E a velha que sempre me acompanhou morreu. E no lugar veio outra. Aparência, código genético, pensamentos... tudo igual. Ou pelo menos era o que aparentava ser.
A religião sempre foi uma de nossas diferenças, mesmo antes da morte da antiga velha. A nova, porém, acentuava tudo o que provocava discórdia. Parecia que alguma coisa tinha dado errado no processo, pois a nova velha não conhecia nada além de destruição.
E foi nesse momento que resolvi olhar o que estava acontecendo de uma maneira mais profunda, mais concreta e certeira. Assim descobri o que estava errado. Tudo estava incorreto, ou pelo menos tudo em que eu notava. Centímetro por centímetro, o demônio a minha frente estava se mostrando e sua aparência não conseguia escondê-lo como antes conseguia.
Eu conseguia ver agora, circulando em suas veias, um líquido grosso, escuro e muito provavelmente, fétido. Eu estava pasmo com a descoberta. De certa forma, o monstro criado se tornava cada vez maior! Não de tamanho, mas de profundidade. Eu enxergava seus olhos negros e via um precipício. Um precipício de dor.
O que acontecia é que a velha falava em dor, respirava a dor e seus passos deixavam pegadas negras, fétidas e dolorosas. Olhar para ela provocava dor. Cheirá-la provocava dor. Falar com a velha provocava dor. Até quando dormia, nuvens grossas pairavam sobre sua cabeça. A dor tomou posse da velha.
Contudo, uma parte dela queria resistir. Ela ainda queria viver, pois procurava terapias, remédios e todo o tipo de ajuda. A bengala logo foi ser uma de suas companheiras que, de certa forma, ajudavam no processo bioquímico-doloroso da velha. E assim a velha passava sua nova vida.
Porém, só notei muito depois o quanto a situação estava crítica: a velha fazia dos produtos de limpeza uma das metas para alcançar a salvação. Limpava, limpava e limpava a casa, em busca de deixá-la impecável, para que todas as pessoas que a vissem elogiassem seu trabalho, liberando pequenas quantidades de prazer e deleite em seu mundo dolorido. A velha tentava limpar, por fora, o que estava sujo por dentro. Era triste de ver.
Nessa hora lembrei de duas outras velhas amigas de minha velha: uma vivia com o pano, a outra só falava de dor. E então reconheci o problema, mas não encontrei a solução para a anomalia da “limpeza dolorosa”. E neste instante a lembrança dos dias bons veio em minha memória. Lembrava, naquele exato momento, o quanto falávamos das outras duas velhas e o quanto eram esquisitas. E minha velha se tornou uma mistura das duas. E assim, a casa se destacava em contato com a aparência deplorável de minha velha. Foi uma das piores visões de minha vida.
E foi nesse instante que reconheci meu erro: não adianta tentar trazer a vida para quem está morto. Ela viveu até onde ela se permitiu viver e não cabia a minha pessoa trazê-la de volta à luz da vida. E então, a velha voltou a morrer, abandonando toda a dor que estava com o total controle de seu velho ser. A casa escureceu-se com a dor, infectando tudo o que a velha tentara deixar limpo. A dor tentou infectar a mim, mas já era tarde para a mesma. A dor não pode infectar um coração preenchido pela revolta.
Acendi o gás e a casa explodiu. A paz voltou a reinar novamente e com ela a felicidade que, embora mais fraca pela saudade da velha, ainda brilhava forte, enfeitando a minha vida que estava clara, tanto por dentro quanto por fora.
Lucas de Figueiredo
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Pai, filha, mãe
São Paulo, 22 de março de 2004
Estou escrevendo para falar um pouco de nossa filha. Ela está crescendo tão depressa e às vezes fico abismada com isso. Ela, que nem sabia andar e cabia na palma de minha mão, hoje está cursando a segunda série do fundamental. Eu espero que ela cresça saudável, do mesmo jeitinho que está crescendo agora. Contudo, não posso dizer que sinto falta daquele pinguinho de gente, que agora já virou uma gota enorme.
E eu fico feliz de ver que ela gosta muito de você, mesmo tendo a oportunidade de te ver apenas por dois dias. Ela me conta sobre as brincadeiras e o carinho com o qual você a trata. Vejo que você a ama, independente do que aconteceu. Isso me deixa muito feliz, mais ainda até que nossa filha. Agora ela está brincando lá no quarto com aquele jogo que foi dado a ela semana passada. Ela está entretida lá há quase uma hora. Às vezes vou lá para vê-la e ela me olha com aquele sorriso de ponta a ponta. Os cabelos balançam com o vento proveniente da janela e ela sente como se estivesse voando. Ela é tão linda...
Então, estava pensando em oferecer um dia da semana para ela ficar com você, afinal ela também te ama muito. Não sei se você tem tempo livre, mas... não gostaria de simplesmente deixar pra lá e nunca lhe propor isso. Já fico com a consciência pesada só de pensar.
O que aconteceu de ruim entre nós está no passado. Nossa filha não tem nada a ver com isso. Gostaria, portanto, que ela tivesse mais tempo com o pai que tanto ama.
Quando puder, me ligue e então conversamos sobre essa história com mais calma. Se quiser uma audiência para deixar tudo escrito no papel. Bom... de qualquer forma, a gente vê isso depois.
Saiba que você é um ótimo pai.
Fique bem.
Gabrielle Oslo.
Lucas de Figueiredo
Estou escrevendo para falar um pouco de nossa filha. Ela está crescendo tão depressa e às vezes fico abismada com isso. Ela, que nem sabia andar e cabia na palma de minha mão, hoje está cursando a segunda série do fundamental. Eu espero que ela cresça saudável, do mesmo jeitinho que está crescendo agora. Contudo, não posso dizer que sinto falta daquele pinguinho de gente, que agora já virou uma gota enorme.
E eu fico feliz de ver que ela gosta muito de você, mesmo tendo a oportunidade de te ver apenas por dois dias. Ela me conta sobre as brincadeiras e o carinho com o qual você a trata. Vejo que você a ama, independente do que aconteceu. Isso me deixa muito feliz, mais ainda até que nossa filha. Agora ela está brincando lá no quarto com aquele jogo que foi dado a ela semana passada. Ela está entretida lá há quase uma hora. Às vezes vou lá para vê-la e ela me olha com aquele sorriso de ponta a ponta. Os cabelos balançam com o vento proveniente da janela e ela sente como se estivesse voando. Ela é tão linda...
Então, estava pensando em oferecer um dia da semana para ela ficar com você, afinal ela também te ama muito. Não sei se você tem tempo livre, mas... não gostaria de simplesmente deixar pra lá e nunca lhe propor isso. Já fico com a consciência pesada só de pensar.
O que aconteceu de ruim entre nós está no passado. Nossa filha não tem nada a ver com isso. Gostaria, portanto, que ela tivesse mais tempo com o pai que tanto ama.
Quando puder, me ligue e então conversamos sobre essa história com mais calma. Se quiser uma audiência para deixar tudo escrito no papel. Bom... de qualquer forma, a gente vê isso depois.
Saiba que você é um ótimo pai.
Fique bem.
Gabrielle Oslo.
Lucas de Figueiredo
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Agradecimentos
São Paulo, 21 de Setembro de 2001
Fico lisonjeada ao saber de sua atitude. E foi nesse instante que percebi o quão valioso você é. Como homem, amigo, pai... Você é ótimo em todas essas áreas. Anne retorna cada vez mais alegre de sua casa e isso me deixa cada vez mais contente. Muito obrigada por ser este homem que você sempre foi desde os tempos de colégio.
Você sempre foi o garoto mais romântico, mais sincero e mais amigo. Qualquer garota daquela escola gostaria de ficar com você, nem que seja por somente um minuto, conversando sobre as coisas da vida caso elas o conhecessem de verdade. Eu tive essa oportunidade e agradeço. Você me retirou de muitos buracos em que cai, me ajudou a solucionar vários problemas que não tinham nada a ver contigo. Você sempre esteve ali, ao meu lado, quando mais precisava. Eu, por outro lado, sempre fui confusa, esquisita e de certa forma, idiota. Você ajudou a produzir a mulher que está lhe escrevendo essas cartas.
E enquanto traço neste papel essas simples letras eu me lembro daquela festa que fomos. Ambos tínhamos dezessete anos e conseguimos passar pelos seguranças da festa enquanto eles deixaram de vigiar a porta e foram pegar uns drinks. E assim entramos na festa que foi feita para o público adulto. A gente ria, dançava no meio dos caras e eles não se importavam, pois parecíamos jovens de dezoito, dezenove anos. E naquele instante eu vi seu olhar para Giselda. Eu fiquei maluca com aquilo e meu coração sangrava de raiva e inveja. Então, comecei a beber.
No final da festa estava trocando as pernas. Não conseguia me equilibrar de jeito nenhum. Falava besteiras, xingava o povo... eu não sei como não confessei meu amor por ti ali, naquele local.
Mas o que realmente mexeu comigo foi sua atitude. Você foi tão maduro e altruísta. Você deixou Giselda de lado e me levou para casa. Você dormiu em minha casa naquela noite! Quem me pageou em cima de um colchão duro foi você. Só faltou você me dar banho, mas isso era impossível, tanto por causa de seus princípios, quanto por causa dos princípios de mamãe. Sorte que papai já estava no décimo quinto sono.
Você me deu um susto quando levantei de minha cama. Eu quase pisei em você! Então minha cabeça começou a doer e, como se fosse por mágica, você levantou, me amparou até a cozinha e pediu um remédio para a minha mãe. Você cuidou de mim durante todo momento e até hoje desconfio que você não dormiu nada naquela noite.
E é agora, nesta noite estrelada, que lhe escrevo esta carta, agradecendo por tudo o que fez por mim e ainda faz por nossa filha. Devo dizer que agora sou uma mulher adulta, assim como você é um grande homem, mas quero que me deixe saber quando precisar de ajuda, para que assim eu possa lhe retribuir um pouco os favores que você me fez durante minha adolescência.
Muito obrigado mesmo por ser quem é. Você me fez muito feliz e agora está fazendo nossa filha sentir a felicidade de pertinho.
Mais uma vez Obrigada.
Gabrielle Oslo.
Dedicado à Jéssica Helena
Lucas de Figueiredo
Fico lisonjeada ao saber de sua atitude. E foi nesse instante que percebi o quão valioso você é. Como homem, amigo, pai... Você é ótimo em todas essas áreas. Anne retorna cada vez mais alegre de sua casa e isso me deixa cada vez mais contente. Muito obrigada por ser este homem que você sempre foi desde os tempos de colégio.
Você sempre foi o garoto mais romântico, mais sincero e mais amigo. Qualquer garota daquela escola gostaria de ficar com você, nem que seja por somente um minuto, conversando sobre as coisas da vida caso elas o conhecessem de verdade. Eu tive essa oportunidade e agradeço. Você me retirou de muitos buracos em que cai, me ajudou a solucionar vários problemas que não tinham nada a ver contigo. Você sempre esteve ali, ao meu lado, quando mais precisava. Eu, por outro lado, sempre fui confusa, esquisita e de certa forma, idiota. Você ajudou a produzir a mulher que está lhe escrevendo essas cartas.
E enquanto traço neste papel essas simples letras eu me lembro daquela festa que fomos. Ambos tínhamos dezessete anos e conseguimos passar pelos seguranças da festa enquanto eles deixaram de vigiar a porta e foram pegar uns drinks. E assim entramos na festa que foi feita para o público adulto. A gente ria, dançava no meio dos caras e eles não se importavam, pois parecíamos jovens de dezoito, dezenove anos. E naquele instante eu vi seu olhar para Giselda. Eu fiquei maluca com aquilo e meu coração sangrava de raiva e inveja. Então, comecei a beber.
No final da festa estava trocando as pernas. Não conseguia me equilibrar de jeito nenhum. Falava besteiras, xingava o povo... eu não sei como não confessei meu amor por ti ali, naquele local.
Mas o que realmente mexeu comigo foi sua atitude. Você foi tão maduro e altruísta. Você deixou Giselda de lado e me levou para casa. Você dormiu em minha casa naquela noite! Quem me pageou em cima de um colchão duro foi você. Só faltou você me dar banho, mas isso era impossível, tanto por causa de seus princípios, quanto por causa dos princípios de mamãe. Sorte que papai já estava no décimo quinto sono.
Você me deu um susto quando levantei de minha cama. Eu quase pisei em você! Então minha cabeça começou a doer e, como se fosse por mágica, você levantou, me amparou até a cozinha e pediu um remédio para a minha mãe. Você cuidou de mim durante todo momento e até hoje desconfio que você não dormiu nada naquela noite.
E é agora, nesta noite estrelada, que lhe escrevo esta carta, agradecendo por tudo o que fez por mim e ainda faz por nossa filha. Devo dizer que agora sou uma mulher adulta, assim como você é um grande homem, mas quero que me deixe saber quando precisar de ajuda, para que assim eu possa lhe retribuir um pouco os favores que você me fez durante minha adolescência.
Muito obrigado mesmo por ser quem é. Você me fez muito feliz e agora está fazendo nossa filha sentir a felicidade de pertinho.
Mais uma vez Obrigada.
Gabrielle Oslo.
Dedicado à Jéssica Helena
Lucas de Figueiredo
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Vida – Terra – Morte
São Paulo, 13 de dezembro de 2001.
E começa a chover na cidade. Ouço as lamúrias e vejo os olhos encharcados de pessoas que nunca vi durante toda a minha vida. As lágrimas se misturam a água, brotando rios salgados nas faces das pessoas. Morte por toda a parte.
Temos que olhar por onde pisamos, não por causa dos cacos de vidro e telha que estão espalhados por todo canto, mas para que não pisemos na mão, na perna ou na cabeça de um cadáver sepultado pela própria Gaia. Será que naquela época – na Grécia antiga – as pessoas morriam deste modo? Talvez não seja tão diferente de morrer afogado afinal...
Mas o fato é que a Terra parece estar sucumbindo, perecendo depois de uma jornada de bilhões de anos. E desta vez parece definitiva, porém não tenho certeza se estou falando da Terra ou da própria raça humana que, assim como em tempos remotos, colheu o que plantou – e daí veio o sedentarismo, as plantações – e que agora está colhendo novamente. Nós, humanos, estamos colhendo terra. Uma terra banhada de esgoto, de sangue, de dor. Os três fluidos mais vívidos que já vi.
O esgoto, lotado das coisas que desejamos nos livrar. O esgoto não seria tão diferente da culpa, se esse líquido pútrido que sai de nossas casas não fosse tão irmão – e tão amigo – da fumaça que entra em nossos pulmões. Mas, sendo parecido ou não, isso não importa, o importante é notarmos que, por mais que seja mais fácil fugir do problema – e do esgoto – este sempre voltará para nós, exceto se nos encontrarmos com a Resolução.
E o fluido acre sempre esteve em terra, principalmente em termos de guerra. Desde antes do século I até agora o sangue banha a história. Seja na América ou na Europa, cheiro acre jamais se viu igual.
Mas não nos esquecemos da mancha negra e fétida que infesta nossos corações. A Dor, sempre aguda, é amiga do cérebro e inimiga do coração. Ela despedaça a bomba cardíaca, mas avisa o cérebro em qualquer circunstância anormal. Gostaria de perguntar-lhe o seguinte: Que relação diplomática ela tem com o corpo? Neutra? Inimiga? Ou quem sabe, a mais amarga aliada que temos? Acho que nunca terei as respostas mas, de qualquer forma, é bom dividir as perguntas com você.
Gostaria que você estivesse perto de mim para que pudéssemos conversar sobre esses assuntos. Eu sempre digo e sempre direi que sinto a sua falta, pois esta verdade eu não faço questão de esconder. Posso ter até errado em mentir algumas vezes, mas creio que você não esteja zangado comigo ou que este fora o motivo de nossa separação, nossa divisão de destinos. Gostaria de voltar a vê-lo um dia. Quem sabe até com uma outra companhia a seu lado. Espero que não se importe que, neste dia, eu também esteja com a minha. Somos livres para ficarmos com quer quisermos, não é mesmo? Mas não se preocupe com isso agora, afinal não estou comprometida, nem apaixonada por alguém (por enquanto). (Risos)
Desejo que você seja Feliz, mesmo com todas aquelas vítimas que estão lá fora. Não se esqueça que a vida é um bem individual, mas também não deixe que esse conceito tome conta de sua mente, afinal, mesmo que a vida seja individual, não podemos virar as costas para os que nos pedem ajuda, certo?
Um beijo de sua amiga.
Gabrielle Oslo.
Lucas de Figueiredo
E começa a chover na cidade. Ouço as lamúrias e vejo os olhos encharcados de pessoas que nunca vi durante toda a minha vida. As lágrimas se misturam a água, brotando rios salgados nas faces das pessoas. Morte por toda a parte.
Temos que olhar por onde pisamos, não por causa dos cacos de vidro e telha que estão espalhados por todo canto, mas para que não pisemos na mão, na perna ou na cabeça de um cadáver sepultado pela própria Gaia. Será que naquela época – na Grécia antiga – as pessoas morriam deste modo? Talvez não seja tão diferente de morrer afogado afinal...
Mas o fato é que a Terra parece estar sucumbindo, perecendo depois de uma jornada de bilhões de anos. E desta vez parece definitiva, porém não tenho certeza se estou falando da Terra ou da própria raça humana que, assim como em tempos remotos, colheu o que plantou – e daí veio o sedentarismo, as plantações – e que agora está colhendo novamente. Nós, humanos, estamos colhendo terra. Uma terra banhada de esgoto, de sangue, de dor. Os três fluidos mais vívidos que já vi.
O esgoto, lotado das coisas que desejamos nos livrar. O esgoto não seria tão diferente da culpa, se esse líquido pútrido que sai de nossas casas não fosse tão irmão – e tão amigo – da fumaça que entra em nossos pulmões. Mas, sendo parecido ou não, isso não importa, o importante é notarmos que, por mais que seja mais fácil fugir do problema – e do esgoto – este sempre voltará para nós, exceto se nos encontrarmos com a Resolução.
E o fluido acre sempre esteve em terra, principalmente em termos de guerra. Desde antes do século I até agora o sangue banha a história. Seja na América ou na Europa, cheiro acre jamais se viu igual.
Mas não nos esquecemos da mancha negra e fétida que infesta nossos corações. A Dor, sempre aguda, é amiga do cérebro e inimiga do coração. Ela despedaça a bomba cardíaca, mas avisa o cérebro em qualquer circunstância anormal. Gostaria de perguntar-lhe o seguinte: Que relação diplomática ela tem com o corpo? Neutra? Inimiga? Ou quem sabe, a mais amarga aliada que temos? Acho que nunca terei as respostas mas, de qualquer forma, é bom dividir as perguntas com você.
Gostaria que você estivesse perto de mim para que pudéssemos conversar sobre esses assuntos. Eu sempre digo e sempre direi que sinto a sua falta, pois esta verdade eu não faço questão de esconder. Posso ter até errado em mentir algumas vezes, mas creio que você não esteja zangado comigo ou que este fora o motivo de nossa separação, nossa divisão de destinos. Gostaria de voltar a vê-lo um dia. Quem sabe até com uma outra companhia a seu lado. Espero que não se importe que, neste dia, eu também esteja com a minha. Somos livres para ficarmos com quer quisermos, não é mesmo? Mas não se preocupe com isso agora, afinal não estou comprometida, nem apaixonada por alguém (por enquanto). (Risos)
Desejo que você seja Feliz, mesmo com todas aquelas vítimas que estão lá fora. Não se esqueça que a vida é um bem individual, mas também não deixe que esse conceito tome conta de sua mente, afinal, mesmo que a vida seja individual, não podemos virar as costas para os que nos pedem ajuda, certo?
Um beijo de sua amiga.
Gabrielle Oslo.
Lucas de Figueiredo
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