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quinta-feira, 28 de março de 2013

Tão real quanto fantasia

Segure seus braços em volta de mim
Não importa o que existe em volta
Feche seus olhos agora
Não quero nada mais
Que não seja você
Não quero nada mais
Que me deixe longe de você
E talvez nós podemos ser
Mais do que aquilo que imaginamos
E se você me perguntar
Eu estou pronto pra arriscar
Me abrace com toda a sua força
Não me deixe cair nunca
Me olhe dentro dos meus sonhos
Enquanto estiver dormindo
Eu serei o seu bebê
Sinto esse momento único
Porque nada é impossível
Estou aqui com você
Porque você é tudo
Aquilo que estive esperando
Abra seus olhos
Me diga o que vê?
Podemos voar acima
Do céu sobre nós
Nadar no mais profundo
Oceano sem respirar
Porque o que sentimos
É inquebrável
Paus e pedras podem nos atingir
Como fogo numa floresta
Mas nós continuamos
Porque nós sabemos o que é a verdade
Sabemos o que sentimos
E isso é tão perfeito
Tão perfeito como pode ser
Tão real quanto fantasia.

Leonardo Ragacini

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dormindo por cem anos


Entre as nuvens cinzas no céu
As pedras pelo caminho de areia
Entre a escuridão sem a lua
As faltas e perdas de tempo
Eu estive dormindo
Andando apenas por andar
Sendo apenas uma parte do que sou
Eu estive dormindo por cem anos
Até encontrar você
Eu estive distante por cem anos
Assim que meu coração bateu
Respondeu a sua presença doce
Você estende as suas mãos
Toca a pele do meu rosto
Eu sinto o mundo todo
Acordando para um novo dia
Apenas porque eu tenho você
Apenas por ter visto você
Eu entrei e sai desse mundo
Por muito tempo eu procurei
Coisas difíceis de achar
Mas você estava aqui
Mas eu estava dormindo
Como um encanto mágico
Apagado e sem um sentido
Seco como uma flor sem água
Então eu estive dormindo por cem anos
Eu estive no escuro sem azuis no céu
Eu estive sem um caminho
Até eu estar com você
Até eu encontrar você
Então agora eu posso
Sonhar com outros passos
Em outros tempos
Porque eu tenho você.

Leonardo Ragacini


terça-feira, 26 de março de 2013

Equação do Amor


Ah a equação
Nunca me dei bem
Em matemática
Até você aparecer.

Divida um sentimento
Sua fraqueza e multiplique
Com o nome dele, o resultado
é X igual a amor que é como chá de canela.

Some seus medos, seus sonhos
E seu amor subtraia por dor
E veja que horror!
Uma equação!

Uma incógnita que
A gente só descobre o valor
Depois de sentir a dor
E se tocar que é amor.

Monique de Saussure


segunda-feira, 25 de março de 2013

Águas de Março


Em março, seis fatos conseguiram se destacar na mídia. São eles: os julgamentos do goleiro Bruno e do advogado Mizael, o atropelamento de um jovem que perdeu o braço, a morte de Chorão e Hugo Chávez e a eleição do novo Papa.
Ufa! Vamos por partes. Tem gente achando que Bruno e Mizael pegaram uma pena leve por seus respectivos crimes. Também acho. Mas trancafiá-los por anos a fio não trará de volta as mulheres mortas por eles. Pessoas assim devem ser condenadas a fazerem o contrário do que produziram. Ou seja, em vez de punir assassinos com uma vida inútil atrás das grades, eles devem servir à sociedade, que prejudicaram. Que sejam detidos, tudo bem. Mas que façam algo pelo bem das pessoas e deles mesmos. Deveriam prestar serviços comunitários por muitos anos, pois o mal está feito e é irreparável, mas o futuro pode ser diferente.
Sobre o caso do jovem atropelado, é difícil não ficar indignado. Ele teve seu braço arrancado pelo carro e pior: o motorista jogou seu braço no rio, eliminou a chance de recolocar o membro. Como é que um sujeito desses pode estudar Psicologia? O pobre jovem, ainda no hospital, perdoou o homem e tentará recomeçar a vida. O atropelador, provavelmente, já não tinha cérebro quando cometeu o ato. E muito menos coração.
Em pouco menos de 24 horas, Duas mortes foram confirmadas: as de Hugo Chávez e Chorão. Chávez era autoritário, orgulhoso e dominador. Mas é inegável que a miséria caiu na Venezuela graças a ele. Como Fidel Castro, ele teve coragem de desafiar todo o poder norte-americano e fortalecer o Estado, essa instituição tão enfraquecida nos dias de hoje. Chávez fará muita falta ao seu país.
O segundo óbito nos atinge mais. Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., tinha uma poesia cujo lirismo era compreendido pelas pessoas humildes. Ele retratava as dores individuais que tantas pessoas sentem pelos mesmos motivos, muito embora sofram sozinhas na escuridão.  Nas letras de Chorão, o amor ganha uma dimensão mais ampla, fugindo dos modismos superficiais. Infelizmente, é mais uma alma que vai antes que pudesse ser salva.
Salvação é a palavra sagrada agora na Igreja Católica. Tanto quanto a salvação dos fiéis, ela busca a sua própria. O novo Papa pensa de modo semelhante ao anterior, isso fortalece as bases sobre as quais se fundou a Igreja, mas vai na contramão das ideias contemporâneas. Francisco começa a levantar a bandeira da luta contra a pobreza. Essa sim pode ajudar a Igreja a recuperar os fiéis perdidos no terceiro mundo para religiões mais arrojadas e menos regulamentadas.
Não há muita ligação entre os fatos citados, mas isso é uma característica do mundo moderno: é cada vez mais difícil ver uma relação entre a vida das pessoas e a história do mundo. Chorão morreu por problemas que estão na sociedade, e não apenas nele; o Papa do século XXI tenta salvar uma grande instituição milenar; o trânsito está ruim e as pessoas andam loucas, arrancando braços a esmo. Tudo isso se deve a questões sociais, tudo isso se deve a causas mais profundas complicadas de vermos no dia a dia porque as notícias aparecem de forma fragmentada.
Há tempos não se via tantas notícias de peso em tão pouco tempo. O que é triste é sentir o consumo dessas informações com pouca ou nenhuma reflexão por parte da maioria das pessoas: jornalistas, pensadores, pessoas que leem os jornais todos os dias.

Rafael Cardoso