terça-feira, 18 de junho de 2013

A respeito do que está acontecendo em São Paulo, a minha opinião.

O direito de manifestar-se é legítimo. O subsídio das passagens dá dinheiro demais para cooperativas fajutas, que põem poucos ônibus na rua. Mas a desvalorização do transporte público por parte da sociedade em geral não pode ser esquecida. Vejam, não há espaço para tantos carros! Chegamos a uma situação que exige diálogo e cessão de interesses. Está cada vez mais difícil viver num mundo particular e ficar indiferente aos problemas da cidade. O sistema viário elitizado existe e está dando mostras de saturação.

As manifestações reúnem milhares. E as massas formam um conjunto muito curioso: os indivíduos se transformam dentro dela. Os medrosos ganham voz, e se sentem imortais. Esse fator, aliada à falta de organização do movimento (visto que é de interesse de todos, então não dá pra ser muito "fechadinho" mesmo) resulta em algumas barbáries pelo centro da cidade. Pois bem: a barbárie é tola, mas estão esquecendo o mérito da reivindicação. A grande imprensa sabe que isso vai muito além da passagem, muito além da insatisfação com o transporte público. É uma insatisfação com um sistema que nos educa para consumir, mas é incompetente para criar as condições de fazê-lo. Os vinte centavos farão falta àqueles que moram longe, ganham pouco e na maior parte dos casos não podem comparecer aos protestos.

Indo um pouco mais longe, o que está acontecendo é o reflexo de uma sociedade cada vez mais caótica, em que intransigentes não querem ver seus privilégios em risco. A pancadaria em si está além das passagens, tem a ver com exclusão e falta de voz. Torço sinceramente para que esses grupos, se é que podemos chamá-los assim - afinal é o povo todo que está envolvido com a questão - espero que eles reajam de maneira semelhante quando tivermos o julgamento do mensalão e outros casos que exijam postura da sociedade.

Da mesma forma, seria justo um protesto contra essa copa do mundo aqui, onde multinacionais ganham horrores e vão embora depois, deixando estádios vazios e estradas cheias e esburacadas. Estádio não é investimento em infraestrutura para o trabalhador! Os empregos que gera são temporários! Os investidores, quando forem embora, vão deixar a gente que nem a Espanha. Vamos ver.

Por isso, acho que a manifestação da passagem é justa e tem causas mais profundas, que a mídia em geral não pode dizer. O vandalismo de alguns infelizmente está ofuscando uma causa de todos.

Rafael Cardoso

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