segunda-feira, 16 de março de 2015

Vidro Emoldurado

E novamente estou olhando para o pedaço de vidro emoldurado. Eu não sei o que pensar ou como agir, pois não sei por onde começar. O passado não me mantém sobre sua base e o futuro me arranha com suas incertezas. Pensar dói. Eu poderia traçar planos, coordenar atitudes ou matar o tempo, mas nada disso me apetece a alma. Eu não quero comer, não quero dormir, não quero jogar. Sinto-me perdido e só, mas isso não me deixa triste, porém entedia-me a ponto de me confundir os miolos. Eu sinto medo, mas não é um medo qualquer como aquele de dormir no escuro. É um medo gerado por incerteza, que brota do fundo da barriga e vai gelando, pouco a pouco, toda a parte de cima do corpo. É o medo de estagnar, da involução e da desmotivação da vontade de viver. Eu não tenho medo do futuro, nem do passado e muito menos do presente. Eu tenho medo de mim. De me tornar algo que eu não gostaria de ser. De sentir emoções que não estou preparado para sentir. E não há mais tempo para indecisões. Os conceitos podem permanecer ou serem quebrados de vez, mas somente eu poderei dar o primeiro passo. E eu não estou pronto para decidir. Não sei o que dizer e desconheço os sentimentos mais complexos que afloram de mim e não compreendo como devo passá-los adiante.

Eu estou numa rua deserta, no meio da escuridão que assola a madrugada. Não há casas, não há arvores e não há vida. Somente meu corpo habita esse mundo sinistro. Não quero andar, mas sinto que não posso continuar onde estou. Sinto que não pertenço a este lugar, mas qualquer outra localidade é mais estranha que esta. Eu preciso me decidir, mas eu não quero, eu não vou, eu não devo, eu não posso.

Eu não sei o que escrever também, pois quando me olho no espelho eu não vejo ninguém.

Lucas de Figueiredo

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