sábado, 15 de janeiro de 2011

A entregadora de pizza

Cérebro engrenagens
Movidos a rosquinhas e sonhos
Talvez por isso
Um coração tão doce
Quase diabético (Que pena!)
Corre ruas de amargurados dissabores

Por trás do capacete
Ninguém vê tempo
Pra ter tua beleza esbelta
Você não come pizza
E ela te sustenta
Não conhece as belezas da São Paulo
Onde andou todos os cantos
Em duas rodas

Não é médico-legista
Mas vê a morte de perto
Nem soldada
Apesar das batalhas que presencia
Na Berrini no horário da Sé
Tão pouco psicóloga
E no entanto trabalha com pessoas doentes

Sem diploma conhece tudo
Sem dinheiro pra quase nada
Tu, doutora anônima mestrada em artes sobrevivênicas
Exemplo da mulher valente
Próxima aos faróis dos carros
Distante dos holofóticos
Olhares mundiais
E dos motoristas engravatados.

Rafael Cardoso

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