quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Há homens que já nascem póstumos (Friedrich Nietzsche)

Nessa familia, o único que vive sou eu. Sempre fui eu. Desde minha infância, sempre fui o único que fez o que realmente queria, mesmo sabendo que as consequências poderiam ser pesadas. Eu sempre aproveitei cada momento, sempre me esforcei para dar o passo mais longo de todos os tempos. Contudo, as pessoas ao meu redor são mortas, cadavéricas e esqueléticas. Dívidas, dor e preocupações eram tudo o que povoava a mente daquelas pobres pessoas, que se achavam e ainda pensam que são sábias. Mas a única coisa que aprenderam na vida foi desperdiçar a mesma, até que a morte finalmente a encerre. Mal elas sabiam que já estavam mortas somente por escolher este caminho.
O único que vive sou eu, pois eu dou risadas, eu choro, eu sinto o gosto de todas as coisas. Não duvido que um dia sinta o gosto da água. Eu sempre abri meu coração para as mais diversas emoções, das mais dolorosas às mais doces. Eu nasci entendendo o verdadeiro valor da vida. Eu sempre soube que ela não é eterna, mas é intensa. A vida é como um fruto: se você não apanhá-lo, ele cai e estraga.
O único vivo sou eu. Sou como uma flor que brota num jardim seco. As pessoas mortas se aglomeram ao meu redor e, de certa forma, jogam praga, pois acreditam que me tornarei igual a elas com o passar do tempo. E é nesse instante que olho na face de cada uma e sinto pena, pois elas não sabem – e nunca vão saber - o que estão perdendo.
Pessoas que correm para tentar viver, mas a cada passo ficam mais distantes da vida em si. A vida é como uma árvore que você pode plantar onde quiser: essas pessoas não notaram que, em vez de posicioná-la ao seu lado para poder apanhar seus frutos, elas estão plantando a mesma na mais alta montanha e nunca mais terão forças para chegar até a árvore. A vida não tem que ser vista como um objetivo, pois ela não é a meta, mas sim o caminho. A vida não é para ser alcançada, a vida é para ser vivida.
E dentre essas pessoas mortas, pálidas e obscuras, eu prossigo em minha jornada. Sem rumo, sem dor, sem pânico, sem preocupações... Sem nada.
O único que vive sou eu.

“É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.” Friedrich Nietzsche
Dedicado à Jéssica Helena

Lucas de Figueiredo

2 comentários:

  1. Lucas de Figueiredo27 de janeiro de 2011 02:03

    Espero que você tenha gostado deste pequeno presente...^^

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  2. como tudo o que você faz, como não iria gostar??? *_*

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