sábado, 8 de fevereiro de 2020

Primeiro dia

Era uma segunda feira quente e ensolarada, quase não tinha nuvens no céu e a brisa era fraca.
Estava sentada nas escadarias em frente a entrada da faculdade, esperando o horário para entrar.
Os livros em meu colo estavam me deixando mais quente.
Olhei ao redor e vi pessoas se abraçarem, se beijarem e se cumprimentarem, muitos já se conheciam ou estavam se conhecendo e eu estava ali, sentada, sozinha, morrendo de calor.
Pelo jeito o dia ia ser longo e cansativo.
O sinal bateu e me levantei as pressas, indo em direção ao grande monumento, esperava que estivesse mais gélido e mais confortável, mas foi um ledo engano da minha imaginação.
Ao entrar em minha sala, percebi que o sol invadia tudo e o ventilador para meu azar estava quebrado.
Sentei na primeira carteira do canto direito, encostada na parede e distante da janela, mas não estava ajudando muito, ainda torrava fortemente com o calor.
Sentia o suor escorrer pela minha cabeça e deixar meu cabelo frisado e oleoso, ainda bem que resolvi não ir de maquiagem, pois aquela altura eu já estaria toda borrada.
Minha camiseta preta estava colando, e por mais que eu tentasse controlar a minha transpiração, estava sendo impossível.
-Que dia, meu Deus! Logo no primeiro dia de aula!
Abaixei a cabeça sobre a mesa, recostando minha testa na mesa gelada, me refrescando um pouco.
Fechei os olhos e respirei fundo, o nervoso misturado com aquilo estava me fazendo ter uma forte falta de ar.
-Com calor? Precisa de ajuda?
Ouvi uma voz masculina forte, doce e gostosa, não era grossa, estava mais para uma voz adolescente em transformação, completamente sexy, mas não estava afim de cantadas de babacas logo hoje, logo naquele calor infernal. Na verdade, não estava com vontade de fazer nada.
Ergui a cabeça já com uma resposta na ponta da língua, até que vi a quem pertencia a voz.
Ele tinha lindos olhos azuis, e um cabelo de um castanho aloirado que brilhava com a luz forte do sol.
Um sorriso encantador, e um corpo, que meu Deus... Não era o tipo de menino magricela que a gente está acostumada a ver no colégio.
Fiquei sem reação, abri um sorriso e soltei em um tom baixo e completamente sem graça.
-Err... Sim...
Se estava quente, com certeza ficou mais ainda com aquilo.
Senti minhas bochechas pegarem fogo.
-Sou Marcos, prazer!
Ele estendeu a mão para mim, ainda possuindo naqueles lábios doces seu sorriso encantador e irresistível.
Apertei sua mão levemente, percebi o quanto era pequena perto dele.
-Posso me sentar aqui??
Ele apontou para o lugar ao meu lado, mas simplesmente não esperou minha resposta e se sentou.
-Você não me disse seu nome?
-Am... Am... Pa...Patrícia!
-Muito prazer! Lindo nome, assim como a dona!
Nossa, eu podia me ver completamente vermelha na frente dele, uma falta de ar e eu não sabia o que fazer, apenas sorri.
-Então, eu sei que não é educado, principalmente quando acaba de se conhecer uma dama tão bonita, mas, por um acaso você saberia me dizer onde fica o banheiro? É que é meu primeiro dia aqui...
Ele estava ficando sem graça? Era isso mesmo que eu estava vendo? Ele levou a mão direita atrás do pescoço, coçando-o, um pouco incomodado com a situação.
O que fazer? O que fazer? Droga, por que sempre me petrifico nesses momentos?
-Ah eu levo você até lá, se quiser!
Uma loira de grandes e fartos seios, com um mini vestido branco se apoiou na mesa dele, empinando a bunda para quem quisesse ver o que ela tinha por baixo.
Sorria descaradamente para ele, que ficou sem graça e se deixou levar por ela, que pegou em sua mão e foi caminhando com ele pelo corredor.
A vadia da Nathalie.
Tinha me esquecido nas férias da sua existência, e por mim, poderia esquecer dela o resto da vida, se ela não insistisse para que eu me lembrasse o quanto ela era gostosa, perfeita e que todos os homens babavam por ela.
Me enfureci por ter deixado ela fazer o que fez e não tomar nenhuma atitude. Eu era uma completa idiota!
-Bom dia classe!
O professor Roberto, de produções independentes, adentrou na sala. Um homem completamente careca e com uma barriga gigantesca.
Ele passou a mão pela cabeça que brilhava de suor, me encarou e eu já sabia do que se tratava.
Ele estava prestes a me pedir para ir na lousa escrever alguma coisa.
Bem vinda Patrícia, ao seu inferno anual!

Jessica Curto

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