Planeta Terra, América, Sala de Controle do Sistema Central, 24 de setembro de 3184
“Sistema Inoperante. Autodestruição iminente.”
— Hunf. Não há saída.
Nem mesmo os mais potentes métodos tecnocientíficos podem deter o que está por vir. Raios, Terremotos, Tempestades, Erupções... Destruição por toda parte. Não há grama, não há céu azul. O planeta Apha-5310 não é mais alcançável e os recursos esgotaram-se. Há tempos nosso planeta mãe encontra-se em total desgraça e não podemos mais mantê-lo funcionando. Núcleo reformado de ferro, Sistema de controle de Magma, de Água e Continental... Nada está mais funcionando. Tentamos de tudo para salvá-la, minha querida Terra.
Felizmente, milhares de terráqueos já estão espalhados entre Delta-4562, Tal-8754, Zeta-6438 e Alpha-5310. Nossa raça continuará a existir mesmo tendo que massacrar as populações nativas destes planetas.
Tudo começou no ano de 2986, com a descoberta de um conjunto de partículas feitas de nêutrons provenientes de átomos de fósforo que são comprimidos num tanque de altíssima pressão após os elétrons e prótons serem removidos. O resultado é um forte metal, imune a qualquer coisa, pois é neutro e por isto não atrai e nem repele nada. É maciço, modelável durante os dois primeiros meses de fabricação e indivisível após este tempo, portanto chamamos de Átomos de Segunda Ordem, ou ASO para encurtar. Com eles fizemos naves, alocamos uma incrível quantidade de combustível juntamente com comburentes em seus grandes propulsores e com isto conseguimos um incrível foguete no qual viajamos para galáxias antes inalcançáveis. Isso animou a raça humana e fez com que a maioria dos seres humanos deixasse de se preocupar com a Terra. Os Sistemas de Controle fabricados desde então não foram feitos com o planejamento necessário e agora o planeta está sucumbindo. Os países e continentes estão sumindo a um nível de quarenta mil quilômetros quadrados por segundo por fortes erupções, raios elétricos e terremotos. A terra está sendo engolida por si própria. Vários países não existem mais e o primeiro a sumir foi a China. Falta pouco para o restante do planeta ser engolido e os humanos ainda vivos que estão nele não têm mais condições de escapar nem para Alpha-5310, o planeta habitável mais próximo. Eu decidi ficar por aqui e morrer junto com minha mãe. Estou vendo um rio de magma a minha frente e terra sucumbida atrás. Não há saída.
“Tempo para autodestruição: 1 segundo. Desligando sistemas. Abrindo as câmaras de combustível gasoso. Liberando gás oxigênio. Soltando faíscas necessárias”.
— Adeus. Minha querida Terra.
Michael Figueiredo Aurion Centauros Veiga
Lucas de Figueiredo
domingo, 28 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Pedra
*''No meio do caminho tinha uma pedra''
E era uma pedra muito grande, basicamente do tamanho de uma rocha.
Era tão grande que não cabia no sapato, para apenas ficar no incômodo entre o dedão e o consentimento do cérebro.
Estava um tanto quanto difícil de aguentar sua dor.
Não daria para fazer uma sopa com ela, apesar do seu tamanho monumental, ficaria amarga e ingulível.
Não dava para chutar sem quebrar o pé e muito menos segurá-la entre os braços sem estourar os tendões.
Dê pedra para cicatrizes, não sei o que é pior, pois a pedra estava deixando muito mais cicatrizes do que lhe era de direito, e sem dúvida muito mais que qualquer tendão estourado deixaria.
''No meio do caminho tinha uma pedra''
Mas não era nem de longe um simples objeto atrapalhando apenas meu caminho.
Raspava na garganta e ardia nos olhos toda aquela passagem.
Acredito que ela veio de Marte e resolveu cair justamente na minha frente de propósito.
Seria um teste, o maior que já fiz na vida, apenas para ver se o que desejava era de fato aquilo.
Pelo menos, seria uma experiência única, trazendo muita dor sim, mas sem dúvida muita sabedoria.
A pior pedra que já tive no caminho, no entanto seria a que me traria mais frutos.
Talvez não vindos dela, propriamente dito, mas sem dúvida, depois de seu desvio, nunca mais viria a se repetir.
''No meio do caminho tinha uma pedra''
*No meio do caminho tinha uma pedra é um trecho do poema ‘’No Meio do Caminho’’ de Carlos Drummond de Andrade
J.H.C
E era uma pedra muito grande, basicamente do tamanho de uma rocha.
Era tão grande que não cabia no sapato, para apenas ficar no incômodo entre o dedão e o consentimento do cérebro.
Estava um tanto quanto difícil de aguentar sua dor.
Não daria para fazer uma sopa com ela, apesar do seu tamanho monumental, ficaria amarga e ingulível.
Não dava para chutar sem quebrar o pé e muito menos segurá-la entre os braços sem estourar os tendões.
Dê pedra para cicatrizes, não sei o que é pior, pois a pedra estava deixando muito mais cicatrizes do que lhe era de direito, e sem dúvida muito mais que qualquer tendão estourado deixaria.
''No meio do caminho tinha uma pedra''
Mas não era nem de longe um simples objeto atrapalhando apenas meu caminho.
Raspava na garganta e ardia nos olhos toda aquela passagem.
Acredito que ela veio de Marte e resolveu cair justamente na minha frente de propósito.
Seria um teste, o maior que já fiz na vida, apenas para ver se o que desejava era de fato aquilo.
Pelo menos, seria uma experiência única, trazendo muita dor sim, mas sem dúvida muita sabedoria.
A pior pedra que já tive no caminho, no entanto seria a que me traria mais frutos.
Talvez não vindos dela, propriamente dito, mas sem dúvida, depois de seu desvio, nunca mais viria a se repetir.
''No meio do caminho tinha uma pedra''
*No meio do caminho tinha uma pedra é um trecho do poema ‘’No Meio do Caminho’’ de Carlos Drummond de Andrade
J.H.C
sábado, 13 de agosto de 2011
Extrato ao vento
Ao abrir os olhos hoje de manhã, olhei para o teto de meu quarto. Todo branco, o forro contrastava com as paredes escuras e dava um estilo enigmático para o cômodo. O alarme soou em seguida e eu, que relutava em levantar, coloquei meus pés descalços no chão gélido. Fui à cozinha, servi-me de uma boa caneca de chá gelado que preparei ontem e logo após fui ao banheiro com a intenção de tomar um bom banho e me arrumar para ir ao trabalho. A água caia sobre meu corpo me trazendo uma sensação que fez com que saísse um pouco do mundo e voltasse ao meu passado, porém logo acordei ao encostar-me na parede fria com minha pele quente devido à água estar bem aquecida.
Após o banho, fui à padaria onde comprei pães, biscoitos, duas rosquinhas e duzentos gramas de mortadela e depois retornei a minha casa para tomar o café. Depois de ter feito tudo isso, fui para o trabalho.
O serviço não terminava mais. Eram centenas de documentos para organizar e enviar para os mais diversos destinatários. Parecia-me que tinha tarefas acumuladas de uma semana e meia e tinha que entregá-las antes do anoitecer, contudo, para a minha felicidade, os afazeres foram diminuindo e uma pequena parcela faltava para ser concluída. Terminei logo e fui para casa, morto de cansaço.
Quando cheguei, dei uma ajeitada na casa, limpei o chão da sala e da cozinha, assisti à novela e ao futebol e depois fui para cama, mas o sono demorou a chegar. Então me sentei e fiquei absorto em meus pensamentos. Naquele momento somente a palavra felicidade me vinha à cabeça, juntamente com vagas lembranças de momentos em que me senti plenamente feliz. Felicidade plena na qual nunca acreditei que existisse, pois plenitude para mim é algo mais do que duradouro. Diria até quase eterno.
Essas lembranças fazem parte de minha infância e adolescência, partes estas pelas quais sinto muita saudade. São momentos nos quais percebo que se ausentam particularidades existentes na vida adulta, que percebo somente agora. Lembro-me quando sonhava em ser adulto para ter minha independência, construir grandes projetos, obter grandes conquistas e ser digno de grande admiração. Como era fantástica a minha imaginação! Pena que nunca se aproximou da realidade. Dinheiro para sobrevivência, classe social para prestígio, responsabilidades para a vida, eficiência para o trabalho, falsidade para a imagem. Nunca imaginei que iria possuir essas artimanhas que odeio tanto e hoje penso “Se foi para isto que cresci, então gostaria de permanecer como uma criança! Afinal só elas possuem a inocência, a doçura, a sinceridade, a alegria e a esperança que nos dias atuais eu valorizo tanto!”. Então percebo meu extrato bancário na escrivaninha e, com raiva, rasgo o papel e jogo-o no chão. “Não era essa a independência que eu queria! Não eram esses os projetos que gostaria de construir! Não eram essas as conquistas que sonhava e não me vejo digno de nenhuma admiração!”. Logo depois desabei na cama e lágrimas transparentes brotaram de meus olhos. Transparentes como uma criança, porém com o sofrimento de um adulto. Adormeci.
Abri os olhos. O travesseiro estava encharcado e sentia gosto de sal na boca. Olhei para o teto branco, porém levei um susto ao perceber as paredes claras que meu quarto adquiriu. A mobília estava totalmente diferente e as dimensões do aposento também diminuíram. Então gritei ao pensar que fui sequestrado e meus pais apareceram na porta, correndo para me abraçar. O carinho do abraço aconchegante me tranquilizou e, confuso e tentando me lembrar de como fui parar na casa de meus pais, me levantei rumo à porta, porém, antes de chegar ao meu destino, me surpreendi ao olhar-me no grande espelho que jazia do lado de minha cama. As rugas sumiram e o sofrimento dos anos também. De pijama pulei de alegria ao perceber que tudo aquilo pelo que passei não fazia mais parte de minha vida, mas sim de um sonho que, com êxito, me alertou sobre um de meus mais temíveis e terríveis (e possíveis) futuros. Volto para cama, abraço meus pais novamente e vou tomar meu café da manhã com um novo brilho no olhar.
E como prova diminuta e imperceptível daquilo que julgava ser sonho e na verdade escondia uma chance dada a poucos pelo destino, os restos de meu extrato bancário, com data marcada 26 anos após aquele dia, levantaram-se do chão com as forças do vento e desapareceram pelo mundo sem que ninguém os visse. E agora, depois que vivi toda a minha vida como planejei nos tempos de menino, parto para um destino ao qual não tenho nenhuma ideia de como será. Talvez uma nova vida, talvez a escuridão profunda, talvez o céu ou ainda o inferno. Repito que “não sei onde estou ou aonde vou agora”, mas digo, com toda franqueza do mundo, que parto satisfeito comigo mesmo.
Lucas de Figueiredo
Após o banho, fui à padaria onde comprei pães, biscoitos, duas rosquinhas e duzentos gramas de mortadela e depois retornei a minha casa para tomar o café. Depois de ter feito tudo isso, fui para o trabalho.
O serviço não terminava mais. Eram centenas de documentos para organizar e enviar para os mais diversos destinatários. Parecia-me que tinha tarefas acumuladas de uma semana e meia e tinha que entregá-las antes do anoitecer, contudo, para a minha felicidade, os afazeres foram diminuindo e uma pequena parcela faltava para ser concluída. Terminei logo e fui para casa, morto de cansaço.
Quando cheguei, dei uma ajeitada na casa, limpei o chão da sala e da cozinha, assisti à novela e ao futebol e depois fui para cama, mas o sono demorou a chegar. Então me sentei e fiquei absorto em meus pensamentos. Naquele momento somente a palavra felicidade me vinha à cabeça, juntamente com vagas lembranças de momentos em que me senti plenamente feliz. Felicidade plena na qual nunca acreditei que existisse, pois plenitude para mim é algo mais do que duradouro. Diria até quase eterno.
Essas lembranças fazem parte de minha infância e adolescência, partes estas pelas quais sinto muita saudade. São momentos nos quais percebo que se ausentam particularidades existentes na vida adulta, que percebo somente agora. Lembro-me quando sonhava em ser adulto para ter minha independência, construir grandes projetos, obter grandes conquistas e ser digno de grande admiração. Como era fantástica a minha imaginação! Pena que nunca se aproximou da realidade. Dinheiro para sobrevivência, classe social para prestígio, responsabilidades para a vida, eficiência para o trabalho, falsidade para a imagem. Nunca imaginei que iria possuir essas artimanhas que odeio tanto e hoje penso “Se foi para isto que cresci, então gostaria de permanecer como uma criança! Afinal só elas possuem a inocência, a doçura, a sinceridade, a alegria e a esperança que nos dias atuais eu valorizo tanto!”. Então percebo meu extrato bancário na escrivaninha e, com raiva, rasgo o papel e jogo-o no chão. “Não era essa a independência que eu queria! Não eram esses os projetos que gostaria de construir! Não eram essas as conquistas que sonhava e não me vejo digno de nenhuma admiração!”. Logo depois desabei na cama e lágrimas transparentes brotaram de meus olhos. Transparentes como uma criança, porém com o sofrimento de um adulto. Adormeci.
Abri os olhos. O travesseiro estava encharcado e sentia gosto de sal na boca. Olhei para o teto branco, porém levei um susto ao perceber as paredes claras que meu quarto adquiriu. A mobília estava totalmente diferente e as dimensões do aposento também diminuíram. Então gritei ao pensar que fui sequestrado e meus pais apareceram na porta, correndo para me abraçar. O carinho do abraço aconchegante me tranquilizou e, confuso e tentando me lembrar de como fui parar na casa de meus pais, me levantei rumo à porta, porém, antes de chegar ao meu destino, me surpreendi ao olhar-me no grande espelho que jazia do lado de minha cama. As rugas sumiram e o sofrimento dos anos também. De pijama pulei de alegria ao perceber que tudo aquilo pelo que passei não fazia mais parte de minha vida, mas sim de um sonho que, com êxito, me alertou sobre um de meus mais temíveis e terríveis (e possíveis) futuros. Volto para cama, abraço meus pais novamente e vou tomar meu café da manhã com um novo brilho no olhar.
E como prova diminuta e imperceptível daquilo que julgava ser sonho e na verdade escondia uma chance dada a poucos pelo destino, os restos de meu extrato bancário, com data marcada 26 anos após aquele dia, levantaram-se do chão com as forças do vento e desapareceram pelo mundo sem que ninguém os visse. E agora, depois que vivi toda a minha vida como planejei nos tempos de menino, parto para um destino ao qual não tenho nenhuma ideia de como será. Talvez uma nova vida, talvez a escuridão profunda, talvez o céu ou ainda o inferno. Repito que “não sei onde estou ou aonde vou agora”, mas digo, com toda franqueza do mundo, que parto satisfeito comigo mesmo.
Lucas de Figueiredo
Querer
Na determinação, aquilo antes oculto é desvendado
E o novo revela-se doce simplesmente por ser novo
Rimos do acaso
Como criança que aprende a sorrir
Tudo é passo, nada é tropeço
O querer faz do querer sua fonte de motivos
Que saciam a sede de esperança
A escada é esteira, a esteira, escorregador
Para fluir rápido e intenso
O sangue que corre a vida que acontece
Bombeados pelo coração repleto
Da sensação única de bem-estar
Se quero mas não posso devo
Se não posso mas devo quero
Pra ser sincero escrevo
Coisa que não tenho (mas venero)...
Eu queria ter o desejo de querer as coisas.
Rafael Cardoso
E o novo revela-se doce simplesmente por ser novo
Rimos do acaso
Como criança que aprende a sorrir
Tudo é passo, nada é tropeço
O querer faz do querer sua fonte de motivos
Que saciam a sede de esperança
A escada é esteira, a esteira, escorregador
Para fluir rápido e intenso
O sangue que corre a vida que acontece
Bombeados pelo coração repleto
Da sensação única de bem-estar
Se quero mas não posso devo
Se não posso mas devo quero
Pra ser sincero escrevo
Coisa que não tenho (mas venero)...
Eu queria ter o desejo de querer as coisas.
Rafael Cardoso
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