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terça-feira, 10 de março de 2015

FORÇA DA PALAVRA

Eu queria que a palavra seguisse seu rumo ligeiro;

Sem semáforos de pensamento. Que ela fosse

fluída como a vida e esse momento. Que ela

dissesse tudo quanto queremos expressar. Pena

que a palavra cai da árvore e é preciso

revisar. E revisando vejo que digo

- não o que há comigo – mas com todos nós.

Afinal é a palavra que supera o tempo

e a vibração da nossa voz.

Rafael Cardoso

segunda-feira, 9 de março de 2015

Nada será como antes

Os sonhos cessaram de me perturbar a noite. Deve ser um bom sinal. Você pediu tanto a minha paz e a sua. Agora ambas foram atendidas. Os dias de insônia já não pertencem a esta mulher. Afinal, quando você me conheceu, ainda menina, eu apenas sonhava.

Ainda me pergunto se você se arrependeu das últimas palavras ditas em uma noite de sexta-feira quando os comércios estavam abertos e era possível falar um pouco mais alto, sem problema de acordar algum vizinho.

Pensei que seria mais difícil suportar a solidão. Mas escrevo poemas para libertar o amor que insiste em morar em mim. Abandonei a culpa de ter te perdido.

Será essa dor ter se transformado em inspiração?

A angústia e o desespero fazem parte do passado. Hoje consigo ler um livro e entender as frases que desencadeiam toda uma história. Consigo lembrar-me de um passado sem a vontade de correr atrás dos momentos que um dia me fizeram feliz.

Paz. Acredito que essa seja a palavra que melhor defina meu estado de espírito. Já não tento mais decifrar meus erros como enigmas. Prefiro pensar que estava errada em pensar que fosse dona do meu destino.

A vida irá passar. Já não posso mais perder os segundos. A cada amanhecer, arrancam-me um dia.

É tantos quereres! Pego-me diante de planos comigo e eu mesma, sem pensar em mais ninguém.

O gosto do beijo jamais será igual. Nada será como antes. Um suspiro deixou de ser um último ato, após a nostalgia tomar conta de mim, ele passou a ser simplesmente uma sensação de fadiga.

Mas mesmo que meus pés estejam cansados, eu correrei a um novo amor. Será por fazer. Porque tem que ser feito. Dito. Sentido e mais que isso, amado.

Vanessa Silva

domingo, 8 de março de 2015

Finado amor, eu te amo

Hoje recebi uma carta, do qual um assunto foi nomeado de fim. Pois é, esse era seu título. Como uma palavra com apenas três letras pode traçar o destino de duas pessoas?

Sim, eu sei. A palavra é pequena. Mas já parou para perceber que as menores partículas da terra movimentam o mundo? Tudo bem, eu também não havia pensado. Sem julgamentos. Sem estudos científicos ou algo do tipo. Apenas sobre a vida. O que já é por si só, bem confusa...

Aquela carta tinha um significado. Cada palavra escrita representava um sentimento. Uma escolha. Uma decisão a ser seguida. Apesar de pequena ela disse tudo. Já não precisava mais abri-la. Tudo estava dito em apenas três letras.

Amanhã ou semana que vem pode ser que esse fim não exista. Mas até lá, terei que conviver com a dor que não dói mais.

Desde criança, sempre pensei que nós faríamos o que quisermos com a nossa vida. Traçávamos uma meta e no fim do prazo, o pote de ouro estava lá. Pensava que ser apenas uma boa menina já bastava.

Os momentos não são assim. Eu não podia estar te contando isso. Na sua idade, eu ainda sonhava sonhos! Os pesadelos pouco me pertenciam. Seria melancólico e injusto pensar que não vale a pena o sofrimento. Quando bem digerido se torna algo bom. Faz bem gostar de mim, de você, dele e daquela outra pessoa ali também.

O amor está presente na comida que você tanto gosta de preparar. O amor está no seu travesseiro, após um dia cansativo. Ele te acompanha todo dia. Até uma saudação cordial para um mendigo é um sinal desse sentimento. Do qual, o ser humano não vive sem.

O fim está presente também. Para nos lembrarmos de que o amor é importante. Que a vida não é infinita. Que morremos todos os dias, em cada segundo que se passa.

A vida nada mais é que morrer a cada dia com a certeza de queremos mais um dia para prolongar o momento do fim.

Vanessa Silva

sábado, 7 de março de 2015

Dois Laços

Meu corpo esguio esquece toda a ética

Ao notar a sua essência poética,

No caminho ao encontro de seus lábios,

Que deixarão os meus muito mais sábios.


Que a minha postura, dita patética,

Nunca esmague tanto amor em pedaços,

Que a minha humilde compleição e estética

Jamais possa abrandar nossos amassos.


Pode o amor sumir pela força atlética

Que me falta? Isso gera embaraços? 

Não. E nem restam dúvidas posteriores 

Como já vi em outros amores depois,


Pois,
Não penses que é pura questão fonética

(Embora entre beijos existam dores) 

Que ajusta estes versos a seus espaços:

Ao navegar no mar da dialética

Inerente ao calor de seus abraços,

Vejo não ser de forma alguma cética

A união sem pudor de nossos braços.


Uma relação é mais que imagética,

É a reciprocidade de dois laços.

Rafael Cardoso