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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Morrendo para estar vivo - Capítulo 3 Consequência cruel

Já estava escuro quando ela finalmente chegou no local, a rua se encontrava completamente deserta, as luzes das casas já estavam apagadas, demonstrando o quanto era tarde da noite.
O pequeno embrulho nos braços resfolegava sem nem imaginar o que estava por vir.
Ela não poderia sofrer mais consequências de um ato impensado, já era judiada por natureza, não podia deixar que as coisas piorassem e por mais que isso lhe doesse o coração, sabia que era o certo a ser feito.
Os olhos apreensivos observavam os dois lados da rua, não havia nenhum sinal humano, todos já deveriam estar dormindo, tinha de agir rápido antes que se arrependesse.
Os passos se aceleraram silenciosos na melancolia da noite,  parando apenas quando alcançou a frente do gracioso casarão que existia na esquina de frente para uma reconfortante pracinha, onde existiam agora apenas balanços que se movimentavam fantasmagoricamente e escorregadores vazios.
Os negros olhos se abaixaram para o minúsculo ser por alguns instantes, mas antes que pudesse apreciar daquele momento, ouviu uma moto se aproximar, era a polícia noturna, iriam pegá-la, ela não teria como se justificar, ninguém ficava em um lugar chique como aquele aquela hora a não ser que fosse um sequestrador, estuprador ou ladrão. Com as vestimentas em que se encontrava na certa seria presa sem chances de explicação.
Não sabia o que fazer, entrou em completo desespero, apertando a criança mais forte em seus braços, o apito se aproximava cada vez mais, iria estar ao seu lado em questão de segundos. Droga! Não tinha planejado ser assim, que desculpa arranjaria? Iriam pensar que ela era uma raptora de crianças ou coisa que o valha.
Já via o forte farol despontando no início da rua, olhou para os dois lados apreensiva, não teria outra opção, a sorte teria de se fazer valer.
Colocou o pequenino pacote dentro do latão de lixo mais próximo dali e saiu correndo o mais rápido possível.
Sentiu uma pontada forte no peito e teve a impressão de ouvir um pequeno resmungar, mas não poderia parar, não agora.
O apito se aproximava cada vez mais, o pulmão estava em chamas, ela não iria aguentar.
Ouviu uma sirene e então dois disparos explodiram no ar, ela se sentiu leve como uma pena e tudo se escureceu.

Jéssica Curto


domingo, 9 de junho de 2013

Morrendo para estar vivo - Capítulo 2 Difícil decisão

Um quarto escuro, do lado de fora chovia fortemente, uma cama pequena e simples estava posicionada de frente para a janela, a pequenina estava deitada, as perninhas e os bracinhos esticados para cima, como quem busca pegar algo invisível.
Uma garota de cabelos curtos e encaracolados, de pele morena se encontrava sentada no chão perto da porta, os braços abraçando os joelhos que estavam encolhidos, a cabeça enfiada entre as pernas, o que ela faria agora?
Um leve resmungo e o rosto da jovem se erguera rapidamente, encarando o pequeno ser que se encontrava agora de bruços sobre o colchão.
Ela sabia que teria muitas dificuldades se não tomasse uma atitude logo, ela não tinha planejado nada daquilo.
Se levantou e foi até a minúscula criatura, tomando-a em seus braços, os olhos cheios de lágrimas, passou o dedo indicador pelo miúdo narizinho levemente, vendo a pequenina bocejar e agarrar seu dedo fortemente com a minúscula mãozinha antes de cair em sono profundo.
Não estava certo, não era justo, mas ela não tinha outra alternativa. Apertou o bebê em seus braços, tinha que fazer o correto e sabia disso, e dessa vez o faria!

Jéssica Curto


sábado, 8 de junho de 2013

Morrendo para estar vivo - Capítulo 1 Pânico ameaçador

A garota estava sentada aguardando ser chamada, as paredes imundas mostravam o quanto o local era abandonado. A pequena e única lâmpada amarela presa ao teto balançava e mostrava sombras perturbadoras na parede, só de imaginar como todo o processo poderia ser feito já lhe dava pavor, mas não tinha muito o que fazer, afinal, aquela era a sua única opção.
Sons de passos ao fundo fizeram com que ela se ajeitasse o melhor possível na cadeira, o grande e corpulento ser andava lentamente pelo corredor em direção a sala que ela se encontrava,  um avental verde completamente sujo e manchado de sangue estava dependurado em seu pescoço.
A garota entrou em completo pânico, sem pensar em mais nada deu um salto da cadeira e saiu correndo dali o mais rápido possível, as panturrilhas pegando fogo até alcançar a avenida principal, tropicando com os transeuntes que se dirigiam para o ponto de ônibus.
Olhou para trás, aflita, como se algo a estivesse perseguindo, mas não havia nada ali além de dois mendigos que fuçavam os lixos à procura de restos de comidas.
O coração ainda acelerado foi se acalmando aos poucos, as mãos tremulas acariciaram o rosto suado, tentando controlar a respiração.
Iria voltar pra casa, não podia fazer aquilo, sabia que consequências horríveis a aguardavam devido a sua covardia, mas não podia, simplesmente não podia fazer aquilo.
Suspirou, agora teria um problema muito maior para enfrentar, mas pensaria nisso depois, no momento, só queria ir pra casa.

Jéssica Curto


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Roble – Uma História Esquecida Capítulo 7 – O Início

Os Corbs saíram do choque em poucos minutos, mas em vez de atacarem o novo ser que surgira ali, eles começavam a fugir apressadamente em direção a floresta, Bartolomeu não acreditava no que estava vendo, não sabia o porquê eles estavam debandando, mas não poderia deixar que isso ocorresse.
Antes que pudesse tomar qualquer atitude, viu o homem erguer o cajado e batê-lo no chão uma única vez com força, vários Corbs que pulavam apressados explodiram no ar.
O homem erguia mais uma vez o cajado e desta vez o mirava na direção oposta, fazendo com que os seres horripilantes evaporassem.
Em questão de minutos só havia silêncio e dor.
Então o homem se virou e Bartolomeu pode ver o quanto a barba daquele ser era imensa.
As lágrimas rolavam pela face vendo o amontoado de Robles que se fazia no chão, seu pai, sua mãe, Klaus... Sentiu uma dor imensa no peito, era tudo culpa dele!
Não notou que o cajado tinha batido uma última vez, só se deu conta quando percebeu o fogo se amainar e Klaus dar um salto, como quem acorda de um pesadelo.
A princípio tomou um susto tremendo, mas de repente todos estavam se levantando, resmungando um pouco, mas estavam vivos e bem.
Mas como...?
Ele procurou o grande homem em meio aos destroços, mas nada viu.
Correu para Agnes, a abraçando fortemente, estava com tanto medo de perdê-la!
Depois de muitos abraços e beijos chorosos, ele não pode deixar de perguntar se alguém tinha visto para onde tinha ido aquele homem barbudo, mas ninguém sabia lhe dizer, mas Bartolomeu sabia, aquele era o tal Noel que vinha salvar as pessoas quando estas precisassem de ajuda, ele sabia que tinha tido um auxílio mágico e era eternamente grato por isso, tinha aprendido a lição.
Os Robles comemorariam aquele dia todos os anos de sua vida, durante anos, décadas, milênios, agradecendo por tudo o que lhes foi dado e por tudo o que viriam a ser agraciado.
Assim, surgiu o Natal.

Fim

Jéssica Curto