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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A RAZÃO

A festa está cancelada

Enquanto não se restituir

A ordem no meu coração

É a ordem pré-determinada

Enquanto houver de persistir

A famigerada razão.

Ela me diz que há algo errado

Enquanto eu rodo sem parar

Quis que estivesse eu sossegado

E não aqui dentro do mar.

Se eu não estiver enganado,

Ela já tentou me ajudar

E ensinou-me a nado

Se eu podia remar.

Posso em ti confiar?

Ela mesmo me diz

Que pra eu ser feliz

Dela devo desconfiar.

Rafael Cardoso


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A DANÇA DA VIDA

Na roda da vida

Giro sem parar

De tanto pensar

Na dor, na ferida

De inda estar perdido

Todo dia lido

Com o meu pesar.

Mas se eu me entregar,

Deixando ao sabor

Do tempo a mudança,

Onde vou parar?

Se num corredor

(Dança, vida, dança)

Lançar eu a sorte

Qual porta abrirá,

Da vida ou da morte?

O destino trança,

Se bem entender

Uma nova esperança

Dentro do meu ser

Ou, inda, balança

De novo o viver.

Mas com tanta porta,

Em qual devo entrar?

Tivesse eu uma horta,

Qual planta regar?

Devo estar atento

Ao sabor do vento

Quando ele passar,

Pois a vida é fuga

De qualquer lugar

Sair, na madruga

E mudar o estar

É a eterna permuta

Entre ver e olhar.

Dança, vida, dança

Que nessa andança

Eu vivo a sonhar.

Dança, vida, dança

Enquanto não cansa

Eu busco te achar.

Busco o teu sentido,

(E já o tinha tido)

Mas ando perdido

Buscando ferido

No tempo já ido

O que foi vivido:

- O sentido ido,

Ido, ido, ido...

Dança, vida, dança

Tenho a esperança

De olhar teu olhar

E ouvir a voz mansa

Que vai me ensinar

A sonhar, a ser

A estar, a cantar

A amar e viver.

Rafael Cardoso

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

SOCRÁTICO

O que eu acho? Eu não acho nada.

É triste não ter opinião, não?

Mas se eu disser que tenho, é mentira.

Foram-se embora todas as certezas.

Se me perguntas: “E aí?”, digo “sei lá”.

Pobre Sócrates. Como eu, sua única certeza

Era não ter nenhuma outra.

Sócrates foi grande. E eu? O que acho de mim?

Eu não acho nada.

Rafael Cardoso

domingo, 1 de janeiro de 2012

Para Vinícius Gageiro Marques

Recebi uma notícia, um menino de 16 anos morreu no dia 26 de julho de 2006

Li aquilo completamente em choque, me perguntando o que levava uma pessoa a querer tirar a própria vida, um bem tão precioso e único, e por mais que venha repleto de problemas e dores, deve ser enfrentado com garra e honra, afinal, viver é lutar.

A notícia dizia que o menino planejava sua morte e que ''amigos'' virtuais o auxiliavam e o estimulavam com seu suicídio.

Fiquei ainda mais em choque, me senti completamente fraca e impotente, queria ter conhecido esse rapaz, queria poder ter lhe dito o quanto ele era importante para as pessoas que estavam ao seu redor, o quanto elas o amavam.

Queria poder ter ajudado com meus bobos conselhos, pode ser que não desse em nada, mas queria ter podido tentar.

Não o conhecia e fiquei triste, como se algo dentro de mim despedaçasse e se putrefaze, vidas tão perfeitas e magníficas sendo jogadas fora.

Dor... Minha dor, não a dele, que o levou ao que fez.

Dor por pensar no quão aqueles que o amavam devem ter sentido dor.

Uma tristeza repentina tomando todo o meu ser.

E então me passou pela cabeça o quanto o mundo está em caos, o quanto as pessoas são cruéis e não se preocupam umas com as outras, não as auxiliam quando mais necessitam.

Pensar que pessoas deveriam passar em minha vida e talvez nunca o façam, talvez por culpa dos outros, talvez por erros mundanos.

Minha inconformidade será eterna.

Estou ouvindo a voz dele pela milésima vez, a mesma música, o mesmo tom... Eternizado em um momento único que se esvai.

Se foi para nunca mais voltar... Queria poder ter feito tanta coisa...

Acabou... E então nos damos conta do quão passa rápido.

Nunca acabou, nunca irá acabar, essa dor que aqui sinto fincou em meu espírito, vou levar para todo o sempre...

Dor.

Por quê?

J.H.C

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81603-6014-508,00.html