andava de um lado para o outro esfregando as mãos vez em nunca, sentindo o corpo vibrar de felicidade. — Ahá! — o capitão-mor soltou um berro involuntário, fazendo todos ao redor pararem o que faziam e o encarar.
—O que estão olhando? Voltem aos seus trabalhos!
Ele abaixava a luneta, baforando de raiva de sua própria reação.
Todos voltaram aos seus afazeres imediatamente, completamente sem graça por terem sido pegos no flagra. Pero já estava colado na lateral do comandante, queria ele mesmo ter uma luneta para poder ver sozinho.
—Capitão... O que é? O que o senhor está vendo?
O garoto olhava ávido por novidades em direção ao homem, que saltou se dando conta do rapaz ali presente o tempo todo. Encrespou os lábios, completamente irritadiço.
—Veja você mesmo... Vai se chamar Monte Pascoal e esta terra que vês em frente, será a Terra da Vera Cruz, anote isto para Vossa Majestade exatamente como estou lhe dizendo. Tome!
E enfiando de muito mau gosto o objeto nas mãos de seu escrevente, saiu do recinto, uma vez que tinha de dar ordens para as outras naus seguirem naquela direção até o mais próximo possível e depois lançarem as canoas na água com seus homens. Desta forma, Pero ficou sozinho apreciando e decorando cada minúsculo pedaço daquela vista paradisíaca a fim de relatar tudo em sua carta posteriormente. Era uma grande e maravilhosa montanha, muito alta e redonda, repleta de frondosas árvores volumosas.
Não sabia se existiriam palavras suficientes para explicar aquela magnitude toda, talvez nem o mais bonito quadro pudesse retratar com maestria aquela paisagem dos deuses.
Naquela mesma noite, todos já se encontravam prontos para transpassar o mar pela manhã e estavam com os nervos a flor da pele. Era um misto de medo e curiosidade, afinal, ninguém sabia dizer o que os esperava naquela imensidão verde.
Pero mal pregara os olhos e logo nos primeiros raios de sol já estava de pé, pronto para zarpar. Por ele, ia nadando até a areia se preciso fosse para não ter de esperar nem mais um segundo aqueles homens lerdos se arrumarem. Não fosse pelo capitão mandá-lo se acalmar e o ameaçar de tirar suas funções, ele não sossegaria.
Depois de muitas expectativas eles finalmente adentraram as canoas e Pero insistiu em ajudar a remar com os demais homens. Quando se aproximaram o suficiente da areia branca viram que a vista era ainda mais linda de perto.
Pero saltou da canoa, encharcando as calças e o sapato, correu em direção a praia como um menino bobo, gargalhando alto, não acreditava no que via.
Cabral e os demais homens olhavam para ele completamente inconformados.
—Cale-se homem, está chamando atenção, não sabemos o que esta floresta nos esconde!
Cabral vociferava o reprimindo, vendo-o se calar frustradamente.
—Prestem atenção rapazes, vamos nos dividir, fiquem atentos e a qualquer sinal de movimento suspeito, atirem e corram!
Os homens balançavam a cabeça em concordância, apanhando suas armas e engatilhando-as.
—Prontos? Afonso, Sancho e Nicolau vão pela esquerda, Antônio, Joaquim e Pero Escolar pela direita, João e o nosso empolgado escrivão Pero vão comigo pelo meio da mata e o resto fica aqui na praia de guarda. Ao sinal de qualquer problema, deem dois tiros pro alto que viremos correndo, e homens... — Ele via os rostos amedrontados de todos — Tomem cuidado.
Ao falar isso todos saíram para as suas devidas direções.
Pero estava feliz, aquela era finalmente sua chance de escrever uma aventura de verdade. Conforme eles adentravam a mata o mistério e a tensão aumentavam em torno deles, visto que movimentações suspeitas e sombras de seres estranhos e diferentes estavam começando a deixá-los assustados, principalmente a João, que era um negro escravo e forte, contudo era medroso e não parava de olhar para os lados completamente apavorado com qualquer barulho diferente.
Embora estivesse achando aquelas matas maravilhosas, cheias de plantas diversificadas e com uma coloração tão bela, Pero se mantinha hesitante, os olhos bem abertos e atentos, sua mão apertava firme o cabo da arma, seus passos eram leves, em busca de não emitir qualquer ruído no chão folhoso. Já o capitão se mostrava confiante e, com a mão em sua espada, passava cortando a mata alta, sem aparentar medo de nada.
Assim, eles adentravam em um novo mundo repleto de mistérios inimagináveis.

Jéssica Curto


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 6 - Divindade perigosa

Pero acordara animado no dia seguinte, esperando que mais novidades viessem a aparecer para que ele pudesse relatar, mas sua alegria durou pouco. Os dias seguintes que se passaram foram monótonos e sem novidades, o mar estava calmo e não dava sinal de haver terras por perto. Ele já estava completamente desapontado, esperava que aquela viagem fosse uma verdadeira aventura, ele ouvia tantas histórias fenomenais dos marinheiros e, no entanto, parecia ser tudo falácia.
Estava sentado na proa de frente para o mar, na ponta mais alta do barco. Reservara-lhe o direito de possuir aquele lugar como seu para admirar aquela imensidão azul e pacata.
Já era noite, o céu estava repleto de estrelas e a lua estava amarela e imensa, linda de se admirar, ele se detinha a imaginar o que seu velho pai estaria fazendo, como as pessoas do vilarejo estariam naquele exato momento, se sua doce Isabel ainda o amava, se ainda estava esperando-o, se não se apaixonara por nenhum jovem rico e bonito, quando se deparou com uma leve movimentação na água.
Devia ser o sono, ele bocejou, balançando a cabeça e afugentando as ideias, iria para a cama, ganhava mais indo dormir do que ficar ali mirabolando besteiras.
Se levantou decidido a não pensar em mais nada, quando viu novamente a água se agitar, criando pequenas ondinhas que terminavam batendo na lateral da caravela.
Ele se debruçou, tentando enxergar alguma coisa, nada. Estava ficando realmente louco. De repente viu a calda de um peixe brilhante e colorido se debater e sumir nas profundezas escuras do mar.
Ele olhou para os lados, precisava de uma segunda opinião. Viu um homem magricela de rosto encardido e roupas sujas a andar com um balde em mãos.
—Hey, você! Venha cá!
Ele berrou para o mancebo, que voltou os olhos na direção dele.
—Eu?
Falou baixo e confuso para Pero, olhando para os cantos à procura de mais alguém.
—É, você mesmo, veja isso!
O jovem se aproximou, colocando o balde no chão e se apoiando na borda junto a Pero, não sabendo ao certo o que deveria olhar.
—Ali, veja, o que é aquilo?
Ele disse, apontando para a água que estava com pequenas ondas e levemente brilhante. Quando um peixe imenso saltou da água, fazendo uma curva no céu e caindo no mar, voltando a nadar, se afastando do navio.
Os olhos de ambos seguiram o grande deslocamento. Uma voz doce, carinhosa e gentil começou a embrenhar-se em seus ouvidos.

Venha, meu amor,
quero você aqui ao meu lado.
Busco apenas a felicidade,
o marujo encantar.

Pero não acreditava no que estava vendo. Era Isabel, e estava linda! De cabelos molhados e soltos, olhava para ele com um sorriso encantador e chamativo.
Queria ir até ela a qualquer custo, mas como ela fora parar ali? Não importava, iria agarrá-la, queria possuí-la naquele instante.
Ela se aproximou lentamente, prendendo seus olhos aos dele, deu um salto e se apoiou na borda da caravela, uma das mãos acariciou o rosto de Pero, fazendo-o ir de encontro ao dela, ele não estava acreditando.
O corpo já estava prestes a cair no mar, sua voz era tão suave e atraente.

É lua cheia, se aproxime,
se alegre marinheiro,
venho aqui para buscar-lhe
quero ver o seu sorriso,
se deixe hipnotizar.

Foi quando ele percebeu que havia algo de errado, os olhos de Isabel ficaram completamente negros e a boca se escancarou num sorriso demoníaco e de lá saiu um berro profundo, as garras dela tentavam a todo custo segurá-lo e arranhar sua pele. Ele se assustou e empurrou o ser diabólico, jogando o corpo para trás, se afastando daquele horror, o coração batia forte no peito, estava apavorado.
Olhou em volta, muitos homens se debruçavam no parapeito, ficando hipnotizados, envolvidos por seres monstruosos.
Eram bichos horríveis de rosto fino, pele pálida e escamosa, os cabelos pareciam algas compridas e amarelas, nariz largo e curto, de bocas com dentes semelhantes à espinhas de peixe e língua áspera, as orelhas lembravam guelras, possuíam grandes e atraentes seios, da cintura para baixo via-se uma grande barbatana colorida, como a cauda dos peixes.
O que eram aquelas coisas afinal?
—Sereias!
Ouviu uma voz berrar respondendo seus pensamentos e logo em seguida um tiro alto ruborizou o local seguido por um grito aterrorizante, acertando um daqueles monstros que caiam no mar, soltando um dos homens que voltava em si.
Era Cabral quem segurava uma pistola em mãos, mirando já em outro ser monstruoso.
O alvoroço foi imenso, homens caiam ao mar desesperados, sendo devorados e estraçalhados, outros tentavam combater e matar com o que tivessem em mãos.
—Levantar âncora, icem as velas! Rápido, o que estão esperando homens?
Cabral berrava, vendo as outras caravelas também alucinadas, tentando combater e matar os demônios.
—Vamos sair daqui! Pero, atire! Ajude-me, ande!
E ao falar isso Cabral se dirigiu para o Timão do navio, para dirigir o mais rápido possível para longe dali. Pero pegou a pistola que carregava na cintura, mirou em um dos monstrengos e atirou, fazendo o bicho cair na água.
—Malditas sereias!
Ouvia alguns homens se juntarem a ele naquela árdua tarefa, berrando blasfêmias incansavelmente.
As traiçoeiras possuíam tridentes que agarravam na carne dos homens e os içavam para o mar, afogando-os sem chance de sobrevivência.
Algumas naus já se afastavam, deixando para trás aquele horror e os pobres que sofreriam as consequências do abandono. Cabral berrava ordens enquanto tentava tirá-los também daquele tenebroso local.
Depois de uma quantia significativa de mortes, finalmente eles se viram distantes o bastante para não serem mais perseguidos por aquelas assombrações. Todos estavam exaustos e respiravam com certa dificuldade, o suor pingava de suas testas e o chão estava empoçado de sangue.
—Capitão, a nau Vasco de Ataíde ainda está lá, senhor!
Pero olhava para a caravela que pegava fogo, os tiroteios eram incansáveis e os berros maiores ainda, os corpos estavam sendo dilacerados e estraçalhados.
—Não podemos fazer nada, se voltarmos seremos devorados.
Cabral respondeu exausto. Ninguém conseguia desviar os olhos daquele terror, os homens estavam sendo comidos vivos por aqueles monstros que fingiam ser tão belos e chamativos e ninguém iria ajudá-los a se salvar. O capitão-mor manteve a rota para longe dali, seguido por todos os outros navios sobreviventes.
Horas depois os homens já estavam mais calmos, limpando a grande bagunça que se tornou aquele barco e Pero foi tirar satisfação com Cabral, afinal, precisaria saber como relatar aquilo para a carta do Rei. Bateu de leve na porta da sala dele, vendo-o sentado silencioso na cadeira, estava pensativo olhando para os mapas espalhados pela mesa.
—Com licença senhor... Mas preciso saber como...
—Eu sei o que você veio fazer aqui, e já vou lhe dizer. Você dirá que a nau se perdeu, não dará mais detalhe algum, dirá que ela simplesmente desapareceu, fomos procurar e não encontramos qualquer vestígio se quer, você entendeu?
Cabral falava em um tom firme, as sobrancelhas vincadas e sérias, o rosto carrancudo e fechado ainda mirando o mapa à sua frente.
—Mas senhor...
Pero não entendia porque aquilo haveria de ser escondido de vossa majestade.
—Nada de mas, faça o que estou mandando ou jogo-lhe para fora deste navio!
Ele berrou esmurrando a mesa à frente, erguendo o rosto para o jovem que assustado se calava, apenas o encarando.
O papagaio que estava dormindo no poleiro acordara apavorado, com os olhos arregalados e logo começou a piar incansavelmente.
—Abandonar navio, abandonar navio! Ah! Ah!
Cabral olhou para o pássaro completamente indignado, suspirou profundamente, passando a mão pelo rosto, voltando a se tranquilizar.
—Olha Pero, eu sei que as suas intenções são as melhores, mas preciso que confie em mim... Por favor, faça o que estou lhe dizendo.
Pero apenas balançou a cabeça em concordância.
—Senhor... Posso lhe perguntar uma coisa, se não for ousadia de minha parte?
O menino falava cabisbaixo, o rosto apreensivo.
—Claro o que é?
Cabral se ajeitava na cadeira, cruzando as mãos em frente à barriga.
—Essas sereias... Senhor, eu não entendo... Eu vi a minha... Hum... Uma pessoa muito querida na minha vida.
O rosto de Pero estava começando a esquentar, ele sentia seu coração acelerando incontrolavelmente.
—Sim... Sereias Pero, se mostram como aquilo que mais desejamos e mais amamos na vida, porém tudo não passa de uma emboscada, na verdade elas são seres monstruosos e horríveis que afogam os corpos dos marinheiros e devoram a carne humana, são demônios amaldiçoados por Deus, nem peixe nem homem. Sua sina é sempre se mostrar bela e formosa, mas na realidade ser abominável e medonha. O que você viu foi apenas uma miragem, seja lá o que tenha sido, esqueça isso, filho.
O menino balançou a cabeça em afirmação lentamente, se voltando para a porta, quando parou e se virou novamente por um instante, os olhos concentrados em Cabral.
—Senhor... Por que o senhor não se encantou? Por que não caiu na armadilha?
Cabral abriu um leve sorriso que Pero não soube distinguir se era de felicidade ou de tristeza, ou um misto de ambos.
—Porque o que eu mais amo, meu jovem, há muito deixou de existir.
Pero engoliu em seco, não sabia se preferia ter ficado calado a receber aquele tipo de resposta. Pigarreou.
—Boa noite senhor.
—Boa noite Pero, durma bem rapaz.
Cabral viu o jovem sair pela porta e se ateve aos mapas novamente.
Pero estava louco para relatar todos aqueles acontecimentos, seria afinal um desperdício não fazê-lo e por mais que tivesse recebido ordens claras para não registrar aquela verdadeira aventura, ele o faria, nem que fosse para guardar para si. Depois, se preciso fosse, passaria a limpo a carta para Vossa Alteza, mas não se desculparia se não descrevesse cada detalhe daquele dia tão único e tão assombroso.

Jéssica Curto