sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Humanamente Humano

Todo o ser humano é inegavelmente diferente do outro, possuindo assim características únicas e exclusivamente peculiares!

J.H.C

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Asas para voar

Quando nascemos, é como se estivéssemos realizando o sonho de alguém, mas então criamos consciência e começamos a querer realizar nossos próprios sonhos.

J.H.C

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Novos tempos

Cheiro de papelão...

Vagões lotados...

Ruas escuras...

E o mundo de informações que cria projetos

Em minha cuca, os quais jamais serão

Concretizados.

De igual, apenas a inconstância de emoções.

No meio do caminho choro, sinto-me perdido.

Na volta pra casa, estou prontíssimo para o novo dia.

É todo dia a mesma coisa,

A não ser no fim de semana.

Daí porque, agora, valorizo-o tanto.

Na determinação, o querer faz do querer

Sua fonte de motivos que saciam

A sede de esperança.

Rafael Cardoso

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vida

Diante daquela escura noite, eu me via perante a tudo que já havia passado, toda minha vida passava em apenas alguns segundos, como uma pequena história a ser contada, em minutos, um conto a ser contado a noite por mães para seus filhos..
Algo mudara naquela noite, tudo estava parecendo mais simples, como um reluzir de luz em toda aquela escuridão e meus olhos voltaram a enxergar o que parecia nunca mais ficar claro para mim, como uma música a ser tocada calmamente pela milésima vez e tudo ficar claro na ultima vez que se ouve ela.
Uma passagem tão complicada, mas que no fim tudo pareceu estar explicado... aquele cheiro, aquela lembrança, aquele som familiar, aquele sentimento, aquele arrepio, o beijo não dado, a sensação de perda e a alegria de estar ali naquele momento único, tudo aquilo estava explicado finalmente, o porque acontecera em minha vida...
...e isso parece tão injusto, pois somente no final vim a entender, como um livro de suspense, que somente é revelado seus mistérios no final, onde tudo fica claro e que por sinal eram coisas tão bobas e fáceis de se perceber, como um truque de mágica, simples e bobo, mas que nós, que gostamos da sensação de sermos enganados, só vemos aquilo que queremos ver.
Tudo explicado e revelado mas com o fato de não poder mudar mais nada, quando apenas posso fechar os olhos e descansar em paz.

Vanessa Curto

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Para ser feliz

É preciso extirpar essa tristeza que nos acompanha;

É preciso diminuir o medo de tudo e todos;

É preciso livrar-se dos pensamentos negativos;

É preciso deixar de se abalar com qualquer coisa

É preciso lembrar-se do quanto se é amado

É preciso a consciência de ser um operário em construção,

É preciso a santa paciência dos monges beneditinos;

É preciso conservar intacta a memória dos amigos;

É preciso, portanto, crer na vida

Ainda que se pense o contrário.

Rafael Cardoso

domingo, 25 de setembro de 2011

A Vossa Imagem Ainda Vive

Nestes dias solitários,

Conjuro cansado a imaginária presença dos amigos.

Assim subo no ônibus sem chorar a ausência

De nossas conversas

Assim ando pela cidade

Conhecendo os museus

- Sem amigos pra chamar de meus!

Assim pego o violão

Sem morrer musicalmente

Na sinfonia da solidão

- Esta sim, a única inseparável companheira!,

Presente sem que eu me esforce.

Mas as lembranças de vós ocultam esse banco vazio

Esse espaço em que escrevo, a preencher com lágrimas

Esse mar de resignação

Ante às novas circunstâncias.

Rafael Cardoso

sábado, 24 de setembro de 2011

Sem título

A gente que é pobre trabalha

E quem é rico também.

Se não só na navalha

É que se vive bem.

Sem labuta o ser atrapalha

Não é nada que valha

Pouco mais que um vintém.

E ao invés de ir pra batalha

Estou sentado aqui também!

Rafael Cardoso

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Soneto do Boi

O boi, tristinho, saiu pra pastar

No capim pisou e pro céu olhou:

“Como é que eu vim parar nesse lugar’’?

- O boi, cansado, então se questionou.

“ O pasto é grande de não se ver fim,

As vaquinhas estão longe de mim...

E ninguém sabe se sou gente boa,

Todo boi aqui é qualquer pessoa.

Volto, um dia, aonde me senti bem!”

E é certo, ora bois! Pois se um boi faz um rima,

É esperto e da terra a saudade prima,

Enquanto a fome cruel não o encerra

No incerto nome açougue-céu, também

Da sua carne há de viver por cima.

Rafael Cardoso

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Metalinguagem I

Todo poema é uma equação subjetiva.

Tem-se os fatores, cria-se métodos próprios

Chegando a resultados ainda mais

Íntimos e particulares.

Rafael Cardoso

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Novos tempos II

A pá entrou no lixo

E o guarda foi preso.

Um compromisso foi adiado para além das horas.

Ainda não entendo o que está havendo,

As notícias são as mesmas de sempre,

A morte ainda é ausência de vida

Mas minha vida não tem nome.

Nos novos lugares estou em corpo,

Toda alma é menos minha,

Quem por mim zela só observa

Sem poder entender.

Tudo isso é absolutamente normal.

E essa é a grande diferença.

Rafael Cardoso

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Justiceiro



Para um amigo especial, o Cego com melhor visão que conheço!!


Cego.

Era assim que as pessoas me chamavam, de Cego, sem realmente perceberem o que eu via.

As pessoas têm essa mania, de sair julgando sem conhecer, a sociedade vive em torno de aparências e status, deixando-se perder as verdadeiras belezas da vida.

Por isso Cego, porque para a humanidade eu o era de fato, preferia observar a vida ao meu modo, além de deixá-lo menos trágico, fazia do amargo virar doce e do feio virar belo, mas fica difícil tentar explicar essas coisas para pobres visionários.

***

Um homem de curtos cabelos cacheados negros, usando roupas pretas, adentrava a imensa mansão em silencio.

Dizia à lenda que aquele lugar vivia mal assombrado, estava em completa ruína e perdera seu valor com o passar dos anos, mantendo apenas os fantasmas grudados em suas paredes desbotadas.

Seu rosto rude e sério estava concentrado no caminho que estava tomando indo em direção a porta de entrada, mas seus olhos ligeiros observavam qualquer sinal de movimento.

Em questão de minutos seu corpo sumiu ao adentrar aquele mausoléu e qualquer pessoa que estivesse observando tudo do lado de fora não conseguiria analisar nada do que se tratava, o homem andara rápido demais para alguém conseguir acompanhar seus movimentos com precisão.

***

Ele fora enviado para lá em uma das missões mais importantes de sua vida, seu sobretudo negro esvoaçava com o seu caminhar rápido, tinha de ser veloz e inteligente, nada poderia falhar se ele não quisesse ser o responsável por sua própria desgraça.

Não demorara muito para achar seu destino, considerando que aquela era a única mansão na rua, e mesmo estando abandonada há décadas, mantinha consigo sua beleza e formosura.

Fora avisado para tomar cuidado, não só com as pessoas alheias de fora, como também com o que poderia vir a encontrar na parte de dentro, algo que não o preocupou nem um pouco, sua experiência de vida tirara-lhe todo o medo que pudesse existir nele, e mais a mais, ele já havia visto coisas terríveis para se preocupar com boatos bobos.

Seus olhos corriam atentos para todos os lados, a experiência também lhe dera o aprendizado de ter cuidado com intrusos curiosos.

Seus passos largos fizeram seu corpo se aproximar rapidamente em seu destino, e com uma certa força do corpo conseguiu abrir a grande porta de madeira, completamente enferrujada.

Seus olhos percorreram a imensidão escura existente dentro do local, não procurando por nada em especial, mas atento para as supostas novidades que poderia vir a encontrar.

Silencio completo, como se a paz reinasse ali.

***

-Chamei você aqui porque o assunto é sério. Como sabe, odeio ter que desperdiçar tempo com essas bobagens, mas não poderia correr o risco de falar pelo telefone.

Nossa linha pode estar grampeada e o plano falharia certeiramente, não quis correr o risco de perdermos essa oportunidade que lhe trará bons rendimentos, se é que me entende.

O homem de grandes bigodes loiros olhava sério para o rapaz a sua frente.

-Entendo perfeitamente Marcos, mas diga de uma vez por todas onde está!

O homem tinha uma voz dura, mas não rude, os olhos atrás de um quadrado par de óculos com desenhos de cobras nas laterais olhava sério, com as sobrancelhas frisadas para o homem rechonchudo a sua frente.

Este engoliu em seco ao observar a cara irritada do rapaz, passou lentamente um pano branco que tirou do bolso da calça, em sua testa, limpando o suor acumulado na região.

Pigarreou, limpando a garganta.

-Veja, não é uma certeza, mas foi o que me informaram... E entendo se não quiser prosseguir... Mas achei que gostaria de saber...

-Fale logo!

O homem de cabelos negros estava começando a se irritar, fazendo com que Marcos ficasse ainda mais nervoso.

-Bom... - Marcos entregou um pequeno pedaço de papel amarelo nas mãos do homem, que pegou, leu o que estava escrito em silencio, e sem nada dizer se retirou da sala, fazendo com que Marcos relaxasse na cadeira e se aliviasse.

Por isso gostava de trabalhar com Cego, ele era um homem de poucas palavras, mas de muita atitude, era direto e certeiro.

Nunca entendeu bem como aquele apelido pegou, mas sabia que não fazia jus a seu trabalho.

***

Cego amava seu trabalho, não porque tinha adrenalina e emoção, mas porque conseguia fazer com que a lei fosse obedecida da forma, a seu ver, mais correta.

Ele era a lei em pessoa e não admitia que dissessem o contrario.

Depois de alguns minutos que seus olhos se acostumaram com toda aquela escuridão, ele pode ver o que aquela imensa casa possuía, e a verdade é que apenas avistou alguns pedaços de madeira podre jogados pelo piso inteiro, alguns ratos se escondendo, dormindo ou mesmo mortos sendo comidos por outros ratos e muito pó.

Alguns pedaços de papelão aqui e ali, e uma quantidade imensa de um pó branco que brilhava com a luz da lua que adentrava a janela do cômodo que deveria ser a sala.

Ele se abaixou lentamente, os olhos observando o que era o tal pó, os dedos da mão direita esfregando um pouco do conteúdo entre si e levando próximo ao nariz, agora tinha certeza mais do que absoluta que estava no lugar certo.

Se ergueu lentamente, olhou pela janela quebrada que trazia a luz do lado de fora, o matagal cobria mais da metade da casa, o que seria util.

Seus passos silenciosos agora subiam a escada que dava para os quartos, os degraus rangendo de leve, mas ele fazia com que seu peso fosse mínimo, em poucos instantes já estava no andar de cima, a mão indo ao coldre, encostando em seu calibre 38 de aço escovado com cabo de sândalo gravado com uma rosa no cano.

A cabeça adentrou a primeira porta que estava aberta, silenciosamente, não havia nada no lugar, e por experiência própria não iria caçar pelos cantos, sabia que seria perda de tempo nesse caso.

Se voltou para o corredor, havia ainda cinco portas, mas sabia que não precisaria observar mais nenhuma, acabara de achar sua vitima.

A última porta era a única que estava com uma luminosidade fraca, provavelmente uma vela ou uma lanterna fraca.

Andou até o local sentindo a tensão fervilhar em seu sangue, estava acostumado com aquilo, mas seus músculos sempre ficavam rígidos e seu coração acelerava.

Encostou na parede ao lado da porta, sua respiração ficando mais lenta e mais pesada, pegou a arma e a engatilhou, tentou ouvir algum ruído ou qualquer sinal vindo da parte de dentro do quarto, encostou o ouvido na porta, nada.

Tudo na santa paz e era exatamente isso que o deixava preocupado, não gostava dessa tranquilidade toda, nunca era realmente boa coisa.

Respirou fundo e chutou a porta, a arma apontada para atirar em quem estivesse presente, mas seus olhos se espantaram ao observar que não havia ninguém no cômodo, exceto uma pequena lanterna jogada no chão, em direção a porta, como se fosse uma armadilha para que pensassem que tivesse alguém ali.

Mas como poderiam prever algo assim? A não ser que a pessoa tivesse saído as pressas e deixado tudo como estava, o que era pouco provável, considerando que o resto da mansão não parecia invadida nem que alguém fugira de lá rapidamente.

Engoliu em seco e sentiu sua garganta seca, aquilo não estava cheirando bem.

Adentrou o cômodo observando o pouco que ali havia, um grande armário, algumas folhas de jornais espalhados e uma pequena mesinha no canto da parede inferior a porta, com uma perna corroída por dentes de rato.

Foi direto no armário, abrindo suas portas rapidamente, esperando alguma surpresa, nada.

Estava achando tudo muito estranho, vasculhou a mesinha e os jornais, nada de interessante.

Saiu do quarto, sabia que era perda de tempo, mas nesse caso, necessário, checou todos os outros quartos e nada achou além de mais jornais, papelão e madeira.

Voltou a descer as escadas, foi quando avistou uma escada que daria para o subsolo, via uma grande movimentação de ratos naquela região.

Se ateve a ficar em silencio, seus passos rangendo o mínimo possível para chegar ao porão.

Era mais escuro que todo o resto da casa, espremeu os olhos, tentando fazer surgir alguma visão, mas o jeito era tatear.

Suas mãos iam ao ar sem nada encontrar, até que tocou em algo peludo e fofo.

Uma pilha disso.

Mesmo escuro, seus olhos se arregalaram, não conseguia identificar, mas tinha uma idéia do que seria.

Voltou às pressas para a sala, pegando uma dúzia de papelões e levando-os para baixo, ateando fogo com seu isqueiro.

Uma grande luz avermelhada iluminou todo o local, os ratos aos montes fugiam as pressas com medo da novidade.

Seus olhos vasculharam o que havia tocado, e então viu um homem jogado ao chão, de longos cabelos negros acinzentados, os ratos estavam aos montes em cima dele, mas dava para notar pelos seus gemidos que ainda estava vivo.

Às vezes a justiça vinha do destino, às vezes ele tinha que terminar, às vezes tinha que fazer por completo.

Um sorriso sádico veio aos lábios, ele deu um chute na perna do homem, que gemeu mais forte.

O desgraçado estava mesmo vivo, se escondendo da população, depois de matar milhões de pessoas com seu terrorismo todo ainda estava vivo e reclamando de dor, pois ele iria ver o que era dor.

Pegou o homem com uma das mãos e o arrastou para o andar de cima, afastando assim os ratos também de seus feitos.

Jogou-o na sala, fazendo um grande baque com seu corpo se batendo de encontro ao piso.

Chutou o estomago do homem novamente, e mais uma vez, até ele voltar a consciência, completamente zonzo.

Abriu os olhos lentamente, verdes e vivos, maldosos, olhou para ele e entrou em estado de choque, tinha tentado escapar tantas vezes, sabia que estava sendo bem sucedido, como descobriu onde estava afinal?

Cego abriu um largo sorriso cruel, os olhos fervendo de fúria.

-Boa noite Leão Vermelho, como esta? Ah é, sendo fugitivo da policia por trafico de droga - ele apontou para a farinha branca brilhante que examinara há pouco - vivendo junto dos da sua espécie, - apontava agora para os ratos apressados - não deve estar muito bem, não é?

O homem não se movia, os olhos estavam apavorados.

-Pensou mesmo que eu não o encontraria? Depois de matar toda a minha família, achou MESMO que eu não conseguiria?

Ele falava com raiva, suas palavras carregadas de amargura.

-Mas você sabe, ninguém escapa da justiça e você mexeu exatamente com o justiceiro.

A arma agora apontava para Leão Vermelho, que se encolhia amedrontado, mas rapidamente a mão mudou de posição e atirou em uma das pernas do homem que berrou de dor.

- Ah veja só, ele sente dor.

A voz tinha a ironia carregada nas palavras.

-Mas na hora de matar uma pobre mulher com seu filho inocente, você não teve nem dor, nem pena, não é mesmo?

Ele se virava agora, os olhos repletos de lagrimas, mas não deixaria que aquele porco visse seus sentimentos.

-Você se envolveu aonde não podia...

A voz rouca e grotesca de Leão Vermelho saia engasgada com a dor que estava sentindo na perna.

-SILENCIO!!

Cego berrava, se virando irritado para o homem magérrimo e maltrapilho a sua frente.

Ambos se encararam por longos minutos.

-Serei bom, sou um homem justo, como bem sabe. - Cego apontava a arma para a cabeça dele, gesticulando e dando a forte impressão que dispararia aquela arma há qualquer momento.

-Lhe darei a escolha de morrer agora... - A fumaça da queimação que ele fizera no porão começava a surgir em meio à sala. - Ou de tentar se salvar - Os olhos estavam fixos no moribundo agora, que nada respondia.

-Fale logo!!! - Cego berrava, enquanto dava um chute certeiro na boca do estomago do homem, que se encolhia gemendo.

A arma apontou para a mão oposta a perna atingida e disparou, fazendo sangue espirrar em várias direções.

O homem berrara um palavrão alto, o encarou sério.

-Me deixe viver, por favor!!! Por favor!!!

Ele berrava, começando a chorar.

-É uma pena que não pensou nisso antes de torturar meu filho e estuprar minha mulher. Essa possibilidade não está na lista... Mas já que assim quer...

Ele tirou uma caixa de fósforos do sobretudo, acendendo, a chama brilhava em seus olhos, agora vivos.

-Boa sorte!

Ao falar isso ele jogou o fósforo na pilha de madeira próxima, que logo se espalhou, tomando conta rapidamente das coisas, as chamas engoliam tudo completamente esfomeadas.

Cego olhou o homem uma ultima vez e então saiu da casa lentamente, vendo-a se incendiar cada vez mais rápido.

O homem sangrava e tentava se arrastar para a saída que parecia ser quilômetros de distancia.

Já estava quase chegando à rua quando teve a impressão de ouvir berros de desespero vindos de dentro da casa.

Adentrou seu carro e acelerou ladeira abaixo, parando apenas há quilômetros dali, a fumaça cobria o céu, podendo ser visto de longe, a lenda tinha acabado junto da desgraça que viera com ela.

Ninguém sabia o que realmente se passara naquela casa, e nunca saberiam.

As mãos agora tremulas de Cego pegavam uma foto no porta luvas do carro, as lagrimas pingando na foto que mostrava um lindo garoto sorridente junto de sua bela mãe.

Acontecesse o que acontecesse, ele sabia que agora sua missão estava cumprida.

Ficou uns instantes admirando a foto e então voltou a dirigir, a satisfação adentrando em seu ser, sempre que matava sabia que era porque de fato a pessoa mereceu, mas desta vez sentia a justiça fervilhando em suas veias.

Aumentou o som do radio e voltou a dirigir, viu uma ambulância passar as pressas por ele, mas tinha a plena certeza de que já era tarde demais, mas talvez conseguissem salvar alguns ratos, quem sabe.

Gostava de fazer justiça, a limpeza ficava por conta de outros.

O vento entrava pela janela, bagunçando seu cabelo, nunca mais seria feliz como fora um dia, novamente, mas agora sabia que poderia viver tranquilamente, apenas com a saudade de uma vida que um dia fora plena e perfeita

Viveria pela justiça, atrás de pessoas que não mereciam ter a graça de viver.

***

Quem observasse de longe, pensaria que estava vendo coisas, pois o carro desaparecera com o vento, mas a realidade é que Matheus, mais conhecido por Cego, era o santo dos injustiçados, e que apareceria sempre que preciso para aqueles que merecessem ter sua paga.

Diz a lenda que seu espírito vaga por ai, protegendo os pobres que precisam que a justiça seja feita, e ele o faz, afinal, ele é a LEI!

J.H.C



Obs: O vídeo inicial é do canal parafernalha, você pode ver a versão original aqui

http://www.youtube.com/watch?v=HEvbRbkcheY

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sem título

O jornalismo é pão. (espero...)

Da poesia faço versos

Sobre temas diversos

Algo que espante a solidão.

Rafael Cardoso

domingo, 18 de setembro de 2011

Recomeçar (entre dúvidas)

Preciso preencher este espaço

Com esta caneta

Porque este momento

Jamais retornará.

Este espaço em branco – a minha cabeça

Esta caneta – nova chance de escrever no livro-vida

Este momento – é, este momento

Como todos não volta mais.

Este momento é tão somente este momento.

Eis a única certeza.

Rafael Cardoso

sábado, 17 de setembro de 2011

Poetar III

Jornal, carta e computador:

Quem pode dizer sem que ria

Sem ter uma ponta de rancor

Poder viver bem sem poesia?

Poetar é dizer sem falar

Ou falar mais do que se pode

Dizer. Poetar acode, acode

Quem vive a sonhar pensando em

Viver.

Rafael Cardoso

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Poetar II

Meu coração é como a estação

Da Sé depois da tarde o café:

Faz zum, cabe sempre mais um

Mas não entra quem quiser.

Rafael Cardoso

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Poetar I

Falar dos recônditos da alma.

Quando nascemos, um anjo torto

Desses com um carimbo na mão

Escolhe quem gosta de ler ou falar

Alguns, quando falam, choram.

Por isso escrevem.

Inda que lágrimas molhem o papel,

Fica lá cravada a lembrança

Daquele instante efêmero:

Enquanto existe, persiste-insiste

Em ser eterno como a dor intensa

A dor dos que partem sem jamais voltar.

Rafael Cardoso

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sem título

Nada é vulnerável como o meu ser:

Se muda o dia, o lugar e a hora

Tudo que é minha essência vai embora

Pro mundo único em que sei viver.

Riso e bajulação: minha autoestima

Desta lição fez uma lei fatal

Viver somente co´aquele que a mima.

De resto, tudo pode ser mortal.

Rafael Cardoso

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bolsa

Velha guerreira,

Companheira Algibeira,

Carregaste-te nas costas

Ou tu que me carregavas?

Levavas minha essência, meus planos, sonhos

E sacrilégios. Foste a extensão do meu pensamento.

Passei por lindos momentos, chorei, tive dúvidas. Você sempre presente.

Que presente!... Assim que te vi percebi que seríamos grandes amigos

Por que te exalto? Por que tanto apego? Falar de ti é falar do mundo que,

Literalmente, carreguei nas costas nesses últimos tempos. Mas toda matéria

É finita. Despeço-me de ti fazendo aquilo que fizestes por mim:

Guardando-te. É hora da bolsa entrar dentro de outra bolsa.

Rafael Cardoso

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Teoria da Informação

Pedro penseiro esperando o trem

Espera um dia – a noite já vem

- Em que alegria e nostalgia

Sejam um bem

Bem que se tenha, bem que se dê conta

Sem dar contas a ninguém

Pedro penseiro pensando no trem

O dia não veio

O céu está feio

A noite também

Vagões trazem gente

Bem mais do que cem

Que pensam igual

E esperam além.

O dia nunca vem.

Rafael Cardoso

domingo, 11 de setembro de 2011

Sem título

Cansei de me perguntar:

“Por quê?”

No rio da vida

Não nado mais contra a corrente

Deixo que me meçam

Como acharem conveniente.

Rafael Cardoso

sábado, 10 de setembro de 2011

Jéssica

Poucas pessoas se dispuseram a me entender

Poucas pessoas realmente se preocuparam comigo

Poucas, ainda, souberam respeitar minhas diferenças

Superar meus defeitos

Ressaltar minhas qualidades

Você é uma dessas pessoas.

Simpática, amiga, essencial.

Sem você todo ônibus é igual.

Rafael Cardoso



Estou sem graça e não sei o que dizer... Obrigada por ser esse amigo tão dedicado!!!

<3

=*

Jéssica Helena

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Perda



A estrada estava movimentada, os carros passavam a mil por hora, a brisa adentrava a janela e bagunçava meus cabelos, uma sensação de saudade passando por meu corpo, a falta de um passado que agora parecia tão longínquo e irreal.
Tudo voltava à tona na memória, e eu preferia esquecer, por isso amava meu trabalho, ele me fazia viajar para mundos distantes e diferentes, me permitindo juntar o que amava com o que gostaria que ocorresse.
Fechei os olhos por um instante, à imagem daquele sorriso tão perfeito e espontâneo que surgia em seus lábios quando me olhava fazia eu me sentir a pessoa mais fantástica do universo.
O mundo estava se modificando cada vez mais, e a pressa agora era algo que o homem tinha que aderir em seu ser, a guerra não nos deixa pensar, e por isso eu preferia a paz do meu mundo bonito, era como um quadro que eu poderia pintar e criar exatamente tudo que gostaria, as cores vivas, esquecendo do cinza ao qual vivia na realidade, era como uma válvula de escape e ao mesmo tempo uma aproximação daquilo que eu não poderia ter junto de mim nunca mais.
Voltei a observar a estrada, as pessoas possuíam suas vidas rotineiras sem pensar o quanto deveriam dar valor as mesmas.
Senti uma lágrima escorrer em meu rosto, mas a mão foi mais rápida e sumiu com ela dali, as lembranças deveriam ficar guardadas em uma caixa chamada coração e jamais serem expostas para o mundo, não poderia permitir que aquilo se estragasse com a podridão que existia em tudo.
''Eu te amo papai''
Risadas ao fundo vinham em minha memória, os olhos dela brilhantes e tão magicamente curiosos estavam agora sem vida, aquele ar de alegria jamais poderia ser visto pela humanidade novamente.
Meus dedos apertaram com mais força o volante, estavam gelados como meu coração se mantinha nos últimos tempos, engoli em seco, minha princesa me deixou, partiu sem permitir que eu me despedisse, segurando em minha mão como quem se despede com muito prazer de ter me conhecido.
O acidente fora horrível, uma bala perdida acertara a minha pequena princesa, uma briga entre gangues tinha causado uma perda irreparável.
Não tinha mais controle algum sobre minhas lágrimas, agora elas escorriam por meu rosto, terminando em meus lábios e me proporcionando um gostoso salgado na boca.
Para um pai, perder um filho é como perder uma parte de si, um buraco se abre no coração, você nunca mais consegue ser uma pessoa completa e feliz.
Estacionei o carro, meu rosto estava ensopado, os olhos completamente vermelhos, assim como a ponta do nariz.
A brisa continuava a bater em minha face, e tive a plena certeza que por mais que a saudade doa, o amor jamais permite que o adeus seja eterno, não, eu gosto de pensar como um até logo, e que em breve estarei novamente junto da minha pequena princesa.
Afinal, aqueles que nos amam, nunca nos deixam realmente.

J.H.C

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Amígor

Amigo

Contigo

Digo

Sigo

Rigor

Igor

João Gilberto e AC/DC

Pessoa que conheci

Cientista social

Hermaníaco

Rock This Town

Pentatônico

All Star legal

Sem cadarço sem nada

- Seu nada é genial

Camisa pintada

Guitarra,risada

Café do Amaral

Am I Igor?

Igor é amigo

Amigo Igor

Amígor.

Rafael Cardoso

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Parabéns meu querido

Que dia especial que é hoje!

Não por ser a independência do Brasil, embora seja um dia especial por sua natureza.
Mas a grande questão de hoje é que uma das pessoas mais maravilhosas do mundo que conheço estava nascendo há dezenove anos!

Querido Rafael Cardoso, o que seria de mim sem você, me ajudando nesse blog, com suas palavras sempre tão magníficas e incríveis?
O que seria de mim sem o seu apoio, sua amizade e seu carinho?
Meu querido, eu poderia simplesmente ser clichê e dizer o quanto quero o seu bem, que todos os seus desejos se realizem, que você seja a pessoa mais feliz do mundo, e de fato desejo tudo isso, mas tenho que admitir que não serei capaz jamais em colocar em meras palavras todo esse sentimento que tenho por você, toda essa vontade de vê-lo crescer e se realizar na vida, toda essa ânsia que me consome cada vez que o vejo sorrir, toda essa agitação em meu corpo que quer vê-lo como o melhor do mundo!
Querido, continue sim sendo esse homem esplêndido que tem sido a vida toda, crescendo e aprendendo da sua melhor forma, com o seu modo mais pacífico possível, mas lembre-se que esta velha jovem aqui, sempre estará do seu lado, quando você menos acreditar e esperar.
Eu estarei lá, nas piores horas, para te puxar pelas mãos e fazê-lo seguir adiante, porque a vida tem seus altos e baixos, e temos que enfrentá-los, é bem verdade, mas não precisa ser só.
E nos momentos bons, talvez eu esteja presente, talvez não, mas minha satisfação será tremenda, porque saberei que está bem.
Obrigada por tudo o que me fez, tudo o que me faz e tudo o que me fará, seja nesta ou em outra vida.
Você é divino e único!
Especial e eterno em meu coração!!!

Feliz aniversário, que este dia não seja só mais um dia memorável, mas que você tenha a certeza de que sua existência é uma benção para a humanidade.

Beijos da sua eterna amiga

Jéssica Helena


Madeira

Vejo verdes folhagens entre o negrume do céu,

Mas não saio do banco de madeira.

Madeira aqui, madeira no verde

Madeira em meus ossos imóveis.

Diante do novo, sou todo madeira.

Tudo é madeira.

Ela confortável como escrever este poema

E não sou daqui pra ir à Faculdade

Mas vou embora.

É se matando que se sobrevive.

Rafael Cardoso

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sem título

Música?

Não. Chega de ouvir gente

Falando no meu olvido.

Devo correr? Não.

Corri o dia inteiro.

Vejo gente apressada.

O ônibus tá indo embora!...

Ultrapasso todos e entro nele.

Do que eu falava mesmo?

Rafael Cardoso

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Carta

Ao chegar, o papel

É estranha sensação:

A dor se foi. Então

O “já” é eterno céu

O instante não é em vão

A palavra é um mel

Que afaga o coração.

Porém o tempo passa

Sem trazer algo novo

(Preciso ver a escassa

Palavra do meu povo!)

Por que por mais que faça

Da gema todo o ovo

A saudade não passa,

Volta sempre de novo.

Rafael Cardoso

domingo, 4 de setembro de 2011

A quietude de um olhar



Aqueles olhos, aqueles olhos verdes..
me trazem TANTA paz quando os olho,
nada nunca se comparou a calmaria
que esses olhos me passavam, era como se
mesmo que o mundo a minha volta desmoronasse
se eu olhasse para eles.. tudo estaria em paz,
não sei o que está acontecendo comigo,
o que está acontecendo comigo?
Será possível?
depois de tanto tempo
assim tão derrepentemente
um anjo ter aparecido quando eu menos esperava?
um anjo dos olhos verdes..
aqueles olhos.. seus olhos,
tão profundos, dizem tantas coisas
e me fazem parar de pensar
meus problemas nem existem mais
quando vejo aquela cor..
verde que me faz pensar no lado bom das coisas
me trazem forças..
verdes, verdes de esperança!
São tão diferentes de tudo que já conheci,
não são apenas bonitos,
eles são mágicos..

Vanessa Curto

sábado, 3 de setembro de 2011

Escola

Vamos revisar o que aprendemos?

Na Matemática, o oposto e o inverso são propriedades inteiramente contrárias

Em história, Gonçalves Dias deve ter sido beatificado pela Ditadura Militar

Mas parem tudo, oh, congelem o rosto!

Promoção da velha nação brasileira:

Compre já o mais novo imposto

Ganhe de grátis uma geladeira

Opa, isso não faz parte do ano letivo

Apenas da arte de ser criativo.

Suor, estresse e labuta

No corre-corre diário

Tem gente que vai à luta

Procurando, no trabalho

Buscar a grande permuta

Entre a peleja e o salário

Ambição na justiça

Oba, abóbora boa na OAB!

-Vambora!

(...)

Bora, bobo, o oba-oba é agora!

(...)

Bestão babando bombom

Bastou levando o bom bolo de abóbora

Buá... E agora?

A fome não foi embora.

Rafael Cardoso

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Desejo

É lá que quero estar

Tão difícil ter na vida convicção

Quando se tem não se quer largar

Tão difícil ouvir o coração

Se possível não paro de auscultar

A alma e o órgão que bombeia

Desejo que pulsa forte na veia

Quase saindo da boca a gritar:

Dá licença, aqui não vou ficar!

Rafael Cardoso