domingo, 23 de junho de 2013

Uma viagem inesquecível - A Grande Aventura - Capítulo 5 - A viagem

Já haviam se passado alguns poucos dias desde a partida de Lisboa e embora os homens estivessem trabalhando muito para sequer pensarem sobre este fato, não era a situação de nosso Pero, que não tinha motivos para escrever coisa alguma e que estava começando a se entediar, visto que não lhe deixavam fazer nada por não fazer parte de sua função.
Iria pedir outra tarefa ao capitão, momentânea que fosse, pois já estava se desesperando por não fazer nada, quando observou que estavam passando em frente à Gran Canária, na Espanha. Pero pôs a relatar a beleza que era à vista daquele local, que possuía um imenso e magnífico vulcão, uma paisagem para se admirar por horas a fio sem se cansar.
Ele sentiu um desejo avassalador de ser um pintor experiente, o dia estava lindo e perfeito o suficiente para fazer de um quadro um prêmio inestimável, mas infelizmente nem ele nem ninguém a bordo tinha essa proeza.
Aquilo foi suficiente para animá-lo um pouco, pois embora o relato fosse simples, apenas constatando a existência da passagem na viagem, já era algo e lhe dava esperança suficiente para acreditar que logo teria mais o que escrever.
E de fato não se enganou, estava distraído quando de repente viu uma pequena quantidade de montanhas com uma coloração marrom fortemente presente que não soube reconhecer, poucas eram as árvores existentes ali.
Olhou para os lados e viu um homem de barba e cabelos loiros e lisos, que usava roupas inteiramente brancas, era o piloto Pero Escolar que passava. Provavelmente se chamava Pedro também e tivera a mesma conversa que ele veio a ter com o capitão, que pelo jeito gostava de ser o único dono do nome.
—Com licença, o senhor poderia me dizer que montanhas são aquela lá ao longe?
Nosso Pero perguntou ao tal Escolar, que pegando uma luneta dourada e brilhante pôs-se a analisar minuciosamente a serra.
—E então?
Pero não conseguia sustentar sua curiosidade dentro de si, queria escrever e o homem apenas balançava a luneta de um canto à outro, observando.
—É a ilha de São Nicolau meu jovem, estamos passando por Cabo Verde.
E ao falar isso, guardou sua luneta e saiu de lá, deixando o rapaz que olhava completamente encantado para o local como se nunca tivesse visto coisa mais bonita. Eram apenas montanhas, mas para olhos que nunca viram nada além do pequeno vilarejo em que morava, era o paraíso.
E assim ficou por um longo tempo.
—É lindo, não é?
Pero sentiu uma voz grossa e imponente invadir-lhe a mente e lhe tirar daquela veneração pelo local, era Cabral que se prostrava ao seu lado, admirando também a vista. Pensou em se recompor, pois estava curvado preguiçosamente na borda da amurada, as mãos jogadas para fora, relaxadas, o cabelo bagunçado com o vento, mas viu o capitão fazer um leve movimento com a cabeça, mostrando a falta de necessidade de se arrumar, ficando ele mesmo desleixado, largando o corpo e suspirando.
—Sim senhor, é uma vista muito bela.
Respondeu Pero, voltando os olhos para a paisagem à frente, e ficaram assim, pensando na vida em silêncio.
Na mente de Pero apenas passava a vontade de ter sua querida Isabel junto dele naquele instante tão mágico, na de Cabral, quem poderia dizer? E passando isso pela cabeça, o jovem não conseguiu evitar olhar para o capitão, que mantinha seu olhar distante, longe de tudo aquilo, como no quadro em que vira dentro de sua cabine no primeiro dia de viagem.
—O que...?
Depois de alguns instantes, Cabral enfim se tocara que estava sendo observado, os olhos sérios e irritados se voltaram para o rapaz que apenas sorriu e balançou a cabeça negativamente, saindo de lá e se direcionando para seu quarto, precisava registrar aquele momento antes que ele se esvaísse, deixando o capitão com sua viagem além mar.

Jéssica Curto



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