sexta-feira, 12 de julho de 2013

Águas de Janeiro

2013

Minha vida é chuva!
 É energia cinética 
desabando dos altos dos sonhos, 
Precipitando tristemente 
em lágrimas molhadas de realidade.

Meu corpo chuvoso mistura-se a sujeira 
das ruas impregnadas de gotas infinitas
 de preconceito, repressão, violência,
 mas também gotas de carinho, humor, 
felicidade... Amor?  
Altos de depressão.

 Gotas tomando e fazendo parte de minha vida,
 dissolvendo-se em meu cotidiano 
sem nenhuma permissão; 

E quando brilha o sol, 
eu sublimo em esperança,
mas se o sol persiste 
me perturbo em tempestade
E precipito novamente... 
Onde estão as outras partes de mim?

E eu e tu e todos fluem e 
se misturam;  se mesclam também 
os bons e ruins sentimentos...  
Agora somos todos gotas turvas.

E eu nunca quis ser todos,
 Queria ser apenas “eu”, e
“Eu” pode ser qualquer um, 
basta mudar o falante que fala de si próprio...
-Mas “eu” não quer ser um qualquer!  
-Você entende? 
-Talvez “Eu” entenderia se não estive tão turvo.

N. Bonani


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