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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Transforme!!

É preciso coragem para mudar, e mais coragem ainda para aceitar as mudanças de braços abertos
Nunca é fácil sair da nossa zona de conforto, mas é preciso lutar para não se deixar acomodar.
A vida é uma eterna mudança, constante rotina modificável, é preciso aceitar o novo, mas ninguém disse que seria fácil.
Mude-se, transforme-se, seja melhor a cada dia e engrandeça o seu espírito, como pessoa, como ser humano, existente neste universo tão imenso e digno de sua presença.
As pequenas coisas são sempre as mais importantes, serão afinal, o que levaremos conosco, o que deixaremos como legado, o resto, é como a palavra bem diz, é resto.
Então não esquente a sua cabeça com o que pode ou não acontecer, faça deste universo o seu momento e viva, sem medo de criar, de mudar, de transformar!!

Jessica Curto

2 - A Partida

Ele olhava fixamente para ela, focado em seus olhos cor de mel, seus longos cabelos ruivos esvoaçavam quando o vento os sacudia, trazendo consigo um delicioso perfume.
Ele delicadamente colocava os fios soltos para trás de sua orelha, atento nos movimentos dela.
Seus doces e rosados lábios se abriam com um sorriso puro e meigo, ao sentir o toque dele.
-Vou sentir a sua falta!
Ela falava com a voz entrecortada, os olhos começando a marejar, ele sentia uma dor profunda no peito, como se um buraco estivesse se abrindo ali, naquele instante.
-Eu vou voltar, eu prometo!
Uma lágrima escorria dos olhos dela, percorrendo sua face com delicadeza, mas ela logo a retirou com a palma de sua mão, escondendo o rosto entre os dedos.
-Beatrice, eu prometo!
Ela o abraçou forte, recostando a sua cabeça em seu peitoril, sem nada mais dizer, ele a aconchegou em si e lhe beijou a testa, ternamente, não saberia dizer se aquele momento se repetiria outra vez, mas sabia que queria para-lo por um instante, apenas por um instante, e ficar ali naquele abraço reconfortante pela eternidade.
-Última chamada para Ystbaru, última chamada!
Uma voz ao longe ressoava alto, ele a soltou de leve e a sentiu se agarrar em suas roupas, agora as lágrimas escorriam copiosamente pelo seu rosto.
-Me prometa, me prometa que irá escrever para mim todos os dias!
A buzina chamando para o embarque berrava ao fundo, ele se soltou dela e começou a se afastar, preso apenas pelo entrelaçar de seus dedos.
-Eu prometo, meu amor!
Mais uma vez a buzina berrou e ele a soltou, correndo em direção do navio, o toque quente da ponta dos dedos dela se faziam presentes em sua mão, e enquanto ele se apressava em subir o monstruoso veículo, deixava para trás uma moça que chorava copiosamente enquanto acenava com seu pequenino lenço bordado.
Ele ergueu o braço, acenando de volta, enquanto a via ficar cada vez menor, até desaparecer.
Um misto de medo e curiosidade o assolava naquele instante, não sabia o que poderia esperar, só sabia que acabara de começar a sua grande jornada.

Jessica Curto

segunda-feira, 1 de julho de 2019

1 - A Chegada

Naquela manhã primaveril, onde as flores nasciam, um pequenino ser surgia ao longe, seus grandes e curiosos olhos verdes observavam a vasta floresta pela frente, seu corpinho rechonchudo andava rapidamente, sentindo a terra molhada em seus pés, o ar fresco e puro adentrava seu corpo pelo seu grande e pontudo nariz lhe dando energia.
As folhagens balançavam com o vento, os pássaros cantavam e a natureza emergia aquela energia incrível de vida nova.
O pequeno pacotinho que trazia consigo em suas mãos era carregado com delicadeza,  suas passadas tinham destino certo e nada nem ninguém o tiraria de seu destino.
O som de risadas e cantoria ao longe denotava que estava próximo, as pequenas chaminés soltavam deliciosos aromas de pães e bolos sendo assados, fazendo sua barriga roncar e seus finos lábios sorrir, estava perto de casa, finalmente.
-Bom dia senhor Erond!
Disse acenando para um senhor de mesma estatura que a sua, porém muito mais magro, com um pequeno óclinho pendurado na ponta de seu nariz.
-Bom dia Adriel, bem vindo de volta!
O senhor sorria e acenava de volta, seus olhos azuis observavam com certa curiosidade o rapaz que andava apressadamente, mal sabia ele por tudo que o pequenino Adriel passara, quantas histórias teria para contar, mas agora simplesmente tinha que continuar, e assim o fez, sem perder mais tempo, estava ansioso e sentia que se demorasse mais um minuto seria tarde.
Avistou então uma grande, imensa, gigantesca casa, com portas e janelas tão grandes quanto possível, levemente arredondadas, o jardim em frente possuía diversos tipos de flores, dando um colorido espetacular para qualquer visão, a luz da sala acessa denotava que a casa não se encontrava vazia.
Sentiu um calafrio percorrer seu corpo por um instante e resolveu parar, admirando o local por um instante, não conseguia acreditar que aquilo finalmente estava acontecendo, desejara tanto aquele momento que mal conseguia conter a felicidade.
-Adriel! Não posso acreditar que voltou!
Uma voz gritava em sua direção e sua atenção se desvencilhou por um momento.
-Augustus, meu amigo!
Mal conseguiu responder e logo fora agarrado em um forte e apertado abraço caloroso, estava feliz por estar ali, sentira tantas saudades.
-Venha, precisamos te mostrar para a Babette, ela não vai acreditar quando te ver.
O ruivo puxava o pobre Adriel, que era forçado a acompanhá-lo, seus olhos voltados para a casa, enquanto seus passos o distanciavam dali, sentindo o pacote em suas mãos lhe fazer uma exigência, mas nada conseguira falar e fora arrastado para longe antes que pudesse fazer alguma coisa.
-Como você está, pequeno grande homem?
Augustus falava animado, rindo e conversando ao seu lado.
Começaria ali afinal, a história da sua grande jornada? Ele não sabia, a única coisa que tinha certeza é de que tinha muito para contar, e contaria.

Jessica Curto

Simplicidade Caótica

O mundo está tão vasto de informações que as vezes, fica muito difícil escolher.
Antigamente nós íamos em vídeo-locadoras, e se você, caro leitor, for jovem demais, não saberá do que estou dizendo, mas digamos que era um local onde as pessoas iam para escolher um filme para levar para casa e assistir, alguns dias depois o devolvia ou o realugava se desejasse ver novamente.
Hoje em dia basta abrir a Netflix ou até mesmo procurar na internet que se encontra uma vasta, imensa opção de filmes, são tantos que às vezes chega a parecer uma verdadeira perda de tempo rever algum, uma vez que existem tantos outros.
Mas qual é a real sensação dessa escolha?
Deveria ser de prazer, alegria, realização por poder ter a liberdade de escolher o que bem quiser, no entanto, não é bem isso o que acontece, curioso não?
A verdade é que as escolhas são tantas que muitas das vezes nos sentimos impotentes por não termos tempo para vermos tudo, antigamente o dinheiro nos limitava, mas hoje o que nos limita é o tempo, ou a falta dele.
Temos mais dinheiro para comprarmos as coisas, mas não temos tanto tempo para apreciá-los verdadeiramente, precisamos correr contra o tempo, o tempo todo.
Levanta-se de manhã, escova-se os dentes, coloca a roupa afoito, sai correndo para não perder o transporte, quase engolindo e engasgando com a bolacha ou o pedaço de pão que pegou em cima do armário às pressas, mal se sentindo o gosto.
Sobe no ônibus super apertado, as pessoas se empurrando em busca de algum lugar para seguir viagem, andam apressadas, sem respirar, sem olhar umas para as outras, e então... Chegam ao serviço.
Ah o serviço, um leve suspiro, mal sentou a bunda na cadeira já começa a trabalhar alucinadamente, bater metas, resolver problemas, continuar alimentando a grande máquina de produção, não temos tempo para respirar, viramos máquinas impulsivas e alucinadas, telefones tocando, whatsapps apitando, meu Deus!
E de repente, hora do almoço!
Era para ser o melhor momento do dia, não é mesmo? Quem dera, pegue essa marmita logo, corra, se não, o micro-ondas vai ser ocupado por outro, as filas imensas, as mesas cheias, o alimento sendo engolido sem se ver direito o que se está comendo, tudo automático, tudo robótico, os robôs vão dominar o mundo, dizem os futuristas, acho que já dominaram, sugaram nossas almas e nos levaram para o mundo das multidisciplinaridades, e quando você percebe, seu almoço acabou, é preciso trabalhar, produzir, fazer o capitalismo rodar, e então, quase que sem notar, o dia vai passando, quando se da conta, já é hora de ir embora.
Finalmente um pouco de liberdade, um pouco de ar...
Poluição, trânsito, buzinas caóticas, pessoas alucinadas em voltarem para seus lares, mais gente se empurrando, mais gente cansada, quando você finalmente coloca seus pés em casa o corpo está tão exausto que você só pensa em dormir, ou no máximo ver um filme...Mas, qual filme? Precisa pensar logo, precisa ver logo, jajá tem que dormir, amanhã começa tudo de novo, busca, busca, olha, olha, nada interessa, mas ao mesmo tempo, é tudo tão interessante... Não, esse não, muito longo, esse muito agitado, esse muito parado... E assim, algo tão simples se torna tão complexo e problemático, e um simples prazer se torna em um verdadeiro caos.
Antigamente as coisas eram mais simples, antigamente ainda eramos simples humanos.

Jessica Curto