segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Combinação Perigosa

São Paulo, 01 de Janeiro de 2002
01:35 AM

Começarei me desculpando desta vez, pois estou na iminência de revelar-lhe coisas que você talvez não queira ouvir. Ler esta carta pode ser uma perda de tempo para você, mas eu sinto a necessidade de escrever e revelar esses sonhos que passam pela minha cabeça.
Todos planejam uma vida ideal, isto está tão óbvio quanto dizer que dois mais dois são quatro e eu, sendo um ser humano como qualquer outro, não sou diferente. Eu queria de alguma forma, compartilhar esses desejos de vida ideal com você, que me aturou durante dezoito longos anos.
Eu queria viver a vida de dois modos diferentes, sendo que esses dois modos de vida seriam o intenso, pois tenho a necessidade de pensar sempre no máximo e não no mínimo. Enfim... Um desses modos é o de ser o objeto de uma relação intensa, na qual perceberia a intensidade das pessoas próximas a mim. Já o outro é totalmente ao contrário e, neste caso, eu seria a pessoa que faria a relação ficar intensa. É algo como ser dominado ou dominante, entende? Bom... melhor parar de enrolar e ir direto ao ponto, pois não quero fazer você dormir, mas sim colocar um assunto em jogo e ao mesmo tempo, mostrar o quanto estou viva e o quanto me interesso por ti.
Meu primeiro sonho é ser, literalmente, uma “donzela”. Viver protegida por alguém, ao contrário do que pareça, é bem intenso em minha opinião. A intensidade não reside na vida em si, mas no relacionamento dos amantes, afinal você não protegeria uma pessoa se não tivesse um grande vínculo com a mesma. Você não daria sua vida para salvar a de outra caso você não sentisse algo pela pessoa, não é mesmo?
Pode parecer bobo, mas este sempre foi um de meus maiores desejos que você, de certa forma, acabou realizando. Eu lhe agradeço muito por isso...
O outro revela minha luxúria. Sei que é pecado, mas como não sou religiosa, está tudo certo! (Risos) Neste sonho, gostaria de ser vista como um objeto sexual. Pode parecer estranho, mas você já reparou o quão intenso é a relação corporal? Ela representa um loop na vida de qualquer pessoa, tanto que quase ninguém consegue viver sem sexo hoje em dia. Você sempre foi ótimo na cama, porém eu sempre contive um incêndio dentro de mim. Entretanto, isso também não significa que eu o trai, viu? Eu sempre fui fiel e me orgulho disso!
Bom... acho que agora você já conhece mais um de meus “três mil trezentos e oitenta e sete lados” e você não sabe o quão aliviada cada vez que te digo algo assim. Parece que sinto a necessidade de lhe contar tudo e de ser completamente transparente, mesmo sabendo que não somos mais tão íntimos assim. Pena que essa vontade não era tão forte na época que éramos casados.
Mas agora estou curiosa sobre sua opinião sobre o assunto. Você tem algum sonho parecido? Você deseja algo pelo qual daria qualquer coisa para possuir? Gostaria que você não ficasse tímido desta vez e me conte tudo em suas próximas cartas. Estarei ansiosa para recebê-las!
Espero também que você entenda esse coração que, além de feminino, perdeu os freios. Não acharia estranho um homem me dizer que sou a mulher mais doida e confusa que existe!

Um beijo de sua amiga íntima.
Gabrielle Oslo.

Lucas de Figueiredo

domingo, 30 de janeiro de 2011

Relações Recicladas

São Paulo, 26 de novembro de 2001

E hoje faz vinte e um anos desde aquele velho baile dos anos 80. Lembro-me como se fosse ontem o quanto você estava bonito naquele bendito dia. Estava tímido também, mas isso sempre fez parte de seu jeito de ser.
O terno preto contrastava com a camisa branquíssima que ganhou dos avós e os sapatos, bem engraxados, que foram retirados depois de três anos do armário, com aquela grossa camada de poeira. Você ficou um bom tempo lá, esfregando a flanela com tanto empenho. Dênis sentia uma profunda inveja de ti, mas afinal quem não sentia? Você era o homem mais belo da sala e todas as mulheres queriam conquistá-lo, mas raramente você conversava ou saía com alguma delas.
E os vestidos das moças avançavam pelo salão, acompanhando o ritmo das pernas de seus pares. As mãos dos homens enlaçavam a delicada cintura das mulheres dançantes na ampla sala. Eu estava largada na mesa, mas de repente você me chamou. Não sabe a felicidade que senti naquela noite.
E depois daquele baile a gente começou a se conhecer. Cartas e mais cartas eram mandadas pelo correio, contento os mais bonitos – e íntimos – versículos de amor. Depois de um tempo a vizinhança inteira comentava de nosso namoro. Mamãe e papai eram severos em relação a horários e também quando se tratava de gestos. “Beijos e abraços são expressamente proibidos nesta casa! Vocês estão se conhecendo agora, quando tiverem um compromisso mais sério, podemos ser menos rigorosos, mas agora não!”. Sinto falta desse tempo, principalmente quando os enganávamos e fazíamos as mais doces travessuras...
Mas o tempo passou e não devemos pensar tanto no passado, não é mesmo? Agora estamos separados, temos uma linda filha para cuidar e ainda mantemos nossos corações vivos para amar novamente. Não me arrependo de nenhum momento em que passei contigo e foi uma pena que o sentimento que nos unia acabou.
Sinto falta de você. Espero que continue mantendo contato, afinal ainda somos bons amigos. Quando você tiver um tempinho, me ligue. Meu número de telefone continua o mesmo.
Nossa amizade será eterna enquanto houver comunicação por ambas as partes. Não esperarei – e nem acharei conveniente – que as próximas cartas tenham o mesmo conteúdo das provenientes de nossa doce época, mas gostaria de obter uma resposta sua, com aquela letra “de menina” que só você sabe fazer.

De sua sempre amiga,
Gabrielle Oslo.

Lucas de Figueiredo

sábado, 29 de janeiro de 2011

Carta Final

São Paulo, 22 de outubro de 2000

E o relógio andou, assim como minha vida que te assistia. Hoje ainda sinto sua falta, mas não penso fervorosamente na mesma. As lágrimas que tinham que vir já chegaram e circularam meu coração que ficou salgado, mas limpo. O que eu tinha para dizer, eu disse.
E assim a vida continuou. A flor roxa do amor não foi colhida, logo, a mesma murchou, caiu no chão, apodreceu e virou a base para outros botões que um dia tornar-se-ão flores tão bonitas e cheias de vida quanto aquela. Talvez lindas lótus, minhas preferidas.
Seu nome está gravado em minhas lembranças, pois o tempo não foi capaz de apagar, porém minha vida, meus sentimentos independem das folhas secas de outono, símbolo da doce e amarga saudade que sinto desde que percebi que te perdi. Mas minha consciência se tranquilizou logo, afinal não o perdi por algo que a mesma julgue errado.
E hoje minha vida continua, minha experiência e meus pensamentos ajudaram-me a colher todos os instantes de felicidade e aproveitá-los como se fossem pequenas pedrinhas de carvão. Essas pedrinhas deixaram um pequeno forno aceso pelo tempo certo e se esvaíram com o tempo, porém saberei encontrar mais e manter esse forno gerando calor. Aceso sim, para novas aventuras, novos amores, novos prazeres, mas não para novas desilusões, pois estas viram cinza antes que eu sequer perceba.
Espero que você esteja desfrutando sua vida, assim como a minha está sendo aproveitada e testada a todo instante, durante as vinte e quatro horas de nossa pequena grande vida. Espero que você não continue lamentando o passado ou seguindo o ideal feito por outra mente, mas que siga seus ideais, produzidos por este brilhante cérebro pelo qual me apaixonei um dia.
Talvez você encontre felicidade.

Fique bem.
Gabrielle Oslo.

Lucas de Figueiredo


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Resposta Ao Convite

São Paulo, 18 de dezembro de 1981

Olá meu querido, tudo bem?
Estou escrevendo porque necessito lhe informar que não irei ao baile este ano. O motivo é... Bem... Acho que é tempo de lhe confessar algumas coisas.
Eu sempre fui apaixonada por você, desde o princípio.
No momento em que ouvi um “Olá” por tua boca – e que boca – no início das aulas, comecei a sentir algo especial por sua pessoa. Eu me aproximei em ordem de fazer você corresponder o sentimento, mas isso revelou-se impossível logo na primeira semana.
Com o passar do tempo, meu sonho afastava-se da realidade e, ao mesmo tempo, sua amizade fortalecia. Eu podia sentir isso ao ver sua confiança em mim e isso era estranho, pois me deixava feliz e triste ao mesmo tempo. Eu sempre quis ao menos sua amizade, mas isso se tornou insuficiente para silenciar meu coração que batia desesperadamente por ti.
Então, meu coração não resistiu ao golpe que recebera. Em meados de setembro deste ano, sua confissão de amor por Giselda me botou num profundo desespero e, nesse desespero prometi que não lhe dirigiria a palavra, mas essa promessa já estava quebrada na semana seguinte. Meu amor por você atraia meus ouvidos de encontro a sua doce voz e de minha boca saíram as mais instintivas desculpas, que chegaram em suas orelhas e envolveram sua mente que, mesmo com o choque da possibilidade de perder nossa amizade – que não era qualquer amizade – foi compreensiva e aceitou minhas desculpas sem muitas perguntas. E isto só ajudou a aumentar a fascinação que tinha por toda e qualquer parte de seu ser.
Atualmente o sentimento ainda perdura em meu coração e hoje faz companhia à amarga saudade e à ferrenha esperança não-morta, apagando qualquer resquício de coragem para vê-lo novamente. Contudo, não pedirei desculpas pelas minhas atitudes nesta carta, pois acredito que o que sinto justifica – e perdoa – todas as minhas ações. Afinal, sou uma simples garota, presa num simples mundo de sonhos e que simplesmente encontra-se dolorosamente apaixonada por alguém que nutre um sentimento de amizade, sendo que este, embora valioso, é insuficiente perante a grandeza do amor guardado em meu singelo coração.

Gostaria que você se divertisse no baile, mesmo com minha ausência.
Sayonara,
Gabrielle Oslo.

Lucas de Figueiredo

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Há homens que já nascem póstumos (Friedrich Nietzsche)

Nessa familia, o único que vive sou eu. Sempre fui eu. Desde minha infância, sempre fui o único que fez o que realmente queria, mesmo sabendo que as consequências poderiam ser pesadas. Eu sempre aproveitei cada momento, sempre me esforcei para dar o passo mais longo de todos os tempos. Contudo, as pessoas ao meu redor são mortas, cadavéricas e esqueléticas. Dívidas, dor e preocupações eram tudo o que povoava a mente daquelas pobres pessoas, que se achavam e ainda pensam que são sábias. Mas a única coisa que aprenderam na vida foi desperdiçar a mesma, até que a morte finalmente a encerre. Mal elas sabiam que já estavam mortas somente por escolher este caminho.
O único que vive sou eu, pois eu dou risadas, eu choro, eu sinto o gosto de todas as coisas. Não duvido que um dia sinta o gosto da água. Eu sempre abri meu coração para as mais diversas emoções, das mais dolorosas às mais doces. Eu nasci entendendo o verdadeiro valor da vida. Eu sempre soube que ela não é eterna, mas é intensa. A vida é como um fruto: se você não apanhá-lo, ele cai e estraga.
O único vivo sou eu. Sou como uma flor que brota num jardim seco. As pessoas mortas se aglomeram ao meu redor e, de certa forma, jogam praga, pois acreditam que me tornarei igual a elas com o passar do tempo. E é nesse instante que olho na face de cada uma e sinto pena, pois elas não sabem – e nunca vão saber - o que estão perdendo.
Pessoas que correm para tentar viver, mas a cada passo ficam mais distantes da vida em si. A vida é como uma árvore que você pode plantar onde quiser: essas pessoas não notaram que, em vez de posicioná-la ao seu lado para poder apanhar seus frutos, elas estão plantando a mesma na mais alta montanha e nunca mais terão forças para chegar até a árvore. A vida não tem que ser vista como um objetivo, pois ela não é a meta, mas sim o caminho. A vida não é para ser alcançada, a vida é para ser vivida.
E dentre essas pessoas mortas, pálidas e obscuras, eu prossigo em minha jornada. Sem rumo, sem dor, sem pânico, sem preocupações... Sem nada.
O único que vive sou eu.

“É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.” Friedrich Nietzsche
Dedicado à Jéssica Helena

Lucas de Figueiredo

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Aos literatos

Para quem, como Gregório de Matos
Falou de amor ou poetizou fatos
Cantou a dor como Álvares, Cecília
E abriu-se ao mundo ou trancou-se numa ilha

A homenagem, sinto-me vergonhoso:
Pois se um rio faz com a margem o Castro
A Caetano, poeta e som Veloso
(Nem sequer canto) ergo humilde esse mastro

Se Drummond dedica a Cyro Novaes
A morte do leiteiro, minha voz
cita ao mundo inteiro Eça de Queiroz
Jorge Amado, Camões e muito mais

Quero bem a Bocage e Clarice
A Olavo idem, apesar que me disse
Mário (desculpe) Manuel Bandeira:
“Reduze a fôrmas a forma é besteira”.

Os destes escrevo o nome completo
Algo que até este instante não fiz:
Grande João Cabral de Melo Neto,
Joaquim Maria Machado de Assis.

O grande sertão de Guimarães Rosa
De todo modo respeito sua prosa
(inda não li) mas sei o quanto é boa
- Como versos dos “Fernando Pessoa”
que estão no âmago, o fundo em todos nós
E é lá no profundo que as alegrias
Raras num texto “Rachel de Queiroz”
Vêm na esperança de Gonçalves Dias
Retornar aonde canta o sabiá
Portanto a terra onde me encontro cá.

A quem escreve presto estes tributos
também aos que em silêncio geram frutos
-Pena serem tantos, gente demais
Mas aqui não poderia faltar
Quem fez gente assim sonhar e cantar
com Tom Jobim: Vinicius de Moraes!

Rafael Cardoso

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Justificativa

De certa forma, também reflete-se amargura no ser de hábitos metódicos
De certa forma, há nele desprezo pelas metas mundanas,
que corroem a integridade do ser .
De certa forma, ele vê com eles a dureza em vencer batalhas mesológicas
E assim, identificação tão subjetiva entre o comportado e os revolucionários
traduz-se em conversas agradáveis a três
entre tantas diferenças.

Rafael Cardoso

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Entender

Entender ultrapassa qualquer entendimento. Meio confuso, não acha? Talvez as ideias acerca do assunto se transmitem na simples capacidade e/ou possibilidade de entender. E aí já entramos no entendimento. Por exemplo: Como entender o amor... Será que só entende quem ama?
Entender o amor é como tentar alcançar uma estrela. A esperança - ou uma certa satisfação - de aproximar o dedo indicador do polegar, em frente aos olhos semicerrados, na janela de casa, parece nos convencer da pequenez das estrelas. Mas não. As estrelas são muito maiores, grandes demais para que possamos interpretá-las de uma maneira tão simples e tão falha de esforço.
Entender ultrapassa níveis. Não possui patamares, bases sólidas de compreensão para estabelecer um padrão de entendimento. Cada um entende da maneira que lhe é conveniente, e é aí que reside toda a diferença. Particularidades são, como o próprio nome diz, particulares. Ou seja, entrar em consenso sobre particularidades é como se todos tentassem entender da mesma forma. Inviável demais! Afinal, entender ultrapassa qualquer entendimento.

Pietro T.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Amigo da Amizade


Ah, a amizade...
Falar de amizade é - no meu caso - ser bastante imparcial. Isto porque eu valorizo-a de uma forma intensa, coloco-a como uma das minhas prioridades na vida. Tá, pode parecer exagerado ou coisa do tipo... É a minha opinião. Coloco-a num patamar extremamente elevado, porque acredito que amigos são ótimos alicerces para manter uma pessoa erguida mesmo quando ela não tem mais condições de ficar em pé.
As pessoas tem o condão de valorizar um amigo somente na hora que precisam, ignorando o fato de que ele também precisa delas quando elas não precisam deles. As pessoas precisam aprender que amigos não são como conselheiros "sem-vida", que estarão sempre ali para erguê-las quando elas estão caindo. Cuidado... Talvez no dia em que você precisar de um amigo para te levantar, ele também poderá estar caído, e quem irá te levantar? Esteja pronto para levantar um amigo caído mesmo quando você também estiver caído.
Um amigo é mais do que um título que você cria para compartilhar com as outras pessoas, somente para dizer "Este é meu amigo" , criando a falsa imagem, para os outros, de alguém que você (supostamente) compartilha pensamentos, ideias, planos, segredos, suposições, enfim... Não é necessário mostrar para todo mundo que você tem um amigo, até porque muitas coisas externas podem afetar - e muito - a amizade entre vocês, e isso é totalmente o contrário do que você deseja, não acha?
Você já teve um amigo? Já teve alguém para ouvir tudo aquilo que você queria contar? Ou melhor: já sentiu confiança plena em alguém? Confiaria sua vida a essa pessoa? Defenderia-a com todas as suas forças? Se sim, parabéns, você já teve o prazer de ter um amigo. Mas uma coisa é certa: se você nunca perdeu um amigo, faça de tudo para que isso não aconteça. Você pode parecer forte, no começo, mas depois a situação fica cada vez mais estreita, você sente como se estivesse perdendo tudo. É o famoso "como se estivessem arrancado um pedaço de mim". Pode ter certeza que é assim (experiência própria).
Ter um amigo não é somente ter um número de telefone para ligar e chamar aquela pessoa para ir à balada. Valorize as amizades como coisas essenciais da sua vida. Valorize até aquele garoto ou garota da sua sala que fala pouco com você mas te considera muito na vida dele. Pode ser que você ignore isso agora, mas acredite: se acontecer algo negativo, você dificilmente discordará de mim. Boa noite.

Pietro T.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Como uma luz que se reacende...

Talvez eu ainda achasse que aquela luz tivesse sido apagada para sempre...
Talvez eu pensasse que eu era de uma pessoa só. De uma pessoa só e de mais ninguém. Talvez eu filosofasse sobre uma única pessoa, achando que ela era a única e última que me faria feliz. Talvez, talvez, talvez... Quantas incertezas!
Mas de uma coisa eu estava certo, e para enriquecer este humilde texto, cito Sócrates: Só sei que nada sei. Ainda bem que eu tenho Sócrates para descrever este momento. Talvez uma outra frase não conseguiria expressar aquilo que eu quero. Só sei de algo que eu ainda desconheço, de algo que talvez não tenha um significado correto, uma concepção pura e insubstituível que nega qualquer outra colocação.
Você apareceu como quem não queria nada. Eu te julgava como uma pessoa totalmente diferente da que eu vejo hoje. Tinha uma ideia errada do seu verdadeiro "eu". Mas sabe, é bom que eu tenha me decepcionado. Bom, na verdade, não vou usar a palavra "decepcionado", até porque se tem um sentimento que eu não estou sentindo agora é a "decepção". Me surpreendi da maneira mais positiva possível. Reacendestes algo que eu achava que estava apagado para sempre. Me encontrou no momento em que eu mais estava perdido, me resgatou da escuridão plena e sólida de onde eu estava e me transportou para um lugar que, hoje, me deixa feliz. Aliás, muito feliz.

Talvez eu ainda achasse que aquela luz tivesse sido apagada para sempre. Mas sabe, sempre tem alguém que a acende. Mais uma vez, tem alguém que a acende. Por mais que achem que não, sempre vai aparecer aquela pessoa que vai te fazer sorrir em plena segunda-feira de um dia nublado e frio.

Pietro T.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Liberte-se!

Liberte-se. Fuja dos problemas por um minuto sequer, esqueça suas preocupações e releve todas as obrigações que você precisa fazer por, pelo menos, um minuto. Sinta a vibração de uma vida sem problemas, sem preocupações nem obrigações. Pule, cante, dance, grite, corra, deite, viva! Perceba, afinal, que a vida é extremamente curta para ser destinada somente às coisas que você obrigatoriamente tem de fazer. Reserve um tempo para você, curta as coisas ao seu tempo, do seu modo, do seu jeito. Esqueça os preconceitos, as diferenças, as culturas opostas, os olhares controversos, as conversas mal-executadas. Faça de sua vida um momento bom para viver. Saia com os amigos, dê risadas, coma besteiras, faça de todos os momentos os mais inesquecíveis. Abrace seus pais, converse com sua família, abra o seu coração, aproveite todos os segundos possíveis com as pessoas que você ama. Revele-se para o amor da sua vida. Atravesse distâncias por amor.
Sabe a historinha de plantar uma árvore? Faça isso, sustentabilize o mundo para o futuro daqueles que terão, no mínimo, o seu minuto de "fugir dos problemas, esquecer as preocupações e relevar todas as obrigações". E a de escrever um livro? Não se preocupe em, obrigatoriamente, escrever um livro. Já não te falei que é para esquecer as obrigações? Viva todos os momentos de forma intensa e duradoura, faça os outros felizes, porque não serão páginas de um livro que farão você lembrar de todos os momentos bons que passou, e sim aquilo que ficou guardado na sua mente... No seu coração.
Por último, faça um pedido. Fez? É hora de viver. Liberte-se!

Pietro T.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Amor à distância

Amor sem beijo,
Amor sem toque,
Amor de queijo,
Amor, provoque.

Amor que chama,
Amor sem choque.
Amor que clama,
Amor, invoque.

Há ainda quem diga
Que esse amor não existe.
Mas agora eu só confirmo:
Esse amor insiste. E persiste.

Mas se ainda desconfia,
É porque ainda não amou.
Até um amor que vive à distância
Também é amor, amor.

Pietro T.



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O último Adeus

Você não sabia como cuidar de mim. Você não precisava de mim. Você nunca precisou. Ou será que você sabia fingir muito bem? Quem sabe? Só você.
Você parecia me fazer a pessoa mais feliz do mundo. Você me tratava de um jeito que me fazia a pessoa mais realizada do universo. Eu queria você comigo sempre. Queria que os ponteiros do relógio girassem mais rápido para chegar a hora de te ver, de falar com você. Queria que as horas nas quais eu passava conversando contigo se tornassem eternas e inacabáveis. Eu só queria você... Só você.
E agora tudo acabou. Tudo dissipou-se numa velocidade surpreendente. Um dia, ao meu lado. No outro, longe de mim. Parecia-me algo estranho, eu não sabia onde me segurar para não cair. Tudo ruíra como uma construção mal-feita. Era, talvez, um conto de fadas sem um final feliz. Era, talvez, uma história que parecia a mais linda de todas, que inevitavelmente terminaria com um "felizes para sempre", mas, num passe de mágica, tudo se acabou.
Talvez eu tenha sido tolo de acreditar que isso daria certo. Mas sabe, eu vivi todos os momentos da forma mais intensa possível. Sorria, ria, me divertia sempre que falava com você, mas também chorava quando brigávamos. Era tudo muito intenso, tudo muito forte, tudo muito... Real. Tão real que deixou de ser um conto de fadas. O céu deixou de ser um azul-claro feliz para se tornar uma única nuvem enorme e escura, anunciando a tempestade que viria logo a seguir.

Os pingos de chuva chegaram, os trovões anunciaram os raios, que vieram sem dó. Não consigo ver mais ninguém... Nem você.

Pietro T.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E foi aí que ele conheceu...

Ele era calmo, sincero, amigo, fiel... Até que um dia alguém o decepcionou. Desafiou-o e ele encarou a luta com todas as suas forças, e também retirara forças de um "não-sei-de-onde" - não necessariamente a força física, sua força mental fora surpreendente. Mas ele se frustara pela atitude da pessoa. Vira a pessoal cruel na qual ele tivera amizade, e aí começou a perder a confiança, a credibilidade, a lealdade às pessoas. Generalizou a atitude de um para todos - não vamos culpá-lo por isso, é extremamente compreensível que tenha feito isto. Ás vezes as pessoas se decepcionam e se isolam, mas não é correto que as isolemos também. Devemos estender nossas mãos para ajudá-la, porque é justamente nessas horas que elas precisam de um ombro amigo. Voltando ao nosso amigo da história, foi nessa hora que ele sentiu algo novo.

E foi aí que ele conheceu o Ódio...

Mas então ela apareceu. Tocava seu coração com palavras doces, e por mais que tais palavras fossem da pior classificação possível, elas agiam nele como o toque suave de um travesseiro recém-adquirido que espera pelo encontrão promovido pelos nossos rostos. As mãos dela eram como os algodões mais fofos do mundo, acariciavam-no mesmo quando ela, outrora, lhe dera um tapa na tentativa de reprimir seu Ódio compulsivo por todas as pessoas. Ela era a única que o acalmara, era a única que o fazia paciente. A única... Então ele começou a melhorar. Ou melhor, estava anseando por melhoras, porque sentia que, só assim, aproveitaria da incrível sensação que ela lhe causara. Pela primeira vez, ele conseguira reprimir seu Ódio, e tudo por causa dela... A pessoa que ele nunca sonhara encontrar, estava ali, na vida dele.
Ele não entendia exatamente o que era aquilo, mas queria viver da forma mais intensa possível, pois aquele mais novo sentimento o transformara numa pessoa melhor.

E foi aí que ele conheceu o Amor...

Pietro T.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ficção romântica

(...)

Lembro dos nossos encontros escondidos, das nossas conversas, nossas ligações, nossas confidências... Lembro até das nossas brigas - brigas estas que eu era orgulhoso demais para admitir quando estava errado, e você também tinha sua parte de orgulho, então ficávamos por horas, dias, até meses sem conversar, mas acabávamos comentando um assunto ou outro, muitas vezes sem querer, e tudo era esquecido, porque o que a gente sentia atropelava qualquer briga, qualquer desentendimento, qualquer pedacinho de confusão que um dia pudesse permanecer entre a gente.
Mas o Amor também é afetado pela distância. Quando eu não sabia onde você estava, me perguntava: "Para onde você está indo? Me leva com você?", mas você estava longe demais para me ouvir, nem mesmo sussurros seriam ouvidos àquela distância. Eu me trancava no quarto e tentava te ver sem ninguém... Ou melhor, sem ninguém que pudesse oferecer perigo a mim, ninguém que te roubasse de mim. Eu sou ciumento. Sim, eu sei que sou. Até demais, às vezes. Mas eu sempre tentei (e tento) me controlar, espero que você saiba disso. Acho que você sabe disso.
Você é a inspiração dos meus dias, o nascer do meu sol, o deslizar dos meus ventos. Meu profundo orgulho por te ter, meu sorriso dos dias mais intempestivos, minha auto-estima de um dia sem futuro... Minha paz, quero estar contigo sempre, sempre! Espero um dia te abraçar, te olhar no fundo dos seus olhos e dizer que a pessoa certa é você.

Pietro T.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O adeus Dela, a esperança Dele

E então o braço dela escorregou por um dos lados da cama de armar, cujos lençóis brancos estavam pincelados aqui e ali pelo sangue da mulher que acabara de dar seu último suspiro antes de partir. Ela se fora. Era a última - ou melhor, a única - pessoa que ele contava para viver consigo, que ele um dia cogitara se casar. Acabaram-se, naquele fim de noite, todos os sonhos que ele um dia tivera para com ela, a única pessoa em todo aquele mundo na qual ele planejava algo para o futuro. Tudo terminou como num piscar de olhos, tão inatingível quanto um fiapo de fumaça se dissipando pelo ar.
As últimas palavras dela ainda ecoavam firmes em sua mente, embora ligeiramente trêmulas, totalmente contrárias àquela personalidade de mulher forte que ela tinha: "Cuide dele. Cuide...". E ela não teve tempo de terminar sua frase. Sua força já se desintegrara por completo, e aqueles olhos - ah, aqueles olhos, que ele tanto gostava de apreciar - já pareciam não exibir a antiga luz natural que ela mostrava toda vez que o encarava.
Ele se levantou. Estava, segundos atrás, praticamente estirado no chão, ao lado da cama baixa em que o corpo morto já não apresentava sinais vitais. Sua mão deslizou lentamente até o rosto dela, e dois dedos encostaram em suas pálpebras, cobrindo os olhos que ele tanto gostava de ver. Não queria mais encará-los. E aquela foi a última vez que ele se viu refletido nos olhos dela. A pessoa que ele tanto amara. E a voz dela tornou a surgir dentro dele, e pela primeira vez ele desviou o olhar do corpo para ver o que causara-lhe a morte. Ali, sobre a mesa anteriormente improvisada com um travesseiro e lençóis limpos, um recém-nascido chorava descontroladamente. Estava aos cuidados de uma mulher que ele pouco conhecia... Era "amiga" dela. Encaminhou-se para o pequeno, e um sorriso ainda meio fraco formou-se em seus lábios, eliminando um pouco da tristeza das lágrimas que escorriam por seu rosto. Encarou seu filho pela primeira vez. Parecia, ao rapaz, que nada importava além de tentar fazer a mulher superar a dor e viver. Mas havia ali um motivo para desviar seu olhar dela: seu filho.
Naquele momento, ele percebeu que valia a pena continuar vivendo. Cuidaria do pequeno com todas as suas forças. Mal sabia ele que, em pouco tempo, perceberia que o moleque tinha os olhos da mãe... Mais um motivo para zelar por ele sempre.

Pietro T.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A entregadora de pizza

Cérebro engrenagens
Movidos a rosquinhas e sonhos
Talvez por isso
Um coração tão doce
Quase diabético (Que pena!)
Corre ruas de amargurados dissabores

Por trás do capacete
Ninguém vê tempo
Pra ter tua beleza esbelta
Você não come pizza
E ela te sustenta
Não conhece as belezas da São Paulo
Onde andou todos os cantos
Em duas rodas

Não é médico-legista
Mas vê a morte de perto
Nem soldada
Apesar das batalhas que presencia
Na Berrini no horário da Sé
Tão pouco psicóloga
E no entanto trabalha com pessoas doentes

Sem diploma conhece tudo
Sem dinheiro pra quase nada
Tu, doutora anônima mestrada em artes sobrevivênicas
Exemplo da mulher valente
Próxima aos faróis dos carros
Distante dos holofóticos
Olhares mundiais
E dos motoristas engravatados.

Rafael Cardoso

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A Mensagem da Chuva

Engraçado o que a chuva
Deixou nítido
Seu nome surgiu
No chão lavado
Enquanto o céu
Ficava límpido
E as estrelas a refletir meu pensamento:
Quase tudo agora é dor por se estar sozinho
Mas inda resta agradecer, pequenininho
A Deus por te ter tido em cada vão momento.

E o efêmero fez-se eterno
Amenizou grande agonia
Calor intenso neste inverno
Meu pão-nosso de cada dia.

Rafael Cardoso

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Soneto jamais entregue ao chefe

A alegria é um remédio
Efeitos colaterais:
Quando vem opor-se ao tédio
Faz que queiramos bem mais

De modo que nunca estamos
Nessas nuvens tão sonhadas
De modo que então ficamos
Pessoas insaciadas

A vida pequenininha
E simplesinha é de otário
Penso que o mundo é rainha

E eu, só formiga-operário
Estou a comer beiradinha
Com este humilde salário.

Rafael Cardoso

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Internet

Só vou escrever uma palavra
Com a tinta desta caneta que não acaba:
Internáutica.
O internáutico navega
É um peixinho
Preso à rede mundial de computadores.

Rafael Cardoso

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Relacionamentos escolares

Durante certo tempo
Namorei a tabela periódica
Mas a Química entre nós
Não reagiu

Conheci a física, mas nosso amor
ao invés de crescer
como a energia potencial
do corpo que sobe
Tornou-se movimento retrógado
E essa força-peso
Fez que voltássemos
à origem

De mãos dadas com a História
Passeei pelo mundo
E com ela fiz um tratado
Selando nossa eterna amizade

A Gramática era “gente fina”
Gostava dela
Eis que surge a Literatura
e esqueço de todo o resto
Ela é daquelas moças bonitas
Que são perfeitas na sua imperfeição
A Gramática rígida
Eu falo com ela somente o necessário
Com a outra me encontro
Todas as noites
Nosso grande prazer
É fazer poemas.

Que seja infinito enquanto dure!

Rafael Cardoso


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Acróstico IV

Sinto algo, não proponho
Odio de mim pelo pavor medonho
Não revelo não falo de meu sonho
Hora há que deito na mesa, e o ponho
Olhando de esguelha para o Tonho

Rafael Cardoso


domingo, 9 de janeiro de 2011

Acróstico III

Risonho, teve a esperança
Alegre de que sonhar e ralar
Faziam dele madura criança.
Assíduo por ser e ajudar,
Enxugou, ao cair, aquela estranha ferida
Linguagem fria. Achou que entendia da vida.

Rafael Cardoso

sábado, 8 de janeiro de 2011

Acróstico II

Mostra-me quem tu és
E terei medo de ti
De modo que medo é
Odiar aquilo que nunca vivi

Rafael Cardoso


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Acróstico I

Sentimento estranho, que interfere no direito de
Amar quem está distante (noutra rua ou planeta), quem sabe
Urano - aquele fim de mundo - não é o lugar exato para estar, é
De onde a pessoa ou cãozinho te chamariam, sem dúvida, não fossem
Amarguradas situações do cotidiano impedindo que
Delas também emanem, todos os dias
Esse fogo de bem-querer que trazemos no peito.

Rafael Cardoso

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pequeno Agradecimento

Pessoal, eu fiz esse vídeo no intuito de agradecer a todos que estão visitando meu blog.
Espero que gostem, e me perdoem pela tremulação toda no vídeo, é que gravei com a câmera do meu celular.

Um beijo

J.H.C


Nada é planejado, tudo simplesmente acontece. Mas quando?

Bom, não sou um grande especialista em textos, acho que quem me conhece pelo menos um pouco sabe disso. O que irei escrever a seguir vai contra tudo o que sempre falo aos meus amigos e muitas vezes a mim mesmo, mas como às vezes na vida nada tem um propósito, nada é planejado, as coisas simplesmente acontecem.
Acho que muitos irão ler esse texto e pensar que sou depressivo, que não tenho nenhuma perspectiva da minha vida, e que as minhas perguntas têm uma resposta simples, porém direi simplesmente que sei o que quero, mas, muitas vezes a vida nos pega de surpresa e nos vemos diante de uma situação nova, e somos obrigados a lidar com isso e levar as feridas conosco por um certo tempo.
Ultimamente tento olhar a vida por diferentes perspectivas, e de alguma forma me sinto com vontade de expressar tudo isso. Afinal o que é perfeito para nós? Se conseguíssemos analisar nossa vida por diferentes ângulos veríamos que sempre há algo bom e ruim. Porém o que acontece quando tudo parece certo, perfeito, mas sempre lhe falta algo pra se sentir completo? Muitas vezes paro e penso: De que adianta você conseguir atingir alguns objetivos importantes? Isso é realmente o que eu quero no momento? Ouço muitas vezes as pessoas falarem “Nossa como você consegue tudo isso? Não precisa se preocupar com mais nada! Parabéns!” Acho que todos nós já ouvimos essa frase pelo menos uma vez na vida e sentimos orgulho de nós mesmos, porém 5 minutos depois nos bate a pergunta “Mas porque exatamente o que eu quero eu não consigo?” Creio que tudo o que nós queremos realmente é possível, mas por que será que é tão difícil de conseguirmos?
Acho que muitas perguntas ficaram em aberto, e como eu disse na vida nada tem um propósito, as coisas simplesmente acontecem, entretanto muitas vezes desejamos que algo novo aconteça, algo que nos faça levantar de manhã e dizer “Vou viver um novo dia” é essa a idéia que pretendo passar, aquilo que acontece não me satisfaz, e o que parece mais simples para alguns, é tão difícil pra mim? Vale a pena lutar para ser “perfeito”, mas nunca conseguir o que eu quero?
Essa é a pergunta que levo para esse ano que está começando, e espero que ele não só me traga respostas, mas a felicidade, que para alguns parece tão simples, e para outros parece inalcançável.

Luiz Henrique

Meu querido amigo, é uma honra ter sua participação diante o meu blog, espero que suas dúvidas tenham respostas positivas e que você, acima de qualquer coisa seja feliz.

J.H.C

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Designers coreanos criam saco que purifica água a partir da luz solar

Pessoal, esté site é muito bom, por tal fato resolvi copiar a reportagem e colocar abaixo minha opinião, acho que vale a pena!!


O saco possui alças que facilitam o transporte da água

Em muitas regiões do mundo, o grande problema envolvendo a água, não é apenas a escassez, mas também a falta de acesso a uma fonte limpa. Indignados com a situação de todas essas comunidades, três designers criaram um saco capaz de transportar comida e purificar água.

Os coreanos Jung Uk Park, Myeong Hoon Lee e Dae Youl desenvolveram o Life SackLee. O saco é uma invenção que pode transformar a vida de quem depende de doações de alimentos e não tem fontes de água limpa próximas de suas casas. Life Sack é uma espécie de container para o transporte de alimentos e que possui uma tecnologia diferenciada para o tratamento da água.

O recipiente usa o Processo de Desinfecção Solar de Água, que mata os organismos no líquido contaminado, a partir da radiação UV-A, que penetra com facilidade o PVC de que o saco é feito.

O filtro é capaz de remover todos os microorganismos e purificar a água

Há também, um filtro interno capaz de remover todos os microorganismos que tenham, pelo menos, 5 nanômetros (um nanômetro é igual a um milímetro dividido por um milhão). Para se ter uma ideia da eficiência do filtro, a bactéria causadora da tuberculose tem um tamanho de 200 nanômetros.

Pensando nas pessoas que caminham quilômetros até conseguirem comida e água, os designers ainda adicionaram alças de mochila no produto, o que torna o processo muito mais fácil. Depois, é só expor a água no sol e deixar o Life Sack agir purificando a água.

Não há informações sobre a venda do produto, no entanto, a ideia poderia inspirar até mesmo empresas do Brasil, já que a situação destas comunidades não é muito diferente do que vemos em várias regiões brasileiras, seja no sertão nordestino ou em cidades que não contam com saneamento básico.


OPINIÃO:

Uma ajuda, sem dúvida!!


Mas que maravilha,

a tecnologia vem avançando cada vez mais, com ela alguns prejuízos drásticos vem ocorrendo, mas esta sacola irá ajudar muito aqui no Brasil.

Se cada família de todas as regiões nordestinas brasileiras que tem uma grande escassez de água, obter de quatro a oito sacos cada um [considerando que não sei o quanto o saco suporta de água] já será uma grande ajuda, pois supondo que cada família tenha oito sacos, quatro ficam em casa sendo purificados enquanto quatro começam a se purificar, e assim vai-se revezando, o que ajudaria muitas famílias necessitadas.

É claro que não podemos esquecer de que isso não muda o fato de termos de tratar essas águas poluídas, porém colaboraria muito nesse processo que parece ser tão demorado.

O governo brasileiro deveria comprar dúzias desses sacos e distribuir há todos que necessitam, pelo menos estaria fazendo algo, melhor do que deixar as pessoas se adoecerem por falta de limpeza de algo que é responsabilidade pública!

Genial!!!

São pessoas assim que me fazem ter vontade de lutar por um planeta mais justo e saudável:

SITE: http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/designers-coreanos-criam-saco-que-purifica-agua-a/view#1294164750

Espero que tenham gostado, achei realmente fantástica a idéia!!

E você também pode deixar o seu comentário, dizendo o que achou e dando idéias de como utilizá-lo.

J.H.C

Por Mim

Por mim
Escutaria sinfonias florais ao anoitecer
Declamando os mais belos poemas e...
Ops!
A sobrevivência não está (nem nunca esteve?) garantida!
É preciso comer antes de tudo.
Estar vivo é fazer-se presente ao mundo
sem restringir-se a quem se gosta
Habitar um corpo que urge necessidades
De modo que (veja só!) perdemos tempo
Pois a vida garantida e segura é fechada
Sem sal na sua ausência de variedades
Agora não há mais tempo pra mais nada
Inclusive o poema.

Mas por mim veria sempre
Os amigos de longa data
No calendário do coração
Daria meu melhor em cada gesto:
Mil faces a obter um mísero sorriso
Que dá total sentido à existência
e assim a doce recompensa
de ser alguém de valor

Amizade eterno amor
Que dizer da vida sem este ardor!

Rafael Cardoso

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Soneto da paranóia

Chega à noite, é preciso dormir
De pé não fico. O que está por vir
Não se sonha, não se sabe o que é
Senhores, pensam que estou lelé?

Antes estivesse. O que acontece
É profunda e radical mudança
Portanto a vida de todos dança
Na teia invisível que nos tece

E tenso com a situação
Não penso em mais nada toda hora
Então, que mais podemos fazer?

Inútil afagar o coração
Corpo e mente inertes, o olho chora
-Tudo passará. E vai doer!

Rafael Cardoso

domingo, 2 de janeiro de 2011

Constatação

Vi o ponteiro girando cada segundo
Na contagem regressiva à morte
Invisível aos amigos

Chegada a hora
Uma mão também invisível nos cala
Paradoxalmente agora
Pois falo sim (sons mudos): não ecoam
Nem pela parede da minha casa.
Falam eles também?
Não sei não escuto
Apenas fico de luto
Assim estamos
Pois andamos
Caminhos difusos
em sonhos confusos
Espero um dia voltar a pensar
Como triângulos obtusos
Mente aberta, multiangular

Alguns dias sucedem
Tristezas me antecedem
Ponteiros rodam em 360 graus
Voltam ao mesmo lugar
Parto para não mais voltar

E de repente a constatação:
Hora de estar só no mundo
Com uma viola na mão
Lutando segundo a segundo
Ante imponderável solidão
Novamente agonizo profundo
Meu relógio é atirado ao chão
Estarei livre do grande mal?
Os ponteiros marcam o ponto final.

Rafael Cardoso

sábado, 1 de janeiro de 2011

Receita De Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade