sábado, 29 de janeiro de 2011

Carta Final

São Paulo, 22 de outubro de 2000

E o relógio andou, assim como minha vida que te assistia. Hoje ainda sinto sua falta, mas não penso fervorosamente na mesma. As lágrimas que tinham que vir já chegaram e circularam meu coração que ficou salgado, mas limpo. O que eu tinha para dizer, eu disse.
E assim a vida continuou. A flor roxa do amor não foi colhida, logo, a mesma murchou, caiu no chão, apodreceu e virou a base para outros botões que um dia tornar-se-ão flores tão bonitas e cheias de vida quanto aquela. Talvez lindas lótus, minhas preferidas.
Seu nome está gravado em minhas lembranças, pois o tempo não foi capaz de apagar, porém minha vida, meus sentimentos independem das folhas secas de outono, símbolo da doce e amarga saudade que sinto desde que percebi que te perdi. Mas minha consciência se tranquilizou logo, afinal não o perdi por algo que a mesma julgue errado.
E hoje minha vida continua, minha experiência e meus pensamentos ajudaram-me a colher todos os instantes de felicidade e aproveitá-los como se fossem pequenas pedrinhas de carvão. Essas pedrinhas deixaram um pequeno forno aceso pelo tempo certo e se esvaíram com o tempo, porém saberei encontrar mais e manter esse forno gerando calor. Aceso sim, para novas aventuras, novos amores, novos prazeres, mas não para novas desilusões, pois estas viram cinza antes que eu sequer perceba.
Espero que você esteja desfrutando sua vida, assim como a minha está sendo aproveitada e testada a todo instante, durante as vinte e quatro horas de nossa pequena grande vida. Espero que você não continue lamentando o passado ou seguindo o ideal feito por outra mente, mas que siga seus ideais, produzidos por este brilhante cérebro pelo qual me apaixonei um dia.
Talvez você encontre felicidade.

Fique bem.
Gabrielle Oslo.

Lucas de Figueiredo


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