domingo, 19 de maio de 2013

Perdida em um Museu


Em uma visita que fiz a um Museu na zona sul de São Paulo, senti-me totalmente perdida. Claro, já tinha frequentado outros museus, mas foi uma daquelas visitas rápidas. Também com um belo sol em meio a um jardim imenso, aproveitei para tirar muitas fotos e tomar sorvetes. Muitos intelectuais podem dizer que não senti a essência da arte, não compreendi os seus aspectos e um monte de palavras difíceis sem fim. Mas tudo depende do objetivo com que você vai a determinado lugar, pois, em pleno feriado, fiquei dividida em aprender um pouco de história e ver pessoas que morreram antes mesmo da minha avó pensar em nascer. Não estou dizendo, de forma alguma, que essas pessoas não mereçam um lugar especial em uma exposição, mas isso se torna cansativo, é tudo tão parado e chega a dar sono.
Como estava dizendo do Museu e como me senti perdida, os indivíduos que estavam no local pareciam fazer parte da exposição. Não falavam, ficavam todos com um semblante de expert no assunto e nem mesmo paravam em uma obra por mais de dez minutos. Ouvi dizer sobre o encontro com a arte, algo como transcender no tempo e espaço. Uma obra de arte é duradoura, tudo passa e ela permanece. Sem dizer as muitas sensações reveladas. Não podemos explicá-la e nem sempre o artista quis de fato dizer alguma coisa. Ele simplesmente se  expressou, o que só os seres humanos podem fazer: atribuir sua beleza ao mundo. A essência é justamente o que você capta da imagem ou da música, uma explosão gerada ao entrar em contato com a obra. Vem do íntimo, inexplicável e apaixonante.
Uma agulha podia cair do outro lado da sala e eu ficaria sabendo. Não queria um pagode no local, pois não era apropriado. Seria interessante, mas totalmente inapropriado. O lugar começou a me dar sono, senti-me parte da exposição porque os apreciadores das artes passavam com um nariz empinado e nem uma frase de boa tarde! Ou qualquer coisa perceptível a minha presença.
Quando finalmente alguém vem a seu encontro e pronuncia uma frase, você abre um sorriso e levanta a sobrancelha: finalmente alguém vai falar! O que simplesmente se ouve é “por favor, não ultrapasse a faixa amarela”.  Nossa! Se já estava sem graça, foi o fim da picada.
É uma solidão. As pessoas se comunicam em tom mega baixo, como se falar fosse errado. Onde estão as opiniões? Os comentários e elogios? Já ouviram falar em compartilhar ideias? As coisas têm que ser tão certinhas, chatas e caladas?
Continuando a análise das obras, o museu não tinha placas de sinalização, o que tornou tudo mais complicado para uma primeira visita ao local. As indagações para os ascensoristas eram inevitáveis. Será que nunca pararam para pensar o porquê os indivíduos vão à busca da cultura massificada, onde veem um humano como um objeto que consume? O modo que se apresentam é para produzir somente entretenimento, gerar negócio. Torna-se semelhante a uma máquina alimentada. Transforma-se em alienado no momento em que não pensa mais sobre nada, não questiona. Não há certo ou errado, porém é necessário que a arte que permanece deve estar presente na vida de todos, como forma de reflexão sobre o sistema em que atuamos. A arte para consumo não pode ser considerada uma obra duradoura e inexplicável. A reprodutibilidade de músicas clássicas, presentes em um carro de gás, ou mesmo uma pintura de um artista renomado na história em um lenço de papel, são algumas maneiras de fazer com que se sintam industrializados.

Vanessa Silva


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