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quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Amanhã

O horizonte parece ser muito belo hoje. Eu gostaria de admirá-lo com você.
Lembro-me de sua face sorridente, seus cabelos ao vento e seus olhos ao fitar os meus. Havia um brilho vital ali tão forte que era contagioso, magnífico, milagroso. E talvez ainda exista, contudo, não posso enxergá-los mais. Não posso te sentir mais.
Esse foi um tempo bom, daqueles que a gente fica com muitas saudades e torcendo para que se repita. Eu ainda faço aquele mesmo caminho, todo dia, só para remoer as boas lembranças, no intuito de espremer a saudade que pulsa em meu peito para, em seguida, entorná-la boca abaixo e sentir seu gosto ácido. Corrosivo.
As árvores continuam no mesmo lugar, enquanto o vento continua a soprar na força de uma leve brisa, acariciando as folhas, novas e brilhosas nessa época do ano, onde o sol brilha com intensidade. Um sol caloroso, chamativo. O dia está perfeito para um piquenique, aquele que eu nunca pude contemplar com sua esplendorosa presença. Eu sinto saudades de tudo isso, inclusive dos momentos que não vivi.
Relembro-me de sua silhueta e a sua voz acolhe minha memória. Sorrio sem motivo, um sorriso vazio, pois a alegria presente neste se foi.
Para sempre.
Eu grito seu nome, sonho contigo e entro em desespero frequentemente. Imagino-a por ai, mostrando aquele sorriso para outro alguém, uma pessoa que, provavelmente gosta de você muito mais do que eu pude gostar. Um ser que realmente te valorize, que a engrandeça, que a ame. Eu sinto sua falta, tenho satisfação por saber que estás bem, mas não consigo sentir-me agradável nessa situação.
E tudo isso for por medo. Medo de viver, medo de ser abandonado assim como várias e várias pessoas com quem convivi. Alianças rolando no chão ao perder o sentido para qual foram feitas, jogadas em um abismo tão medonho e profundo por mãos que não se unem mais. Eu tive medo de ser largado no canto escuro de uma sala minúscula, a esperar por um mínimo de atenção ou um resquício real das lembranças do passado. A fantasia de que melhores momentos virão ainda aflora na mente, porém a esperança já se encontra muito longe daqui. Longe demais para que eu possa alcançá-la.
Por medo do abandono, eu abandonei. Eu feri quem eu menos gostaria de machucar. Eu sofro por isso, contudo, esse sofrimento é mais amargo por acompanhar a solidão que me assola.
E então eu me pergunto: para onde a felicidade foi? E uma resposta, mesmo inconclusiva e desconexa, se distingue dos demais pensamentos: talvez, para você, não exista mais o amanhã.

Lucas de Figueiredo

terça-feira, 30 de julho de 2013

O que?

Estou com vontade de escrever, só não sei o que
ando sentindo vontade de muitas coisas
coisas estas completamente indefinidas
completamente estranhas
ando tendo sonhos que não sei dizer o que
e ando querendo, só não sei o que.
Ando tendo pensamentos confusos,
sentimentos confusos,
tudo anda muito confuso,
só não sei porque .
A verdade é que ando com vontade de escrever
só não sei o que, por que, quando ou onde
então me sento e ponho a escrever
só não sei no que
no que isso pode vir a dar
meras palavras ao vento
cheias de significados vazios
de sentidos complexos
e de pensamentos adversos.
Não tenho mais certeza de nada,
não ando mais pensando em nada,
questionando, filosofando, escolhendo, mudando
tudo isso é muito cansativo e eu não quero mais
só ando querendo escrever
só não sei o que.
Tanto para se dizer, tão pouco para se fazer.


Jéssica Curto


segunda-feira, 29 de julho de 2013

A.R.

Por entre meus dedos
Passando pela minha mente
Fluindo entre meus ossos
Cortando minha pele
Entrando nos meus pulmões
Queimando meus olhos
Arrepiando meus pelos
O que você é?
A.R., como A.R.
Feita de A.R.
Construída de ar
O que eu preciso?
A.R., A.R., A.R.
Agora você sente?
Agora você toca
Cada parte interna
Nas partes celulares
Dentro do meu peito
Nas minhas loucuras
Em volta de mim
Amor Racional 
Você é frio 
Mas eu te faço quente
Amor Racional
Você me ama e desafia
Amor Racional
Eu sou seu enigma 
Eu sou sua cobaia
O que você precisa de mim?
O quanto você precisa?

Leonardo Ragacini

domingo, 28 de julho de 2013

Paineiras

Envolvido por folhas de Paina
retornam minhas lembranças
Sorrisos, brincadeiras e danças.

Envolvido por flores de Paina
renascem meus desejos
Uma pessoa e mil medos.

Envolvido por frutos de Paina
murcham minhas esperanças
Engrandecem as distâncias.

Paineiras persistem na memória
Caem folhas, flores e frutos
Primavera, verão, outono, inverno
A vida é dos astutos

Eu quero retornar no tempo
Vê-lo novamente nas painas
Rever conversas e piadas
Sentir vontades insanas

Mas nada muda, tudo muda.

Um milhão de palavras
Desprovidas de voz
Milhares de fantasias
Perambulando na mente

Memórias vívidas passadas
esquecidas e relembradas
Devem ser apagadas
no frio da Solidão

Mas o passado se aproxima
e não permite olvidar
Amor arbóreo de Paina
Se faz relembrar.

Lucas de Figueiredo