terça-feira, 23 de abril de 2013

Sobrevivendo

Já escurecia e ela se mantinha sentada naquela poltrona em silêncio esperando a sua chegada.
O olhar distante, as lembranças tão presentes na mente, o toque suave dos seus lábios encostando em sua cabeça, sentindo o perfume inebriante de seus cabelos.
Se sentia vazia e sozinha naquele vasto e imenso mundo, era como se nada fizesse sentido ou tivesse lógica, a necessidade das coisas passou a ser um incomodo, tinha de fazer porque tinha de fazer, não porque o queria ou porque o achasse que valia a pena.
A marca forte da cicatriz em seu braço direito mostrava o quanto a alegria passou longe dali há muito tempo, o seu rosto entristecido não possuía mais presença alguma da vida que ali chegou há existir um dia.
Por que as coisas tinham de ser assim? Por que as pessoas se vão? Tudo simplesmente acaba de uma hora para outra, a alegria nunca é constante e sempre é falha, quando se acha que se pode contar com ela... Ela simplesmente se esvai.
A falta de vida, a falta de ânimo, a falta de sentido, tudo colaborando para a decadência iminente naquele ser que um dia fora feliz.
Então ela fechou seus negros olhos e respirou profundamente, sentindo o ar adentrar os pulmões e as lágrimas rolarem por sua face, molhando seus lábios e deixando um gosto salgado em sua língua. Aquele era o real sabor da vida, vida cruel e amarga, vida sem vida.
Ele jamais voltaria para ela, jamais riria com ela e jamais a tocaria novamente, ele jamais voltaria à vida para trazer vida a vida dela.
Ela não queria mais existir, a sua presença na Terra não tinha mais lógica alguma sem ele, o que seria dela afinal?
Apenas subexistindo entre tantos, apenas... Sobrevivendo.

Jéssica Curto

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