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terça-feira, 4 de junho de 2013

Roble – Uma História Esquecida Capítulo 4 – Mudanças

Roble estava pacífica e tranquila como era o seu normal. Bartolomeu caminhava pelas casas vendo as pessoas gargalharem e conversarem animadamente, nada parecia ter mudado, a agonia que existia dentro de si se amainava até que ele relaxou por completo, via as pessoas arrumando suas casas para a festa que iria ocorrer à noite.
Todos os lares estavam repletos de luzes piscantes das mais variadas cores, grandes laços vermelhos presos nas janelas, sinos e guirlandas se encontravam na maioria das portas de entrada das residências.
Na praça central havia um majestoso pinheiro sendo enfeitado com muito capricho por vários Robles, desde luzes douradas a flores e pequenos enfeites. Em seu topo, uma grande estrela de madeira contendo o nome de todos os Robleneanos do vilarejo.
Era a grande festa comemorativa de colheita das safras e o início do extenso inverno que se seguiria.
O cheiro no ar era delicioso, pães de frutas, bolos, tortas, assados, tudo sendo levado para a grande mesa de madeira na praça e a visão era mais gloriosa ainda, dando água na boca em todos os que estavam por perto, principalmente os pequenos que rodeavam a mesa tentando roubar uma lasquinha aqui e ali, sendo reprimidos com severas broncas pelas mulheres que ajeitavam e enfeitavam tudo.
Alguns ainda conseguiam pegar alguma coisa, mas logo tinham que correr sendo ameaçados de não participarem do banquete à noite.
Bartolomeu viu Agnes ajudando sua mãe com flores que estavam sendo colocadas na mesa, e não era pra menos, sendo ela a filha do floricultor. Estava linda como sempre, usando um belíssimo vestido azul escuro com detalhes em prata, os cabelos castanhos aloirados caiam sobre os ombros, o sorriso doce e gentil cumprimentava os demais presentes, as pessoas começavam a aparecer para ajudar a terminar as tarefas e para se prepararem para a grande farra que logo se iniciaria.
Estava ansioso para cumprimentá-la, mas antes que pudesse se mexer foi detido por um grito.
-Hey, onde pensa que vai?
Era Klaus quem berrava, distraindo-o do foco.
-E desde quando eu lhe devo satisfações?
Bartolomeu respondeu fechando a cara enquanto encarava o amigo que vinha gargalhando em sua direção, lhe agarrando pelo pescoço e bagunçando todo o seu cabelo mais do que já estava.
-Por que toda essa raiva nesse coraçãozinho tão puro, hein? Hein?
Ele esfregava a cabeça de Bartolomeu com o punho fechado, que tentava a todo custo se livrar dele.
-Sai, sai Klaus!
Depois de muito empurrar e espernear o amigo finalmente se livrou com o rosto completamente vermelho e irritado.
-Sem graça!
Ele passava as mãos pela cabeça, tentando arrumar os cabelos da melhor forma possível.
-Você está horrível, acha que eu ia mesmo deixá-lo falar com a Agnes nesta situação? Vá pra casa tomar um bom banho, se vestir adequadamente e depois, à noite, pode paquerar o quanto quiser... Isso é, se dona Feliciana permitir.
Klaus tinha razão, a mãe de Agnes era muito coruja e não gostava da ideia da filha já estar sendo cortejada. Bartolomeu abaixou a cabeça, se analisando por um instante, estava uma lástima, as roupas cheias de terra, as mãos sujas, se queria ter alguma mínima chance que fosse com sua amada, teria de agradar a mãe e por tanto, ter uma aparência apresentável.
Deu uma última olhada para Agnes e correu para casa, não podia perder nem mais um minuto.

***

A noite estava espetacular, as pessoas estavam se divertindo, rindo e comendo, Bartolomeu não poderia estar mais feliz, finalmente dona Feliciana não estava implicando com o fato de sua filha e ele estarem dançando e conversando.
O ruivo Klaus também estava ajudando com a distração da mesma, conversando sobre qualquer baboseira que ele certamente inventou na hora, Bartolomeu seria eternamente grato ao amigo.
Estava tudo perfeito, perfeito até demais.
Um vento forte e gelado vindo do oeste assustou a todos, que não esperavam aquela friagem que trazia junto de si o gosto da morte.
O Robleneano sabia o que aquilo significava, sentiu um profundo calafrio e então tudo se escureceu.

Jéssica Curto

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Roble – Uma História Esquecida Capítulo 3 – Luz da Escuridão

Bartolomeu estava caído no chão, os olhos arregalados não acreditando no que estava vendo a sua frente, uma grande névoa avia tomado toda a floresta e a visão estava parca e disforme.
Uma linda mulher, de rosto belo, pele morena e longos cabelos negros surgia flutuando em meio aquela imensa neblina, os olhos levemente puxados o observavam seriamente em silêncio.
Tinha um corpo escultural trajando um vestido acinzentado que lhe caia sobre os ombros, realçando seus voluptuosos seios, pedaços de flocos de neve moldavam toda a sua extensão.
Uma voz diabólica fez-se ouvir.
-Você abriu a caixa da calamidade, condenando o seu povo à desgraça eterna, você não tinha o direito de mexer no que não lhe pertencia, agora pagará!
O som era horripilante e terrível, o rosto, antes bonito e atraente agora se encontrava completamente transfigurado, os cabelos estavam eriçados, os olhos totalmente negros, grandes dentes afiados se exibiam por toda a boca.
O pequeno homenzinho tentava se justificar, mas era em vão, a mulher gritava completamente alucinada.
-Respeito, virtude, bondade, amor, nunca mais nesta terra virão!
Ódio, guerra, intriga e crueldade desta terra nunca mais sairão!
Os Corbs vieram pra ficar e esta terra dominar!
Depois de disseminar sua maldição, uma ventania soprou fortemente e ela desapareceu, tudo se aquietou, a claridade retornava aos poucos, como se nada tivesse acontecido.
O Robleneano se ergueu rapidamente do chão, fechando com força a tampa da caixa, jogou-a de volta para baixo da pilha de folhas e desatou a correr para longe dali.

Jéssica Curto


Link para ver o capítulo 4 aqui: 


domingo, 2 de junho de 2013

Roble – Uma História Esquecida Capítulo 2 - Robleneano Curioso

Bartolomeu era um jovem de cabelos cacheados e castanhos, muito bagunçados, de grandes olhos azuis que nasceu em uma família de Robleneanos humilde e simples, seu pai Hector, um modesto carpinteiro gorducho, de longas barbas e cabelos negros, brilhosos olhos esverdeados e de pele avermelhada, casara-se com Clarissa, uma bela moça, de lindas tranças douradas e olhos azuis, filha do maior investidor de sementes de bagas do vilarejo, e essas pequenas frutinhas eram muito utilizadas para diversos tipos de bebidas que eles mesmos consumiam.
Eram pessoas muito altruístas e de grande compaixão para com todos.
Desde muito pequeno, Bartolomeu queria aprender sobre tudo, desde cozinhar, costurar e pescar, até lapidar e polir espadas, talhar objetos em madeira e caçar.
Mas a sua curiosidade era exagerada, assim, um dia, passeando pelos imensos bosques do vilarejo, Bartolomeu se deparou com uma modesta e singela caixa de madeira, oculta por uma pequena pilha de folhas secas. As mãos ávidas por saber do que se tratava logo estavam puxando-a para perto de si, os olhos brilhavam de curiosidade, não tinha nada de especial, mas era essa simplicidade que lhe chamava a atenção.
Por que alguém largaria tal beleza para trás? Por que estava tão escondida naquela parte tão isolada do bosque?
Assim, os dedos ossudos abriram o pequenino feixe e retiraram a tampa.
Uma imensa luz iluminou os olhos de Bartolomeu, aquele pequenino povoado nunca mais seria o mesmo.

Jéssica Curto


Link para ver o capítulo 3 aqui: 


sábado, 1 de junho de 2013

Roble – Uma História Esquecida Capítulo 1 – A Terra Mágica

Roble era um pequeno pedaço de terra esquecido no mapa diferente de tudo o que se possa imaginar, muito amada por seus habitantes, pessoas de corações bons e puros que adoravam uma presença alheia para poderem contar suas histórias fantásticas, possuíam uma imaginação muito fértil.
Você nunca veria um Robleneano solitário ou quieto em um canto, a não ser que estivesse fortemente doente ou sofrendo pela perda de um ente querido, todos se conheciam e se respeitavam como uma grande família feliz.
Em sua maioria, eram gorduchos e sorridentes, com exceção dos mais novos, que eram mais arteiros e magricelas, por não pararem um só instante.
Muito baixos e de grandes orelhas pontudas, tinham a habilidade de criarem coisas a partir do nada, assim, uma simples pedra poderia virar uma espada e um simples pedaço de pano, um casaco.
As casas eram perfeitas para suas estaturas, que não passavam de um metro e meio e embora não tivessem nada muito luxuoso, possuíam um grande zelo com seus jardins, que existiam em todas as entradas de todas as casas da vila.
Um dos princípios que ali existia era de que se você podia cuidar bem de um jardim, então podia cuidar bem da sua vida.
Assim viviam os pequenos Robles, defendendo-se uns aos outros quando necessário e sempre dispostos a aprender.

Jéssica Curto


Link para ver o capítulo 2: