sábado, 13 de novembro de 2010

Lótus Negra

Na sombra do vale da morte
Nasceu uma flor de mistérios.
Seu cheiro de morte é mais forte
Que o leito de ventos funéreos.

A flor de tão negra é sombria
E esconde o poder de endeusar,
Esbanja o fervor da magia
Na aura de quem a encontrar.

O fel do desprezo não tira
Da flor que das sombras eu trago
Tamanha beleza que inspira
Cobiça nos olhos de um mago.

A Íris não deu a mensagem
Gerânio ficou mais alegre
A Hera traiu na viagem
A Prímula contraiu febre

O Cravo parou de sofrer
Centáurea matou seu amor
A Lírio pecou por querer
Jacinto aceitou sua Dor

Papoula tornou-se ruína
Tulipa declarou seu ódio
Lilás transformou-se em neblina
E foi a Violeta ao pódio!

Camélia sujou-se em defeito
Crisântemo ficou irado
Narciso nasceu imperfeito
Jasmim teve o ser rejeitado

Até Margarida pecou
Orquídea ficou horrorosa
Com Dor Girassol declinou
Peônia rasgou-se amorosa

E Rosa morreu de pavor
Depois que a negra flor nasceu.
O belo nascer de uma flor
A Lótus Negra envelheceu.

E quando tudo está perdido,
Se o chão tem as cinzas da guerra,
Eu vejo um mundo sucumbido
E a Lótus viva e firme em terra.

Se a morte vier me buscar
Por causa do meu coração,
Meu anjo, você vai jogar
A Lótus sobre o meu caixão.

A Lótus Negra é minha amante
O símbolo do meu prazer
O negro olhar em seu semblante
O beijo que me faz arder!

A Lótus é mais que uma flor,
É toda a beleza do horror
O fel corrosivo da Dor
O negro presente do amor.

O mundo verá a nossa verdadeira força no mais severo inverno, no desabrochar da flor de Lótus.

J.H.C



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