Já estava achando absurdo toda aquela história.
Comecei a perceber que as ruas se mantinham vazias na maior parte do tempo, e as que não estavam ainda não tinham passado pela dedetização.
Reparei que muitas eram dedetizadas ao longo do dia, por vários carros como aquele, com astronautas e ajudantes. Resolvi ficar atrás de uma árvore observando o processo de um deles.
Estava parado em frente à pracinha ao qual eu me escondia, e vi que um ser grotescamente azul se encapuzava, era o tal astronauta dedetizador.
Ele tinha minúsculos olhos e uma imensa boca, seu nariz se restringia a dois pequenos furinhos.
Eles saíram do carro como normalmente faziam, percebi um cordão preso ao pescoço da ajudante e reparei que o fio descia pelas costas, dando o ar de ser um simples colar, mas para mim aquilo era apenas uma roupa para se passar por ser humano.
Eles conseguiam convencer há todos com aquela história de dedetizar, mas estava absurdo aquele tipo de coisa, eu tinha que fazer alguma coisa.
Foi quando ouvi um som de um caminhão de água se aproximando, uma ventania começou a surgir e percebi que era o mesmo caminhão que tinha escutado na primeira noite antes de imaginar qualquer doideira dessas.
Era todo fechado e blindado, de um azul escuro forte, completamente sem vidros.
Trazia na dianteira uma mangueira grande e grossa e um jato forte de água tentava atingir os dois mentirosos da prefeitura.
Ambos saíram correndo na direção do carro, mas na pressa de não deixá-los fugir corri para a porta do carro deles com um pedaço de madeira que peguei no chão da praça e acertei em cheio a cabeça da mulher.
Ela pega de surpresa caiu ao chão, o astronauta não sabia para onde ir, e então foi atingido pelo jato de água.
Água, apenas isso, e em questão de segundos tanto ele quanto a mulher que eu atingira eram apenas vapor no chão.
Percebi que aquilo fizera o asfalto ficar como novo em folha, queria entender como sabiam que água os destruía, e por que eles deixavam o asfalto belo depois de mortos, mas não tive tempo, ele seguiu viagem sem parar para me explicar nada.
Quem estaria dentro daquela máquina, tentando combater esse mal horrendo?
Será que isso funcionava com as pessoas atingidas pelo veneno?
Será que as matava ou as curava?
Pelo menos agora eu tinha uma fórmula, e tão simples que era eu conseguiria resolver logo aquele problema.
Que grande engano o meu.
Percebi o quanto tinha sido ingênua ao ter esse pensamento quando com um copo de água que arranjei em uma padaria próxima, tentei atingir um deles e vi que não teve efeito algum, além de quase levar um ataque, ao qual só foi impedido porque o dono da casa surgiu para atender. Foi ai que me dei conta que o caminhão jogava jatos d'água imensos, e provavelmente devia ter algo nessa água que eu ainda não sabia, então a solução era caçar este caminhão, pelo menos, por enquanto. Eu só não sabia como fazê-lo e o fato de estar me envolvendo nessa história toda provavelmente foi o meu segundo grande erro.
J.H.C
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Sobrevivendo ao acaso - III
Não dormi com aquelas idéias de seres horrendo na minha cabeça, o modo como minha mãe me olhava era assustador e completamente sem lógica.
Ao amanhecer eu voltei a minha rua, tudo estava calmo e tranquilo, como se nada daquilo tivesse ocorrido, como se tudo não passasse de um sonho maluco, mas eu sabia que não era sonho porque não dormira a noite inteira.
Fiquei com medo de entrar em casa e percebi que ninguém sentia minha falta.
Observei minha cadela e vi que estava com falhas de pelos pelo corpo inteiro, chamei-a no portão e ela veio docemente, quando enfiei a Mao para lhe acariciar a cabeça sua boca tentou pegar minha mão e então recuei rapidamente, meu coração aos pulos.
Nada era mais como antes, eu não podia mais ficar ali, sabia disso mas a vontade de entender era forte.
Foi quando percebi um carro branco supostamente da prefeitura descendo a rua em direção a que passei a noite.
Segui-o sorrateiramente. Eles iriam dedetizar aquele local também.
Percebi o homem vestido de astronauta sair do carro com sua grande mangueira, tentei entender o que se passava, parecia algo normal, foi quando tocaram a campainha de uma casa que vi que a moça que estava junto do astronauta arreganhar a mandíbula para ele e de lá saiu uma voz grotescamente estranha.
-Coloque a quantidade certa dessa vez, alguns estão resistindo ao efeito e só sentem sonolência!
Quando a dona de casa apareceu na porta para atender, a mesma mulher olhou docemente e explicou que aquilo se tratava de uma dedetização.
Como ocorreu na minha rua no dia anterior, todos os vizinhos aceitaram, então era isso, eles estavam infectando a todos, e os que não eram atingidos dormiam como eu, afinal, eu estava com sono, mas dormir o dia inteiro não era o plano.
Então existiam outros... Eu só precisava encontrá-los e saber o que se passava, mas principalmente, precisava salvar aquelas pessoas, mas como fazê-lo sem que o astronauta e sua ajudante percebessem?
Me aproximei de uma senhora rechonchuda de longos cabelos brancos, dona Vanilda, muito amiga de minha falecida avó.
-Bom dia dona Vanilda!
Ela prontamente me abraçou com grande carinho.
-Oi minha filha, como está?
Sorria angelicalmente.
-Estou ótima, e a senhora?
Mas não tinha tempo para conversa.
-Dona Vanilda, a senhora não deve entrar em casa.
Ela me olhou curiosa.
-Me escute, não entre em casa, vamos sair daqui!
Ela se livrou de minhas mãos que estavam lhe agarrando o braço direito e me chamou de louca, começou a fazer um escândalo horrível, e percebi que se assim continuasse, logo chamaria a atenção da ajudante do astronauta.
Os olhos de dona Vanilda começaram a ficar vermelhos e sua boca começou a se contorcer, mas como? Ela não tinha respirado o ''dedetizador'' ainda.
Não esperei para entender, corri para longe dali, teria que descobrir como aquilo funcionava ao meu modo, custasse o quanto custasse.
J.H.C
Ao amanhecer eu voltei a minha rua, tudo estava calmo e tranquilo, como se nada daquilo tivesse ocorrido, como se tudo não passasse de um sonho maluco, mas eu sabia que não era sonho porque não dormira a noite inteira.
Fiquei com medo de entrar em casa e percebi que ninguém sentia minha falta.
Observei minha cadela e vi que estava com falhas de pelos pelo corpo inteiro, chamei-a no portão e ela veio docemente, quando enfiei a Mao para lhe acariciar a cabeça sua boca tentou pegar minha mão e então recuei rapidamente, meu coração aos pulos.
Nada era mais como antes, eu não podia mais ficar ali, sabia disso mas a vontade de entender era forte.
Foi quando percebi um carro branco supostamente da prefeitura descendo a rua em direção a que passei a noite.
Segui-o sorrateiramente. Eles iriam dedetizar aquele local também.
Percebi o homem vestido de astronauta sair do carro com sua grande mangueira, tentei entender o que se passava, parecia algo normal, foi quando tocaram a campainha de uma casa que vi que a moça que estava junto do astronauta arreganhar a mandíbula para ele e de lá saiu uma voz grotescamente estranha.
-Coloque a quantidade certa dessa vez, alguns estão resistindo ao efeito e só sentem sonolência!
Quando a dona de casa apareceu na porta para atender, a mesma mulher olhou docemente e explicou que aquilo se tratava de uma dedetização.
Como ocorreu na minha rua no dia anterior, todos os vizinhos aceitaram, então era isso, eles estavam infectando a todos, e os que não eram atingidos dormiam como eu, afinal, eu estava com sono, mas dormir o dia inteiro não era o plano.
Então existiam outros... Eu só precisava encontrá-los e saber o que se passava, mas principalmente, precisava salvar aquelas pessoas, mas como fazê-lo sem que o astronauta e sua ajudante percebessem?
Me aproximei de uma senhora rechonchuda de longos cabelos brancos, dona Vanilda, muito amiga de minha falecida avó.
-Bom dia dona Vanilda!
Ela prontamente me abraçou com grande carinho.
-Oi minha filha, como está?
Sorria angelicalmente.
-Estou ótima, e a senhora?
Mas não tinha tempo para conversa.
-Dona Vanilda, a senhora não deve entrar em casa.
Ela me olhou curiosa.
-Me escute, não entre em casa, vamos sair daqui!
Ela se livrou de minhas mãos que estavam lhe agarrando o braço direito e me chamou de louca, começou a fazer um escândalo horrível, e percebi que se assim continuasse, logo chamaria a atenção da ajudante do astronauta.
Os olhos de dona Vanilda começaram a ficar vermelhos e sua boca começou a se contorcer, mas como? Ela não tinha respirado o ''dedetizador'' ainda.
Não esperei para entender, corri para longe dali, teria que descobrir como aquilo funcionava ao meu modo, custasse o quanto custasse.
J.H.C
quarta-feira, 23 de março de 2011
Sobrevivendo ao acaso - II
Tudo começou quando a vizinha da rua de cima morreu de dengue.
Dengue era uma doença transmitida por um mosquito, mas até onde eu sei, tem cura. Infelizmente a moça não teve tanta sorte assim.
Duas semanas depois foi quando tudo começou, me lembro quando eles disseram que tinham que dedetizar nossa casa.
Estava sem dormir havia dois dias, a televisão me distraia e finalmente estava sentindo as endorfinas em meu corpo dando alguma reação, o sono estava chegando, pois sentia minhas pálpebras ficarem pesadas, foi quando tocaram a campainha.
Minha mãe atendeu prontamente, mas eu não estava com ânimo algum para ver do que se tratava, os olhos fixos mais no sono do que propriamente na televisão, mas era uma boa desculpa para fingir estar atenta a algo.
Minutos depois ela veio até mim, achei que iria perceber meu sono e me mandar ir pra cama, mas muito pelo contrário, mandou eu me arrumar porque viriam dedetizar a casa.
Ótimo, agora estavam me expulsando da minha própria casa.
Me arrumei e sai, acho que pelo fato de meu sono estar grande não notei muitos detalhes, apenas observei um homem com roupa de astronauta entrar com uma grande mangueira em casa.
A lei era esperar meia hora do lado de fora por causa do veneno que era muito forte.
Percebi que toda a vizinhança estava do lado de fora enquanto eles estavam do lado de dentro, supostamente dedetizando as casas.
Toda aquela movimentação era para prevenir todos os humanos de não morrerem como a infeliz da rua de cima.
Vários cães também estavam do lado de fora, junto aos seus donos. Eu estava com a minha boxer presa a coleira, do outro lado da rua com cara de poucos amigos. Estava morrendo de sono, e percebi o quanto as pessoas me observavam, estava um dia quente e eu estava vestindo um sobretudo de lã cinza, dentro de casa estava frio, e mesmo fora eu me mantinha com frio, minha temperatura corporal normal era gelada, o que para mim era reconfortante, considerando que não gostava de calor.
Mas aqueles olhares estavam me irritando mais do que qualquer calor de 50º graus.
Resolvi dar uma volta com minha cadela pelo quarteirão, voltaria daqui meia hora e iria direto pra cama.
Descobri depois de muito tediar pela vida que quando fazemos algo que gostamos, como ouvir música ou se distrair, o tempo passa mais rápido, mesmo que seja algo ao qual não gostamos, se estamos pensando, ele acelera, ou nós que não reparamos em nada, não sei ao certo, a questão é que meia hora depois estava de volta. Tudo ao normal, fui dormir.
Não percebi, mas quando acordei, já era nove horas da noite, tudo estava muito escuro e muito silencioso. Me levantei e como era rotineiro, fui ao banheiro ficar com uma aparência mais agradável.
Foi quando sai e dei de cara com algo estranho que percebi o grande erro de tudo aquilo.
Minha mãe, minha doce e amada mãe me olhava com olhos de quem está com fome, fome de algo que não pode saciar.
Sua boca escancarada mostrava seus grandes dentes pontudos e afiados, sua mão automaticamente tentou me agarrar e tive que dribra-la para fugir.
Corri para fora de casa e percebi que as luzes dos postes estavam apagadas, minha visão estava péssima naquela escuridão, ainda mais por ser míope e estar sem o óculos.
De repente um clarão do além surgiu e percebi algo vindo em minha direção, comecei a correr, trombando em coisas que acredito que fossem pessoas.
Barulhos monstruosos e horripilantes ao fundo se aproximavam e senti um forte vento me atingindo as costas.
Corria o mais rápido que conseguia, mas nada adiantava, eles estavam se aproximando cada vez mais rápido.
Avistei o final da rua e percebi que ainda existia luz naquela região, forcei o corpo até chegar ao local, poderia pelo menos avistar o que estava se passando com um pouco de claridade.
Ao chegar de baixo do poste de luz laranja que percebi que todos estavam parados, naquela escuridão, curvados e rosnando, mas não ousavam se aproximar para a luz, aparentemente aquilo devia lhes fazer mal.
Estaria eu segura naquela região?
O que teria acontecido com todos? Por que nada me aconteceu?
Percebi que ainda existia luz pela esquina toda, e tudo estava calmo demais.
Segui rumo à praça logo à frente, de manhã, com claridade natural eu iria ver o que de fato tinha ocorrido, estava assustada demais com tudo aquilo.
Não conseguia entender o que se passava, mas iria descobrir, sem dúvida que iria.
J.H.C
Dengue era uma doença transmitida por um mosquito, mas até onde eu sei, tem cura. Infelizmente a moça não teve tanta sorte assim.
Duas semanas depois foi quando tudo começou, me lembro quando eles disseram que tinham que dedetizar nossa casa.
Estava sem dormir havia dois dias, a televisão me distraia e finalmente estava sentindo as endorfinas em meu corpo dando alguma reação, o sono estava chegando, pois sentia minhas pálpebras ficarem pesadas, foi quando tocaram a campainha.
Minha mãe atendeu prontamente, mas eu não estava com ânimo algum para ver do que se tratava, os olhos fixos mais no sono do que propriamente na televisão, mas era uma boa desculpa para fingir estar atenta a algo.
Minutos depois ela veio até mim, achei que iria perceber meu sono e me mandar ir pra cama, mas muito pelo contrário, mandou eu me arrumar porque viriam dedetizar a casa.
Ótimo, agora estavam me expulsando da minha própria casa.
Me arrumei e sai, acho que pelo fato de meu sono estar grande não notei muitos detalhes, apenas observei um homem com roupa de astronauta entrar com uma grande mangueira em casa.
A lei era esperar meia hora do lado de fora por causa do veneno que era muito forte.
Percebi que toda a vizinhança estava do lado de fora enquanto eles estavam do lado de dentro, supostamente dedetizando as casas.
Toda aquela movimentação era para prevenir todos os humanos de não morrerem como a infeliz da rua de cima.
Vários cães também estavam do lado de fora, junto aos seus donos. Eu estava com a minha boxer presa a coleira, do outro lado da rua com cara de poucos amigos. Estava morrendo de sono, e percebi o quanto as pessoas me observavam, estava um dia quente e eu estava vestindo um sobretudo de lã cinza, dentro de casa estava frio, e mesmo fora eu me mantinha com frio, minha temperatura corporal normal era gelada, o que para mim era reconfortante, considerando que não gostava de calor.
Mas aqueles olhares estavam me irritando mais do que qualquer calor de 50º graus.
Resolvi dar uma volta com minha cadela pelo quarteirão, voltaria daqui meia hora e iria direto pra cama.
Descobri depois de muito tediar pela vida que quando fazemos algo que gostamos, como ouvir música ou se distrair, o tempo passa mais rápido, mesmo que seja algo ao qual não gostamos, se estamos pensando, ele acelera, ou nós que não reparamos em nada, não sei ao certo, a questão é que meia hora depois estava de volta. Tudo ao normal, fui dormir.
Não percebi, mas quando acordei, já era nove horas da noite, tudo estava muito escuro e muito silencioso. Me levantei e como era rotineiro, fui ao banheiro ficar com uma aparência mais agradável.
Foi quando sai e dei de cara com algo estranho que percebi o grande erro de tudo aquilo.
Minha mãe, minha doce e amada mãe me olhava com olhos de quem está com fome, fome de algo que não pode saciar.
Sua boca escancarada mostrava seus grandes dentes pontudos e afiados, sua mão automaticamente tentou me agarrar e tive que dribra-la para fugir.
Corri para fora de casa e percebi que as luzes dos postes estavam apagadas, minha visão estava péssima naquela escuridão, ainda mais por ser míope e estar sem o óculos.
De repente um clarão do além surgiu e percebi algo vindo em minha direção, comecei a correr, trombando em coisas que acredito que fossem pessoas.
Barulhos monstruosos e horripilantes ao fundo se aproximavam e senti um forte vento me atingindo as costas.
Corria o mais rápido que conseguia, mas nada adiantava, eles estavam se aproximando cada vez mais rápido.
Avistei o final da rua e percebi que ainda existia luz naquela região, forcei o corpo até chegar ao local, poderia pelo menos avistar o que estava se passando com um pouco de claridade.
Ao chegar de baixo do poste de luz laranja que percebi que todos estavam parados, naquela escuridão, curvados e rosnando, mas não ousavam se aproximar para a luz, aparentemente aquilo devia lhes fazer mal.
Estaria eu segura naquela região?
O que teria acontecido com todos? Por que nada me aconteceu?
Percebi que ainda existia luz pela esquina toda, e tudo estava calmo demais.
Segui rumo à praça logo à frente, de manhã, com claridade natural eu iria ver o que de fato tinha ocorrido, estava assustada demais com tudo aquilo.
Não conseguia entender o que se passava, mas iria descobrir, sem dúvida que iria.
J.H.C
terça-feira, 22 de março de 2011
Sobrevivendo ao acaso - I
Ouvi um barulho de caminhão misturado com água e ar.
Estava sentada em meu escritório, mexendo no computador, e aquele som insuportável se aproximava, senti uma pressão vindo das paredes como se fossem quebrar ou algo do tipo, tudo começou a tremer.
De repente, silêncio.
Coloquei minha cabeça na janela para ver o que se passava e não tinha nada na rua.
Devia estar ficando maluca.
Fui me deitar, apagando aquilo de minha memória, devia ser apenas cansaço.
No dia seguinte perguntei se alguém ouvira aquilo, mas a resposta foi clara, eu estava mesmo cansada e só.
Observei que a rua estava com o chão repintado, a lombada e o asfalto como novos, mas se aquilo tinha sido feito no dia anterior com essa tal maquina barulhenta, por que ninguém ouvira?
Estaria eu ficando louca? Aquele chão já estava pintado há tempos e eu que não reparara?
Resolvi ignorar, o que me levou ao meu primeiro grande erro.
J.H.C
Estava sentada em meu escritório, mexendo no computador, e aquele som insuportável se aproximava, senti uma pressão vindo das paredes como se fossem quebrar ou algo do tipo, tudo começou a tremer.
De repente, silêncio.
Coloquei minha cabeça na janela para ver o que se passava e não tinha nada na rua.
Devia estar ficando maluca.
Fui me deitar, apagando aquilo de minha memória, devia ser apenas cansaço.
No dia seguinte perguntei se alguém ouvira aquilo, mas a resposta foi clara, eu estava mesmo cansada e só.
Observei que a rua estava com o chão repintado, a lombada e o asfalto como novos, mas se aquilo tinha sido feito no dia anterior com essa tal maquina barulhenta, por que ninguém ouvira?
Estaria eu ficando louca? Aquele chão já estava pintado há tempos e eu que não reparara?
Resolvi ignorar, o que me levou ao meu primeiro grande erro.
J.H.C
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