quinta-feira, 4 de julho de 2013

O fascínio da era romântica e suas formas naturais

O melhor momento para esquecer os problemas, a rotina chata e acinzentada da cidade de São Paulo com certeza seria dar lugar a um cenário com a natureza em seu mais alto nível de romance, beleza e esplendor.
O que dizer das mais lindas telas em sua profunda harmonia com semblantes, cores intensas e movimentos trazidos, não das mãos de um pintor, ou mente em que arquitetou o quadro. Mas, sim, a inspiração que veio de dentro de si, da alma.
É justamente o que o MASP trouxe com a exposição Romantismo: A arte do entusiasmo, curadoria do Teixeira Coelho.
Há pinturas em que você não se identifica e logo passa rápido, e em outras ocasiões o conteúdo do quadro faz com que pare, analise, reflita e contemple cada traço e qual a mensagem a ser transmitida. É nesse momento, em que você perde as horas do relógio e o tempo passa a não ser o mais importante, somente a conversa entre vocês é o que está com o presente.

Aspectos da Arte 

As características do Romantismo são justamente belas paisagens de natureza, com muitas árvores, lagos, animais e pessoas nesse convívio. Como no quadro A catedral de Salisbury vista do jardim do bispo, o pintor John Constable, expressou uma bela e grande igreja. E a colocou no centro do quadro, com muita luz em meio a tantas árvores, suas folhas em movimento, como se ele tivesse retratado exatamente esse tempo em que se moviam, tratam-se além de dar vida a uma árvore, simplesmente pintou a vida. Essa obra foi realizada no período clássico do Romantismo e representa dois temas caros ao movimento. A natureza por toda a parte e a presença do homem, não só por ter um casal próximo, mas pelo o que a catedral representa a cultura nas mãos do homem. A moça e o rapaz entre esses dois mundos, ambos fascinados com a bela visão. 
A perspectiva do quadro é fascinante. A cachoeira de Paulo Afonso, de 1850, como o próprio nome sugere uma multidão de gotas que descem uma imensa pedra. Mas, não é apenas uma cachoeira, e sim, algo que nos remete a ideia de estar longe do horizonte. Sabemos que o sol está presente, pelas sobras e o pintor E.F. Schute direciona nosso olhar para a cachoeira e só muito tempo depois conseguimos perceber o que está mais adiante em sua pintura e nos detalhes. Os homens retratados na obra são tão pequenos e há uma delicadeza em sua forma. É o que somos perante a natureza e as obras de Deus. Há uma citação em que li momentos depois de analisar o quadro e descreveu em seu mais perfeito a imperfeição da ausência de minhas palavras: “Você se reconhece ao silêncio, perdendo-se na infinitude do espaço. Sente a calma límpida e a pureza que invadem seu ser. Você não é nada, Deus é tudo.”. (DM). É importante que tudo do passado tenha sido registrado, pois a pintura conta a história, a nossa história. O passado ali, em uma obra, está vivo e bem representado. É a memória eternizada.


Silhuetas e semblantes da arte 

Os pintores retrataram corpos de pessoas que não obtinham um padrão escultural, belo e perfeito. O corpo romântico tomou formas arredondadas, grandes, que se torce e contorce. Como na obra, Banhista enxugando o braço direito (Grande nu sentado), em 1912, de Pierre- Augusterenoik. 
Pessoas nuas em sua intimidade sem corpos eretos ou algo que remeta um tipo de padrão de beleza, mas não deixa de ser belo. 
O Romantismo descobre o indivíduo, a pessoa como princípio instaurador, nesse momento o artista encontra o semblante de pessoas existentes e não apenas de um ser humano ou uma humanidade abstrata. Afinal, as pessoas existem. É algo subjetivo, pois irá retratar o aprendizado de uma verdade, o que determinada pessoa representa. Podemos descrever uma pessoa como triste, feliz ou cansada, simplesmente por enxergar a verdade transmitida através de seu semblante, a transparência de seus sentimentos entregues em sua face. Isso tem que estar em evidência na obra de arte, qualquer lado interior tem que emergir da pessoa retratada.
Uma mulher de rosto simples, uma beleza pálida e meiga, assim é retratada o quadro Renée, 1917, a mulher expressa uma calmaria. 
É visível o zelo de selecionar as mais belas obras de arte, conhecer uma cultura, um espaço diferente. Esses são alguns elementos que enriquecem não apenas nossos olhos, mas também a história que está como plano de fundo. 

Ficha Técnica: 
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) 
Exposição de arte: Romantismo: A arte do entusiasmo 
Endereço: Avenida Paulista, 1578. Acesso a deficientes. A bilheteria fecha meia hora antes. As terças-feiras acesso gratuito.
Horário: De terças-feiras, domingos e feriados, das 11h às 18h e às quintas-feiras das 11h às 20h.
Ingressos: R$15. Estudantes R$7. Gratuito até 10 anos e acima de 60 anos. 
Realização e montagem: Equipe MASP 
Curadoria: Teixeira Coelho 
Patrocínio: Banco PSA Finance Brasil
Apoio: Lei Federal de Incentivo à Cultura/ Ministério da Cultura
Informações ao público: www.masp.art.br
Telefone: (11) 3251-5644

Vanessa Silva

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