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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Viver

 Olhar para um rouxinol e imaginar uma casinha no campo me remete à tempos tranquilos. 

Hoje vivemos engaiolados, sufocados, amedrontados e inconformados, o cansaço faz parte da nossa rotina diária, nos esquecemos de sonhar, de ouvir, de esperar que as coisas aconteçam naturalmente. 

Nos esquecemos de quem somos e só vivemos em busca de uma vida de mentiras, uma vida que não existe, nos esquecemos de quem realmente somos. 

Precisamos sonhar mais, viver mais, precisamos nos reconectar com o nosso passado, torcendo para que a paz e a calmaria não seja um sonho distante, e sim uma possibilidade real.

Precisamos verdadeiramente em sua essência, viver! 


Jessica Curto

domingo, 21 de novembro de 2021

Viver e escrever

 Estou aqui escrevendo em uma folha de papel, segurando um lápis na mão como se fazia antigamente, e o retorno às origens me faz pensar o quanto a vida era pacata e boa, sem esse estresse todo. 

Existia a elaboração da criação de cada letra, o raciocínio sobre os pensamentos, a calmaria de se olhar pela janela e se ter uma inspiração. 

Falta essa tranquilidade nos dias de hoje, que são tão turbulentos e nos criam ansiedades exacerbadas. 

É preciso calma para sobreviver hoje em dia, calma essa que tínhamos naturalmente no passado. 

Precisamos recuperar às nossas essências, buscar as nossas raízes e somente assim, poderemos viver com paz e tranquilidade. 


Jessica Curto

sábado, 20 de novembro de 2021

Vontade sobre as coisas

 As vontades sobre as coisas devem nos levar ao ímpeto do desejo da realização das mesmas, se não, são só besteiras!


Jessica Curto

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

A vida é boa

 A vida é boa, basta olharmos para ela com sabedoria e levarmos as situações com molejo. 

A vida é boa, e isso me basta, afinal, isso é tudo o que importa! 


Jessica Curto

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Tempo e Vida

 A vida pode ter as suas nuances, que nos fazem ter anseios de recuperar o tempo perdido, mas o que é o tempo, se não o processo dos acontecimentos?


Jessica Curto

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

O bom da vida

 A vida é boa, 

vida é uma flor no jardim,

um pássaro voando,

um cheiro de querubim.


Vida é poder acordar todos os dias 

com a chance de poder recomeçar

e ter a certeza de que calma e paciência 

fazem parte dos bons resultados


Jéssica Curto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Mude-se

Nunca espere que as coisas mudem, faça por onde elas mudarem, ou não espere, a vida é feita pra quem tem coragem de viver e não para os molengas.
Você deve se levantar e cantar, esbravejar, mas mudar!!
Ninguém disse que seria fácil e não é, mas é preciso.
Eu já disse, a vida é feita para os fortes e você deve provar ao que veio, sem medo do que lhe espera, a vida não espera, ela é para os fortes!!

Jessica Curto

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Música

Escuto essas músicas e me encho de inspiração, uma vontade louca de pegar o papel e a caneta e a começar a escrever.
Daí percebo que não consigo colocar as palavras pra fora e me frustro, mas a vida tem dessas coisas, não se pode ter tudo, então me basta a música.

Jessica Curto

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Voltei pra ficar!

Faz tempo que não venho aqui postar alguma coisa, mas não pense você, leitor que por alguma razão acabou caindo de para-quedas aqui e está lendo essa postagem, que eu abandonei este meio de comunicação tão esplêndido e que no fim, tenho tanto carinho, afinal, são oito anos já escrevendo e postando, às vezes, não com tanta frequência, mas que vale de aprendizado para estar sempre refletindo e melhorando.
Eu mesma acredito que minha escrita tenha evoluído, nem que seja um pouco, porque no fim, é isso mesmo, estamos em constante evolução.
Então, quando der, e a inspiração me pegar de jeito, voltarei a escrever aqui relatos que acho importantes e até pensamentos (totalmente) pessoais, como um diário aberto ao mundo, permitindo que outras pessoas dividam igualmente suas opiniões.
Afinal, o Mundo é de Ninguém!

Jessica Curto

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Red Rabbit - Comemoração do dia de Star Wars!! \o/

Oi galera,

tudo bem com vocês?? Espero que sim!!

Dessa vez venho trazer um vídeo super legal que a youtuber Koi fez para homenagear este dia tão incrível, que é o dia de Star Wars!!!

Está deliciosamente bonito ;) 

Beijos,

Jéssica Curto.




terça-feira, 17 de março de 2015

Eu quero uma casa na praia

Eu gostaria de uma casa na praia, mas esse sonho é apenas outra mentira. Contudo, esse desejo não é de todo mito, pois a casa não precisa ser na praia.

Não reparo em tamanhos, não percebo espaços. Quero paredes pintadas com lágrimas de meu pranto e decoradas com o sorriso de minhas gargalhadas.

E eu quero dar festas. Comemorações com direito a balões enchidos de respirações passadas e velas que reluzem sonhos futuros.

Nos finais de semana quero piqueniques nos dias quentes e cobertores quando o frio chegar. Ao término de grandes atividades, almejo a sensação de deitar-me no sofá numa sexta à noite e relaxar, mesmo sabendo da louça que me espera para lavar no sábado de manhã. Pela madrugada afora, quero ver as estrelas antes de fechar os olhos, assim como espero sentir os raios de sol antes de me cegar com seu brilho ao desafiá-los, no ato de fitar diretamente o grande astro ao surgir da aurora.

Eu quero um lugar meu, mas que eu possa receber visitas. E no final gostaria de vender essa casa para alguém que também a deseja, pelo preço de poder viver, por ao menos um único dia, em sua companhia. Nessa casa, nessa vida, nesse mundo...

Lucas de Figueiredo

domingo, 15 de março de 2015

Sinfonia da Vida

A redoma de gelo quebrou e seus fragmentos voaram ao som do vento. O vento que liberta, dá suporte ao vôo e entrelaça os corpos com a melodia sinfonante da vida.

Ao som de meus passos eu andei durante horas sabendo apenas para onde ir. Não sabia a hora do retorno nem fazia ideia de como agir e o que sentiria ao trilhar por aqueles caminhos. Não me passou pela cabeça que talvez não houvesse retorno.

Vi e conheci gente nova. De todos os tipos, de todas as raças e com as mais diversas intenções tatuadas no corpo e na mente. E eu conheci você.

Seus cabelos suados não balançavam muito com o vento e sua voz não podia ser ouvida direito no meio do som e da algazarra da festa. Mas eu sentia suas intenções e pensamentos... Eu te sentia. É claro que eu posso estar errado em afirmar isso, mas é o que eu ainda penso. E eu sinto a saudade de teus lábios, de teu toque, tuas palavras, gestos, atitudes e pensamentos. Sinto saudade de barulho que fazia lá fora, pois embora ele apagasse uma parte de sua voz, ele me fazia entender aquele mundo novo ao qual eu estava a um passo de fazer parte.

E eu quero voltar, pois agora estou liberto. Sem medos, sem ressentimentos e finalmente com o conhecimento que eu precisava ter sobre meu corpo e minhas emoções. Não vejo a hora de encontrá-lo novamente e sorrir ao sentir o calor que borbulha em meio as nossas vidas. Nossa vida é o vento, a festa alegre na qual estamos é o calor que nos aproxima e a paixão presente no meu peito me encanta e alucina...

A redoma de gelo quebrou e seus fragmentos voaram ao som do vento. Enquanto isso, meu amor por você escapa do corpo e flui para o universo. Livre e feliz, enlaçado com a melodia sinfonante da vida.

Lucas de Figueiredo

domingo, 8 de março de 2015

Finado amor, eu te amo

Hoje recebi uma carta, do qual um assunto foi nomeado de fim. Pois é, esse era seu título. Como uma palavra com apenas três letras pode traçar o destino de duas pessoas?

Sim, eu sei. A palavra é pequena. Mas já parou para perceber que as menores partículas da terra movimentam o mundo? Tudo bem, eu também não havia pensado. Sem julgamentos. Sem estudos científicos ou algo do tipo. Apenas sobre a vida. O que já é por si só, bem confusa...

Aquela carta tinha um significado. Cada palavra escrita representava um sentimento. Uma escolha. Uma decisão a ser seguida. Apesar de pequena ela disse tudo. Já não precisava mais abri-la. Tudo estava dito em apenas três letras.

Amanhã ou semana que vem pode ser que esse fim não exista. Mas até lá, terei que conviver com a dor que não dói mais.

Desde criança, sempre pensei que nós faríamos o que quisermos com a nossa vida. Traçávamos uma meta e no fim do prazo, o pote de ouro estava lá. Pensava que ser apenas uma boa menina já bastava.

Os momentos não são assim. Eu não podia estar te contando isso. Na sua idade, eu ainda sonhava sonhos! Os pesadelos pouco me pertenciam. Seria melancólico e injusto pensar que não vale a pena o sofrimento. Quando bem digerido se torna algo bom. Faz bem gostar de mim, de você, dele e daquela outra pessoa ali também.

O amor está presente na comida que você tanto gosta de preparar. O amor está no seu travesseiro, após um dia cansativo. Ele te acompanha todo dia. Até uma saudação cordial para um mendigo é um sinal desse sentimento. Do qual, o ser humano não vive sem.

O fim está presente também. Para nos lembrarmos de que o amor é importante. Que a vida não é infinita. Que morremos todos os dias, em cada segundo que se passa.

A vida nada mais é que morrer a cada dia com a certeza de queremos mais um dia para prolongar o momento do fim.

Vanessa Silva

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

De 2014 para o futuro...

O som está alto, as luzes estão apagadas, está muito calor, é véspera de ano novo.
Mamãe está há horas naquela cozinha quente igual ao inferno preparando coisas gostosas para comermos.
Mamãe é a pessoa mais incrível que eu já conheci, e não se engane em pensar que é simplesmente porque é minha mãe, é mais do que isso, se você a conhecesse um pouquinho que fosse entenderia a pessoa maravilhosa que ela é.
Estou pensando sobre tudo o que já passei na minha vida, que muitos irão dizer ser tão curta, mas que não fazem ideia de quantos obstáculos já tive que enfrentar.
Meu pai é a pior pessoa que eu já conheci, e não estou dizendo isso apenas porque ele é egoísta, mandão e dono da razão, ou porque ele traiu sem piedade a pessoa que mais o amou, ou porque ele simplesmente se mostrou cruel com a família que fez por diversas vezes e principalmente no seu momento de divórcio. 
Digo isso porque convivi com um homem que por não ser feliz nunca aceitou a felicidade alheia.
Eu quase perdi mamãe quando tinha 15 anos e hoje vejo o quanto tive sorte de poder ter ainda vários anos ao lado dela, mas não é sobre nada disso que quero dizer.
A música está alta, o calor insuportável e dentro de poucas horas estaremos entrando em um novo ano, que pode não significar absolutamente nada como pode ser a GRANDE mudança da vida, na realidade não depende de ser um novo ano ou não, depende apenas da sua vontade, desejos, sonhos e metas, depende apenas de você, porque o tempo é apenas algo que o ser humano inventou para endoidecer um pouquinho a mais por dia.
E é disso que quero falar, às vezes fico tão exausta que a vontade é de deixar acontecer como o mundo bem quiser, mas sempre continuarei assim se sempre pensar assim e a realidade é que não quero mais isso, preciso mudar, quero mudar, e é por isso que estou escrevendo.
A escrita sempre foi para mim um modo de colocar para fora o que gostaria de dizer e expressar, já que nunca fui muito boa nem com uma nem com outra, mas com a escrita... 
E para mudar é preciso querer, e eu vos digo, a partir de hoje, dia 31 de dezembro de 2014 eu estou decidida a mudar, a renovar e a fazer com que muitos dos meus projetos funcionem.
A vida não é fácil, mas podemos fazê-la melhorar através de muita batalha e muito esforço, e é o que farei.
Que 2014 vá pra puta que o pariu, como diria o bom Vinícius!

Jéssica Curto

Breve consideração à margem do ano assassino de 1973

Por Vinícius de Moraes

Que ano mais sem critério 
esse de 73
Levou para o cemitério 
três Pablos de uma só vez

Três Pablões, não três pablinhos 
No tempo como no espaço 
Pablos de muitos caminhos: 
Neruda, Casals, Picasso.

Três Pablos que se empenharam 
contra o fascismo espanhol 
Três Pablos que muito amaram 
Três Pablos cheios de Sol.

Um trio de imensos Pablos 
em gênio e demonstração 
Feita de engenho, trabalho 
Pincel, arco e escrita à mão.

Três publicíssimos Pablos: 
Picasso, Casals, Neruda 
Três Pablos de muita agenda 
Três Pablos de muita ajuda. 
Três líderes cuja morte 
o mundo inteiro sentiu

Oh ano triste e sem sorte
Vá pra puta que o pariu

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um amor de Guia


Oiiiee pessoal, tudo em cima? 

Estou escrevendo porque tenho uma super dica pra vocês, a Mayara Almeida (que foi quem nos deu a dica do livro Saga de Bravos da Patricia de Luna) nos trouxe dessa vez a dica do projeto da jornalista e escritora Natália Alcântara, achei muito interessante e uma forma genial de chamar a atenção para o caso da falta de cães guias aptos para guiar um deficiente visual, por isso, peço que vocês deem uma maior atenção para esta postagem.


No Brasil existem cerca de 6,5 milhões de pessoas com baixa ou nenhuma visão. Apesar desse número, encontram-se no país menos de 100 cães-guia treinados e aptos para guiar um deficiente visual. Essa realidade chamou a atenção da jornalista Natália Alcântara, apaixonada por cães, que se encantou pelo tema para sua conclusão de curso na faculdade.

“A ideia do projeto Amor de Guia brotou com a vontade de realizar dois sonhos, produzir um livro e ajudar a divulgar a importância dos cães-guia”, destaca a autora, que hoje se divide entre uma assessoria de imprensa, a manutenção da fanpage Amor de Guia e com o voluntariado na Escola de Cães Guias Helen Keller - a primeira escola da América Latina ligada à Federação Internacional de Cão-Guia.

O livro “Amor de Guia: A história de cães que emprestam seus olhos para quem não pode ver” fala de sonhos e esperança, de superação, de vitórias e conquistas! A narrativa traz histórias vividas pelos usuários de cão-guia e serve como uma fonte de inspiração para aqueles que desejam ter um cão-guia e resgata a esperança de todos aqueles que acreditam no potencial dos animais e também das pessoas. Há também as experiências vividas pelos socializadores e os instrutores, responsáveis por ajudar o cão a graduar-se como um guia.

No entanto, o objetivo maior é alertar para a realidade distante entre o cão guia e o deficiente visual devido à falta de profissionais qualificados para realizar o treinamento e ao alto custo desse processo. As escolas e instituições que realizam esse trabalho só conseguem finalizá-lo devido a doações, ajuda de voluntários e apoio de empresas públicas e privadas.

Inovação para chegar às prateleiras

O livro, para ser publicado, precisa da ajuda de todos. Isso porque ele faz parte de um projeto de financiamento coletivo (ou crowdfunding) realizado pela Bookstart.  A ideia é simples: um grupo de colaboradores contribui com determinadas quantias em dinheiro para que um projeto seja viabilizado.

Funciona assim: a Bookstart recebe uma proposta de campanha de um autor, analisa, aprova e coloca à disposição na web. Os leitores interessados podem então fazer uma colaboração em dinheiro (por cartão de crédito ou boleto) e, se o projeto atingir a meta preestabelecida, o dinheiro arrecadado é utilizado para viabilizar os custos de produção e distribuição do livro.

“O objetivo é oferecer um serviço que fique entre a autopublicação e o trabalho de uma editora profissional. "Vamos publicar com alguma qualidade e ao mesmo tempo dar capilaridade para autores independentes", afirma Bernardo Obadia, sócio da Bookstart.

E então, vamos ajudar?? 

Desde já, muito obrigada seus lindos!!

Um beijo,

Jéssica Curto

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Uma linda lembrança!

Para quem não sabe, um dos textos que tenho mais orgulho de ter criado é o Descanse em paz, meu amor e sempre que posso estou mostrando ele para as pessoas, a maioria diz ser legal, mas pela primeira vez me disseram que lembrava essa história... E me emocionei profundamente com esta comparação, foi uma verdadeira honra, obrigada!!

Jéssica Curto


domingo, 8 de junho de 2014

A VIDA NA PONTA DOS PÉS


Por Simone Brito 

    Na manhã em que nos vimos em sua casa, passei em uma padaria artesanal francesa, comprei pães à moda europeia e um bolo que, segundo o rapaz do balcão, era preparado com pão de chocolate, um creme com um leve toque de whisky e coberto com geleia de mamão, estranha combinação, mas quis saber o sabor de algo aparentemente exótico, palavra que não seria estranha em meu dia com Cristina Vieira, e sim inspiradora. 

    Fui recebida com um sorriso e um “hey dear” bem característico dos tempos de ateliê. Ao revê-la, percebi que não havia mudado tanto aos 34: com exceção do cabelo sem os dreadlocks que já havia passado por um curtinho até chegar a uma cabeleira envolvida em um coque, continuava com seu corpo esguio e musculoso. Uma beleza, com o poder da palavra “exótica”, não aquela beleza toda arrumada e irritante de uma bailarina comum. 

    Apresentou-me a casa em que vive há três anos, com o marido e o filho Benjamim, de dois anos, um bebê lindo e esperto de cabelos emaranhados. Um lugar acolhedor, espaçoso e com direito a uma rampa de skate no quintal; casa que tem festa, como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade. 

    Trocamos o bolo por cerveja e partimos para o papo. Em meio ao seu mais novo papel, o de mãe, começamos a conversar. Pedi que contasse sobre o balé. A primeira memória foi um retrato com dois anos de idade, já na escolinha de dança, momento em que pediu a sua mãe que a levasse a uma escola de “balé de verdade”. Contudo, quem a levou foi a madrinha Mariana, de quem lembra com muito carinho. 

    Com sete anos, ingressou no Estúdio de Ballet Cisne Negro de balé clássico e dança contemporânea. “Foi nesta escola que ganhei uma profissão, ser professora, o que faço até hoje”. Lugar em que esteve até os 22 anos e que saiu por uma frustração: queria dançar profissionalmente, e não dar aula para crianças. 

    Longe da companhia, começou a estudar educação física por exigência da sua profissão e também por vontade de ter uma formação acadêmica. “Apesar de ser faculdade de educação física e todo mundo pensar que a gente vai lá para jogar bola, não é, tem a parte das matérias humanas. Na faculdade se aprende muita coisa, é mágico. Passar o conhecimento é muito legal, dar aula é um dom”. A faculdade lhe abriu um caminho intelectual o que fez com que pensasse mais como professora do que bailarina. 

    Em 2002, perdeu o pai e viveu um momento de ausência de si. “Deixei de fazer tudo que pertencia ao meu ser”. Parou de dançar, de estudar e saía muito à noite, queria fugir à ordem e seguir o fluxo sem se preocupar com a vida. 

    A proposta do ateliê surgiu neste momento, através de uma amiga bailarina. Para um apaixonado pela dança, a relação com o movimento é muito intensa. “O trabalho de modelo vivo, apesar de ser parado, o que tem de movimento é incrível. A gente tá parado, mas o corpo tá ali pulsando, a respiração, o silêncio, o movimento do artista desenhando a modelo”.

    Foi só em 2004 que retomou a faculdade de educação física e começou a se reencontrar na dança e na profissão de professora: estudar o indivíduo e passar conhecimento. Foi ao lecionar que descobriu que há 
diferenças do bailarino profissional que tem aulas com o “mestre”, o professor especialista em ensinar o balé nível avançado e o professor que dá aula para criança. “O aprendizado do balé é militar, todo mundo uniformizado, a cultura do clássico tem tradição rígida”. 

    Ao final da faculdade reencontrou seu professor do Cisne Negro, que havia inaugurado uma companhia. Na primeira audição, para apresentar o espetáculo “Carmen”, da ópera de Georges Bizét, um drama em que a cigana, personagem principal, seduz através da dança e do canto, decidiu participar. “A maioria das pessoas acha o balé chato porque só conhece o chamado balé branco, Lago dos Cisnes e Gisele, mas Carmen tem mais energia, e é visceral, principalmente com a opéra de Bizet. Quem não conhece precisa ouvir”. 

    Embora a audição tenha sido terrível, pois estava já há algum tempo sem treinar, foi chamada para fazer um estágio, o que foi um reconhecimento que não esperava, contava apenas que conseguiria fazer aulas. No final, as meninas que passaram na audição não ficaram, porque queriam glamour, sucesso e dinheiro, coisas que a escola não poderia oferecer naquele momento.

    Acabaram ficando os apaixonados pelo balé. “Carmen foi um reencontro de pessoas que estavam ali para resgatar algo, um espetáculo feito com amor à dança. A vida havia me levado para outros caminhos e me tornei professora. Eu preferi namorar, ir para balada, mas bailarino tem que pensar no corpo. Eu voltei aos trinta anos para resolver minha psique; alma, ego e mente”.

    Resolvida na companhia, ficou grávida do Benjamim, mas dançou até os seis meses, como disse com orgulho, “na ponta”. Depois, ficou algum tempo como assistente de ensaio, embora, acredite ser uma função muita delicada por estar entre o bailarino e o professor. “Sinto que ainda quero palco, faz parte da minha alma dançar”. 

    Cris acredita que se formou em qualidade de vida, maturidade que o imediatismo dos 20 anos não enxerga. Como bailarina, sabe que precisa trabalhar o corpo e acorda todos os dias bem cedinho para se alongar.

    Para ela, este momento é de compreender o fluxo natural da vida, a base familiar e a religião. “Com vinte anos precisava de autoafirmação, queria ser bailarina top, dar aula para profissional e não para criança e viajar, mas não é assim. Todo mundo quer a cereja do bolo. Aos 34 anos percebo que tudo é construção do indivíduo”. 

    Também não é apenas a paixão pelo movimento que a estimula. Acredita que a dança é nata ao ser humano e se manifesta mesmo que não haja complexidade alguma. “Até o dedinho no carnaval e o bate cabeça do rock n’ rol é dança. É a minha vida, eu respiro movimento”. 

***

    Há três semanas, antes de entrevistar Cristina Vieira, antes mesmo de contatá-la, comecei a rememorar quando nos conhecemos, ou melhor, como nos conhecemos. Na época, em 2007, trabalhava de modelo vivo na Oficina de Escultura Israel Kislansky. 

    Bem, para contextualizar, o trabalho de modelo vivo é, a grosso modo, posar para artistas e, no caso, aprendizes da arte de esculpir e desenhar. Devo dizer que a primeira vez que a vi ela estava nua, e a segunda eu também, quando conversamos. 

    Antes do encontro, refleti algum tempo sobre o ato de se despir. Neste trabalho é preciso muita disciplina e desprendimento e não um padrão de perfeição ou beleza, na verdade. Quanto mais complexo e diferente for a atitude corporal, melhor. Tudo depende do que o artista quer. 

    Aprender a ficar nu é uma experiência diária, e não por estar na frente de pessoas com uma finalidade tão nobre que é a arte, mas por aceitar a si próprio e se reconhecer na obra construída. Um aprendizado que só quem trabalhou como modelo vivo entende. O tempo passa diferente quando se está parado em uma pose. A mente fica livre para desejar, fazer planos para o futuro e contar, isso mesmo, contar. 

    Qualquer coisa no ambiente serve. Se a dinâmica proposta na aula é de cinco minutos em uma pose, um modelo vivo pode criar diversas unidades de medida, como contar até trezentos pulando todas as dezenas ou pensar em quantas linhas verticais possui a sala.

    Isso porque os olhos ficam apurados, seríamos capazes de descrever todo o ambiente com riqueza de detalhes. Foi nessa toada que reencontrei a Cris, ou Kika, ou mesmo, a bailarina desgarrada, na época, de dreadlocks e turbante da oficina.