sexta-feira, 25 de março de 2011

Sobrevivendo ao acaso IV

Já estava achando absurdo toda aquela história.
Comecei a perceber que as ruas se mantinham vazias na maior parte do tempo, e as que não estavam ainda não tinham passado pela dedetização.
Reparei que muitas eram dedetizadas ao longo do dia, por vários carros como aquele, com astronautas e ajudantes. Resolvi ficar atrás de uma árvore observando o processo de um deles.
Estava parado em frente à pracinha ao qual eu me escondia, e vi que um ser grotescamente azul se encapuzava, era o tal astronauta dedetizador.
Ele tinha minúsculos olhos e uma imensa boca, seu nariz se restringia a dois pequenos furinhos.
Eles saíram do carro como normalmente faziam, percebi um cordão preso ao pescoço da ajudante e reparei que o fio descia pelas costas, dando o ar de ser um simples colar, mas para mim aquilo era apenas uma roupa para se passar por ser humano.
Eles conseguiam convencer há todos com aquela história de dedetizar, mas estava absurdo aquele tipo de coisa, eu tinha que fazer alguma coisa.
Foi quando ouvi um som de um caminhão de água se aproximando, uma ventania começou a surgir e percebi que era o mesmo caminhão que tinha escutado na primeira noite antes de imaginar qualquer doideira dessas.
Era todo fechado e blindado, de um azul escuro forte, completamente sem vidros.
Trazia na dianteira uma mangueira grande e grossa e um jato forte de água tentava atingir os dois mentirosos da prefeitura.
Ambos saíram correndo na direção do carro, mas na pressa de não deixá-los fugir corri para a porta do carro deles com um pedaço de madeira que peguei no chão da praça e acertei em cheio a cabeça da mulher.
Ela pega de surpresa caiu ao chão, o astronauta não sabia para onde ir, e então foi atingido pelo jato de água.
Água, apenas isso, e em questão de segundos tanto ele quanto a mulher que eu atingira eram apenas vapor no chão.
Percebi que aquilo fizera o asfalto ficar como novo em folha, queria entender como sabiam que água os destruía, e por que eles deixavam o asfalto belo depois de mortos, mas não tive tempo, ele seguiu viagem sem parar para me explicar nada.
Quem estaria dentro daquela máquina, tentando combater esse mal horrendo?
Será que isso funcionava com as pessoas atingidas pelo veneno?
Será que as matava ou as curava?
Pelo menos agora eu tinha uma fórmula, e tão simples que era eu conseguiria resolver logo aquele problema.
Que grande engano o meu.
Percebi o quanto tinha sido ingênua ao ter esse pensamento quando com um copo de água que arranjei em uma padaria próxima, tentei atingir um deles e vi que não teve efeito algum, além de quase levar um ataque, ao qual só foi impedido porque o dono da casa surgiu para atender. Foi ai que me dei conta que o caminhão jogava jatos d'água imensos, e provavelmente devia ter algo nessa água que eu ainda não sabia, então a solução era caçar este caminhão, pelo menos, por enquanto. Eu só não sabia como fazê-lo e o fato de estar me envolvendo nessa história toda provavelmente foi o meu segundo grande erro.

J.H.C

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sobrevivendo ao acaso - III

Não dormi com aquelas idéias de seres horrendo na minha cabeça, o modo como minha mãe me olhava era assustador e completamente sem lógica.
Ao amanhecer eu voltei a minha rua, tudo estava calmo e tranquilo, como se nada daquilo tivesse ocorrido, como se tudo não passasse de um sonho maluco, mas eu sabia que não era sonho porque não dormira a noite inteira.
Fiquei com medo de entrar em casa e percebi que ninguém sentia minha falta.
Observei minha cadela e vi que estava com falhas de pelos pelo corpo inteiro, chamei-a no portão e ela veio docemente, quando enfiei a Mao para lhe acariciar a cabeça sua boca tentou pegar minha mão e então recuei rapidamente, meu coração aos pulos.
Nada era mais como antes, eu não podia mais ficar ali, sabia disso mas a vontade de entender era forte.
Foi quando percebi um carro branco supostamente da prefeitura descendo a rua em direção a que passei a noite.
Segui-o sorrateiramente. Eles iriam dedetizar aquele local também.
Percebi o homem vestido de astronauta sair do carro com sua grande mangueira, tentei entender o que se passava, parecia algo normal, foi quando tocaram a campainha de uma casa que vi que a moça que estava junto do astronauta arreganhar a mandíbula para ele e de lá saiu uma voz grotescamente estranha.
-Coloque a quantidade certa dessa vez, alguns estão resistindo ao efeito e só sentem sonolência!
Quando a dona de casa apareceu na porta para atender, a mesma mulher olhou docemente e explicou que aquilo se tratava de uma dedetização.
Como ocorreu na minha rua no dia anterior, todos os vizinhos aceitaram, então era isso, eles estavam infectando a todos, e os que não eram atingidos dormiam como eu, afinal, eu estava com sono, mas dormir o dia inteiro não era o plano.
Então existiam outros... Eu só precisava encontrá-los e saber o que se passava, mas principalmente, precisava salvar aquelas pessoas, mas como fazê-lo sem que o astronauta e sua ajudante percebessem?
Me aproximei de uma senhora rechonchuda de longos cabelos brancos, dona Vanilda, muito amiga de minha falecida avó.
-Bom dia dona Vanilda!
Ela prontamente me abraçou com grande carinho.
-Oi minha filha, como está?
Sorria angelicalmente.
-Estou ótima, e a senhora?
Mas não tinha tempo para conversa.
-Dona Vanilda, a senhora não deve entrar em casa.
Ela me olhou curiosa.
-Me escute, não entre em casa, vamos sair daqui!
Ela se livrou de minhas mãos que estavam lhe agarrando o braço direito e me chamou de louca, começou a fazer um escândalo horrível, e percebi que se assim continuasse, logo chamaria a atenção da ajudante do astronauta.
Os olhos de dona Vanilda começaram a ficar vermelhos e sua boca começou a se contorcer, mas como? Ela não tinha respirado o ''dedetizador'' ainda.
Não esperei para entender, corri para longe dali, teria que descobrir como aquilo funcionava ao meu modo, custasse o quanto custasse.

J.H.C

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sobrevivendo ao acaso - II

Tudo começou quando a vizinha da rua de cima morreu de dengue.
Dengue era uma doença transmitida por um mosquito, mas até onde eu sei, tem cura. Infelizmente a moça não teve tanta sorte assim.
Duas semanas depois foi quando tudo começou, me lembro quando eles disseram que tinham que dedetizar nossa casa.
Estava sem dormir havia dois dias, a televisão me distraia e finalmente estava sentindo as endorfinas em meu corpo dando alguma reação, o sono estava chegando, pois sentia minhas pálpebras ficarem pesadas, foi quando tocaram a campainha.
Minha mãe atendeu prontamente, mas eu não estava com ânimo algum para ver do que se tratava, os olhos fixos mais no sono do que propriamente na televisão, mas era uma boa desculpa para fingir estar atenta a algo.
Minutos depois ela veio até mim, achei que iria perceber meu sono e me mandar ir pra cama, mas muito pelo contrário, mandou eu me arrumar porque viriam dedetizar a casa.
Ótimo, agora estavam me expulsando da minha própria casa.
Me arrumei e sai, acho que pelo fato de meu sono estar grande não notei muitos detalhes, apenas observei um homem com roupa de astronauta entrar com uma grande mangueira em casa.
A lei era esperar meia hora do lado de fora por causa do veneno que era muito forte.
Percebi que toda a vizinhança estava do lado de fora enquanto eles estavam do lado de dentro, supostamente dedetizando as casas.
Toda aquela movimentação era para prevenir todos os humanos de não morrerem como a infeliz da rua de cima.
Vários cães também estavam do lado de fora, junto aos seus donos. Eu estava com a minha boxer presa a coleira, do outro lado da rua com cara de poucos amigos. Estava morrendo de sono, e percebi o quanto as pessoas me observavam, estava um dia quente e eu estava vestindo um sobretudo de lã cinza, dentro de casa estava frio, e mesmo fora eu me mantinha com frio, minha temperatura corporal normal era gelada, o que para mim era reconfortante, considerando que não gostava de calor.
Mas aqueles olhares estavam me irritando mais do que qualquer calor de 50º graus.
Resolvi dar uma volta com minha cadela pelo quarteirão, voltaria daqui meia hora e iria direto pra cama.
Descobri depois de muito tediar pela vida que quando fazemos algo que gostamos, como ouvir música ou se distrair, o tempo passa mais rápido, mesmo que seja algo ao qual não gostamos, se estamos pensando, ele acelera, ou nós que não reparamos em nada, não sei ao certo, a questão é que meia hora depois estava de volta. Tudo ao normal, fui dormir.
Não percebi, mas quando acordei, já era nove horas da noite, tudo estava muito escuro e muito silencioso. Me levantei e como era rotineiro, fui ao banheiro ficar com uma aparência mais agradável.
Foi quando sai e dei de cara com algo estranho que percebi o grande erro de tudo aquilo.
Minha mãe, minha doce e amada mãe me olhava com olhos de quem está com fome, fome de algo que não pode saciar.
Sua boca escancarada mostrava seus grandes dentes pontudos e afiados, sua mão automaticamente tentou me agarrar e tive que dribra-la para fugir.
Corri para fora de casa e percebi que as luzes dos postes estavam apagadas, minha visão estava péssima naquela escuridão, ainda mais por ser míope e estar sem o óculos.
De repente um clarão do além surgiu e percebi algo vindo em minha direção, comecei a correr, trombando em coisas que acredito que fossem pessoas.
Barulhos monstruosos e horripilantes ao fundo se aproximavam e senti um forte vento me atingindo as costas.
Corria o mais rápido que conseguia, mas nada adiantava, eles estavam se aproximando cada vez mais rápido.
Avistei o final da rua e percebi que ainda existia luz naquela região, forcei o corpo até chegar ao local, poderia pelo menos avistar o que estava se passando com um pouco de claridade.
Ao chegar de baixo do poste de luz laranja que percebi que todos estavam parados, naquela escuridão, curvados e rosnando, mas não ousavam se aproximar para a luz, aparentemente aquilo devia lhes fazer mal.
Estaria eu segura naquela região?
O que teria acontecido com todos? Por que nada me aconteceu?
Percebi que ainda existia luz pela esquina toda, e tudo estava calmo demais.
Segui rumo à praça logo à frente, de manhã, com claridade natural eu iria ver o que de fato tinha ocorrido, estava assustada demais com tudo aquilo.
Não conseguia entender o que se passava, mas iria descobrir, sem dúvida que iria.

J.H.C

terça-feira, 22 de março de 2011

Sobrevivendo ao acaso - I

Ouvi um barulho de caminhão misturado com água e ar.
Estava sentada em meu escritório, mexendo no computador, e aquele som insuportável se aproximava, senti uma pressão vindo das paredes como se fossem quebrar ou algo do tipo, tudo começou a tremer.
De repente, silêncio.
Coloquei minha cabeça na janela para ver o que se passava e não tinha nada na rua.
Devia estar ficando maluca.
Fui me deitar, apagando aquilo de minha memória, devia ser apenas cansaço.
No dia seguinte perguntei se alguém ouvira aquilo, mas a resposta foi clara, eu estava mesmo cansada e só.
Observei que a rua estava com o chão repintado, a lombada e o asfalto como novos, mas se aquilo tinha sido feito no dia anterior com essa tal maquina barulhenta, por que ninguém ouvira?
Estaria eu ficando louca? Aquele chão já estava pintado há tempos e eu que não reparara?
Resolvi ignorar, o que me levou ao meu primeiro grande erro.

J.H.C

segunda-feira, 21 de março de 2011

Rosa, sangue, vida

Sentada em frente ao computador, sem imaginação para escrever, mas com uma vontade crescente dentro de mim, querendo se expelir.
Abro textos e mais textos, tentando arranjar uma forma de me inspirar em meio aos sonhos dos outros.
Os dedos começam a se movimentar, no começo lentos, sem grande potência nem vontade, mas as idéias vão surgindo do além, como algo mágico e inesperado, em questão de segundos as mãos se aceleram e começam a colocar para fora toda aquela vontade de demonstrar o que estava sentindo no momento, tudo o que se passava em sua cabeça, as idéias expelindo-se longe, sujando a tinta virtual o papel do bloco de notas.
Uma mulher, uma mulher passando pela calçada coberta por flores, uma flor, uma rosa de cor vermelha sangue, sangue, sangue escorrendo no córrego da guia, um homem, um homem ao chão logo mais a frente, sangue por todo o seu peito, um sol de rachar a cuca, as pessoas se acumulando ao redor daquele ser estático que acabara de sofrer algum acidente, a mulher, a flor cor de sangue, seu vestido vermelho, os lábios rubros, tudo muito vivo e ao mesmo tempo muito morto, as pessoas mortas, as pessoas sem vida cuidando da vida dos outros para tentarem renovar algo que já se perdera em suas vidas.
Sangue, mulher, rosa, homem, todos muito ligados e ao mesmo tempo separados e sem alguma conexão possível.
A mulher se aproximando e meus dedos se agilizando, as idéias horríveis querendo algo novo e belo em meio a destruição, mas nada vem, nada vem, a desgraça possui o cérebro de um ser humano ao tentar ver a possibilidade de inovação.
Mas a flor, a flor rosa cor de sangue era vida, vida em meio a morte, vida viva, pura e bela.
Um sorriso abre-se em meus lábios, mas não estou gostando do desenvolvimento que o texto está tomando, confusão, pessoas correndo de um lado para o outro e percebo que não há mais salvação, tudo está perdido, exceto a flor, a flor rosa cor de sangue, a flor da cor do vestido daquela mulher, da mesma cor do sangue que saia do homem estendido no meio da rua.
A flor era a salvação, a esperança de um mundo melhor, e então percebo que nem tudo está perdido, porque às vezes não conseguimos lidar com algumas coisas, como escrever um texto, por exemplo, no entanto quando vemos já o temos, bem ou mal, mas o possuímos e é um fato, tudo é lição e aprendizagem, mas as flores ressurgem sempre para salvarem, e mesmo possuindo aquela cor horrenda de sangue também está demonstrando a cor do amor, vermelidão, a cor da vida.
Vida, mesmo na morte, vida viva...
Era disso que o povo necessitava e era isso que teriam, em meio aos conflitos eu digitava sem entender onde aquilo iria dar, mas perdera completamente o controle de minhas mãos e só sabia explicar o que se passava, tentando mostrar aquele caos tão belo, tão morto mas tão vivo e alegre.
Vida, vida...

Era só isso que precisávamos, e era isso que iria demonstrar. Entendessem os mais sábios.

As mãos vão relaxando até caírem ao lado de meu corpo, está feito.

J.H.C

domingo, 20 de março de 2011

Descanse em paz, meu amor

Quando nascemos, é como se estivéssemos realizando o sonho de alguém, mas então criamos consciência e começamos a querer realizar nossos próprios sonhos.

Ele estava deitado, os olhos fechados, um ar calmo e leve. Minha mão acariciava sua face silenciosa e parada, todas as lembranças vindo em minha mente neste instante.
Nosso primeiro beijo, nossa primeira dança, nossas gargalhadas, nossos encontros as escondidas, nossos filhos, nossos netos, nossas risadas...
Tudo passando com real alegria diante dos meus olhos, momentos incríveis e eternos.
Sua voz cochichando no pé do meu ouvido o quanto eu era a mulher mais importante da sua vida e o quanto ele me amava.
Seus beijos quentes em meu pescoço, me deixando completamente arrepiada.
Seus olhos encarando os meus, sempre com um ar brincalhão, por mais sério que estivesse.
O quanto me apaixonei por aqueles olhos... Azuis, porém não de um azul comum, um azul claro, mas que ao se irritar se tornava escuro e profundo.
Voltei à realidade, meus olhos encarando sua doce face serena.
Abaixei-me e lhe beijei os lábios suavemente, sentindo o toque dos seus, não quentes e nem carinhosos como sempre foram, porém continuavam macios.
Uma última passada de mãos em seus cabelos grisalhos e uma última olhada para aquele rosto tão vivo e alegre que fez minha vida ser tão perfeita, independente das complicações que existiram.
Me afastei e deixei que tudo terminasse como deveria.

§§§

Deitei em minha cama, solitária, gélida e desconfortável. Meus filhos insistiram para que eu fosse ficar com eles, mas não queria, tinha minha vida, nada mudaria o que ocorreu.
Fechei os olhos e então relaxei, respirei profundamente e elevei meus pensamentos para onde mais desejava.
Senti seus dedos se enroscarem nos meus e então ele sorriu, como sempre sorria quando estava feliz e animado.
Ele me olhava com curiosidade e então percebi o que estava querendo dizer.
Estava pronta para seguir junto dele pela eternidade, como um dia prometi ao meu coração.
A partir de agora não haveria sofrimento, tudo estaria bem, pois eu estaria com quem sempre quis e pertenci, meu eterno amor.
Agarrei em sua mão e me senti viva como há muito não me sentia, corremos felizes como há muito não fazíamos pelo grande campado em nossa frente, agora iríamos ser felizes, para todo o sempre.

J.H.C


sábado, 19 de março de 2011

A Vingança

-Vamos fechar os olhos por alguns minutos, esvaziar a mente, elevar os pensamentos...
A voz dizia em um tom calmo e baixo, tudo escuro, com apenas algumas velas acessas, mostrando a sombra das pessoas ali no local.
Ela não conseguia fechar os olhos, não conseguia se concentrar tinha a sensação de que quando o fizesse as pessoas iriam ficar observando-a e isso lhe causaria muita vergonha, mas por respeito ela abaixou a cabeça e fingiu estar entrando no tal relaxamento.
A música ao fundo dando um ar de paz ao local, todos estavam silenciosos com seus pensamentos.
De repente um barulho e um homem ao chão. Ela ergueu a cabeça, mas percebeu que todos se mantinham concentrados, como se estivessem em um sonho longo e de muita paz e tranquilidade.
Percebeu que o homem que falava há pouco agora estava agachado, encarando-a com um olhar fulminante e aquilo congelou sua espinha.
Ela engoliu em seco e tentou entender o que se passava, não entendia o porquê daquilo.
-Você!! Você é a grande culpada!!
Uma voz esganiçada saia da boca daquele senhor com aparência tão debilitada. Um rosto de ira estava presente, apesar dela já ter observado-o diversas vezes e nunca ter notado nada semelhante.
-Você vai pagar! O fogo do inferno te aguarda!!
Ela estava cada vez mais assustada, as lembranças vinham em sua memória como foguete.
-Você vai pagar! Você vai pagar! Nada vai esconder o que você me provocou!!
Ele se mantinha agachado, mas uma das mãos batia no próprio peito na região do coração, com certa força.
-Você vai pagar! Vai morrer sofrendo, sua pecadora desgraçada!!
De repente uma forte luz branca surgiu e clareou todo o local, asas douradas balançavam freneticamente e um forte vento batia em seu cabelo, lhe atrapalhando a visão do que estava ocorrendo.
De repente ela abriu os olhos, tinha acabado de psicografar algo que não imaginava para quem era nem o porquê e nem o que, só sabia que era para uma tal de Alessandra Nabaka. Os olhos medrosos procuraram a moça no público, ao citar seu nome, e então encontrou uma mulher de longos cabelos loiros e olhos negros e grandes, de um rosto duro.
As mãos tremulas lhe entregaram a carta, a curiosidade não existia ali, pois a certeza de que algo não prestava já estava fixo em sua mente.
Se virou para continuar seu trabalho, muitos ainda esperavam, mas não para Alessandra, essa de muito bom grado se retirou e foi ler o que estava escrito.
Saiu do local, indo em direção a rua, leria dentro do seu carro, com mais calma, estava ansiosa para aquilo.
Adentrou o veículo, abriu o envelope e leu, leu como se fosse algo normal, leu como quem já espera pelo fim.
Um caminhão no qual possuía um motorista supostamente bêbado ao volante veio em direção a seu carro, fazendo-o capotar e pegar fogo.

§§§

-A esposa do detetive Percy falecido devido um ataque cardíaco há um mês atrás foi encontrada morta devido um acidente de carro, o dono do caminhão saiu ileso ao acidente, os policiais não sabem explicar o motivo do ocorrido, já que não encontraram resquícios de bebida no motorista e nenhum problema com o veículo. Um triste fim realmente.
A jornalista relatava o ocorrido, sem perceber um vulto estranhamento escuro metros atrás de si.

J.H.C


sexta-feira, 18 de março de 2011

Deuses, nós?



O que você vê nesta imagem?

Pense e analise bem antes de responder.

Depois de muito refletir, a que conclusão chegou?

Um buraco negro?

Ou a pupila de um olho?

Vamos supor que seja a pupila de um olho, então podemos concluir que dentro de cada ser humano existe um mundo ao qual nem desconfiamos e que cada um de nós é um universo único e exclusivo.

Sendo assim, nós somos planetas fixos em outro planeta de outros seres que não conhecemos por sermos muito micros perto deles, assim como nossos nós interiores não devem desconfiar de nossa existência.

Por tanto, cada um de nós possui um poder imenso enraizado conosco que nem acreditamos ser possível, mas eu digo meu caro, minha cara, é possível.
Basta refletirmos um pouco para vermos o quanto as coisas são imensas e ao mesmo tempo minúsculas.

Você acredita em gigantes?

Pense, raciocine, reflita com calma...

Não?

Tem certeza?

Bom, você já reparou no seu tamanho perto de uma formiga??

Pois é meu caro, às vezes não nos damos conta das possibilidades universais pelo simples fato da rotina diária e cansativa que ocorre em nossas chulas vidas, mas que só são chulas porque a fazemos ser assim, vendo que temos milhões de seres dentro de nós mesmos trabalhando como se aquilo fosse natural, suas devidas funções programadas, e quando uma resolve se revoltar, o que ocorre? Tumores, doenças... É exatamente como nós, seres humanos que moramos nesse planeta que demos o nome de Terra, quando um de nós resolve ser diferente e não concorda com as regras, então a desarmonia ocorre e guerras surgem.
O que é Deus?
Será que Deus nada mais seria do que um ser ao qual estamos dentro? Inconscientemente seguimos regras impostas por leis e o questionamento do por que é o que falta para grandes descobertas.
Se um vírus nos ataca, damos um jeito de matá-lo, se uma célula morre, outra nasce em seu lugar. É exatamente como nós funcionamos, se alguém ameaça a vida de outros, então o prendemos, pessoas nascem e morrem todos os dias, com funções idênticas e extremamente diferenciadas, pois assim como em nosso organismo cada um de nós tem seu grau de importância. A diferença é que nós podemos sempre estar aprendendo e galgando, diferentemente de nosso organismo, temos opções e caminhos para escolher.
Então, não seriamos um Deus de nosso organismo, por sermos superiores pelo fato de conseguirmos ter esse controle sobre nossas escolhas? Consciência?
E o NOSSO Deus? Ele talvez seja mais capacitado, com um desenvolvimento que talvez nunca venhamos a conhecer, ou não... Tudo é relativo quando se trata da ciência.
O fato meus caros, que quero deixar claro, é que às vezes não paramos para observar questões que no seu fundo real, é extremamente polêmico.
A realidade é que ninguém até hoje conseguiu entrar em um buraco negro, um grande mistério realmente, e uma análise a ser feita.
Deixo aqui minhas idéias mirabolantes fervendo em seus cérebros e espero que não sirva apenas como uma reflexão do quanto nossa vida é valiosa e ao mesmo tempo insignificante perto deste universo gigante, mas que sirva principalmente de análise para a sua vida pessoal, seu modo de agir e pensar.

Obrigada!

J.H.C

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pray for Japan


Uma coisa que sempre me deixou curiosa foi por que os japoneses eram tão diferentes de todos os outros seres humanos. Isso não é uma crítica nem um preconceito, muito pelo contrário, um grande elogio.
Diferentemente de todos os outros, eles são mais inteligentes e capacitados. Se formos observar a fundo sua história veremos que isso já vem de muito mais tempo do que podemos imaginar.
Estudos arqueológicos descobriram estruturas submersas em Yonaguni - jima, em Okinawa, e cientistas concluíram que monumentos encontrados submersos na costa do Japão são a evidência de que pode ter existido uma civilização desconhecida, anterior à Idade da Pedra.
Ou seja, estamos falando de povos que por incrível que possa parecer, provavelmente estão se desenvolvendo mais rapidamente e há mais tempo do que nós, pobres mortais.
Enquanto o Neandertal descobria o fogo, os japoneses já sabiam fazer ferramentas de pedra polida.
Um povo que sempre esteve à frente de todo o resto do planeta, vem sofrendo grandes catástrofes nos últimos dias, e relatos mostram que estas podem vir a prejudicar vários países vizinhos com radioatividade, terremotos e maremotos, o grande exemplo disso é o terremoto que ocorreu no Japão e que provocou o suposto deslocamento de quase 10 cm do eixo da Terra.
Isso deixa de ser problema de apenas um país e torna-se problema de todos os moradores deste planeta.
Então, venho aqui não apenas para dizer o quanto sinto por este povo que tem uma história tão firme e vívida, mas venho aqui pedir humildemente que todos comecem a colaborar para que as coisas em nosso planeta se acertem, já o estragamos tanto sem perceber, que sofremos agora consequências nunca antes imaginadas.
Deixemos de poluir e de estragar essa nossa mãe terra que nos deu tanto, e conservemos mais o que temos, porque se não o fizermos logo, muito em breve não teremos mais o que conservar, pois não existirá mais vida para o fazer.

Deixo aqui minhas condolências há todos que perderam seus entes queridos nessas desgraças, e um sinal de apoio para os que necessitarem. Se cada um ajudar um pouquinho, todos conseguiremos passar por essas crises horrendas.

J.H.C

quarta-feira, 16 de março de 2011

Belarus



Pessoas, quero agradecer há todo mundo que está acessando o blog, obrigada!
E foi vendo este mapa que resolvi escrever isto.



Belarus, uma pessoa em Belarus acessou o meu blog, foi o lugar mais longe que já cheguei, e isso me encheu de orgulho, muito obrigada do fundo da ALMA!

Então, em consideração há esta pessoa de Belarus, este post vai ser destinado justamente a região.

Belarus é ex-República da antiga União Soviética (URSS), deriva do termo White Rus, que significa "Rússia Branca". Há várias suposições para como surgiu o nome "White Rus". A visão mais tradicionalista é a tendência impressionista em culturas eslava para se referir aos pontos da bússola pela cor, especificamente "negra" a ser "sul" e "branco", indicando o "norte", na medida em que o "mar branco" é o norte e o "Mar Negro" é para o sul.

Em “belaruso” a letra “e” de Belarus deve ser pronunciada “ie”.

Sua capital é Minsk.

Vocês sabiam que Belarus é um país encravado na Europa Oriental e que quarenta por cento de suas terras é coberta por florestas? Eles possuem uma grande reserva do bisão europeu, um animal que esteve ameaçado de extinção nos anos 40, é este bichinho super carismático.


Além do mais, a palavra girafa descende deles (zhiraf).
Pois é, um país de apenas 9,6 milhões de habitantes, ao qual um resolveu acessar de alguma forma meu blog.
Não é incrível??

Eu fiquei chocada, vocês não??

J.H.C

terça-feira, 15 de março de 2011

Uma breve lembrança do além

Me olhava no espelho, mal conseguia acreditar que finalmente a hora estava chegando, eu iria me casar com o melhor homem que poderia existir.
Estava tão feliz, sentia como se aquele momento fosse eterno.
Meu vestido todo branco, com uma grande calda toda trabalhada com flores bordadas se arrastava no chão enquanto caminhava em direção ao meu destino, em apenas alguns minutos eu seria a senhora De Silva, esposa de Hector De Silva, a mulher mais feliz do mundo.
Adentrei a igreja, as pessoas me olhavam com carinho e felicidade, estava finalmente realizando meu sonho, e ele... Ele estava tão bonito!
Um sorriso estampado em seu rosto, os olhos azuis brilhantes me observando com alegria.
Finalmente, finalmente...

§§§

-E foi quando tudo ocorreu.
Ele disse, se virando para Suzan com um olhar triste.
-Mas... Como?
Suzan estava com os olhos fixos diante do homem, a curiosidade forte, mas o cuidado com as palavras era extremo.
-Bom...
Ele virou o rosto para ela, agora seus olhos se conectaram com os dela, estavam transbordados em lágrimas.
-Quando dei por mim, estava em cima dela, chorando, aos berros em meio a igreja, a bala no meio do peito, posta pelo infeliz do Diego que ao perceber o que fez fugiu, covarde!
As palavras saiam grotescamente de seus lábios, nem parecia o doce e calmo Hector que Suzan conhecia.
-A minha doce Ana...
Suzan o abraçou, sentindo as lágrimas dele escorrerem para os ombros dela.
A dor era algo incontestável e irremediável, só o tempo conseguia curar aquele tipo de coisa, mas ela estaria lá para dar-lhe força e ajudar no que fosse preciso, sempre e sempre, pois ele não sabia, mas a sua doce Ana sempre estaria ao seu lado, só que de uma forma jamais imaginada.

J.H.C

segunda-feira, 14 de março de 2011

Viver para ser feliz

Uma vez conheci uma garotinha que queria viajar o mundo, conhecer um grande amor, ter uma linda família e uma boa vida.
Essa garotinha sonhava com muitas coisas, e tentava ver em cada pedaço de suas aventuras um modo de se divertir como se aquele momento fosse único.
Era curioso, porque diferente da maioria, ela não estava preocupada quanto tempo iria levar para alcançar seus maiores sonhos, apenas os tinha e vivia para um dia alcançá-los com êxito.
Bom, essa garotinha cresceu, conheceu todos os países que desejou, se casou, teve filhos e morreu.
Em meio a isso tudo, viveu como ninguém jamais vivera.
Ela dizia que não era preciso viver para sempre, apenas era preciso viver.

E assim, apreciando a cada momento que a vida lhe proporcionou, ela foi feliz.

Não devemos viver há procura da perfeição, pois essa está ao nosso redor o tempo todo, basta termos olhos para conseguirmos enxergá-la devidamente.

Basta viver, um dia de cada vez.

J.H.C

domingo, 13 de março de 2011

Obrigada!!

Oi, como vai?

Este post não vai ser um conto, um poema, um comentário, uma análise nem uma opinião, este post vai ser o mais simples possível e ao mesmo tempo o mais importante de todos que já fiz.
Quem fala neste post não é a autora J.H.C, não é a escritora que sonha com mundos horripilantes ou perfeitos, quem fala neste post é a menina que completou 18 anos, ao qual só os verdadeiros amigos conhecem.
Dia 11 foi meu aniversário, como vocês já notaram, e recebi muita atenção das pessoas, não só da minha família como dos meus amigos, muito queridos.
Então, este post é dedicado há vocês, pessoas maravilhosas da minha vida,minha família e meus amigos que são inversamente as mesmas coisas, misturadas xD.
Muito obrigada há você, que deixou de fazer algo por cinco minutos só para vir me dar os parabéns.
Muito obrigada há você que mesmo sem ter nada material para me dar, me deu a melhor coisa que poderia, sua atenção e seu carinho.
Muito obrigada há você que se dedicou e se esforçou para fazer do dia 11/03/2011 o dia mais feliz da minha vida, e que apesar das catástrofes que ocorreram no Japão, parou para falar o quanto aquele dia era importante e maravilhoso para mim.
Muito obrigada há todos que pararam suas vidas e seus compromissos só para me alegrar um pouco mais, saibam que adoro cada um e há todos de um modo único e muito especial!
Vocês estarão sempre em meu coração.

Milhões de beijos

Jéssica Helena

sábado, 12 de março de 2011

Feliz Aniversário!


Você acha que eu esqueci?

AHAHA, só te enganei, a exatas 12 horas, você fez 18 aninhos! *-*
Jejé, parabeeens, irmããzona CHATA! Apesar de TODAS as brigas, você sabe que eu sempre estarei aqui, pra bater em quem te derrubar!

Parabeeens por seu primeiro dia, sendo maior de idade! Te desejo toda felicidade do mundo, dinhero, uma carreira de sucesso e alguém que te faça MUITO feliz.
Eu Te Amo, Sheldonzinha maninha. AKPSO *x*

Protetora ♥

Vanessa Curto

Não sei como te agradecer, praga da minha vida!
Você sabe que te amo MUITO e que você é e sempre será o meu bebê!
Obrigada por ser essa pestinha tão foda! xD

Beijos da sua irmã que te enche porque te ama

Jéssica Helena

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pra você

Jéssica, parabéns pra você!
O tempo passa e a gente não vê!
Esta data, bem mais que querida,
Celebra os anos de tua vida.

Que falta que me faz
Tua diária companhia,
Teu consolo, tua paz
A encher-me de alegria!

Quando pedi pra estar sozinho,
Favor: se fui rude, perdoa.
Obrigado pelo carinho,
Pela conversa amiga boa!

Pela atenção sem par
Bem dispensada a mim
No intervalo escolar.
Me oferecendo, assim
Comida que eu, tantã
Dispensava num "sim"
-Teu café da manhã.

Seus desejos no blog eu confiro:
André Vianco, Harry e Crepúsculo
Se fosse meu salário maiúsculo
Comprava pra você um vampiro

De modo a caber na sua estante,
Preeenchendo hora de solidão,
A fim de que saibas, nesse instante:
Sou teu amigo de coração.

Rafael Cardoso

Rafael querido,

obrigada por ser esse amigo maravilhoso e pelo seu carinho tão grande para comigo. Não tenho palavras pra agradecer todo esse companheirismo e bondade com a minha pessoa.
Realmente obrigada, do fundo do coração!

Jéssica Helena


A Criação

Os olhos vermelhos observavam atentamente tudo ao seu redor, tudo branco demais, muito sem graça.
As pessoas o olhavam abobalhadamente, não imaginando o que viria a ocorrer em instantes com aquele ser a frente.
As pessoas estavam enfeitiçadas com o seu encanto angelical, mas não imaginavam que por trás de algo tão belo e aparentemente puro pudesse existir um ser tão maléfico e cruel.
As mãos soltas no ar, pegando o nada fazia com que as pessoas soltassem gemidinhos de felicidade, mal sabiam elas que sua vontade era dali arranjar uma faca e acabar com todos.
Viu-se sendo levado para perto de uma mulher bonita, de longos cabelos reluzentes pretos e cacheados, olhos profundos e verdes e pele extremamente alva, usando um vestido negro que possuía um abastado decote em V.
Um seio foi lhe oferecido e com ânsia ele o pegou, apertando forte e percebendo que a moça tentava lhe afrouxar os dedinhos, sem grande sucesso.
A boca foi posta com certa delicadeza, porém ele sugava aquele leite como quem quer sangue, a força aumentando aos poucos, despercebidamente pelos presentes que estavam completamente enfeitiçados para notarem qualquer diferença de reação daquele ser tão maravilhoso.
O alimento que estava ingerindo lhe concedia força e poder, algo que ele ansiava a tanto tempo, finalmente teria.

§§§

Gritos de terror eram ouvidos do castelo ao longe, pessoas estavam sangrando no chão desoladamente, e aquilo que parecia tão calmo em instantes se tornou puro caos.
Um monstro esverdeado de grandes olhos esbugalhados e vermelhos, com bolhas marrons gigantescas pelo corpo todo, corria em passos largos, erguendo as pessoas e lhes arrancando partes dos membros, mordicando-as por completo e jogando-as longe.
A mulher a sua frente o olhava com um leve sorriso de desdém nos lábios, os olhos de um verde puro se tornando completamente escuros, os dentes pontiagudos a mostra, se aproximou com certa cautela do ser a frente que estava prestes a atacá-la, as mãos alcançaram a face monstruosa com leveza e um sussurro baixo e quase inaudível saiu daqueles lábios antes tão belos e chamativos.
-Se acalme meu pequeno diabinho, ainda tem muito o que aprender.
O ser a observava com raiva, não conseguiria sua liberdade mas sentia que nada podia fazer.
A mulher se afastou arrastando seu longo vestido negro para longe do ser e caminhou diante aquele horror, como se nada tivesse ocorrido, e com um estalar de dedos o fez automaticamente segui-la em silêncio.
Aquilo era apenas o começo do que seria o fim do mundo, pelo menos, daquele mundo que os anjos criaram, e no futuro, quando tudo aquilo já não existisse, lembrar-se-iam deles como os grandes construtores do que chamariam de Terra.
Adão não compreendia por que tinha que obedecê-la, mas Eva sabia que estaria no comando, só precisava agora fazê-lo pensar que tudo aquilo era para o bem de todos.
As pessoas se esqueceriam de ver a beleza na simplicidade para se tornarem gananciosas e vaidosas, e com grande sucesso, sempre passariam aquilo a diante.

J.H.C

quinta-feira, 10 de março de 2011

Virtualmente Real

Ela estava em frente à tela do computador a espera de algum milagre. Os olhos estavam fixos na janela da sala de bate papo, as pessoas conversavam entre si, alguns no reservado, outros abertamente, mas nada que lhe chamasse a atenção, os nicks eram completamente obscenos e a desilusão com os homens estava aumentando cada vez mais.
Por que eles só pensavam em sexo? Não que sexo fosse algo proibitivo, porém não era o que ela esperava de amor.
Para ela, amor ia muito mais além, transpassava o entendimento humano, era um companheirismo desigual partindo de ambos os lados, e, no entanto, o que ela encontrava eram apenas homens com vontade de saciar a loucura sexual.
Ela achava que sexo tinha que ser feito com amor, pois era uma entrega total, feita entre duas pessoas que possuem uma confiança sem tamanhos uma pela outra, no entanto, não era isso que a sociedade estava mostrando a ela.
Homens querendo mulheres bonitas que querem homens bonitos que querem mulheres ricas que querem homens poderosos, era um ciclo vicioso louco que estava deixando-a totalmente desgostosa.
De repente a tela de seu MSN subiu, informando que alguém entrara, mas ela não lhe deu atenção, nunca entrava alguém que realmente valesse a pena se conversar, as pessoas não tinham mais assuntos interessantes a oferecer, só sabiam falar delas mesmas e do quanto o mundo ao seu redor era belo, ela estava farta daquelas baboseiras, queria viver uma aventura, se entregar e ter com quem contar em seus momentos mais importantes.
Já estava prestes a fechar tudo e sair dali para ler um livro, ganharia bem mais o fazendo do que ficando nesta internet de meu deus, viciante e entediante, quando de repente seu MSN tocou, chamando-lhe a atenção de que alguém lhe chamara.
Não devia ser alguém importante, seus contatos estavam de mal a pior, mas prontamente ela abriu a tela para ver o que seria dessa vez, afinal, o que poderia perder?
E foi um olá muito educado que a fez se ajeitar em sua cadeira e corresponder.
Depois de algumas reapresentações ela se lembrou de que se tratava de um velho amigo que conhecera igualmente em uma sala de bate papo, mas não uma qualquer que as pessoas entram para tentar arranjar sexo momentâneo ou, em piores casos, virtuais. Era uma daquelas salas que ela vivia conectada, de RPG's.
Fazia muito tempo que não conversava com algum amigo daquela epoca, e foi bom revê-lo, altos papos levaram-na há horas de alegria e uma realização que há muito não sentia.
Quando deu a hora de ir, apesar da vontade dizer para ela ficar, estava consciente de que quando entrasse no dia seguinte, ele estaria lá, esperando por ela, para novamente fazê-la sorrir.
Assim, ela desligou seu computador e foi se deitar, com a certeza de que a vida ainda valia a pena ser vivida.

J.H.C

quarta-feira, 9 de março de 2011

Monstro Soberbo

Naquela caverna obscura o medo era silencioso, a respiração pesada e o pavor crescente.
Aqueles olhos cor de fogo estavam fixos naquele corpo moldado.
Os dentes afiados a mostra.
O ser amedrontado tinha seu coração veloz, mas seu corpo estático, ele podia sentir o medo transpassando através dele. As mãos suavam apesar de suas veias estarem basicamente congeladas.
Um rosnado ao fundo e nada mais se viu além de um vulto.
Um ser de capa negra estava à frente dele, o rosto coberto por um grande capuz.
-Por que invadiu minha casa?
A voz era baixa, porém completamente limpa e audível, de um tom forte.
-Eu... eu...
O ser ainda petrificado não sabia o que falar.
-Saia e não volte nunca mais!
A voz se mantinha baixa, porém severa.
As pernas corriam mais do que podiam, o fôlego lhe faltava, risadas altas e cruéis ecoavam por toda a extensão daquele lugar úmido e escuro. O corpo se jogou para frente, sendo atingido totalmente pela luz solar. Os olhos esbugalhados miravam o lugar que acabara de escapar.
Nunca mais iria se aventurar por aquelas bandas, mas não por medo, por precaução, isso seria o que diria caso alguém perguntasse por que ele não voltava mais lá.
Sentiu as calças molhadas e então percebeu que precisava mesmo voltar para casa agora.

O ser encapuzado observava atentamente, os lábios retraídos com um leve sorriso de superioridade, iria afastar os intrusos de sua vida, ou logo viraria o espetáculo.
Afinal, quem entende um lobisomem?

J.H.C

terça-feira, 8 de março de 2011

Sweet Poison

A cada maldito suspiro,
Fico pensando como estará a sua tortura
Queimando no inferno?
Lembranças atormentadas, talvez?

Mas desejo-lhe o que há de melhor,
Pois o de pior
Você, meu caro
Já deixou fincado
Neste coração enrugado.

A cada maldito suspiro
Me lembro de seu sorriso,
Sádico naqueles lábios de mel
A cada maldito pensamento
A dor em meu peito
Me faz recordar o quanto...

Mas o passado ficou para trás
Minha angustia persiste por pouco tempo
E logo mais
Nada doerá
Nada existirá

Pois eu
Serei apenas uma lembrança
Nos confins da eternidade


J.H.C


segunda-feira, 7 de março de 2011

Deu saudade

Deu saudade daquele passado que tivemos
Dos sonhos que tínhamos
Como éramos iludidos, meu Deus!
Deu saudade
De te abraçar
De te beijar
E dizer o quanto você é importante pra mim

Aqui estamos
Crescidos
Mais jovens e maduros
Mais adultos perante a sociedade

E não vejo mudanças
As pessoas continuam as mesmas
Os sonhos continuam os mesmo
Nada mudou muito

Só o meu jeito de ver o mundo
O meu jeito de olhar para as pessoas
O meu jeito de encarar a vida

Todos continuam os mesmos,
Como se tivessem petrificado no tempo
Todos continuam lutando
Estudando
Batalhando

E eu continuo...
Vivendo
De uma forma diferente
De uma forma inovadora
Lutando com novos ideais

Nada mudou...
Exceto eu.

Deu saudade
De ver aquele passado que tínhamos
De vivenciá-lo com mais fervor
De te abraçar uma vez mais e dizer o quanto te amo

Deu saudade
Mas sou grata por ela
Pois, se não fosse essa dor que sofro agora
Jamais aprenderia a dar o valor do momento
Da pessoa
Do gesto
Obrigada!

J.H.C

domingo, 6 de março de 2011

Tentada

Aqueles olhos cor de fogo me observam atentamente, meu corpo completamente arrepiado não se conforma, é entusiasmo e medo ao mesmo tempo. Eles existem!!

Ele fica me fuzilando noite e dia, a língua sempre passa apressadamente pelos lábios, mas ele tenta esconder a vontade imensa que tem de me consumir, de fazer o que tanto deseja.

Há dias que não durmo, não consigo mais comer direito, estou completamente hipnotizada por este ser tão maléfico e maravilhoso.

As veias de meu pescoço pulsando cada vez mais forte, lembrando-o de que meu coração ainda bate no peito, e que tenho muito sangue a lhe oferecer, tentador.

Tentado, ele se aproxima, minhas pernas bambas não conseguem se mover, meus lábios estão presos entre os dentes, as mãos fechadas em punhos junto ao corpo.

Ele abre um sorriso sádico e consigo ver a ponta de suas presas, os dentes mais brancos e maravilhosos que já vi, pontudos e fortemente chamativos.

As costas da mão direita dele acaricia levemente minha face, fazendo inconscientemente minha cabeça se afastar devido sua temperatura extremamente baixa.

Ele ergue uma sobrancelha em sinal de dúvida, os olhos vivos fixando minha jugular.

Ele me abraça, é tão reconfortante que me recosto em seu peitoril frio como gelo, mas extremamente confortável.

Suas grandes unhas passam levemente pelo lóbulo de minha orelha, descendo em direção a meu pescoço. Seus lábios se aproximam de meu ouvido e ele sussurra com aquela voz completamente sedutora, para que eu não tenha medo.

Meu corpo se relaxa, minhas mãos o abraçam pela cintura, estou entregue e ele sabe disso. Sua língua passa carinhosamente pelo pé de minha orelha, descendo sedutoramente por meu pescoço.

-Hummm... - Meu gemido sai instintivamente, sinto o calor de sua boca passar por meu pescoço, então ele o faz.

Seus dentes cravam em minha pele e um jorro de sangue inunda sua boca, uma sensação de pavor toma conta de meu corpo e tento empurrá-lo, mas ele me segura mais forte contra si e suga com mais força.

Começo a ter uma sensação nunca antes provada, meu corpo se eriçando por completo, o bico dos seios ficam completamente rígidos e sinto entre minhas pernas que ele está igualmente excitado.

Suas mãos acariciam meu corpo com delicadeza, a boca ávida em tomar até a última gota do licor tão saboroso.

Meus olhos se reviram na órbita, está tão bom, não quero que pare nunca.

Começo a gemer e sinto pela respiração dele que estamos chegando perto do clímax tão desejado.

Meu corpo se amolece por completo, ele não se aguentando urge de tesão, chegamos há um orgasmo sensacional.

Ele termina de lamber meu pescoço, sinto sua língua raspando em minha pele, e então tudo se escurece, está tudo silencioso novamente.

Abro os olhos, me vejo em um quarto escuro, grandes cortinas negras em volta das janelas.

Como fui parar ali?

Meus olhos tentando identificar o lugar, mas nada que assemelhe a algo que já tenha visto.

Capto uma claridade vinda de algum lugar. Olho para trás e então o vejo. Ele está lá, parado ao pé da porta, os braços fortes, cruzados, os olhos me observando, o sorriso sádico nos lábios.

Me levanto em um salto e logo estou na sua frente, agarrando e puxando-o em direção a cama.
Ele poderia negar se quisesse, tinha força mais do que suficiente para tal fato, mas quem disse que o queria?

Ele iria desfrutar o máximo possível de sua eterna vítima, e quando esta, não mais eterna fosse, ele arranjaria outras mais.

J.H.C


sábado, 5 de março de 2011

A Carta

''Querido John, estou deixando esta carta para que você não diga que fui ingrata ou mentirosa, a questão é muito mais complexa do que um simples sentimento amoroso. O fato é que nada mais me agrada ao seu lado e simplesmente decidi deixá-lo, assim pelo menos, quem sabe você não encontre alguém que realmente o ame.
Sinto, sei que deve estar sendo duro ler esta carta, e realmente fica complicado expressar em meras palavras minha grande decisão, mas espero que você siga seu caminho em paz, não espero realmente que entenda o que decidi fazer, mas o fato, meu querido, é que tudo tem um começo e consequentemente um fim, e este é o nosso.
Espero não estar sendo rígida demais, mas algumas coisas devem ser ditas, e direi-as com a melhor das intenções, o meu intuito é único e exclusivamente fazer você crescer, assim, quem sabe, você não comete os mesmos erros com a próxima.
Quando uma mulher lhe disser para ir dormir, não é porque ela está implicando com seu trabalho, mas simplesmente porque deseja um companheiro para ''esquentar'' os pés junto aos seus a noite.
Quando uma mulher pedir para você levar o lixo para fora, não está dizendo para se livrar de suas tralhas, mas simplesmente para deixar os problemas do serviço fora de casa.
Quando uma mulher pedir para você não deixar o banheiro todo encharcado quando terminar seu banho, não está pedindo para ser seu empregado, e sim conservar e valorizar o ambiente que ela tanto fez para deixar organizado.
Quando uma mulher lhe pedir para colocar a mesa, não está dizendo que você obrigatoriamente deva saber o lugar dos talheres, apenas gostaria de ter sua companhia nas refeições.
E principalmente, quando uma mulher pedir para você desligar a PORRA da televisão e esquecer a MERDA do futebol, não está pedindo para deixar de torcer pelo seu time, apenas gostaria que você a amasse com o mesmo afinco que ama a droga do jogo!
Assim sendo, espero realmente que faça a próxima feliz, com tal ou maior intensidade que tentei fazê-lo.

Beijos na sua grande bunda mole

Mary. ''

Ele terminou de ler a carta, os olhos esbugalhados, as veias saltando do pescoço como se fossem explodir. Olhou em volta e observando sua sala de estar completamente organizada e perfumada, sua cozinha em ordem com um belo bolo de chocolate posto em cima da mesa e sua varanda com o jardim recentemente aparado, não sabia o que dizer, e a única coisa que lhe veio à mente foi:

-Fudeu!!

Moral da história: De valor ao que você tem, se não deseja perder.
''Há quem muito é oferecido, muito será cobrado também'' De valor ao que ofereço se quiser mais.

J.H.C

sexta-feira, 4 de março de 2011

André Vianco


Pessoal, este é um post pela minha insanidade existencial sobre o André Vianco hauhauahuahuahauhauah... É sério!! ô_õ


Ele não é só um dos meus escritores preferidos como simplesmente extraordinário em seu trabalho com o seriado que será lançado em breve. Para quem nunca o leu, não sabe o que estão perdendo, leiam!!

Estou postando logo mais um vídeo sobre a série incrível que ele fez e que não vejo a hora de que seja estreada.
Espero compartilhar com mais fãs malucos como eu esta magnitude que só um André Vianco muito dedicado e grandioso seria capaz de fazer.



Tenham uma boa noite e que os vampiros te mordam!

J.H.C

quinta-feira, 3 de março de 2011

Livros, cultura e vlogs



Este é um vídeo do Denis Lee, do canal http://www.youtube.com/Denislees que por sinal, visitem, ele é um cara bem legal, fala algumas coisas super interessantes. Acho que essa idéia de criar vlogs é extremamente interessante porque está abrindo muitas oportunidades para as pessoas, finalmente a população está tendo voz ativa.

Eu resolvi colocar este vídeo dele no blog porque achei super interessante esse modo dele falar sobre a escrita, porque a verdade é exatamente esta, quando se escreve começa a se aperfeiçoar em detalhes, e quanto mais se escreve, melhores produções existirão, eu sei pelas minhas experiências. Não acredito que escrevo bem ainda, mas isto é bom, pois me incentiva a sempre estar melhorando e aperfeiçoando mais e mais, mas se formos analisar o início dos posts, ou até mesmo as histórias que fazia quando mais nova, veremos que tive uma grande evolução.
E a vida é isso ai, evoluir mais e mais sempre.
Espero que vocês tenham gostado, o blog também está com uma novidade, se vocês repararem no canto superior direito, verão que agora o blog tem tradução para outras línguas, o intuito é poder agradar e levar o trabalho do blog para o máximo de pessoas possíveis, não importando a região onde ela mora, o blog também possui abas que estão sendo formadas, aliás, é um modo de colocar o que vocês querem ver além de contos, poemas e tals, comentem!
E este ano muitas novidades virão, então aguardem!!

Um beijo

J.H.C

quarta-feira, 2 de março de 2011

Monstruosidade Prazerosa

Era uma noite obscura, o céu estava completamente coberto por nuvens densas e cinzentas.
O mundo parecia ter acabado repentinamente, tudo estava muito silencioso, tudo quieto demais.
Olhei para os dois lados da rua, esperando que um carro surgisse. Nada...
A imagem daqueles negros olhos esbugalhados olhando para mim, uma mistura de pavor e algo incontrolável dentro de mim, gritando por mais. Aquele sabor em minha língua, tão adocicado e rejuvenescedor. O ar lhe faltando, o corpo se estrebuchando e minhas mãos segurando firmemente a garganta, esmagando sua traquéia.
Era tão bom.
Voltei a realidade, minhas mãos já em posição de ataque, minha boca aberta, as presas a mostra, no que eu tinha me transformado?
O pavor tomou conta de mim, e então eu soube que nada seria igual novamente, o meu ser não tinha mais cura. Vampiro.
Teria que conviver com este fardo o resto de minha eternidade, então que assim fosse.
Segui a rua deserta, meu sobretudo negro reluzindo a luz do luar, esvoaçando.
Senti então um conforto interno ao lembrar do quanto aquilo foi prazeroso, e me senti bem.
A eternidade estava apenas começando, ainda tinha muito para apreciar.
Os humanos que me aguardem.

J.H.C

terça-feira, 1 de março de 2011

Lembrança

Era uma noite calorosa de verão, o céu estava completamente limpo e as estrelas brilhavam fortemente.
A lua estava amarelada dando uma forte impressão de estar pegando fogo.
A língua passava lentamente em torno dos lábios, sentindo o sabor que havia sido deixado daquele beijo. Esta sem dúvida foi a melhor noite de sua vida.
Os olhos de um azul profundo piscavam suavemente enquanto os suspiros eram longos, carregando um forte sentimentalismo.
As lembranças estavam a mil em seu cérebro, os últimos acontecimentos foram mágicos e inesperados.
O sorriso extremamente alvo e brilhante demonstrava a felicidade que ali existia, incomum, completamente perfeita.
Aquele perfume inebriante e extraordinário que tinha grudado em seu cérebro deixava tudo mais vivo, mais intenso, a vontade de repetir os atos a pouco feitos só aumentava e se expandia por seu corpo a cada suspiro, a cada batimento um pouco mais forte, a cada pequeno detalhe de momento.
Nunca se sentiu tão bem em toda a sua vida, uma sensação de missão cumprida, de êxtase e de quero mais.
O corpo se arrepiou ao lembrar-se do ultimo momento, aquele beijo ao pé do ouvido, a mordiscada no pescoço. Como era bom, como era enigmático, como podia estar sentindo aquilo?
Não fazia idéia, apenas sabia que queria mais e mais, e faria de tudo para ter, custasse o quanto custasse.

J.H.C

Imagem de Alan Cassiano