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quinta-feira, 11 de julho de 2019

Criador e Criatura

uma pessoa que faz isso...
não me leve a mal
eu também sou criatura
mas existe uma fina linha tênue 
onde criatura e criador
se encontram
em determinado momento
em que se tornam
um só.
A criatura nada mais é
do que o espelho
de seu criador
aperfeiçoado
e
detalhado
para ficar 
o mais parecido possível
do que o criador
uma vez
desejou ser.

Jessica Curto

3 - A Amizade

-Babette, Babette, venha aqui fora, você não vai acreditar nisso! 
O homem gritava empolgado enquanto se dirigia para a pequenina portinha, onde se encontravam penduradas várias flores e folhas.
-Augustus, por Aine, homem, são sete da manhã, não sei vocês, leprechaus, mas nós fadas dormimos, sabia?
Adriel via uma moça esguia e formosa aparecer vestindo um robe azul, os cabelos negros presos em um coque, sua pele escura e reluzente lhe dava um ar de garbo e poder.
-Não pode ser... Adriel!
Sem conseguir pensar nem mais um segundo o homem se viu sendo agarrado e erguido, girando no ar.
-Uoooi! Hahaha Calma Babette, calma!
A mulher o retornava no chão, seus olhos negros estavam completamente fixos no pequeno homenzinho.
-Quanto tempo Adriel! Vamos entrando, vamos entrando!
O trio caminhou em direção a pequenina entrada, onde todos, com exceção de Adriel, se curvavam um pouco para passar pela passagem.
-Você deveria fazer uma porta maior, é sério Babette.
Augustus resmungava baixinho enquanto adentrava.
-Para mim está perfeita!
Ria Adriel, enquanto retirava seu chapéu avermelhado.
-É claro, você é um anão!
Augustus ria enquanto zombava do pequeno, que o encrava meio irritado, suas sobrancelhas encurvando.
-Parem, vocês dois! Venham, vou fazer um chá.
A mulher caminhava para dentro da casa, suas asas brilhantes estavam agitadas, demonstrando a sua felicidade.
Ali tudo era pequenino e formoso, os quadros dependurados mostravam o quanto ela gostava de coisas pequenas, pois retratavam em sua maioria florestas compostas de flores, pequenos animais ou frutos.
-Ande, me conte tudo, como foi lá? Achei que nunca mais o veria, como foi? Quando chegou?
Ela falava apressadamente, como quem não pode esperar nem mais um minuto.
-Calma, deixe-o respirar um pouco... Então... Desembucha homem!
O ruivo batia nas costas do outro gargalhando.
Ele iria contar tudo o que quisessem ouvir, mas precisava antes resolver uma pendência, o embrulho em suas mãos o lembrava de seu dever.
-Pessoal, eu estou muito feliz em ver vocês, juro! Mas...
Seu olhar se voltava para o pacote.
-Nada disso, coma um pedaço de bolo, é de nozes antes, está fresquinho!
Adriel olhava para ela, estava radiante com a sua presença, como poderia negar? Suspirou e colocou o pequeno embrulho de lado, se servindo de um pedaço de bolo, afinal, tinha muito para contar, e quem melhor para ouvir do que seus melhores amigos?

Jessica Curto

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Paris

Ela se encontrava sentada na beirada do batente, o nascer do sol lá fora brilhava na janela, a brisa batia em seus cabelos aloirados enquanto ela passava levemente a tinta sobre a tela.
Seus olhos estavam vidrados naquele pequeno ser a sua frente, tentando reproduzir com a maior precisão possível os mínimos detalhes ali presentes, o ambiente todo estava favorável para que aquela obra de arte se desce como perfeita.
De repente levou a ponta do dedão até os lábios e mordeu-o levemente, enquanto analisava o desenho em sua frente, faltava alguma coisa para fazer daquela pintura ser perfeita, mas o que seria?
Mordeu o lábio inferior levemente e passou o pincel na tinta amarela, sua cor preferida, jogou-a em cima da tela, transportando aquele momento tão mágico para a pintura, perfeito! Sua obra prima estava feita,agora bastaria saber se seria bem aceito para a feira de exposições que se daria dali duas semanas, afinal, o que pensariam as pessoas se descobrissem que foi uma mulher quem pintou aquilo?
Sabia bem que a sociedade poderia ser repressora e cruel, mas estava ansiosa, afinal, levara meses para chegar aquela conclusão.
Se voltou para a janela, seus olhos focando a imensa torre ali presente, o sol iluminava tudo ao seu redor, como era bela a doce Paris.
Suspirou e fechou os olhos, se deixando irradiar por aquele momento completamente único, bastava agora esperar e desejar o melhor.

Jessica Curto

terça-feira, 9 de julho de 2019

Tudo é experiência nessa vida

Passei por uma entrevista de emprego pela primeira vez na vida, completamente diferente, onde eu precisaria desenvolver o meu lado comunicativo, que honestamente é um fiasco.
Minha área sempre foi e sempre será a escrita, penso com calma e coloco em palavras o que estou pensando, minha imaginação é tão ampla que se eu me deparar com uma formiga criarei uma história, mas não me peça para ser faladeira, Deus, isso me causa pavor!
E então, foi isso que aconteceu, meu cérebro simplesmente travou, eu não sei exatamente o que falei, só sei que falei tudo errado e de forma pouco clara, a vergonha da situação está me torturando e vai acabar me matando um pouquinho por dentro, como todas as outras vezes em que fiquei me punindo por atitudes erradas.
O erro por si só serve de aprendizado, claro, e precisamos deles para podermos aprender, mas não poderia ser tudo mais fácil?
As rosas belas de que descrevo são tão incríveis, os pássaros cantando... E por que então temos de nos torturar com coisas que não são para nós?
Minha vida inteira eu soube que queria ser escritora, e trabalho arduamente em cima disso para melhorar cada dia mais, mas às vezes, sinto que por alguma razão inexplicável, o universo tenta me tirar da única coisa que eu verdadeiramente amo.
As artes fazem parte de mim, e sempre vão fazer, mesmo que eu nunca consiga alcançar meu grande sonho de levar histórias para as pessoas, isso está enraizado em mim.
Sinto-me frustrada e impotente por não ter conseguido desenvolver as minhas idéias no momento propício, as vezes, só temos uma oportunidade, e sinto que a minha se esvaiu pelos meus dedos,mas, fica a lição para guardarmos com sabedoria.
As vezes precisamos nos ater para o que realmente fomos feitos e não para o que estamos sendo forçados a fazer, pena que a vida não é este mar de rosas amarelas que adoro tanto.
Pena.

Jessica Curto