Cadeiras enfileiradas, pessoas em ordem alfabética. Eu sento, olho o papel sobre a mesa e pego minhas canetas. A tinta escorre pelo impresso nas direções propostas pelos meus dedos ao traçar fórmulas, explicações, justificativas e opiniões. Rasuras, erros e correções também estão presentes. Eu não me importo se receberei a nota máxima, mas gosto de ter a certeza que pude extrair de minha cabeça o máximo possível, de exaurir toda a minha energia pensante por apenas alguns momentos, estimuladas por inúmeras sinapses que meus neurônios são capazes de gerar entre si. As informações ficam no documento.
Ruas construídas na cidade, pessoas em ordem cronológica. Eu ando, noto os indivíduos ao meu redor e começo a agir. Minhas atitudes geram consequências e efeitos nas pessoas de acordo com a minha maneira de pensar. Eles se aproximam, se afastam, apaixonam-se, desprezam-me. Eu não me importo com a opinião de todas as pessoas, mas tenho extrema preocupação e zelo com as amizades e amores que cultivei, pois toda essa interação ajudou a formar o que me constitui hoje. Minhas memórias permanecem em minha cabeça.
Talvez a vida não seja muito diferente de um pedaço de papel. O que está escrito, o que foi amassado, riscado, pisoteado, rasgado, guardado e cobiçado nos papéis pode ser comparado com o que foi dito, ouvido, notado, feito, desprezado, repensado e lembrado nos seres vivos. Esses traçados constituem o ser por trás de todas essas ações. As ações dos humanos fabricam e modificam a humanidade das pessoas. É o que nos torna tão iguais e tão diferentes. É o poder de criar e destruir, capaz de fazer milagres e desgraças.
O que importa não é fazer o certo, rumo à perfeição, mas sim agir com todas as forças para reproduzir no mundo o que o sujeito acredita ser o correto, de forma a evitar o surgimento de arrependimentos e amarguras. Não se necessita ser espetacular, mas viver de maneira consciente é imprescindível.
Lucas de Figueiredo
sábado, 4 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Sem voz
Não tenho assunto com as pessoas. Mesmo na presença dos amigos mais queridos, minha garganta não vibra para fazer a locução do som. Eu emudeço sempre... Sempre.
Eu gostaria de mudar, mas não creio que seja fácil e não acredito que tenha tempo e paciência suficientes. Não emudeço por timidez, mas sim pela incrível alternância entre os tempos em que estou presente. Eu não estou aqui, contudo meu passado também me expulsa daquela época que já passou, e assim eu vou e volto, sem determinação, compreensão ou motivo aparente. Sinto que sou direcionado em meus pensamentos, pois minhas ideias não parecem originais ao nascerem da minha mente, como se alguém pudesse implantá-las e fazer-me acreditar que esse método é o único possível de se viver. Não sei como modificar essa situação, pois as informações anexadas em minha memória já são numerosas o suficiente para embaralharem-se entre meus neurônios, assim como uma pilha de cartas unidas numa sequência caótica devido à mistura sem ordem ou direção.
Perco a voz novamente, contudo é impossível não notar a vivacidade existente à minha volta, impregnadas com mil e uma experiências exclusivas, verídicas e cativantes, contadas e cantadas por diversas pessoas das quais sinto orgulho e vontade de encurtar as distâncias impostas pela ausência do som que deveria transformar-se em voz através de minha boca. Eu gostaria de agir normalmente, mas para isso acredito que seja necessário renegar tudo o que sou agora e esse é um sacrifício que não estou disposto a fazer. Eu amo meu passado, pois ele é lotado de lembranças inusitadas, cuja existência é indispensável para a manutenção de minha vida ao constituir parte da base mental que me mantém de pé, tornando-se, desta forma, um doce furacão de imprevistos que me faz sorrir e me traz, ao mesmo tempo, segurança e conforto.
Olho para o alto novamente e uma imagem povoa minha cabeça. Dessa imagem surgem milhares de outras, as quais encapsulam minha mente e puxam minha alma para o centro ao combinar-se com meus sonhos e memórias, o que altera meu raciocínio, mas não compromete minha sanidade, da mesma forma que o sal ao dissolver-se completamente na água, a qual se transforma em solução e passa a apresentar sabor diferente, porém sem perder sua aparência límpida e pura.
Então revivo meu passado pela centésima vez. Nada mais importa nesse instante de calmaria que em breve tornar-se-á uma nova tormenta ao destruir esse mundo e me conduzir, novamente, aos tempos atuais no qual continuo mudo a observar as experiências que abdiquei.
Lucas de Figueiredo
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
BELEZA AUSTERA
Aquele rosto austero,
De tão segura beleza,
Sim, é aquele que eu quero,
Disso eu tenho certeza.
Força dos olhos teus!
Afasta os curiosos
Vis com vários "adeus"
E neles bem mistura
Um misto de ternura
E uma dose de medo,
És mistério e doçura,
És, também, um segredo:
Que moça é essa tão bela
Que me vem e descortina
As janelas da razão?
Não sei. Sei que "amo ela"
E não penso, ela fascina:
Mais do que pode a paixão.
Rafael Cardoso
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Para meu melhor amigo!!
Fez três anos em Outubro que te conheci, no seu aniversário ironicamente quem ganhou o presente fui eu, e desde então a minha vida anda sendo mais feliz, com mais sono é bem verdade, mas com mais risadas igualmente também.
Três anos e eu não tenho palavras para descrever o quanto a sua existência se tornou essencial em minha vida, o quanto as coisas mudaram e melhoraram com a sua presença. Três anos de puro prazer e satisfação.
Quantas brigas tivemos? Se bem me lembro foram três e se não me engano, não duraram mais do que três dias. Engraçado como este número está ligado em nossas vidas e em como às vezes o destino brinca com a gente.
Semelhanças, histórias vividas e contadas, tristezas e alegrias, passamos já por altos e baixos, mas isso nunca mudou nada... Minto, isso fortaleceu cada vez mais a nossa relação, e se hoje te digo que é o meu melhor amigo e maior companheiro é porque de fato o é e fez por onde para sê-lo, então, apenas posso dizer... Muito obrigada!
Obrigada pela confiança e pela convivência, obrigada pelas diversões guardadas com tanto carinho, obrigada pela paciência e pelos momentos mais sublimes ao seu lado, obrigada simplesmente por existir e ser este amigo que eu amo tanto, repleto de defeitos únicos que o tornam completamente perfeito em sua magnitude, muito obrigada!!!
Espero que 2014 seja mais uma dessas tantas aventuras que ainda vamos passar juntos, mas que venha repleto de sonhos concretizados e de situações que nos façam evoluir e nos sentir não apenas mais um entre tantos, mas pessoas únicas e totalmente realizadas.
Que você continue este chato que me faz rir de tudo e que os desejos e experiências sejam infinitamente fantásticas!!!
Feliz ano novo meu querido Lobinho,
Beijocas da sempre sua,
Curto
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