Páginas

sábado, 21 de junho de 2014

Amor

Trilha sonora: 



Eu sempre fui uma pessoa completamente romântica, acho que como boa pisciana às vezes chego a exagerar na criatividade com que imagino certas coisas, e quando vejo já estou fazendo mil e um planos que poderiam se tornar reais se vivêssemos em um mundo ao qual as pessoas apenas quisessem desfrutar do belo com sinceridade e bondade.
Em todos os meus relacionamentos sempre tentei ser o mais atenciosa e carinhosa possível, e talvez esteja ai o meu grande erro, porque na verdade, quanto mais analiso mais percebo que as pessoas dão real valor para aquilo que não lhes da o devido valor, que elas no fundo são todas masoquistas, pois quando conseguem conquistar o que tanto desejam a graça simplesmente se esvai...
Talvez seja por isso que eu ame tanto os meus livros, dentro deles podemos viajar sem culpa e idolatrar aquele momento eternizado naquelas páginas, em um mundo que até pode não ser real, mas que nos da à sensação de perfeição única.
Em todos eles eu busco o meu príncipe encantado, e não estou me referindo ao personagem principal e gostosão, mas sim aquele que vai me deixar delirando pelo seu jeito doce, atencioso e às vezes até brutal, mas que terá um lado totalmente único, porque é isso o que eu busco nos meus parceiros, o seu modo único de ser.
E por mais que se diga que as mulheres deveriam amadurecer e parar de ler determinados livros conforme os anos passam, eu não concordo, por que as meninas amavam tanto Crepúsculo? Porque retratava exatamente aquilo que nós sempre sonhamos, um garoto perdidamente apaixonado que faria qualquer coisa para tê-la junto de si.
Porque no fundo é apenas isso o que desejamos, não a beleza nem o dinheiro, mas o carinho, uma peça fundamental que anda faltando na sociedade moderna.
Porque os livros de Nicholas Sparks vendem tanto? Porque ele sabe o que uma mulher realmente deseja, e como nesta sociedade machista que vivemos é difícil de encontrar este romantismo magnífico, então ele os vende para alegrar o nosso coração.
E com isso eu percebo que a leitura é o melhor romance que alguém pode possuir, transformado no caos ou nos campos tranquilos de uma Inglaterra antiga, o importante no fim das contas é apenas o que sentimos dentro de nossos corações.
Amor sempre foi a grande resposta para tudo, apenas... Amor!

Jéssica Curto

domingo, 8 de junho de 2014

A VIDA NA PONTA DOS PÉS


Por Simone Brito 

    Na manhã em que nos vimos em sua casa, passei em uma padaria artesanal francesa, comprei pães à moda europeia e um bolo que, segundo o rapaz do balcão, era preparado com pão de chocolate, um creme com um leve toque de whisky e coberto com geleia de mamão, estranha combinação, mas quis saber o sabor de algo aparentemente exótico, palavra que não seria estranha em meu dia com Cristina Vieira, e sim inspiradora. 

    Fui recebida com um sorriso e um “hey dear” bem característico dos tempos de ateliê. Ao revê-la, percebi que não havia mudado tanto aos 34: com exceção do cabelo sem os dreadlocks que já havia passado por um curtinho até chegar a uma cabeleira envolvida em um coque, continuava com seu corpo esguio e musculoso. Uma beleza, com o poder da palavra “exótica”, não aquela beleza toda arrumada e irritante de uma bailarina comum. 

    Apresentou-me a casa em que vive há três anos, com o marido e o filho Benjamim, de dois anos, um bebê lindo e esperto de cabelos emaranhados. Um lugar acolhedor, espaçoso e com direito a uma rampa de skate no quintal; casa que tem festa, como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade. 

    Trocamos o bolo por cerveja e partimos para o papo. Em meio ao seu mais novo papel, o de mãe, começamos a conversar. Pedi que contasse sobre o balé. A primeira memória foi um retrato com dois anos de idade, já na escolinha de dança, momento em que pediu a sua mãe que a levasse a uma escola de “balé de verdade”. Contudo, quem a levou foi a madrinha Mariana, de quem lembra com muito carinho. 

    Com sete anos, ingressou no Estúdio de Ballet Cisne Negro de balé clássico e dança contemporânea. “Foi nesta escola que ganhei uma profissão, ser professora, o que faço até hoje”. Lugar em que esteve até os 22 anos e que saiu por uma frustração: queria dançar profissionalmente, e não dar aula para crianças. 

    Longe da companhia, começou a estudar educação física por exigência da sua profissão e também por vontade de ter uma formação acadêmica. “Apesar de ser faculdade de educação física e todo mundo pensar que a gente vai lá para jogar bola, não é, tem a parte das matérias humanas. Na faculdade se aprende muita coisa, é mágico. Passar o conhecimento é muito legal, dar aula é um dom”. A faculdade lhe abriu um caminho intelectual o que fez com que pensasse mais como professora do que bailarina. 

    Em 2002, perdeu o pai e viveu um momento de ausência de si. “Deixei de fazer tudo que pertencia ao meu ser”. Parou de dançar, de estudar e saía muito à noite, queria fugir à ordem e seguir o fluxo sem se preocupar com a vida. 

    A proposta do ateliê surgiu neste momento, através de uma amiga bailarina. Para um apaixonado pela dança, a relação com o movimento é muito intensa. “O trabalho de modelo vivo, apesar de ser parado, o que tem de movimento é incrível. A gente tá parado, mas o corpo tá ali pulsando, a respiração, o silêncio, o movimento do artista desenhando a modelo”.

    Foi só em 2004 que retomou a faculdade de educação física e começou a se reencontrar na dança e na profissão de professora: estudar o indivíduo e passar conhecimento. Foi ao lecionar que descobriu que há 
diferenças do bailarino profissional que tem aulas com o “mestre”, o professor especialista em ensinar o balé nível avançado e o professor que dá aula para criança. “O aprendizado do balé é militar, todo mundo uniformizado, a cultura do clássico tem tradição rígida”. 

    Ao final da faculdade reencontrou seu professor do Cisne Negro, que havia inaugurado uma companhia. Na primeira audição, para apresentar o espetáculo “Carmen”, da ópera de Georges Bizét, um drama em que a cigana, personagem principal, seduz através da dança e do canto, decidiu participar. “A maioria das pessoas acha o balé chato porque só conhece o chamado balé branco, Lago dos Cisnes e Gisele, mas Carmen tem mais energia, e é visceral, principalmente com a opéra de Bizet. Quem não conhece precisa ouvir”. 

    Embora a audição tenha sido terrível, pois estava já há algum tempo sem treinar, foi chamada para fazer um estágio, o que foi um reconhecimento que não esperava, contava apenas que conseguiria fazer aulas. No final, as meninas que passaram na audição não ficaram, porque queriam glamour, sucesso e dinheiro, coisas que a escola não poderia oferecer naquele momento.

    Acabaram ficando os apaixonados pelo balé. “Carmen foi um reencontro de pessoas que estavam ali para resgatar algo, um espetáculo feito com amor à dança. A vida havia me levado para outros caminhos e me tornei professora. Eu preferi namorar, ir para balada, mas bailarino tem que pensar no corpo. Eu voltei aos trinta anos para resolver minha psique; alma, ego e mente”.

    Resolvida na companhia, ficou grávida do Benjamim, mas dançou até os seis meses, como disse com orgulho, “na ponta”. Depois, ficou algum tempo como assistente de ensaio, embora, acredite ser uma função muita delicada por estar entre o bailarino e o professor. “Sinto que ainda quero palco, faz parte da minha alma dançar”. 

    Cris acredita que se formou em qualidade de vida, maturidade que o imediatismo dos 20 anos não enxerga. Como bailarina, sabe que precisa trabalhar o corpo e acorda todos os dias bem cedinho para se alongar.

    Para ela, este momento é de compreender o fluxo natural da vida, a base familiar e a religião. “Com vinte anos precisava de autoafirmação, queria ser bailarina top, dar aula para profissional e não para criança e viajar, mas não é assim. Todo mundo quer a cereja do bolo. Aos 34 anos percebo que tudo é construção do indivíduo”. 

    Também não é apenas a paixão pelo movimento que a estimula. Acredita que a dança é nata ao ser humano e se manifesta mesmo que não haja complexidade alguma. “Até o dedinho no carnaval e o bate cabeça do rock n’ rol é dança. É a minha vida, eu respiro movimento”. 

***

    Há três semanas, antes de entrevistar Cristina Vieira, antes mesmo de contatá-la, comecei a rememorar quando nos conhecemos, ou melhor, como nos conhecemos. Na época, em 2007, trabalhava de modelo vivo na Oficina de Escultura Israel Kislansky. 

    Bem, para contextualizar, o trabalho de modelo vivo é, a grosso modo, posar para artistas e, no caso, aprendizes da arte de esculpir e desenhar. Devo dizer que a primeira vez que a vi ela estava nua, e a segunda eu também, quando conversamos. 

    Antes do encontro, refleti algum tempo sobre o ato de se despir. Neste trabalho é preciso muita disciplina e desprendimento e não um padrão de perfeição ou beleza, na verdade. Quanto mais complexo e diferente for a atitude corporal, melhor. Tudo depende do que o artista quer. 

    Aprender a ficar nu é uma experiência diária, e não por estar na frente de pessoas com uma finalidade tão nobre que é a arte, mas por aceitar a si próprio e se reconhecer na obra construída. Um aprendizado que só quem trabalhou como modelo vivo entende. O tempo passa diferente quando se está parado em uma pose. A mente fica livre para desejar, fazer planos para o futuro e contar, isso mesmo, contar. 

    Qualquer coisa no ambiente serve. Se a dinâmica proposta na aula é de cinco minutos em uma pose, um modelo vivo pode criar diversas unidades de medida, como contar até trezentos pulando todas as dezenas ou pensar em quantas linhas verticais possui a sala.

    Isso porque os olhos ficam apurados, seríamos capazes de descrever todo o ambiente com riqueza de detalhes. Foi nessa toada que reencontrei a Cris, ou Kika, ou mesmo, a bailarina desgarrada, na época, de dreadlocks e turbante da oficina. 


domingo, 11 de maio de 2014

Rotina materna

Alguém, por favor, faça silêncio! Quero ouvir meus pensamentos. Dias de chuva, de sol ou nublado, nada disso importa para eles... Ei, psiu! Faça silêncio! É só o que eu peço educadamente.

Correm, fazem barulhos, caem, sorriem, choram. Silêncio! Ser mãe não é fácil. Parece piegas dizer isso, mas não é. Isso é um fato.

Lá vou eu de novo tentar pensar. Com uma mão o ajudo a se levantar. Com a outra, passo o objeto que pediram. Presto atenção na apresentadora do programa de culinária, que repete três vezes o nome do ingrediente. O telefone toca. O cachorro late. Um grita e o outro chora.

A chaleira apita. Ele mais uma vez não consegue encontrar a camisa. Respiro, procuro embaixo do sofá, dentro da geladeira, mas não encontro meus pensamentos. E o silêncio? Devem tê-lo escondido na caixa de brinquedos.

Vanessa Silva

sábado, 3 de maio de 2014

Para Sempre!

Trilha sonora:



Acho que estou pela primeira vez sentindo o que realmente é se apaixonar verdadeiramente, podendo ter opinião própria e realmente sabendo do que gosta.
Vou contar para você como essa história toda começou, mas para isso preciso que você entenda que essa história não foi feita para ser feliz.
Você provavelmente vai me chamar de louca ou de doente, mas isso não importa, a única coisa que realmente importa é o que eu senti e tudo o que aconteceu, o resto é apenas consequência da vida.

Era outono de 2010 quando eu ouvi falar nele pela primeira vez, uma moça de cabelos ondulados e vermelhos me dizia empolgantemente o quanto ele era maravilhoso e o quanto ela sentia uma sintonia profunda entre estes dois corpos que não se conheciam.
Admito que fiquei assustada a priori, mas a minha curiosidade sempre se sobrepôs a qualquer outra coisa e lá fui eu descobrir um pouco mais sobre este ser tão misterioso.

Em outubro de 2010 mandei a primeira mensagem, completamente sem ideia do que estava prestes a iniciar, uma amizade e um amor completamente desiguais a qualquer coisa que você já tenha visto, é claro que já tinha descoberto tudo sobre aquele ser, ou era o que eu achava que tinha feito, mal sabia eu que ainda haveria muito pela frente.

Em 2011 eu tive certeza de que o que eu estava sentindo não era normal e era completamente único, mas admito, aquilo estava começando a me deixar apreensiva, o tamanho como tudo aquilo estava ficando não podia ser normal.

Hoje já são quase quatro anos de algo que não consigo mais controlar e que só aumenta a cada instante da minha vida.

Ele tinha os olhos mais bonitos que eu já vi, não pela sua cor nem pelo seu formato, mas pelo jeito que ele me olhava, pelo jeito que falava através deles.
O seu sorriso completamente raro fazia dos meus dias mais feliz, estava me apaixonando por algo que nunca seria meu, como eu sabia disso?
Eu simplesmente sabia...

Ele me olhou com olhos profundos naquela noite em sua cama e eu soube que dali em diante as coisas entre nós mudariam para sempre.

Eu gostaria apenas que você me dissesse a verdade, porque eu sempre sei quando você está mentindo e isso sinceramente me magoa profundamente.

E então eu lhe beijei e lhe desejei boa noite, o último que daria com a certeza de que seria puro e real.

Você precisa entender que todos os sacrifícios feitos foram exclusivamente feitos para um bem maior, quando se ama o seu melhor amigo não se pode espalhar para o mundo como a vontade pede, porque existe muito em jogo.

E quando se está perdendo um pedaço de você, não se pode mais esconder o que se sente, por mais que o deseje.

E é por isso que eu estou aqui dizendo tudo o que estou dizendo, você tem sido o ar que eu respiro, você é a razão da minha existência e o amor mais profundo e mais dolorido que eu já tive.

A sua simplicidade, autenticidade e sinceridade são as coisas que eu mais amo em você e preciso dizer, nunca deixe essas suas características sumirem, são elas que te transformam neste ser tão único!

Eu quase morri de raiva todas as vezes que você tinha olhos para aquelas que jamais te amariam do jeito que eu te amo, e eu quase me matava todas as vezes que você sofria por pessoas que nunca sofreriam por você, enquanto eu estava bem na sua frente, o tempo todo, implorando por uma chance.

E então eu percebi que por mais que eu tentasse fazer com que você gostasse de mim, isso não ocorreria porque você simplesmente não me vê assim, e por mais sol que eu tomasse (e como eu tomei!) não seria o suficiente para demonstrar todo esse amor que eu sinto por você.

E que por mais passeios que eu te desse, por mais diversão que eu proporcionasse, por mais que eu tentasse me destacar, eu jamais conseguiria chegar à altura daquelas que apenas te menosprezavam, mas que tinham toda a sua atenção.

E é por isso que eu estou abrindo mão de todo esse amor que eu sinto, porque afinal, quem ama liberta, e quem liberta se liberta também, e por mais que eu não consiga encontrar em outros o que apenas você possui, eu espero que você consiga encontrar uma pessoa que te ame tanto quanto eu te amo e sempre amarei, porque você é o meu único e verdadeiramente L.A.R!!

Beijos imensos da sua eterna,

Curto