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domingo, 30 de junho de 2013

Eu sou quase um anjo

Você pode ser difícil de conquistar
Mas eu posso te ganhar
Da forma que eu quiser
Porque você pode comandar
Mas eu sou a fórmula perfeita
Pra quebrar o seu teatro
Porque quando somos nós dois
Eu falo sério
Você me leva
E eu te faço acontecer
Você resite e diz não
Mas não é fácil me controlar
Eu sei onde ir pra te comandar
E quando pensa que me faz d palhaço
Está fazendo tudo que eu mando
Quando pensa que está brincando
Eu sou quase um anjo
Mas sou o que sempre vai vencer
Sempre independente
De tudo que você pode esperar
Eu tenho uma grande imaginação
Eu sei como te deixar quente
Você fica derretendo
E eu apaixonado por você
Perfumes, luzes e sensações
Eu sei como ter tudo
Aquilo que eu quero.

Leonardo Ragacini


sábado, 29 de junho de 2013

Entre ruas e navios

Djavan lança álbum Rua dos Amores

Aos 64 anos de vida e 39 de carreira, o cantor e compositor lança seu 20º álbum de estúdio, Rua dos Amores, numa parceria entre a sua gravadora, Luanda Records, e a Universal Music. Ele volta a gravar músicas de sua própria autoria depois do álbum Ária, de 2010. Com treze faixas, Rua dos Amores lembra, à primeira vista, as canções de Matizes (2006) com sua toada etérea e o uso constante de guitarras. Mas só à primeira vista.
As letras estão mais fortes dessa vez. No caso de Djavan, quer dizer ainda melhores que as dos discos anteriores. Ares Sutis, por exemplo, começa com indagações filosóficas: “Quanto mais eu sou, menos sou o que sei/ E pro que nasci, será que cumprirei?”. Mas de uma forma magistral, a música consegue ganhar ares românticos quando chega no “desvão do amar”. É bem verdade que parte das faixas exige um dicionário à mão para consulta. Djavan é assim mesmo. Escreve para quem gosta de escrever.
Mas seu lirismo alcança a coloquialidade nas canções com traços de samba, como Acerto de Contas. Recomendada para todo o mundo que for fã de Fato Consumado. É um samba leve, simples, embora refinado com o jeito singular de seu compositor, que adora refrões longos, de mais de cinco acordes. Em Acerto de Contas ainda há espaço para as famosas cores das composições do alagoano, no caso, o verde. A preferida é o azul, que dessa vez ficou de fora.
É curioso notar: a canção que dá nome ao álbum dispensa a bateria e permanece instrumental até 1 minuto e meio de música! Rua dos Amores tem uma forte interpretação, com longos agudos e um acordeom. Mas se fosse um poema, lembraria mais um soneto do que uma Ode, não é muito longa, não tem jeito para ser a “música-chefe” do disco. Essa tarefa ficou com Já Não Somos Dois, que explora mais a percussão e o piano. Nela, é possível lembrar porque Djavan já teve seu estilo comparado com o de Stevie Wonder, com o qual gravou duas vezes.
Já Não Somos Dois, como não poderia deixar de ser, fala de amor. Às vezes lembra a métrica precisa dos parnasianos, noutras, elementos dispersos à maneira dos simbolistas. E de repente, pouco antes do refrão, Djavan nos manda um “te quero night and day”.  A introdução é quase tão forte quanto o refrão, o que deve ter justificado a escolha de colocá-la nas rádios. A interpretação é firme, a voz de Djavan fica em tom semelhante à de Acelerou, que fez sucesso nos anos 2000.
Em Pecado, os instrumentos de sopro ganham mais espaço, mas com uma roupagem mais moderna, bem distantes dos saxofones dos anos 80. Lembra um pouco Boa Noite pela organização dos acordes. A temática é complexa: fala de pássaros, do amor, de uma paixão em conflito até chegar ao refrão mais simples do álbum que é, no geral, bastante animado, mas Quinze anos tem leves toques de melancolia e nostalgia ao relembrar antigas memórias de amor. É uma canção para ser ouvida muitas vezes, visto que a letra é grande e cheia de mudanças de tom.
Ainda assim, não é simbolista como Anjo de Vitrô: “Céu singular/Bruma a pender/ Da margem escura luz a devenir/”. De início, a ênfase está na voz, depois surge a bateria e os violões. Anjo de Vitrô fica menos complexa quando diz “pra acabar com essa graça toda”. Possui dois solos, um de saxofone e outro de piano, de tempo considerável. O refrão se preocupa em descrever a contemplação do eu-lírico frente a uma grande beleza: “Dada como um anjo de vitrô/ Pura flor sem pecado/ Você tímida e assustada/ E eu aqui, encantado”. Sem dúvida, tem boas chances de ir para o rádio, provavelmente será editada, porque tem mais de 5 minutos.
Djavan é um dos maiores nomes da MPB. Suas influências se estendem de Paulinho da Viola a Roberto Carlos e vem de Maria Bethânia a Stevie Wonder, sempre caetaneando o que há de bom na música. Rua dos Amores é um álbum para salientar a pluralidade e versatilidade do cantor cujo nome a mãe escolheu por um sonho. "Minha mãe disse que quando estava grávida sonhou com um navio que tinha o nome Djavan. Ela achou que era um sinal e me batizou assim”. O “Navio Djavan” saiu de Alagoas e conquistou o Brasil. Passou o bojador e foi além da dor em suas canções.
As viagens que fez influenciam seu trabalho de tal forma que ele avisa, em Triste é o Cara:  “Triste é o cara que só sabe o que é bom/ Que não sai do Leblon”. Djavan rodou o mundo e trouxe melodias para a Rua dos Amores.

Rafael Cardoso




sexta-feira, 28 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 10 – A descoberta de um novo povo

Cabral, Pero e João andavam apressadamente, já estava anoitecendo e eles nada descobriram até aquele momento, ouviam berros vindo de todas as direções e precisavam saber o que estava acontecendo.
-Vamos nos separar, João você vem comigo, Pero você segue a trilha sempre em frente, preciso saber que inferno está acontecendo com estes homens que não podem ficar à sós um só segundo. Se encontrar algo ou quando escurecer volte à praia, entendido?
Cabral olhava para Pero que sorria animadamente, balançando a cabeça diversas vezes em concordância. Aquela seria a sua chance afinal de poder desfrutar daquele paraíso sozinho e descrever cada planta e cada animal que existia naquele pequeno pedaço de mundo.
-Pois bem, vamos!
O negro seguiu aliviado o capitão-mor enquanto Pero continuava sua viagem.
-Agora sim, vamos lá Pero!-O homem falava consigo mesmo, pegando seu pequenino caderno de anotações e começando a relatar tudo o que seus olhos podiam avistar, até ouvir um som vindo ao longe, alguém estava cantando. Começou a pisar mais devagar, os pés leves como pluma.
Chegou a um pequeno riacho, os olhos se atentaram em uma moça bela que se lavava delicadamente. De pele morena e longos cabelos negros e lisos, de olhos levemente puxados e sem roupa alguma.
Pero sentiu um frio na barriga, tentou se aproximar para olhar melhor, mas o pé se enroscara em um cipó no chão, fazendo-o tropeçar e cair, o caderninho voou de suas mãos, caindo na água.
-NÃO!
Ele berrou inconformado, assustando a pobre moça que saiu correndo mata adentro.
-Não, espere!
Ele gritou, correndo na direção da mulher, esquecendo o caderno no riacho que boiava, sendo levado pela correnteza.
Enfiou o pé na água, estava fazendo muito isso ultimamente, logo poderia ser mestre nesta arte. Sentia o peso da água em suas botas, impedindo-o de ser mais ágil. A mulher dava saltos imensos, se afastando rapidamente dele.
-Eu não vou machucá-la, por favor, não corra, espere!
Ele estava começando a ficar sem fôlego, quando finalmente a viu adentrar em uma grande cabana feita de palha. Parou colocando as mãos nos joelhos e respirando com certa dificuldade, o suor pingava de sua testa e suas roupas colavam em seu corpo.
Ergueu a cabeça e olhou à sua volta. Homens completamente nus, muito semelhantes à moça, de cara e corpo pintado o encaravam com arcos e flechas erguidos mirando-os em sua direção.
-Por favor... -O pulmão estava queimando, ele ergueu a palma da mão no ar, balançando de leve- eu venho em paz...
Ele disse resfolegando, a moça que correra dele colocava a cabeça para fora da cabana em que se escondera, observando-o com olhos curiosos.
Ele teria muito que relatar, encontrara afinal os índios. Passou a mão no bolso da calça à procura de seu caderno, onde estava?
Droga! Perdeu tudo o que tinha escrito ao abandoná-lo no rio! Não acreditava nisso, agora teria de relatar os acontecimentos novamente, seu trabalho seria dobrado e muita coisa com certeza estaria perdida, uma vez que a inspiração já fora embora.
Viu os homens se aproximarem curiosos, tinha que avisar o capitão, mas antes iria ele mesmo descobrir do que se tratava aquela gente, a história seria longa em todo caso e o rei e todos aqueles que lessem a adorariam com certeza.
Mal podia esperar para escrever toda aquela imensa e inesquecível aventura, e quem sabe, dali há alguns milhares de anos as pessoas não considerassem seu trabalho árduo como algo precioso, afinal, ele era o grande contador daquela maravilhosa e inesquecível história do descobrimento do Brasil.

Fim

Jéssica Curto


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 9 - Terror na floresta

Afonso, Sancho e Nicolau andavam mata adentro tranquilamente, achavam absurdo os homens terem medo de enfrentarem qualquer problema que fosse, afinal de contas, eles não eram homens do Rei? Não deveriam nem poderiam temer nada nem ninguém. Iriam matar se preciso fosse para tomar aquelas terras em nome de Vossa Majestade.
Aquele lugar não aparentava ser nem um pouco assustador. Era repleto de árvores de diversas espécies que eles nunca sequer viram, os animais pareciam dóceis, e embora estivesse fazendo mais calor do que eles estavam acostumados, a terra parecia ser um pedaço dos céus esquecido por Deus.
Já estava para escurecer e eles nada haviam encontrado naquela região. Iriam voltar para a praia, no dia seguinte poderiam vasculhar mais o local.
Estavam andando lentamente em direção à praia, quando uma imensa coruja estranha de grandes olhos amarelos e penas negras pousou em um galho alto e grosso perto dos homens e começou assobiar estridentemente, fazendo-os se arrepiarem por completo, era aterrorizante.
Fez-se ouvir um resmungar, todos olhavam em volta buscando da onde vinha o som, quando voltaram seus olhos para a frente deram de cara com uma senhora de pele morena e enrugada, com olhos levemente puxados, brilhantes e negros. A boca se encrespava, observando-os em silêncio. Usava um manto que lhe cobria o corpo todo.
Aproximou-se de Nicolau, atenta em seus detalhes, vendo-os em completa mudez, eles seguravam suas armas com firmeza, porém mantinham-nas abaixadas.
Sua mão trêmula se ergueu lentamente e agarrou o braço de Nicolau que arregalou os olhos vendo a senhora se contorcer e o soltar abaixando a cabeça, começava a falar em um tom sombrio.
-Quem quer? Quem quer? Quem quer?
Os homens se olhavam confusos. Sancho, um homem encorpado coçou o topo da cabeça, transtornado.
-Quem quer? Quem quer? Quem quer?
Ela repetia em um tom agourento. O pio da coruja estava mais baixo e assustador, seguindo o ritmo da voz da velha.
Afonso achava ridícula aquela situação toda. A mulher aparecera do nada e estava assustando-os pelo simples fato de ter um modo de falar estranho, resolveu então tomar à frente.
-Quem quer o que? Quem é você? O que você quer?
Ele falava irritado. O rosto da mulher se ergueu encarando-o por uns instantes e então abriu um sorriso de dentes podres.
A coruja decolou da árvore para o ombro da senhora que começava a rir em um tom cruel. A ave se mantinha em completo silêncio.
Tossindo de leve, a velha  se apoiou em sua parca bengala de madeira e pôs-se a falar com uma voz gutural.
-Matinta Pereira é meu nome e venho trazer agouro para os invasores.
Esta terra não lhes pertence, o castigo virá. Vocês trouxeram o mal e o mal irá levá-los de volta donde vieram, preparem-se, o horror está à caminho e vai tomar conta deste solo.
Os homens estavam espantados com aquela mulher, sequer ouviram-na chegar e ela vinha com bobas histórias ameaçando-os, quem ela pensava que era?
Matinta Pereira voltou a tossir, a ave alçou voo piando alto novamente, distraindo-os e, quando se voltaram para a mulher ela já não se encontrava mais ali. Ao escutar pela última vez sua risada diabólica, os pelos do corpo se eriçaram completamente. O que quer que fosse aquilo, era melhor dar o fora dali.
Começaram a correr na direção de onde vieram, ouvindo berros vindos da praia que por certo deveria estar condenada.
-Esperem, esperem, vejam! Pegadas indo rumo ao mar, não podemos ir para lá homens.
Afonso falava, apontando para as pegadas no chão.
-Vamos seguir por aqui.
Sancho dizia já correndo para a direita. Risadas altas e estridentes eram ouvidas mata adentro.
-Vamos, rápido!
Nicolau corria completamente apavorado com aquela situação.
Foi então que algo muito laranja passou correndo por eles, soltando assovios por todos os lados, eram agudos e assustadores.
-Curupira não gosta de invasores na terra dele. Curupira vai enlouquecer um por um!
A voz saia de todos os cantos possíveis, fazendo com que os homens olhassem para cima, completamente confusos.
De repente Afonso caiu no chão, berrando de dor.
-Afonso, o que foi homem?
Sancho berrava, vendo o amigo tombado com uma flecha enfiada no peito, outra foi lançada em seguida e passou de raspão pelo braço de Nicolau.
-Vamos sair daqui!
Nicolau berrava abandonando os amigos e adentrando a floresta. Afonso respirava com dificuldade, o sangue vazando pelo buraco aberto.
-O que vamos fazer?
Sancho perguntava mais para si do que para Afonso. A risada ficava cada vez mais próxima, estridente e enlouquecida.
O amigo caído revirava os olhos, respirando com dificuldade.
-Vamos homem, levante, temos de sair daqui!
O gorducho camarada suava em bicas, vendo Afonso padecer. Os olhos lacrimejaram e piscaram uma última vez, sua cabeça tombou para o lado, estava morto.
Sancho engoliu em seco, ergueu-se empunhando sua espada, iria morrer enfrentando aquele monstro.
-O que você quer?
Ele berrava para o tal Curupira que o estava atacando.
-Saia das minhas terras, invasor!
Mais flechas voavam na direção do homem que começava a atirar em todos os sentidos.
Uma movimentação alaranjada passava por ele confundindo-o, a risada gritante o assustou quando viu seu amigo Nicolau cair do topo de uma árvore com uma flecha na cabeça.
-Deus me proteja!
Ele ouviu a risada atrás de si e se virou apressadamente, vendo o ser ali presente.
Era um garoto de no máximo um metro e meio, tinha pelos pelo corpo inteiro, de cor alaranjada. O cabelo era arrepiado e as pernas a partir do joelho eram viradas para trás.
Carregava em uma das mãos um cajado de madeira em outra um escudo pintado de amarelo, lembrando o sol. Um saiote cobria suas partes íntimas, seu corpo era forte e musculoso, de guerreiro.
Um sorriso arteiro estava presente em seus lábios, encarando Sancho.
-Saia da minha casa, você não é bem vindo!
Ele falava em alto e bom tom, diferente do que seria a voz de um garotinho.
Os olhos eram muito vermelhos e estavam fixos no gorducho português.
-Me dê a chance de sair daqui então!
Sancho encarava o pequeno homenzinho, era muita afronta da parte dele querer controlar toda a situação, ainda mais com o tamanho que tinha.
-Corra!
Curupira falou e voltou a desaparecer, gargalhando e deixando Sancho confuso novamente, que começou a correr alucinadamente pela floresta, tentando escapar das flechadas que o atrevido ser demoníaco lançava em sua direção.
Sentia as plantas baterem em seu rosto e espinhos lhe machucarem a pele. Estava sangrando e seu uniforme estava estraçalhado.
-SOCORRO!
Começara a berrar, atirando para cima, tentando chamar a atenção de alguém, qualquer pessoa que fosse, ao menos uma ajuda e uma chance de sair de lá com vida.
A floresta estava começando a pegar fogo, ele não sabia para onde ir.
Parou resfolegando, não conseguia conter o pavor e o medo que percorriam por seu sangue.
Fez o sinal da cruz, sabia que aquele era seu fim. Suas mãos agarraram a corrente presa no pescoço, beijando o pequeno crucifixo de ouro ali presente e em seguida foi atingido nas costas, caindo morto na mata.
A risada diabólica se espalhava pelos sete cantos, os invasores iriam pagar por terem adentrado em uma terra desconhecida.

***

Do outro lado da mata Pero Escolar se ajeitava ao lado de Antônio e Joaquim, tinham acabado de se alimentar com o cozido que Antônio trouxera, iriam relaxar um pouco, afinal que mal poderia fazer? Estavam vasculhando aquela floresta o dia inteiro, nada como um bom descanso para renovar as energias. Os olhos começavam a pesar e em poucos minutos eles estavam em sono profundo, longe de se quer imaginarem o que estava acontecendo naquela floresta.
Um ser com um grande cabelo desgrenhado e vermelho, de corpo esbelto, pele pintada igual onça, amarela com pintinhas pretas, olhos escondidos por um sombra, feita  boa parte da grande franja, deixando apenas dois pontinhos amarelos há vista que olhava fixamente para o grupo, se aproximando lentamente, andava de quatro como um animal selvagem, o nariz farejando o ar, tentando identificá-los.
Os seios delineados demonstravam ser uma mulher, pois caso contrário não seria possível tal identificação, visto que uma tanga cobria suas vergonhas.
A língua lambeu de leve os lábios de Pero Escolar, que se remexeu, ainda em sono profundo, fazendo o ser se afastar assustado.
A mão se encostou de leve na orelha de Joaquim, que incomodado deu um tapa na mesma, abrindo os olhos e se assustando com o ser que estava à sua frente, quase colado ao seu rosto, encarando-o.
Um berro desesperado foi dado por Joaquim, que se ergueu rapidamente, pegando em sua arma e atirando na direção do bicho que saiu saltando e berrando pela floresta.
-Homens levantem!
Joaquim gritava empurrando os colegas que assustados erguiam-se as pressas, se perguntando o que acontecera.
Começavam a correr na direção de onde o bicho tinha ido, a floresta estava em chamas, os troncos começavam a cair, dificultando a passagem deles.
-O que vamos fazer?
Antônio berrava, começando a sentir falta de ar, a visão estava ficando cada vez mais precária.
-Caipora só queria conhecer vocês, mas foram maus com Caipora, agora terão suas pagas.
Uma voz doce e em tom magoado saia em meio à árvores.
-Ali!
Joaquim apontou para a árvore onde o bicho estava empoleirado e atirou, mas o ser já tinha desaparecido, surgindo na árvore oposta.
-Aqui homens!
Pero atirou tentando acertar, novamente falhando, vendo a estranha mulher brotar na frente deles.
-Ai, ai, ai, eu só queria brincar, vocês são malvados, não merecem brincar com Caipora!
E ao falar isso ela saiu saltando, várias dela apareciam e desapareciam em diferentes lugares em questão de instantes, confundindo-os.
-Caipora pode ajudá-los a sair daqui se vocês forem bons com Caipora.
A voz ria maldosamente, atingindo-os pelas costas, fazendo com que se virassem, a encarando. Ela era completamente maravilhosa e atraente.
Por um segundo ela os observou calada, e então voltou a desaparecer gargalhando, os homens estavam  ficando loucos. Começaram a correr para longe do fogo, a voz de Caipora ria histericamente, eles não conseguiriam sair dali vivos.
Animais de diversas espécies começaram a aparecer e desaparecer na frente deles, emitindo ruídos apavorantes. Eles corriam alucinados, longe do fogo, e então viram uma imensa onça pintada parar na frente deles, arreganhou uma boca gigante de dentes muito afiados e rugiu alto, fazendo-os ficar petrificados de medo, e então ela saltou para cima de suas vítimas. Derrubando-as no chão e dilacerando seus corpos em questão de segundos. Aqueles não viveriam para contar história.

Jéssica Curto